23/05/2026
Aos sacerdotes de terreiro:
É preciso afirmar com clareza: o abandono dentro do axé não é simples ausência , é ruptura de dever espiritual, moral e coletivo. Aqueles que se afastam, negligenciam suas obrigações e retornam apenas quando lhes convém, afrontam a hierarquia, o sagrado e a estrutura que um dia os acolheu.
Vivemos uma inversão inadmissível: os omissos se justificam, enquanto os comprometidos são questionados. Isso não é religiosidade , é conveniência.
O descaso com igbás, assentamentos e obrigações contínuas não atinge apenas o sacerdote, recai sobre toda a comunidade. Gera sobrecarga, desorganiza o coletivo, fere o equilíbrio espiritual da casa e impõe aos que permanecem o peso daquilo que foi abandonado. O que um negligencia, muitos são obrigados a sustentar.
E mais: há uma consequência ainda mais grave, ignorada por aqueles que se afastam. Em caso de falecimento de quem abandonou suas obrigações, recai sobre o sacerdote, por dever espiritual e tradição, a responsabilidade de realizar os atos fúnebres, inclusive com dispêndio financeiro próprio. Um encargo sério, que é deixado de forma leviana por quem sequer considera esse impacto.
Diante disso, a formalização de responsabilidades não é opção , é proteção. Documentar deveres, vínculos e limites é resguardar o terreiro e sua comunidade contra a negligência e a má-fé.
No axé, não há espaço para conveniência:
compromisso não se interrompe, responsabilidade não se transfere e o coletivo não pode pagar pelo descaso individual.
Sejamos firmes. Vigilantes. E devidamente resguardados!
Atenciosamente: Bàbálòrìşá Marcelo Mohamad.