Tenda de 7 Flechas - Egbé Ifá Aworeni

Tenda de 7 Flechas - Egbé Ifá Aworeni Organização Religiosa com cunho educacional

OMOLU – OBALUAIYÊOmolu é a Terra! Esta afirmação resume perfeitamente o perfil do Orixá, um dos mais temidos entre todos...
30/08/2026

OMOLU – OBALUAIYÊ
Omolu é a Terra! Esta afirmação resume perfeitamente o perfil do Orixá, um dos mais temidos entre todos os deuses africanos, o mais terrível Orixá da varíola e de todas as doenças contagiosas, o poderoso “Rei Dono da Terra”.
É preciso esclarecer, no entanto, que Omolu está ligado ao interior da terra (ninù ilé) e isso denota uma íntima relação com o fogo, já que esse elemento, como comprovam os vulcões em erupção, domina as camadas mais profundas do planeta.
Tanto no Candomblé quanto na Umbanda é sinônimo de temor, pois ninguém esconde nada deste Orixá. Ele é capaz de enxergar qualquer detalhe da vida de uma pessoa.
É também o responsável pela morte já que rege a terra e é dela que tudo nasce e tem seu fim. Mas, por outro lado, é o protetor dos doentes pobres, pois ele conhece o sofrimento de carregar uma enfermidade e não quer que ninguém passe por essa dor, assim ele está associado também a cura.
Toda a reflexão em torno de Omolu ocorreu colocando-o como um Orixá ligado à terra, o que é correto, mas não se pode desconsiderar a sua relação com o fogo do interior da terra, com as lavas vulcânicas, como os gases etc. O que pode ser mais devastador que o fogo? Só as epidemias, as febres, as convulsões lançadas por ele.
Orixá cercado de mistérios, Omolu é um deus de origem incerta, pois em muitas regiões da África eram cultuados deuses com características e domínios muito próximos aos seus. Omolu seria rei dos Tapas, originário da região de Empé. Em território Mahi, no antigo Daomé, um deus poderoso, guerreiro, caçador, destruidor e implacável, mas que se torna tranquilo quando recebe suas oferendas preferidas.
Nenhum humano pode ver Omolu sem a palha, seu brilho é intenso como o Sol, tal evento mataria qualquer um rapidamente, por isso ele se apresenta vestido de Filá e Azé, as roupas de palha. Ele está sempre curvado, como quem sente intensa dor e sofrimento. Senhor dos espíritos, mediador entre o mundo material e espiritual, sua significância vai muito além da aparência. Sua veste é a palha que esconde o segredo da vida e da morte.
Na África são muitos os nomes de Omolu, que variam conforme a região. Entre os Tapas era conhecido Xapanã (Sànpònná); entre os Fon era chamado de Sapatá-Ainon, que signif**a ”Dono da Terra”; os Iorubás o chamam Obaluaiyê e Omolu. Por prudência, é preferível chamá-lo Obaluaiyê, o "Rei, Senhor da Terra" ou Omolu, o "Filho do Senhor". Quando Xapanan se instalou entre os Mahis recebeu, em uma nova terra, o nome de Sapatá. Aí, também, era preferível chamá-lo Ainon, o "Senhor da Terra", ou então, Jeholú, o "Senhor das pérolas". O fato de ser chamado Jeholú e Ainon causou mal-entendidos entre Sapatá e os reis do Daomé, pois eles também usavam estes títulos. Enciumados, os Jeholú de Abomey expulsaram, várias vezes, Jeholú-Ainon do Daomé e obrigaram-no a voltar, momentaneamente, à terra dos Mahis. Jeholú Ainon vingou-se: vários reis daomeanos morreram de varíola! Atotô!
Omolu nasceu com o corpo coberto de chagas e foi abandonado pela sua mãe, Nanã Buruku, na beira da praia. Nesse contratempo, um caranguejo provocou graves ferimentos na sua pele. Iemanjá encontrou aquela criança e criou-a com todo amor e carinho; com folhas de bananeira curou as suas feridas e pústulas e transformou-o num grande guerreiro e hábil caçador, que se cobria com palha-da-costa (ikó) não porque escondia as marcas de sua doença, como muitos pensam, mas porque se tornou um ser de brilho tão intenso quanto o próprio sol.
Por essa passagem, o caranguejo e a banana-prata tornaram-se os maiores ewò (proibição) de Obaluaiyê.
O capuz de palha-da-costa (aze) cobre o rosto de Obaluaiyê para que os seres humanos não o olhem de frente (já que olhar diretamente para o próprio sol pode prejudicar a visão). A história de Omolu explica a origem dessa roupa enigmática, que possui um signif**ado profundo relacionado à vida e à morte. O aze guarda mistérios terríveis para simples mortais, revela a existência de algo que deve f**ar em segredo, revela a existência de interditos que inspiram cuidado medo, algo que só os iniciados no mistério podem saber. Desvendar o aze, a temível máscara de Omolu, seria o mesmo que desvendar os mistérios da morte, pois Omolu venceu a morte. Debaixo da palha-da-costa, Obaluaiyê guarda os segredos da morte e do renascimento, que só podem ser compartilhados entre os iniciados.
“Oba” signif**a Rei (Oni), “Ilu” espíritos e “Aiyê” signif**a terra, ou seja, Rei de Todos os Espíritos do Mundo.
A relação de Omolu com a morte dá-se pelo fato de ele ser a terra, que proporciona os mecanismos indispensáveis para a manutenção da vida. O homem nasce, cresce, desenvolve-se, torna-se forte diante do mundo, mas continua frágil diante de Omolu, que pode devorá-lo a qualquer momento, pois Omolu é a terra, que vai consumir o corpo do homem por ocasião da sua morte.
Obaluaiyê andou por todos os cantos de África, muito antes, inclusive, de surgirem algumas civilizações. Do ponto de vista histórico, Omolu é a idade anterior à Idade dos Metais. Ele peregrinou por todos os lugares do mundo, conheceu todas as dores do mundo, superou todas. Por isso Omolu se tornou o médico dos pobres, pois muito antes da ciência, salvava a vida dos necessitados. Durante a escravidão, só não pôde superar a crueldade dos senhores, mas de doenças livrou muitos negros e até hoje muitos pobres só podem recorrer a Omolu que nunca lhes falta.
Registram-se 12 caminhos atribuídos a esse Orixá, que também é considerado um dos mais antigos do Panteão Afro, sendo os mais conhecidos: Sapatá, Xapanan, Xankpanan, Babalu, Azoane, Ajagum, Ajunsun e Avimage.
Caminhos de Obaluaiyê:
Afomam – Carrega duas bolsas de onde retira as chagas e caminha com Ogum.
Agòrò – Sua roupa possui barras com palha e é de cor branca.
Akavan – Se veste de estampado e caminha com Oyá.
Ajágùnsí – Tem ligação com Nanã e Oxumarê.
Azoani – Veste palha vermelha e tem ligação com Oyá, Oxumarê e Iemanjá.
Azonsu – Carrega uma lança em suas mãos. Veste branco e tem ligação com Oxalá, Oxumarê e Oxum.
Jagun Agbá – Caminha com Iemanjá e Oxalufan.
Jagun Ajòjí/Sergi – Caminha com Ogum, Oxaguian e Exu.
Jagun – Ligado a Oyá e Oxaguian.
Jagun Igbonà – Tem ligação com Oxaguian e Obá.
Jagun Itunbé - Não gosta de feijão preto e está ligado a Oxaguian e Oxalufan.
Jagun Odé – Tem ligação com Ogum, Logunedé e Oxaguian.

Obaluaiyê carrega uma lança de madeira, o lagdigbá e o Xaxará para espantar as energias ruins e os eguns.
O colar que o simboliza é o lagdigbá, cujas contas são feitas da semente existente dentro da fruta do Igi-Opê ou Ogi-Opê, palmeiras pretas. Usa também Brajá, um colar grande de cauris (búzios).
Saudação: Atotô! Ajuberó!
Dia da semana: segunda feira
Elemento: terra seca
Domínio: doença e cura
Cores: preto / branco, vermelho/preto/branco, roxo, marrom
Metal: chumbo
Partes do corpo que rege: pele e pulmões
Período de vida que rege: dos 50 aos 60 anos, quando podem se manifestar problemas de saúde que levarão aos interesses pela vida espiritual como conforto.
Comidas: As pipocas (doburu) são as oferendas prediletas, coco fatiado regado com mel, farofa de amendoim, feijão preto refogado com milho, abadô, latipá, aberém e guguru.
Bebida: água de arroz, aguardente, vinho licoroso
Frutas: abacaxi, jaca
Ervas: jurubeba, canela de velho, agoniada, umbaúba, picão, erva de bicho, carqueja, velame, sabugueiro, babosa, alfavaca roxa, folha de berinjela, costela de adão, espinheira santa, urtiga mamão.
No sincretismo praticado pela Umbanda, dia 16 de agosto (São Roque) e 17 de dezembro (São Lázaro) são dias consagrados às comemorações de Omolu e Obaluaiyê.
Na Tradição do Batuque do Sul, este Orixá é chamado de Xapanã/Sapatá e seu dia consagrado é a quarta feira.
Saudação: Abao!
Suas cores são o vermelho/preto (Jubeteí e Belujá) e o roxo (Sapatá).
A comida preferida oferendada é o amendoim com feijão preto e milho.
Sincretismo: Nosso Senhor dos Passos, São Lázaro e São Roque
Ferramentas: A ele é entregue uma vassoura com 7 cores com a finalidade de limpeza espiritual, xaxará, ca****bo, revólver e todas as armas de fogo

(Babalorixá Marcelo D´Ogum )

Bibliografia:
– Cacciatore, Olga Gudolle, Dicionário dos Cultos Afro Brasileiros (1977);
- Pierre Fatumbi Verger e Carybé - Lendas Africanas dos Orixás - Editora Corrupio (1997);

Justa homenagem recebida pela Dra Bianca Hilgert, por ser no Estado do Rio Grande do Sul, a militante da causa LGBTQI+ e...
26/08/2026

Justa homenagem recebida pela Dra Bianca Hilgert, por ser no Estado do Rio Grande do Sul, a militante da causa LGBTQI+ e a operadora do Direito que esta sempre a disposição na defesa dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana. Sempre na luta contra as discriminações e co relatas.

O que faltava na sua biblioteca, numa linguagem simples o detalhamento de cada uma das linhas de Umbanda.Peça o seu pelo...
15/07/2026

O que faltava na sua biblioteca, numa linguagem simples o detalhamento de cada uma das linhas de Umbanda.
Peça o seu pelo WhatsApp 91 -920006401

Dia 29 de junho, comemora-se o dia de São Pedro, sincretizado com Xangô na Umbanda e também sincretizado com o Bará Lodê...
30/06/2026

Dia 29 de junho, comemora-se o dia de São Pedro, sincretizado com Xangô na Umbanda e também sincretizado com o Bará Lodê da Matriz Africana. Mas o que foi esse Sincretismo?
- Foi o processo de colocar em igualdade um Santo da Igreja Católica (Senhor das Chaves do Céu) com o Orixá Exu (Bará, Senhor das Chaves dos Caminhos de nossas vidas).
Reconhecida uma maneira inteligente, onde surgiu o primeiro processo de resistência dentro das senzalas, para que o africano cativo pudesse cultuar seus Orixás (forças da Natureza).
Todo esse processo aconteceu porque os africanos da diáspora eram proibidos pela Igreja Católica de cultuar os Orixás. O que é diáspora?
- Diáspora foi o nome dado ao sequestro dos africanos de sua terra natal, trazidos a força para uma terra estranha e sendo forçados a abandonar sua cultura, sua crença e todo seu modo de vida. Quase perdendo sua identidade em consequência de todo esse processo.
Muitos Terreiros de Matriz Africana, em todo Brasil, deixaram o sincretismo de lado, não mantendo mais as imagens dos Santos da Igreja
Católica, porém, devemos lembrar o sincretismo, por ter sido a primeira estratégia de resistência do Povo de Terreiro ao processo Colonial de massif**ação contra a cultura, que o Africano cativo sofreu. O sincretismo, portanto, faz parte da nossa história.
No Batuque do Sul, comemora-se Exu - Bará Lodê. Orixá Exu - Bará é quem estabelece a comunicação entre os seres humanos e a natureza divina que os cerca. Está diretamente ligado e relacionado com as partículas de energia que estão em nosso corpo, que o sangue se encarrega de distribuir. Orixá Bará atua como plasma sanguíneo bio-elétrico. Sendo assim, o plasma biológico pode ser definido como a manifestação bio-elétrica que está presente em todo organismo vivo.
Um princípio que caracteriza o universo é dualidade, pois o equilíbrio sempre é mantido sob ação de dois polos. A dualidade é a característica primordial do ser humano, onde f**a nítido na forma “corpo e espírito”. Neste aspecto a energia que chamamos de Bará é o grande dual.
Muitas dúvidas foram grafadas pela falta do real conhecimento ou estímulo da imaginação, visando usar o medo, usando má fé e, principalmente, a influência negativa por falta do saber que orienta o pensamento. Neste interim são alinhados os conceitos de maldade, do feio como antagônico de uma gênese mandatária e interesseira considerada o legado do bem, do belo, do divino. Simplesmente por pura ignorância!
Neste conceito ou melhor, pré-conceito, o Orixá Exu - Bará foi tido, e o é ainda, por muitos, como a personalização do demônio, do diabo. Numa visão distorcida e imposta, onde o demônio é simplesmente ruim e deus simplesmente bom. Visão cristã e eurocêntrica que chega às margens da grosseria.
Orixá Exu - Bará, não é demônio, muito menos a negação da bondade. Ele é o elemento dialético do cosmo, estando em todo local. É o “ser-força- movimento” que está em toda parte e pertence a todos os domínios existentes.
Esta energia oriunda da própria criação está diretamente associada e cumprindo o organograma cósmico estipulado por Olodumare. É o mensageiro dos demais Orixás, pois só ele pode dar movimento as coisas, num universo onde tudo está em movimento e evolução constante, em plena organizacionalidade e atividade.
Somente Orixá Exu - Bará pode dar sequência a evolução, pois somente ele pode transportar a mensagem do som que sai. Ele é a chama do fogo crescente que inicia seu caminho. É a ligação entre o ser humano e o divino, mesmo assim não perde sua individualidade, sua energia. Muito ao contrário, ele absorve a energia a qual está vinculado e recomeça junto com a sua própria energia uma nova trajetória, harmonizado com o todo, visando o cumprimento das regras do conjunto. (Babalorixá Marcelo Souza D´Ogum)

29/06/2026

Um texto que vale a pena, trata-se de uma pesquisa realizada por uma referencia em Antropologia Cultural de Matriz Africana nos Estados Unidos.
OXUM PRESENTEIA WARI COM OURO
Por Luiz Machado
Quando pesquisamos sobre certos Orixás, encontramos coisas verdadeiramente lindas, que nos comovem a alma e fazem nosso coração bater com a força da felicidade.
Quando fui pesquisar sobre Wàrí, o Senhor da energia e dos metais dourados, queria muito entender o porquê do dourado, pois o dourado sempre me lembra Oxum.
Sabia, como candomblecista, que há entre Eles uma forte afinidade; e, já conhecia alguns Ìtàns, que os ligavam. Contudo, este Ìtàn, narrado pelo povo de Ondo, vai além da afinidade. Ele mostra o grande amor e carinho de Oxum por Wàrí.
Oxum, Deusa-senhora do ouro, pede a Wàrí, grande e forte guerreiro, que fosse ao reino de Katana, pois o povo de lá não vivia em paz, e precisava de um grande homem para dar-lhes as diretrizes da firmeza e da coragem.
Wàrí, vendo que Oxum o pedia que fosse o grande intercessor àquele povo, parte para cumprir o pedido.
Lá chegando, Wàrí se depara com um povo sem vitalidade espiritual, sem energia, perdido dentro de seus medos e ignorância.
Ele busca o rei, contando-o o que Oxum o havia pedido.
O rei, a princípio, não gosta da ideia, pois ao seu povo, pareceria que ele, o rei, não tinha como contornar a situação. E, assim sentindo, não permite que Wàrí fale ao seu povo.
Wàrí, destemido como era, diz ao rei que não passaria por cima de sua autoridade. Pelo contrário. Ele colocaria o rei no patamar de real senhor; mas, mostraria ao seu povo, que com garra e determinação, todos alcançam a vitória, na luta interior, que ali, se via nítida como as águas de Oxum.
O rei, mesmo desconfiado, permite que Wàrí fale ao seu povo. E, com nobreza na alma, Wàrí começa a falar:
"Povo de Kitana, Oxum me pediu que aqui estivesse, pois Ela sabe do vosso sofrimento interno, que não os permite enfrentar o mundo interior, nem o exterior.
Vejam o semblante de vosso rei, que sofre com vossa dor.
Acordem! Reajam! Lutem! Vocês são fortes e têm dentro da alma, a firmeza e a força, que o Òrún envia todos os dias até vós.
Sejam fiés ao Òrún, e NUNCA, JAMAIS duvidem do amor de Òlòrún por vocês.
Vocês são vida. E, como vida, têm que olhar o Òrún e agradecer por tudo que ELE os envia.
Sejam fortes e firmes, e nunca percam a fé, pois a fé é a mãe da esperança!"
Ao ouvirem aqueles sábias palavras, o povo Kitana começa a cantar, sentindo na alma a força, que emanava de Wàrí.
Essa força era tão grande, que fluia de seu corpo, como jatos dourados de luz, fazendo com que toda a aldeia dançasse e cantasse, pois a fé os havia retornado aos corações.
Wàrí, vendo seu dever cumprido, se despede do povo, seguindo seu caminho de volta ao reino de Oxum.
Lá chegando, Oxum o recebe com com pedras de ouro nas mãos, dizendo que daqui dia em diante, o ouro que existia no coração de Wàrí, seria o ouro da vitória de todos os seus filhos.
Wàrí recebe as pedras, e as mesmas, transformam-se em uma espada, dando a Ele a força e o Axé da vitória em todos os sentidos.
Meus irmãos e minhas irmãs, sem a fé, nunca teremos a "espada de ouro" da vitória em nossas mãos.
Tenhamos fé e acreditemos!
Axé e meu respeito a todos.
Texto dedicado ao irmão Marcelo Souza, com todo o meu respeito.
https://www.facebook.com/groups/candombleaguasancestrais/permalink/1140196929410951/

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Conhecendo EwáConhecida por sua aparência exótica, Ewá é também símbolo da beleza e sensualidade, mas nunca se entregou ...
26/06/2026

Conhecendo Ewá
Conhecida por sua aparência exótica, Ewá é também símbolo da beleza e sensualidade, mas nunca se entregou a nenhum homem, se conservando casta e se tornando protetora de tudo que é virgem e puro, desde o ser humano até mesmo as florestas e rios. Sua origem é um tanto controversa. Alguns afirmam que tal como Oxumaré, Nanã, Omulú e Iroko, Ewá era cultuada inicialmente entre os Mahi, sendo assimilada pelos Iorubas e inserida em seu panteão. Nas correntes do Daomé existe uma divindade chamado Dan. A força desse Orixá estava concentrada em uma cobra que engolia a própria cauda, o que denota um sentido de perpétua continuidade da vida, pois o círculo nunca termina. Ewá teria o mesmo signif**ado de Dan ou uma das suas metades. A outra seria Oxumaré. Ewá ou Iyewá é uma divindade feminina reverenciada como a dona dos horizontes, da névoa e do cemitério. Pertence ao Panteão da Terra e seu nome signif**a mãezinha do caráter. Também é cultuada no rio Yewá, em lagos da Nigéria. Não podemos neste cenário confundir pureza com ingenuidade, pois trata-se de uma Orixá é muito astuta e esperta. Às vezes é confundida com Oxumaré, assim ela costuma ser cultuada juntamente com seu irmão e os dois são responsáveis pela energia do arco-íris. Ela também possui a serpente como seu símbolo, só que em tamanho menor que a de Oxumaré. Outras vezes a confundem com Orixá Oxum Guerreira, outros ainda como a parte feminina de Oxumaré. Fato este que se dá por ser pouco cultuada em Terras brasileiras. Trata-se de uma energia cultuada no Candomblé, é regente da neblina e dos nevoeiros, e quem a desafia costuma se perder na vida e nunca mais consegue encontrar o seu caminho. Mulher guerreira e de grande sabedoria, Ewá não possui medo da morte e já a enganou diversas vezes. Segundo alguns Itan’s , Ela vive no cemitério junto com Oyá e Omulú. Desempenha o papel na morte de entregar o corpo a Oyá, para Omulú leva-lo a Oko, que o devora, devolvendo a matéria primordial. a Nanã. Em outros na névoa, no arco-íris com Oxumaré e juntos mantém fundamentos em comum, inclusive dançam juntos, eles conduzem o arco-íris e o ciclo da água. Ewá também tem o poder da vidência, atributo que Orumilá lhe concedeu. É também a rainha do céu estrelado e dos cosmos, ou seja, do lugar onde o homem não alcança. Sua saudação Ri Rô Ewá! – Signif**ado: Doce, branda Ewá! No Brasil é tradição também que Ela ocupe somente a cabeça de mulheres, portanto ela se apresenta somente em filhos de santos femininos. Seus símbolos são: o Ofá usado em guerra, o arpão, a cobra e a lira. O sincretismo é com Santa Luzia e seu dia da semana é terça-feira. Considerada a cor branco no arco-íris. Usa as cores Coral, Rosa e Vermelho vivo. Sua Comida é o Adimu, trata-se de: feijão fradinho refogado, feijão preto refogado, milho de galinha cozido, batata doce picada e cozida, camarão seco, banana da terra picada e coco cozido e picado em cubos. Tudo em pequenas porções sem misturar.
Qualidades: Ewá Awo : Senhora dos jogos de Búzios. Está junto com Oyá, Oxóssi e Ossaiyn; Ewá Bamio : Dona das pedras preciosas. Ligada a Ossaiyn;
Ewá Fagemy : Senhora dos arco íris. Ligada a Oxum e Oxalá;
Ewá Gyran : Senhora dos raios solares. Ligada a Omulú, Oxóssi e Oxum;
Ewá: Gebeuyin: Se transforma em serpente azulada nas tempestades. Ligada a Omulú, Oyá e Oxum;
Ewá Salamim: Senhora guerreira e das matas, ligada a Iyemanjá e a Ogum;
Analisando como uma profunda reflexão sobre o aspecto feminino da virgindade. Ele é muito mais que não ser inviolada por um homem. É o aspecto de não pertencer ou ser "impenetrável" ao homem. É a mulher que não é afetada pela necessidade de um homem ou pela necessidade de ser aprovada por ele, que existe completamente separada dele, em seu próprio direito. Portanto, quando a mulher está vivendo um arquétipo de virgem, isso signif**a que um aspecto signif**ativo seu é psicologicamente virginal, e não que ela seja fisicamente ou literalmente virgem. Analisando o arquétipo desta Deusa, a luz da hermenêutica e da psicologia comportamental vamos nos ater no fato de toda mulher carrega em si um aspecto de virgindade, mesmo que já seja casada e mãe. É o aspecto da prima mater que deseja ser fecundado para que possa gerar nova vida. A mulher voltada a sí mesma, indiferente dos epítetos de esposa e mãe. Mostra a em nuances um lado de sua personalidade que não é afetado pelo contexto criado como norma coletiva sociocultural. Retrata no momento aonde o interior criativo deve ser fecundado por seu motivacional. Claro que este lado manifesto, ao externar de maneira muito extrema, pode ser muito perigoso. A mulher pode se tornar alheia a relacionamentos, não se permitindo viver emoções e experiências transformadoras. Um ponto importante desse arquétipo, a ser estudado, e que também se liga ao tema da virgindade é o fato de Ewá ser o Orixá que transforma a água de seu estado líquido para o estado gasoso, gerando as nuvens e chuvas. O Arco-íris é um símbolo da sublimação, que é o processo onde uma substância de um estado se eleva a outro. Tudo o que se refere ao movimento para cima, como escadas, aviões, elevadores, etc... , está diretamente ligado ao principio da Alquimia chamado de sublimatio. Ou seja, o arco-íris inatingível, o céu, a névoa, campos de atuação de Ewá correspondem a essa operação alquímica.
No livro Psique de Angela Lago, ....”Quanto mais alto nos elevamos, tanto maior e mais ampla nossa perspectiva, mas, ao mesmo tempo, tanto mais distantes f**amos da vida real e tanto menor a nossa capacidade de agir sobre aquilo que percebemos. Tornam-nos expectadores magníficos, mas impotentes”.... Podemos perceber que a vontade de se colocar acima dos problemas, usar o imaginário, para ter uma nova perspectiva sobre os problemas, mas também pode nos alienar dessas mesmas emoções.
Esse arquétipo, representado por Ewá, não se altera por suas experiências com os outros. Nunca é dominada por suas emoções, nem por outros. É invulnerável ao sofrimento, intocáveis nos relacionamentos, sendo, portanto, inacessíveis a transformações. Existem mitos, contando como Ewá se decepcionou com Xangô indo viver no cemitério. Ao morar no cemitério, Ewá se torna morta para qualquer atividade afetiva. Essa é uma das características da mulher dominada pelo animus. A possessão pelo animus, ao contrário da anima, leva a mulher à morte. A morte de sua criatividade, de sua capacidade de se relacionar e amar. O contraditório de Oyá, que mesmo sendo a senhora dos mortos mantinha relacionamentos e era sexualmente ativa. Podemos finalizar analise deste arquétipo, sabendo que pode nos ajudar a nos distanciar dos problemas e das emoções intensas, de forma a garantir que possamos ver a situação como um todo e tomarmos uma decisão mais acetada. Aparece aí uma clássica representação do nosso aspecto virginal, puro, nossa prima mater, que guardamos em nosso íntimo e que não deve se submeter às convenções sociais. Mas para nosso crescimento evolutivo pessoal, num processo de individuação deve se abrir para a Opus, deve se abrir à fecundação, para que possa gerar novos frutos e concluir nossa transformação. Este é o campo energético no inconsciente feminino que é chamado de Ewá.
Babalawo Ifasegun Aworeni Babalorixá Marcelo D’Ogum Babá Osá Iná
Bibliografia:
- Cacciatore, Olga Gudolle, Dicionário dos Cultos Afro Brasileiros (1977);
- Pierre Fatumbi Verger e Carybé – Lendas Africanas dos Orixás - Editora Corrupio (1997)
- Psiquê , Lago, Angela – Ed Cosac Naify, 2009 – São Paulo - Alquimia Consciencial – Sublimatio – Beck, Ana - www.anabeck.com.br - A Alquimia Em três Dimensões, Siqueira, Antônio – Ed Brasiliense, 1994 – São Paulo - Sobre comportamento e cognição : psicologia comportamental e cognitiva: questionando e ampliando a teoria e as intervenções clínicas e em outros contextos, Wielenska, Regina Christina – Ed ESETec,2001 – Santo André

Denunciando o plágio cometido por esta instituição. A logomarca da Tenda do 7 Flechas  usada e registrada desde do no de...
23/05/2026

Denunciando o plágio cometido por esta instituição. A logomarca da Tenda do 7 Flechas usada e registrada desde do no de 2010.
Os administradores foram avisados e continuam usando a marca indevidamente. O Gente sem vergonha.

A ligação entre Ajalá e o Orí.Ajalá é o oleiro primordial. A parte de Oxalá responsável pela criação física dos homens, ...
10/05/2026

A ligação entre Ajalá e o Orí.

Ajalá é o oleiro primordial. A parte de Oxalá responsável pela criação física dos homens, por seu corpo, sua cabeça (onde vive Orí). Orixá esquecido no Brasil.
Ele representa o aspecto mais orgânico do ser humano; o tipo de barro, de maior ou menor qualidade, mais ou menos cozido (o que implica maior ou menor número de problemas), mais claro ou escuro.
Ajalá mistura ao barro folhas, frutas, minérios, sangues e uma série de materiais que determinam como será aquela pessoa, como Orí poderá agir nela. Estes ingredientes, com o tempo perdem o Asé (energia) e precisam ser de vez em quando, repostos, o que é feito nos rituais Tradicionais da Matriz Africana, entre eles a iniciação.

Diz um dos mitos que Ajalá foi incumbido de moldar as cabeças dos homens com a lama do fundo dos rios e outros elementos da natureza. Ele moldava as cabeças e as punha para assar em seu forno. Ajalá tinha, contudo, o hábito de embriagar-se enquanto cozia o barro e criou muitas cabeças defeituosas, queimando algumas e deixando outras com o barro cru. A causa dos problemas que muitas pessoas apresentam antes de serem iniciadas viria exatamente de um Orí cru, ou queimado, ou mal proporcionado feito durante alguma bebedeira de Ajalá.
Como os Orixás não gostam de cabeças ruins, a pessoa f**aria desprotegida, sem a energia do Orixá.
Depois que Ajalá terminava de fazer os Oris (cabeças), Obatalá soprava nelas e lhes dava ENI, a vida.
Forjador de destinos, Ajalá os coloca ao dispor dos homens e mulheres para que estes os escolham.
Os destinos escolhidos se cumprirão um dia. Quando caberá a cada qual novamente escolher.
Orí é a cabeça que norteia todos os seres humanos e “Apéré” é seu suporte, por essa razão, sempre que louvamos Orí, evocamos também o seu suporte “Orí Apéré-oooooo!”, bem como o Orí Inú (encéfalo) “Orí Inú-oooo!” .
Ajalá é a divindade à qual Olodumarè atribuiu a responsabilidade de “modelar” o Orí das pessoas. Muito embora Ajalá seja habilidoso na “arte de moldar cabeças”, por vezes ele comete erros e então surgem os “Orí Buruku”, que são as “cabeças defeituosas”. Cremos que mesmo antes do nascimento, escolhemos nosso Orí, pedindo-lhe junto à Ajalá. Essa “solicitação” é denominada “Àkúnlèyàn”, nesse momento o indivíduo “acorda” a sua permanência no Aiyê, dentre outros aspectos de sua vontade.
Isto posto, Ajalá dá a pessoa aquilo que os Iorubás chamam de “Akúnlègbà”, que é na verdade uma espécie de “mola propulsora” para que os “desejos acordados” sejam realizados.
Por fim, Ajalá concede “Àyànmò” que é a parte do destino que mesmo através da mediação dos Orixás não será jamais alterada. Ou seja, “Àkúnlèyàn” e “Akúnlègbà” podem sofrer alterações ao longo da vida.
Essas alterações são possibilitadas por meios de oferendas, as quais são vislumbradas através do oráculo ou pela “fala” dos Orixás, entretanto, aquilo que fora determinado em “Àyànmò” jamais sofrerá mudanças.
A afirmação de que nós mesmos escolhemos nosso Orí é fundamentada através de um Itán, publicado por Abimbola, o qual diz que Ifá foi consultado para “Orísèékú”, “Orílèémèrè” e “Afùwàpé”. Quando eles foram escolher seus respectivos Orí junto à Ajalá, o grande moldador de cabeças, Ifá determinou que eles fizessem sacrifícios de modo que escolhessem um bom Orí para o seus destinos.
Orísèékú e Orílèémèrè ignoraram a recomendação de Ifá e somente Afùwàpé fez o que lhe fora designado. Como consequência, Afùwàpé teve muita sorte e prosperidade em sua vida, haja vista que, graças aos sacrifícios realizados, ele escolheu o “Orí certo” (Orí Réré). No entanto, Orísèékú e Orílèémèrè, que não seguiram a determinação de Ifá não tiveram a mesma sorte.
Ajalá é um Orixá muito antigo. Todos os dias, Ajalá faz muitas cabeças que depois de prontas, são colocadas ao sol.
Quando uma pessoa está para nascer, ela antes vai até Ajalá para escolher uma cabeça.
O material usado para modelar cada cabeça dá a pessoa que a escolher, seu destino e seus ewós (proibições).
Orí, portanto, e a parte pessoal da existência de cada um. Ao escolher uma cabeça, a pessoa está também escolhendo o seu Odu.
O Odu é semelhante ao signo astrológico e rege a vida da pessoa durante sua permanência no Aiyê. Só Ajalá e Orunmilá conhecem o Odu de cada um. Por isso, o Odu só pode ser desvendado através do jogo.
A cabeça nasce antes do corpo, sendo mais velha que a pessoa e até mesmo que o Orixá que a tomou no momento em que ela nasceu. Por isso, antes de mais nada as pessoas devem adorar seu Orí, cuidar dele. Cada pessoa tem o seu Orí, não existindo dois iguais. Mas mesmo sendo único, o Orí traz com ele a marca da ancestralidade.
O local de onde Ajalá tira a massa para modelar Orí é chamado Ìpori e aí se encontra a herança de cada um, especialmente do pai da mãe. Assim, tendo Orí em si um componente de ancestralidade, as pessoas devem, antes de tudo, venerar seus antepassados.
O alimento preferido da cabeça é o obi (noz de cola). O obi pode ser oferecido á cabeça sozinho ou acompanhado de outros alimentos. A obrigação na qual se “dá comida á cabeça” é o Bori.

Bori signif**a “festejo a cabeça, assim como outras obrigações são festejos aos Orixás ou aos ancestrais. Mesmo uma pessoa não iniciada pode dar um Bori, desde que o jogo assim o recomende. Assim como qualquer outra obrigação, o Bori deve ser precedido por um jogo, que indicará não só sua conveniência, como também tudo que deverá conter a obrigação, inclusive a descriminação dos alimentos a serem oferecidos.
A cabeça está no nascente e os pés no poente. Por isso, durante o Bori os ancestrais da pessoa são invocados, batendo no pé direito para chamar o pai e no pé esquerdo para chamar a mãe. O simbolismo dos pés, em contraposição ao simbolismo da cabeça, é importante. Os pés estão em contato direto com a terra.
Assim como a cabeça recebe o Orixá, o pé a parte do corpo que permite a comunicação com os ancestrais. É na terra que os mortos são enterrados e é da terra que saem os eguns – espíritos dos mortos, que são os ancestrais.
O Bori é uma obrigação que visa fortalecer a cabeça para que ela esteja preparada para sustentar a pessoa, seja na vida particular, seja na vida religiosa. Por isso, quando uma pessoa está atravessando uma fase difícil, usa-se recomendar um Bori. Na vida religiosa, o Bori tem também uma função determinante: é uma participação , uma forma de pedir licença a Orí para fazer qualquer coisa na cabeça da pessoa.
Outro aspecto importante é que o Orixá não pode atuar de forma positiva sobre a cabeça de um filho se essa pessoa estiver com a cabeça “fraca”. Como o agricultor prepara a terra onde a semente deverá germinar, também a Iyalorixá ou Babalorixá, prepara Orí para receber os Asé ’s que serão dados pelos seus filhos.
Ajalá está esquecido no Brasil, tendo sido substituído por Iyemanjá, a dona das cabeças, a quem se canta, no Xirê, quando os iniciados tocam a cabeça com as mãos para lembrar esse domínio e na cerimônia de sacrifício à cabeça (Bori), rito que precede a iniciação ao orixá daquela pessoa.
A cabeça, o Orí, é associada ao destino, que não pode ser mudado e mesmo a infelicidade é entendida como consequência de uma escolha mal feita.
Em Cuba, conforme vários mitos, Odudua teria feito as cabeças, as quais são cultuadas no assentamento individual de cada iniciado da entidade denominada Ossum, que na mitologia africana é uma das mulheres de Orunmilá. Não confundir com a Orixá Oxum.
Se Iyemanjá é Iyá Orí, Ajalá é Babá Orí (pai da cabeça).
Mojubá a todos.
(Bàbálawo Ifasegun Aworeni / Bàbá Marcelo D’Ogum)

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