20/01/2026
História das Ondinas
Quando o mundo ainda aprendia a respirar,
as águas doces receberam guardiãs invisíveis.
Delas nasceram as Ondinas, filhas do movimento suave, da transparência e do silêncio profundo dos rios.
As Ondinas não habitavam o fundo escuro das águas, mas a superfície viva: o brilho do sol refletido, o canto que ecoa entre pedras,
o frescor que toca a pele e a alma.
Dizia-se que elas surgiam quando a água estava pura, e desapareciam quando o rio era ferido pela dor humana.
Por isso, nunca podiam ser possuídas, apenas sentidas.
As Ondinas tinham forma feminina, cabelos longos como correntezas e olhos que guardavam memórias antigas. Elas dançavam nas cachoeiras, deslizavam pelos riachos e cantavam para curar corações cansados.
Mas havia uma lei sagrada: as Ondinas não podiam amar humanos sem perder sua natureza.
Quem tentasse prendê-las veria a água secar entre os dedos.
Ainda assim, às vezes se deixavam ver — não por vaidade, mas para lembrar que a água é viva,
que sente, que escuta, que responde.
Quando um rio corre limpo,
dizem que é porque uma Ondina ainda habita ali.
Quando a água cura, acalma ou renova,
é o toque invisível delas passando.
Por isso, as Ondinas ensinam: respeite as águas doces, pois nelas moram espíritos antigos
que sustentam a vida e a alma do mundo.