Academia dos Juristas Católicos Humanistas - Ajuch/abh

Academia dos Juristas Católicos Humanistas - Ajuch/abh Academia dos Juristas Católicos Humanistas - AJUCH/ABH

12/01/2022

Nota pública

As chuvas e as cheias dos meses de dezembro e janeiro mais uma vez trazem imensas perdas humanas e materiais a centenas de Municípios do Estado de Minas Gerais, deixando entre a população – especialmente a mais pobre – um rastro de sofrimento e medo.

É muito provável, conforme reconhecem vários cientistas, que as causas do agravamento da intensidade dos fenômenos atmosféricos e naturais que ocorrem nesta época do ano estejam ligadas a processos globais de intervenção humana nociva ao equilíbrio dos ciclos naturais do planeta, nossa Casa Comum, sendo o aquecimento global outra faceta do mesmo problema.

Contudo, quando consideramos a realidade socioinstitucional de nosso Estado, percebe-se com clareza como são ações e omissões humanas e governamentais – e não fenômenos meteorológicos – os principais fatores a engendrar as perdas humanas, materiais e imateriais que se repetem ano a ano em nossa comunidade.

Se a ação gananciosa das empresas mineradoras não estivesse unida ao comportamento institucional falho, permissivo e lento dos poderes Executivo e Judiciário, não teríamos sofrido os crimes-tragédias de Mariana e Brumadinho (sem perspectiva de apuração e punição pelo Judiciário), nem as dezenas de rompimentos de barragens tais como ocorreu recentemente na Mina de Pau Branco em Nova Lima (barragem cuja insegurança e instabilidade – como é a regra entre as centenas delas espalhadas por nosso território – já havia sido objeto de inúmeros procedimentos administrativos e judiciais prévios).

Se o modelo econômico excludente que empurra e obriga a população mais pobre a morar em áreas geograficamente inseguras e perigosas não estivesse unido à secular omissão dos governos federal, estaduais e municipais
em promover de forma conjunta e cooperativa políticas públicas de saneamento, regularização fundiária e moradia popular, não teríamos ano a ano tantas mortes evitáveis, tantas famílias desabrigadas.

Neste momento em que Minas está sitiada pelas águas da chuva, da ganância e da omissão governamental, é hora de a população organizar-se solidariamente e engajar-se com coragem e ânimo tanto em ações emergenciais de doações e trabalho voluntário que acolha cada um dos desabrigados em suas necessidades mais prementes, como em ações estratégicas de médio prazo que pressionem os poderes constituídos a construírem políticas públicas necessárias para deixarmos de ser uma sociedade cronicamente incapaz de se planejar racionalmente e fazer frente preventivamente aos fenômenos naturais que nos assolam ano após ano.

Belo Horizonte, 11 de janeiro de 2022.

Professor Marciano Seabra de Godoi – Presidente da AJUCH/ABH
Academia dos Juristas Católicos Humanistas da Arquidiocese de Belo Horizonte

Professor José Luiz Quadros de Magalhães – Presidente da CAJP
Comissão Arquidiocesana Justiça e Paz da Arquidiocese de Belo Horizonte

Professor Robson Sávio Reis de Souza
Coordenação Geral do NESP

11/11/2021

NOTA DE APOIO À DEFENSORIA PÚBLICA

A Comissão Arquidiocesana de Justiça e Paz de Belo Horizonte, manifesta seu reconhecimento e apoio à Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais e às demais instituições irmãs nos Estados pela hercúlea luta constante em defesa dos direitos dos cidadãos e grupos vulneráveis. É notória a essencialidade democrática da missão da Defensoria Pública reconhecida formalmente na Constituição Federal/88 como princípio institucional, bem como a missão da defensora e do defensor públicos como agentes de cidadania e transformação social. Imperioso reforçar que o exercício diuturno nas funções aqui destacadas requer a manutenção e a ampliação dos instrumentos legais previstos especificamente na sua LCF 80/94 e leis estaduais.

Nesse sentido, vimos endossar as manifestações públicas em total apoio à Defensoria Pública na sua luta para manter a prerrogativa de requisição do defensor público, expressamente prevista no artigo 44 da LCF citada que afirma o direito de requisitar de autoridade pública e de seus agentes exames, certidões, perícias, vistorias, diligências, processos, documentos, informações, esclarecimentos e providências necessárias ao exercício de suas atribuições. É insofismável a importância do instrumento para a salvaguarda de direitos dos cidadãos e grupos vulneráveis, uma vez que facilita e catalisa o acesso à justiça, promovendo extrajudicialmente a citada requisição, em suas várias formas, agilizando sobremaneira as informações para a tomada de providências, sem imediata busca do poder judiciário. A nobre função desempenhada pelo defensor público e a importância institucional é celebrada atualmente pelos poderes, em diversas ocasiões, como a obrigação legal dos Estados em promoverem a instalação da Defensoria Pública em todas as comarcas até meados do ano de 2022. Tivemos conhecimento do Diagnóstico das Defensorias Públicas recentemente apresentado publicamente, e, nota-se, a importância do trabalho desenvolvido por seus membros. As iniciativas e ações no Estado de MG emprestam legitimidade à essa manifestação de apoio.

É inaceitável o retrocesso com a perda de prerrogativa legal de requisição. Há que se buscar o alargamento de sua atuação para o maior número de cidadãos brasileiros, de forma gratuita e integral, judicial e extrajudicial, também coletivamente, garantindo a cidadania, promovendo os direitos humanos, evitando, inclusive, a sobrecarga do Judiciário. Aguardamos vigilantes que o Egrégio Supremo Tribunal Federal – STF, em julgamento “on line” previsto a partir do dia doze de novembro, de 22 ADIs protocoladas pelo Procurador Geral da República Augusto Aras, mantenha a prerrogativa legal de requisição pelas defensoras e defensores públicos. Assim, nossa clara e contundente posição é de irrestrito apoio às Defensorias Públicas para manutenção do poder de requisição, fundamental à efetivação dos direitos dos cidadãos hipossuficientes e grupos vulnerabilizados. Nesse propósito, conclamamos os Senhores Ministros do STF a reconhecerem, mais uma vez, a imprescindibilidade da manutenção da esfera de atuação da Defensoria Pública para julgarem improcedentes os pleitos da Procuradoria Geral da República.

Belo Horizonte, 11 de novembro de 2021.

Prof. Dr. José Luiz Quadros de Magalhães
Comissão Arquidiocesana de Justiça e Paz de Belo Horizonte
Prof. Dr. Marciano Seabra de Godoi
Academia de Juristas Católicos Humanistas

A AJUCH e CAJP vêm a público manifestar solidariedade e apoio ao Santo Padre Papa Francisco, a Dom Orlando Brandes e à C...
19/10/2021

A AJUCH e CAJP vêm a público manifestar solidariedade e apoio ao Santo Padre Papa Francisco, a Dom Orlando Brandes e à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, diante dos ataques vis e degradantes proferidos recentemente por um deputado estadual de São Paulo.
Mais uma vez a sociedade brasileira assiste a um parlamentar abusar de suas prerrogativas e destilar publicamente seu discurso de ódio – ódio aos pobres, aos movimentos sociais e às lideranças da Igreja Católica que não se calam diante de atentados à democracia e à dignidade da pessoa humana. O discurso de ódio e a tentativa de desqualificar o outro com discursos violentos e intimidadores nada mais são do que uma tática antiga e baixa de deslegitimar a trajetória exercida por aqueles que se comprometem, de fato, com a nação.
Um líder religioso tem direito constitucional de se manifestar livremente contra as condutas abomináveis promovidas por governantes que se omitem diante dos graves problemas sociais do país e preferem difundir mensagens enganosas e diversionistas, como as que pregam irracionalmente o armamento da população como pretensa medida de combate aos problemas de segurança pública.
As instituições da Igreja Católica, seguidoras da mensagem de Papa Francisco, vêm atuando sempre com respeito e reconhecendo a integridade do outro, sem desrespeitar e deslegitimar nenhuma instituição. Discordar dos poderosos, lutar pela verdade e pela vida, expor com coragem as mazelas sociais é uma missão da Igreja, que nos últimos tempos vêm provocando cada vez mais ira, agressões e intimidações criminosas por parte inclusive de autoridades públicas. Essas reações violentas ferem os princípios democráticos e a liberdade religiosa. Um representante do povo deve, no mínimo, portar-se com dignidade e respeito ao ocupar seu espaço de fala na tribuna que lhe cabe no poder legislativo. Liberdade de expressão não significa fazer das palavras uma arma que ameaça ou fere de morte o outro; liberdade de expressão não é munição para a agressão, opressão e violação das demais liberdades previstas em nosso Estado Democrático. Isso é intolerável, não é política, não é democracia.

A Academia dos Juristas Católicos Humanistas da Arquidiocese de Belo Horizonte repudia com veemência o discurso violento...
10/09/2021

A Academia dos Juristas Católicos Humanistas da Arquidiocese de Belo Horizonte repudia com veemência o discurso violento, manipulador e intimidatório propagado pelo presidente da república no dia 7 de setembro.
Leia a carta na íntegra:https://arquidiocesebh.org.br/wp-content/uploads/2021/09/nota-de-repudio-ajuch.pdf

AJUCH promove o direito e a cidadania à luz dos princípios cristãos
28/06/2021

AJUCH promove o direito e a cidadania à luz dos princípios cristãos

A Academia dos Juristas Católicos Humanistas da Arquidiocese de Belo Horizonte (AJUCH/ABH) reúne juristas, advogados, membros do Poder Judiciário, do Ministério Público e professores com a missão de refletir sobre os desafios da aplicação da legislação e dos institutos jurídicos no mundo ...

18/06/2021

NOTA DE SOLIDARIEDADE A DOM VICENTE FERREIRA

Dom Vicente Ferreira, bispo auxiliar de Belo Horizonte e responsável pela região episcopal onde ocorreu o crime da Vale, em Brumadinho, é um profeta em nosso meio.

Suas posições claras na defesa da vida, principalmente dos "descartáveis", e contra "essa economia que mata" (pessoas, o meio ambiente e a relação com um Deus amoroso) têm incomodado os arautos do moralismo e os defensores de necropolíticas que excluem, condenam, segregam; enfim, matam.

Se por um lado Dom Vicente é atacado por servidores do deus-dinheiro e organizações religiosas fundamentalistas, como o Centro Dom Bosco, por outro, ele recebe o apoio, a solidariedade e o afeto de milhões de cristãos comprometidos com a paz, a justiça e a solidariedade, "para que todos tenham vida e vida em abundância".

Com Dom Vicente enfrentaremos os pseudo-profetas que, disfarçados em peles de cordeiro, propagam ódio, mentiras, calúnias e todo o tipo de ataque àqueles que estão ao lado dos sofredores e abandonados.

Nossa solidariedade e apoio incondicionais a Dom Vicente Ferreira e a todos/as os que lutam pela vida, igualdade, fraternidade e paz.

(Atenção: entidades que queiram assinar esta nota devem copiá-la, colocar a assinatura no final e publicar em suas redes).

Assinam:

- Movimento Nacional de Fé e Política
- Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas
- Comissão Arquidiocesana Justiça e Paz da Arquidiocese de BH
- Rede Brasileira de Fé e Política
- Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara
- Iser Assessoria
- SINFRAJUPE
- Setor Ambiental do Vicariato Episcopal para a Ação Social, Política e Ambiental da Arquidiocese de BH
- Comitê Arquidiocesano de Bioética da Arquidiocese de BH
- Pastoral Operária
- Missionários Combonianos
- Anima/PUC Minas
- CLASP - Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo
- International Movement We Are Church - São Paulo/Brasil
- Conselho Nacional de Leigos e Leigas do Brasil - CNLB
- Pastoral Universitária PUC Minas
- NEPAC/PUC Minas
- Academia de Juristas Católicos Humanistas da Arquidiocese de BH
- Instituto de Pastoral Vocacional
- CEFAP/ PUC Minas
- Coletivo de Fé e Política
- Articulação do Grito dos/as Excluídos/as de BH.
- Movimento AMOR - Pastoral do Povo de Rua SASJT
- Cáritas Brasileira - Regional MG
- Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM)
- Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
- Movimento Mineiro de Fé e Política
- Conselho Nacional de Igrejas Cristãs - CONIC MG
- Pastoral do Surdo da Arquidiocese de Belo Horizonte
- Pastoral Metropolitana dos Sem Casa - BH
- Pastoral Carcerária - BH
- Pastoral do Povo de Rua - BH
- Pastoral do Menor - BH
- Movimento Fé e Política - Espírito Santo
- Movimento Fé e Política - Planalto Central (DF e Região Metropolitana)
- Região Episcopal Nossa Senhora do Rosário - Arquidiocese BH
- Comissão Justiça e Paz - Brasília
- CEBI-MG
- Fraternidade Sacerdotal Jesus Caritas - Grupo MG Central
- Diáconos pela Vida
- Fórum Político Inter-religioso
- Setor Social do Vicariato Episcopal para a Ação Social Política e Ambiental - Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro Brasileiro – CENARAB -
- Fórum Inter-religioso e Ecumênico do RS - FIRE - Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC

06/05/2021
06/05/2021
A Academia dos Juristas Católicos Humanistas da Arquidiocese de Belo Horizonte (AJUCH-ABH) promove o Colóquio Mineração,...
27/04/2021

A Academia dos Juristas Católicos Humanistas da Arquidiocese de Belo Horizonte (AJUCH-ABH) promove o Colóquio Mineração, Sustentabilidade e Direito, amanhã, dia 28 de abril, a partir das 9h. O evento, na modalidade virtual, será transmitido pelo Facebook da AJUCH-ABH.

Para se inscrever: https://bit.ly/3ejoMr9

A Academia dos Juristas Católicos Humanistas da Arquidiocese de Belo Horizonte (AJUCH-ABH) promove o Colóquio Mineração,...
23/04/2021

A Academia dos Juristas Católicos Humanistas da Arquidiocese de Belo Horizonte (AJUCH-ABH) promove o Colóquio Mineração, Sustentabilidade e Direito, no dia 28 de abril, a partir das 9h. O evento, na modalidade virtual, será transmitido pelo Facebook da AJUCH-ABH.

Para se inscrever: https://bit.ly/3ejoMr9

Endereço

Avenida
Belo Horizonte, MG

Notificações

Seja o primeiro recebendo as novidades e nos deixe lhe enviar um e-mail quando Academia dos Juristas Católicos Humanistas - Ajuch/abh posta notícias e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado com qualquer outro objetivo, e pode cancelar a inscrição em qualquer momento.

Compartilhar

Categoria