21/12/2025
A queda de Adão no jardim foi uma desgraça. O ser humano morreu espiritualmente, afastou-se do Deus santo e se tornou incapaz de voltar para Deus, por conta própria. Ainda assim, exatamente ali, no cenário da rebelião, a graça de Deus começa a se mover em direção ao pecador demonstrando graça e amor. É exatamente lá que começa o Natal.
Em Gênesis 3, essa graça aparece em gestos muito concretos. Deus vai ao encontro de Adão e Eva que se escondem, e pergunta: “Onde estás?”. A pergunta não é falta de informação, é misericórdia. Ele desperta a consciência, traz à luz o que foi quebrado, confronta o pecado e, ao mesmo tempo, estabelece limites que freiam a expansão do mal. As palavras de juízo não são explosões de ira, mas disciplina paterna que impede a autodestruição completa. A graça, aqui, não passa a mão sobre o pecado, mas o expõe e o freia para salvar o pecador.
Depois de cobri-los com vestes de peles do sacrifício, providenciando remissão, o Senhor os expulsa do jardim e guarda o caminho da árvore da vida, impedindo que o ser humano viva eternamente em estado de queda. É duro, mas é proteção. Há graça, também, nas portas que Deus fecha para nos impedir de afundar ainda mais.
Natal é a continuidade dessa mesma graça. O Deus que caminhou no jardim vem a nós em Cristo. Nele, Deus se aproxima, chama, confronta, disciplina, cobre e guarda um povo para si. A criança de Belém é o Cordeiro que, na cruz, realiza plenamente aquilo que foi esboçado em Gênesis 3; o Deus ofendido providenciando, ele mesmo, o caminho de volta. Viver o Natal à luz do Éden é descansar no fato de que a graça não começou quando Jesus nasceu; ela vinha caminhando desde o princípio e encontrou seu ápice no Filho encarnado. Pr. Lélio Lourenço.