Tenda de 7 Flechas - Egbé Ifá Aworeni

Tenda de 7 Flechas - Egbé Ifá Aworeni Organização Religiosa com cunho educacional

Denunciando o plágio cometido por esta instituição. A logomarca da Tenda do 7 Flechas  usada e registrada desde do no de...
23/05/2026

Denunciando o plágio cometido por esta instituição. A logomarca da Tenda do 7 Flechas usada e registrada desde do no de 2010.
Os administradores foram avisados e continuam usando a marca indevidamente. O Gente sem vergonha.

A ligação entre Ajalá e o Orí.Ajalá é o oleiro primordial. A parte de Oxalá responsável pela criação física dos homens, ...
10/05/2026

A ligação entre Ajalá e o Orí.

Ajalá é o oleiro primordial. A parte de Oxalá responsável pela criação física dos homens, por seu corpo, sua cabeça (onde vive Orí). Orixá esquecido no Brasil.
Ele representa o aspecto mais orgânico do ser humano; o tipo de barro, de maior ou menor qualidade, mais ou menos cozido (o que implica maior ou menor número de problemas), mais claro ou escuro.
Ajalá mistura ao barro folhas, frutas, minérios, sangues e uma série de materiais que determinam como será aquela pessoa, como Orí poderá agir nela. Estes ingredientes, com o tempo perdem o Asé (energia) e precisam ser de vez em quando, repostos, o que é feito nos rituais Tradicionais da Matriz Africana, entre eles a iniciação.

Diz um dos mitos que Ajalá foi incumbido de moldar as cabeças dos homens com a lama do fundo dos rios e outros elementos da natureza. Ele moldava as cabeças e as punha para assar em seu forno. Ajalá tinha, contudo, o hábito de embriagar-se enquanto cozia o barro e criou muitas cabeças defeituosas, queimando algumas e deixando outras com o barro cru. A causa dos problemas que muitas pessoas apresentam antes de serem iniciadas viria exatamente de um Orí cru, ou queimado, ou mal proporcionado feito durante alguma bebedeira de Ajalá.
Como os Orixás não gostam de cabeças ruins, a pessoa ficaria desprotegida, sem a energia do Orixá.
Depois que Ajalá terminava de fazer os Oris (cabeças), Obatalá soprava nelas e lhes dava ENI, a vida.
Forjador de destinos, Ajalá os coloca ao dispor dos homens e mulheres para que estes os escolham.
Os destinos escolhidos se cumprirão um dia. Quando caberá a cada qual novamente escolher.
Orí é a cabeça que norteia todos os seres humanos e “Apéré” é seu suporte, por essa razão, sempre que louvamos Orí, evocamos também o seu suporte “Orí Apéré-oooooo!”, bem como o Orí Inú (encéfalo) “Orí Inú-oooo!” .
Ajalá é a divindade à qual Olodumarè atribuiu a responsabilidade de “modelar” o Orí das pessoas. Muito embora Ajalá seja habilidoso na “arte de moldar cabeças”, por vezes ele comete erros e então surgem os “Orí Buruku”, que são as “cabeças defeituosas”. Cremos que mesmo antes do nascimento, escolhemos nosso Orí, pedindo-lhe junto à Ajalá. Essa “solicitação” é denominada “Àkúnlèyàn”, nesse momento o indivíduo “acorda” a sua permanência no Aiyê, dentre outros aspectos de sua vontade.
Isto posto, Ajalá dá a pessoa aquilo que os Iorubás chamam de “Akúnlègbà”, que é na verdade uma espécie de “mola propulsora” para que os “desejos acordados” sejam realizados.
Por fim, Ajalá concede “Àyànmò” que é a parte do destino que mesmo através da mediação dos Orixás não será jamais alterada. Ou seja, “Àkúnlèyàn” e “Akúnlègbà” podem sofrer alterações ao longo da vida.
Essas alterações são possibilitadas por meios de oferendas, as quais são vislumbradas através do oráculo ou pela “fala” dos Orixás, entretanto, aquilo que fora determinado em “Àyànmò” jamais sofrerá mudanças.
A afirmação de que nós mesmos escolhemos nosso Orí é fundamentada através de um Itán, publicado por Abimbola, o qual diz que Ifá foi consultado para “Orísèékú”, “Orílèémèrè” e “Afùwàpé”. Quando eles foram escolher seus respectivos Orí junto à Ajalá, o grande moldador de cabeças, Ifá determinou que eles fizessem sacrifícios de modo que escolhessem um bom Orí para o seus destinos.
Orísèékú e Orílèémèrè ignoraram a recomendação de Ifá e somente Afùwàpé fez o que lhe fora designado. Como consequência, Afùwàpé teve muita sorte e prosperidade em sua vida, haja vista que, graças aos sacrifícios realizados, ele escolheu o “Orí certo” (Orí Réré). No entanto, Orísèékú e Orílèémèrè, que não seguiram a determinação de Ifá não tiveram a mesma sorte.
Ajalá é um Orixá muito antigo. Todos os dias, Ajalá faz muitas cabeças que depois de prontas, são colocadas ao sol.
Quando uma pessoa está para nascer, ela antes vai até Ajalá para escolher uma cabeça.
O material usado para modelar cada cabeça dá a pessoa que a escolher, seu destino e seus ewós (proibições).
Orí, portanto, e a parte pessoal da existência de cada um. Ao escolher uma cabeça, a pessoa está também escolhendo o seu Odu.
O Odu é semelhante ao signo astrológico e rege a vida da pessoa durante sua permanência no Aiyê. Só Ajalá e Orunmilá conhecem o Odu de cada um. Por isso, o Odu só pode ser desvendado através do jogo.
A cabeça nasce antes do corpo, sendo mais velha que a pessoa e até mesmo que o Orixá que a tomou no momento em que ela nasceu. Por isso, antes de mais nada as pessoas devem adorar seu Orí, cuidar dele. Cada pessoa tem o seu Orí, não existindo dois iguais. Mas mesmo sendo único, o Orí traz com ele a marca da ancestralidade.
O local de onde Ajalá tira a massa para modelar Orí é chamado Ìpori e aí se encontra a herança de cada um, especialmente do pai da mãe. Assim, tendo Orí em si um componente de ancestralidade, as pessoas devem, antes de tudo, venerar seus antepassados.
O alimento preferido da cabeça é o obi (noz de cola). O obi pode ser oferecido á cabeça sozinho ou acompanhado de outros alimentos. A obrigação na qual se “dá comida á cabeça” é o Bori.

Bori significa “festejo a cabeça, assim como outras obrigações são festejos aos Orixás ou aos ancestrais. Mesmo uma pessoa não iniciada pode dar um Bori, desde que o jogo assim o recomende. Assim como qualquer outra obrigação, o Bori deve ser precedido por um jogo, que indicará não só sua conveniência, como também tudo que deverá conter a obrigação, inclusive a descriminação dos alimentos a serem oferecidos.
A cabeça está no nascente e os pés no poente. Por isso, durante o Bori os ancestrais da pessoa são invocados, batendo no pé direito para chamar o pai e no pé esquerdo para chamar a mãe. O simbolismo dos pés, em contraposição ao simbolismo da cabeça, é importante. Os pés estão em contato direto com a terra.
Assim como a cabeça recebe o Orixá, o pé a parte do corpo que permite a comunicação com os ancestrais. É na terra que os mortos são enterrados e é da terra que saem os eguns – espíritos dos mortos, que são os ancestrais.
O Bori é uma obrigação que visa fortalecer a cabeça para que ela esteja preparada para sustentar a pessoa, seja na vida particular, seja na vida religiosa. Por isso, quando uma pessoa está atravessando uma fase difícil, usa-se recomendar um Bori. Na vida religiosa, o Bori tem também uma função determinante: é uma participação , uma forma de pedir licença a Orí para fazer qualquer coisa na cabeça da pessoa.
Outro aspecto importante é que o Orixá não pode atuar de forma positiva sobre a cabeça de um filho se essa pessoa estiver com a cabeça “fraca”. Como o agricultor prepara a terra onde a semente deverá germinar, também a Iyalorixá ou Babalorixá, prepara Orí para receber os Asé ’s que serão dados pelos seus filhos.
Ajalá está esquecido no Brasil, tendo sido substituído por Iyemanjá, a dona das cabeças, a quem se canta, no Xirê, quando os iniciados tocam a cabeça com as mãos para lembrar esse domínio e na cerimônia de sacrifício à cabeça (Bori), rito que precede a iniciação ao orixá daquela pessoa.
A cabeça, o Orí, é associada ao destino, que não pode ser mudado e mesmo a infelicidade é entendida como consequência de uma escolha mal feita.
Em Cuba, conforme vários mitos, Odudua teria feito as cabeças, as quais são cultuadas no assentamento individual de cada iniciado da entidade denominada Ossum, que na mitologia africana é uma das mulheres de Orunmilá. Não confundir com a Orixá Oxum.
Se Iyemanjá é Iyá Orí, Ajalá é Babá Orí (pai da cabeça).
Mojubá a todos.
(Bàbálawo Ifasegun Aworeni / Bàbá Marcelo D’Ogum)

Existiu um tempo, que seres humanos eram vendidos ou trocados por outras mercadorias, foram escravizados e mortos, depoi...
09/05/2026

Existiu um tempo, que seres humanos eram vendidos ou trocados por outras mercadorias, foram escravizados e mortos, depois de sequestrados brutalmente da sua terra, transportados como cargas em navios que eram apelidados de tumbeiros, famílias foram separadas, passando por terríveis privações e trabalhando quase que ininterruptamente nas terras colonizadas do nosso pais, então colônia de Portugal. Usando a astucia e sabedoria, foram pouco a pouco sobrevivendo e constituindo seu culto aos Orixás e antepassados, ensinando aos mais jovens e, através do sincretismo, a preservarem sua cultura e religião. Tudo isto com muita dificuldade e persistência. Estas pessoas, que foram feitas escravos, vinham de diversas nações africanas, transformados em mercadorias, seres ditos “sem alma”, apenas objetos de venda para o trabalho. No dia 13 de maio, nossa Umbanda comemora Preto Velho, uma linha de Yorimá, que traz a sua mensagem de Sabedoria, superação e resignação. O Preto Velho represente tudo isto, para aqueles que o procura, o sábio que cura, ensina e educa, para os encarnados e desencarnados necessitados de luz e de um caminho a trilhar. Pois representa a humildade, jamais demonstrando qualquer tipo de sentimento de vingança contra as atrocidades e humilhações sofridas no passado. Ajuda a todos que necessitam e o procuram, independentemente de cor, s**o ou religião. Trata-se de um espírito que já alcançou um grau de evolução tal, que tem a capacidade de descer sob qualquer forma passada para cumprir sua missão na Terra. Para todos ao falar em Preto Velho, e no vem ao pensamento uma figura terna e maravilhosa que representa a paciência e a calma essencial para evoluirmos espiritualmente, pois é essa a sua principal mensagem. Pela dedicação destes trabalhadores pensar em Preto Velho normalmente é isto que nos vem à memória: calma, sabedoria, humildade e caridade.( Bàbá Marcelo D'Ogum)

O Kwanzaa é uma celebração afro-americana que tem início no dia 26 de Dezembro e fim em 1 de Janeiro de cada ano.Palavra...
23/12/2025

O Kwanzaa é uma celebração afro-americana que tem início no dia 26 de Dezembro e fim em 1 de Janeiro de cada ano.
Palavra africana derivada da frase kiswahili "matunda ya kwanza". Na África tradicional Kwanzaa representa as primeiras colheitas; na América do Norte e Caraíbas os participantes dessa festa são afrodescendentes. No Brasil, algumas instituições passaram a dar o nome de Kwanzaa às festividades do "Dia Nacional da Consciência Negra", comemorado a 20 de novembro. Nesse dia o povo negro expõe sua cultura através de dança, culinária, artesanato e palestra, prestando, ainda, uma homenagem a Zumbi dos Palmares. Na Capital de São Paulo o evento costuma acontecer em pontos centralizados tais como Praça da República e Vale do Anhangabaú. Entretanto, essa comemoração tem pouco a ver com a celebração da Kwanzaa como ela foi originalmente concebida.
O Kwanzaa envolve a reflexão sobre sete princípios básicos: a valorização da comunidade, das crianças e da Vida. Esta celebração está a espalhar-se lentamente pelos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e Caraíbas e já se podem enviar postais a desejar “Feliz Kwanzaa”. Esta palavra significa "o primeiro, no início" ou, ainda, os primeiros frutos", e pertence a tradições muito antigas das celebrações das colheitas na África. E foi ela a escolhida para representar esta celebração foi criada por Maulana Karenga e celebrada entre 1966 e 1967.
Toda a celebração e os rituais da Kwanzaa foram concebidos após as famosas e terríveis revoltas de Watts, em 1966. Ele buscou em remotas tradições africanas valores que fossem cultivados pelos afro-americanos naqueles terríveis dias de lutas pelos direitos civis, de assassinatos de seus principais líderes e que, não sendo religiosos, pudessem atrair - como atraíram - todas as igrejas de todas as comunidades negras em todo o país e, no futuro, pelo mundo fora. Karenga organizou a Kwanzaa em torno de 5 atividades fundamentais, comuns às celebrações africanas da colheita das primeiras frutas:
• Reunião da família, de amigos e da comunidade
• Reverência ao criador e à criação, destacadamente a ação de graças e a Reafirmação dos compromissos de respeitar o ambiente e "curar" o mundo
• Comemoração do passado honrando os antepassados, pelo aprendizado de suas lições e seguindo os exemplos das realizações da história
• Renovação dos compromissos com os ideais culturais mais altos da comunidade como a verdade, justiça, respeito às pessoas e à natureza, o cuidado com os vulneráveis e respeito aos anciões
• Celebração do "Bem da Vida" que é um conjunto de luta, realização, família, comunidade e cultura
Karenga diz que "a Kwanzaa é celebrada através de rituais, diálogos, narrativas, poesia, dança, canto, batucada e outras festividades". Estas atividades devem demonstrar os sete princípios, Nguzo Saba em suaíli:
• umoja (unidade)
• kujichagulia (autodeterminação)
• ujima (trabalho coletivo e responsabilidade)
• ujamaa (economia cooperativa)
• nia (propósito)
• kuumba (criatividade)
• imani (fé)
A cada dia uma vela de cor diferente deve ser acesa num altar onde são colocadas frutas frescas, uma espiga de milho por cada criança que houver na casa. Depois de acesa a vela, todos bebem de uma taça comum em reverência aos antepassados, e saúdam com a exclamação “Harambee”, que tanto significa "reúnam todas as coisas" como "vamos fazer juntos". A grande festa é a de 1 de janeiro, quando há muita comida, muita alegria e onde cada criança deve ganhar três presentes que devem ser modestos: um livro, um objeto simbólico e um brinquedo
Um Feliz Kwanzaa a todos.
O Kwanzaa é uma celebração afro-americana que tem início no dia 26 de Dezembro e fim em 1 de Janeiro de cada ano.
Palavra africana derivada da frase kiswahili "matunda ya kwanza". Na África tradicional Kwanzaa representa as primeiras colheitas; na América do Norte e Caraíbas os participantes dessa festa são afrodescendentes. No Brasil, algumas instituições passaram a dar o nome de Kwanzaa às festividades do "Dia Nacional da Consciência Negra", comemorado a 20 de novembro. Nesse dia o povo negro expõe sua cultura através de dança, culinária, artesanato e palestra, prestando, ainda, uma homenagem a Zumbi dos Palmares. Na Capital de São Paulo o evento costuma acontecer em pontos centralizados tais como Praça da República e Vale do Anhangabaú. Entretanto, essa comemoração tem pouco a ver com a celebração da Kwanzaa como ela foi originalmente concebida.
O Kwanzaa envolve a reflexão sobre sete princípios básicos: a valorização da comunidade, das crianças e da Vida. Esta celebração está a espalhar-se lentamente pelos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e Caraíbas e já se podem enviar postais a desejar “Feliz Kwanzaa”. Esta palavra significa "o primeiro, no início" ou, ainda, os primeiros frutos", e pertence a tradições muito antigas das celebrações das colheitas na África. E foi ela a escolhida para representar esta celebração foi criada por Maulana Karenga e celebrada entre 1966 e 1967.
Toda a celebração e os rituais da Kwanzaa foram concebidos após as famosas e terríveis revoltas de Watts, em 1966. Ele buscou em remotas tradições africanas valores que fossem cultivados pelos afro-americanos naqueles terríveis dias de lutas pelos direitos civis, de assassinatos de seus principais líderes e que, não sendo religiosos, pudessem atrair - como atraíram - todas as igrejas de todas as comunidades negras em todo o país e, no futuro, pelo mundo fora. Karenga organizou a Kwanzaa em torno de 5 atividades fundamentais, comuns às celebrações africanas da colheita das primeiras frutas:
• Reunião da família, de amigos e da comunidade
• Reverência ao criador e à criação, destacadamente a ação de graças e a Reafirmação dos compromissos de respeitar o ambiente e "curar" o mundo
• Comemoração do passado honrando os antepassados, pelo aprendizado de suas lições e seguindo os exemplos das realizações da história
• Renovação dos compromissos com os ideais culturais mais altos da comunidade como a verdade, justiça, respeito às pessoas e à natureza, o cuidado com os vulneráveis e respeito aos anciões
• Celebração do "Bem da Vida" que é um conjunto de luta, realização, família, comunidade e cultura
Karenga diz que "a Kwanzaa é celebrada através de rituais, diálogos, narrativas, poesia, dança, canto, batucada e outras festividades". Estas atividades devem demonstrar os sete princípios, Nguzo Saba em suaíli:
• umoja (unidade)
• kujichagulia (autodeterminação)
• ujima (trabalho coletivo e responsabilidade)
• ujamaa (economia cooperativa)
• nia (propósito)
• kuumba (criatividade)
• imani (fé)
A cada dia uma vela de cor diferente deve ser acesa num altar onde são colocadas frutas frescas, uma espiga de milho por cada criança que houver na casa. Depois de acesa a vela, todos bebem de uma taça comum em reverência aos antepassados, e saúdam com a exclamação “Harambee”, que tanto significa "reúnam todas as coisas" como "vamos fazer juntos". A grande festa é a de 1 de janeiro, quando há muita comida, muita alegria e onde cada criança deve ganhar três presentes que devem ser modestos: um livro, um objeto simbólico e um brinquedo
Um Feliz Kwanzaa a todos.
O Kwanzaa é uma celebração afro-americana que tem início no dia 26 de Dezembro e fim em 1 de Janeiro de cada ano.
Palavra africana derivada da frase kiswahili "matunda ya kwanza". Na África tradicional Kwanzaa representa as primeiras colheitas; na América do Norte e Caraíbas os participantes dessa festa são afrodescendentes. No Brasil, algumas instituições passaram a dar o nome de Kwanzaa às festividades do "Dia Nacional da Consciência Negra", comemorado a 20 de novembro. Nesse dia o povo negro expõe sua cultura através de dança, culinária, artesanato e palestra, prestando, ainda, uma homenagem a Zumbi dos Palmares. Na Capital de São Paulo o evento costuma acontecer em pontos centralizados tais como Praça da República e Vale do Anhangabaú. Entretanto, essa comemoração tem pouco a ver com a celebração da Kwanzaa como ela foi originalmente concebida.
O Kwanzaa envolve a reflexão sobre sete princípios básicos: a valorização da comunidade, das crianças e da Vida. Esta celebração está a espalhar-se lentamente pelos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e Caraíbas e já se podem enviar postais a desejar “Feliz Kwanzaa”. Esta palavra significa "o primeiro, no início" ou, ainda, os primeiros frutos", e pertence a tradições muito antigas das celebrações das colheitas na África. E foi ela a escolhida para representar esta celebração foi criada por Maulana Karenga e celebrada entre 1966 e 1967.
Toda a celebração e os rituais da Kwanzaa foram concebidos após as famosas e terríveis revoltas de Watts, em 1966. Ele buscou em remotas tradições africanas valores que fossem cultivados pelos afro-americanos naqueles terríveis dias de lutas pelos direitos civis, de assassinatos de seus principais líderes e que, não sendo religiosos, pudessem atrair - como atraíram - todas as igrejas de todas as comunidades negras em todo o país e, no futuro, pelo mundo fora. Karenga organizou a Kwanzaa em torno de 5 atividades fundamentais, comuns às celebrações africanas da colheita das primeiras frutas:
• Reunião da família, de amigos e da comunidade
• Reverência ao criador e à criação, destacadamente a ação de graças e a Reafirmação dos compromissos de respeitar o ambiente e "curar" o mundo
• Comemoração do passado honrando os antepassados, pelo aprendizado de suas lições e seguindo os exemplos das realizações da história
• Renovação dos compromissos com os ideais culturais mais altos da comunidade como a verdade, justiça, respeito às pessoas e à natureza, o cuidado com os vulneráveis e respeito aos anciões
• Celebração do "Bem da Vida" que é um conjunto de luta, realização, família, comunidade e cultura
Karenga diz que "a Kwanzaa é celebrada através de rituais, diálogos, narrativas, poesia, dança, canto, batucada e outras festividades". Estas atividades devem demonstrar os sete princípios, Nguzo Saba em suaíli:
• umoja (unidade)
• kujichagulia (autodeterminação)
• ujima (trabalho coletivo e responsabilidade)
• ujamaa (economia cooperativa)
• nia (propósito)
• kuumba (criatividade)
• imani (fé)
A cada dia uma vela de cor diferente deve ser acesa num altar onde são colocadas frutas frescas, uma espiga de milho por cada criança que houver na casa. Depois de acesa a vela, todos bebem de uma taça comum em reverência aos antepassados, e saúdam com a exclamação “Harambee”, que tanto significa "reúnam todas as coisas" como "vamos fazer juntos". A grande festa é a de 1 de janeiro, quando há muita comida, muita alegria e onde cada criança deve ganhar três presentes que devem ser modestos: um livro, um objeto simbólico e um brinquedo
Um Feliz Kwanzaa a todos.
Babá Marcelo D’Ogum

MOTIVOS PARA NÃO COMEMORAR O NATALVamos começar esta narrativa, lembrando que escrevo enquanto um homem, que tem a vida ...
23/12/2025

MOTIVOS PARA NÃO COMEMORAR O NATAL
Vamos começar esta narrativa, lembrando que escrevo enquanto um homem, que tem a vida direcionada por uma Cosmo Visão de Mundo Africana pré-colonial.
Ao encerrar o ano, no momento que nos deparamos com Terreiros comemorando o Natal, uma festa Judaico-Cristã e sobretudo comercial, observamos o resultado de um processo de massificação onde a cultura ocidental impõe através de sua arma mais potente, a mídia, um costume a várias outras culturas.
Desta forma, o poder em suas múltiplas instâncias: econômico, militar e ideológico, foram e são utilizados em detrimento aos segmentos ditos "inferiores", isto é, os negros, brancos pobres e Povo Tradicional de Matriz Africana como instrumento a fim de adquirir/agregar bens em prol de uma elite neo colonizadora que enxerga o Brasil como um lugar das grandes oportunidades.
De fato, a história deste Povo é marcada por extensa exploração, perseguição, exclusão e marginalização. Os primeiros portugueses não vieram para o Brasil com finalidade de aqui habitar, mas sim com a intenção de explorar os recursos naturais de sua recém conquistada terra. O escrivão Pero Vaz de Caminha indicou os objetivos fundamentais da colonização portuguesa: "Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro"; a agricultura- "Águas são muitas; infinitas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem"; E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar".
A carta de Pero Vaz de Caminha demonstra o interesse dos Portugueses para com o Brasil, no sentido de “fazer América”, isto é, acumular recursos e retornar para a Europa.
Esse fato se repete hoje de uma forma diferente: com a exploração econômica e uma falsa ideia de igualdade e irmandade entre os povos, lançada pelas elites dirigentes, a qual foi contaminada há muito pela política ra***ta e colonial. Por isto, creio que comemorar o Natal nos Terreiros é um processo claro de profanação do Culto Tradicional Africano. Se acreditamos que nosso Orixá é nossa vida, pergunto quando é realmente “nosso Natal”?.
A profanação do Culto Tradicional Africano, pelo poder europeu ocidental, afetou seriamente as Culturas sedimentadas nas Tradições de Matriz Africana. O Cristianismo europeu não reconhecia o Deus dos Africanos como o mesmo Deus de seus ensinamentos. Apesar de na Crença Tradicional Africana constar a existência de um Deu Supremo, Criador(a) de todas as coisas, o Grande Criador, ou a Grande Mãe, eles não viam nenhuma semelhança entre o Deus deles e dos colonizados; ou seja, todos que não entoavam “glorias e louvores a todo o momento” eram selvagens que precisavam ser salvos, mas salvos de que?
O colonizador destruiu muitas convicções tradicionais, valores sociais e rituais que eram considerados em sua maioria nada, pelo cristão europeu, além de valores pagãos e superstições sem papel nenhum para a cultura. Este mesmo paradigma repete-se na conjuntura educacional e política da sociedade contemporânea.
Vivemos em um Estado Laico. Isto quer dizer, simplesmente, que a história não pode se repetir com as desapropriações e a inserção de valores sociais importados nas sociedades. A Cosmo Visão de Mundo Africano nos faz crer na natureza e nas forças da Mãe Natureza. O nosso sagrado não pode ser delimitado, por reservas ou espaços demarcados. Estaríamos criando versões dos campos de concentração. Compete lembrar que a própria Constituição, estatuiu que “é livre exercício do direito de manifestação cultural coletiva”.
Claro que temos que nos adaptar aos novos tempos e, com a perda do território, o plantar de nossas oferendas tornou-se complexo. Temos que pensar num projeto que nos coloque acima de leis inconstitucionais, como limpeza urbana e abate religioso, lei do silencio, lei do meio ambiente, ou alguma nova lei que delimite nossos espaços para oferendas (os quais podem virar grandes lixões e servir de arma contra nosso povo), todo este processo, como se fossemos a causa de todos os males sociais. Hoje estamos despertando para a necessidade de engajamento, criamos Fóruns e grupos para lutar com intuito de que certas atrocidades não se repitam.
O papel de explorador e algoz, no passado exercido pelo cristianismo, passou a ser uma função do sistema sócio educacional e do racismo institucional que tenta visualizar os seres humanos pela cor de sua pele ou pela Fé que possuem, pois a partir do momento que a educação é uma fórmula pronta, num pais de dimensões continentais como o nosso e onde pessoas não conhecem a história do seu povo e da sua região, observamos várias vezes a pergunta que não quer calar: por que meu nome é Souza, Araújo, Marques, Silva... se não possuo em meu arquétipo nenhum traço do europeu Ibérico?
O resgate cultural é um processo lento e penoso, por isso temos que ter muito cuidado com a formulação de leis sem uma fundamentação cultural, baseadas no achismo de governantes, instituições e pessoas, sem um comprometimento nas discussões e no resgate dos valores desta grande parcela da sociedade.
A ameaça iminente está em um cerceamento do mais simples dos direitos: o de ir e vir e o direito de culto; ambos grifados na carta dos direitos humanos e no documento de Durban.
Doem os olhos ao ler que para gente do próprio Povo de Tradicional de Matriz Africana nosso valor seja baixo. Temos muito valor e, quem tenta nos comprar não tem dinheiro para pagar, porque se no passado não sabíamos nosso valor, hoje sabemos e entendemos que não somos mais uma simples moeda de troca ou uma turba desorganizada que serve como massa de manobra. Não temos preço, temos sim vontade política de construir, pois somos cidadãos e cidadãs, moramos em algum lugar, pagamos impostos, consumimos no mercado formal e informal. Enfim, somos uma parcela integrada com as diretrizes desta sociedade e queremos sim sair do anonimato.
Nossos ancestrais, os quais nos deixaram este legado, eram reis e rainhas. Claro que um povo não se salva por meia dúzia de intelectos iluminados e sim pela vontade do próprio povo. Temos que dizer não a todo tipo intolerância, principalmente as mascaradas por atos públicos de falsa preocupação com os destinos dos Cultos de Matriz Afro-brasileira, Federações e Organizações que nunca lutaram realmente, pelo respeito, dignidade e valorização do nosso Povo. Devemos sim fazer uma retomada a antigos valores e nos lembrar que a nossa verdadeira referência, enquanto Povo de Terreiro, esta materialmente longe daqui, está em solo africano.
Estes são alguns dos motivos pelos quais não comemoro o Natal de 25 de dezembro, ele não é uma festa da Minha Tradição. Nada tem haver com a cultura Ancestral que norteia minha existência.
Baba Osoiná – Babalorixá Marcelo D´Ogum – Bàbálawo Ifasegun Aworeni
MOTIVOS PARA NÃO COMEMORAR O NATAL
Vamos começar esta narrativa, lembrando que escrevo enquanto um homem, que tem a vida direcionada por uma Cosmo Visão de Mundo Africana pré-colonial.
Ao encerrar o ano, no momento que nos deparamos com Terreiros comemorando o Natal, uma festa Judaico-Cristã e sobretudo comercial, observamos o resultado de um processo de massificação onde a cultura ocidental impõe através de sua arma mais potente, a mídia, um costume a várias outras culturas.
Desta forma, o poder em suas múltiplas instâncias: econômico, militar e ideológico, foram e são utilizados em detrimento aos segmentos ditos "inferiores", isto é, os negros, brancos pobres e Povo Tradicional de Matriz Africana como instrumento a fim de adquirir/agregar bens em prol de uma elite neo colonizadora que enxerga o Brasil como um lugar das grandes oportunidades.
De fato, a história deste Povo é marcada por extensa exploração, perseguição, exclusão e marginalização. Os primeiros portugueses não vieram para o Brasil com finalidade de aqui habitar, mas sim com a intenção de explorar os recursos naturais de sua recém conquistada terra. O escrivão Pero Vaz de Caminha indicou os objetivos fundamentais da colonização portuguesa: "Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro"; a agricultura- "Águas são muitas; infinitas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem"; E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar".
A carta de Pero Vaz de Caminha demonstra o interesse dos Portugueses para com o Brasil, no sentido de “fazer América”, isto é, acumular recursos e retornar para a Europa.
Esse fato se repete hoje de uma forma diferente: com a exploração econômica e uma falsa ideia de igualdade e irmandade entre os povos, lançada pelas elites dirigentes, a qual foi contaminada há muito pela política ra***ta e colonial. Por isto, creio que comemorar o Natal nos Terreiros é um processo claro de profanação do Culto Tradicional Africano. Se acreditamos que nosso Orixá é nossa vida, pergunto quando é realmente “nosso Natal”?.
A profanação do Culto Tradicional Africano, pelo poder europeu ocidental, afetou seriamente as Culturas sedimentadas nas Tradições de Matriz Africana. O Cristianismo europeu não reconhecia o Deus dos Africanos como o mesmo Deus de seus ensinamentos. Apesar de na Crença Tradicional Africana constar a existência de um Deu Supremo, Criador(a) de todas as coisas, o Grande Criador, ou a Grande Mãe, eles não viam nenhuma semelhança entre o Deus deles e dos colonizados; ou seja, todos que não entoavam “glorias e louvores a todo o momento” eram selvagens que precisavam ser salvos, mas salvos de que?
O colonizador destruiu muitas convicções tradicionais, valores sociais e rituais que eram considerados em sua maioria nada, pelo cristão europeu, além de valores pagãos e superstições sem papel nenhum para a cultura. Este mesmo paradigma repete-se na conjuntura educacional e política da sociedade contemporânea.
Vivemos em um Estado Laico. Isto quer dizer, simplesmente, que a história não pode se repetir com as desapropriações e a inserção de valores sociais importados nas sociedades. A Cosmo Visão de Mundo Africano nos faz crer na natureza e nas forças da Mãe Natureza. O nosso sagrado não pode ser delimitado, por reservas ou espaços demarcados. Estaríamos criando versões dos campos de concentração. Compete lembrar que a própria Constituição, estatuiu que “é livre exercício do direito de manifestação cultural coletiva”.
Claro que temos que nos adaptar aos novos tempos e, com a perda do território, o plantar de nossas oferendas tornou-se complexo. Temos que pensar num projeto que nos coloque acima de leis inconstitucionais, como limpeza urbana e abate religioso, lei do silencio, lei do meio ambiente, ou alguma nova lei que delimite nossos espaços para oferendas (os quais podem virar grandes lixões e servir de arma contra nosso povo), todo este processo, como se fossemos a causa de todos os males sociais. Hoje estamos despertando para a necessidade de engajamento, criamos Fóruns e grupos para lutar com intuito de que certas atrocidades não se repitam.
O papel de explorador e algoz, no passado exercido pelo cristianismo, passou a ser uma função do sistema sócio educacional e do racismo institucional que tenta visualizar os seres humanos pela cor de sua pele ou pela Fé que possuem, pois a partir do momento que a educação é uma fórmula pronta, num pais de dimensões continentais como o nosso e onde pessoas não conhecem a história do seu povo e da sua região, observamos várias vezes a pergunta que não quer calar: por que meu nome é Souza, Araújo, Marques, Silva... se não possuo em meu arquétipo nenhum traço do europeu Ibérico?
O resgate cultural é um processo lento e penoso, por isso temos que ter muito cuidado com a formulação de leis sem uma fundamentação cultural, baseadas no achismo de governantes, instituições e pessoas, sem um comprometimento nas discussões e no resgate dos valores desta grande parcela da sociedade.
A ameaça iminente está em um cerceamento do mais simples dos direitos: o de ir e vir e o direito de culto; ambos grifados na carta dos direitos humanos e no documento de Durban.
Doem os olhos ao ler que para gente do próprio Povo de Tradicional de Matriz Africana nosso valor seja baixo. Temos muito valor e, quem tenta nos comprar não tem dinheiro para pagar, porque se no passado não sabíamos nosso valor, hoje sabemos e entendemos que não somos mais uma simples moeda de troca ou uma turba desorganizada que serve como massa de manobra. Não temos preço, temos sim vontade política de construir, pois somos cidadãos e cidadãs, moramos em algum lugar, pagamos impostos, consumimos no mercado formal e informal. Enfim, somos uma parcela integrada com as diretrizes desta sociedade e queremos sim sair do anonimato.
Nossos ancestrais, os quais nos deixaram este legado, eram reis e rainhas. Claro que um povo não se salva por meia dúzia de intelectos iluminados e sim pela vontade do próprio povo. Temos que dizer não a todo tipo intolerância, principalmente as mascaradas por atos públicos de falsa preocupação com os destinos dos Cultos de Matriz Afro-brasileira, Federações e Organizações que nunca lutaram realmente, pelo respeito, dignidade e valorização do nosso Povo. Devemos sim fazer uma retomada a antigos valores e nos lembrar que a nossa verdadeira referência, enquanto Povo de Terreiro, esta materialmente longe daqui, está em solo africano.
Estes são alguns dos motivos pelos quais não comemoro o Natal de 25 de dezembro, ele não é uma festa da Minha Tradição. Nada tem haver com a cultura Ancestral que norteia minha existência.
Baba Osoiná – Babalorixá Marcelo D´Ogum – Bàbálawo Ifasegun Aworeni
MOTIVOS PARA NÃO COMEMORAR O NATAL
Vamos começar esta narrativa, lembrando que escrevo enquanto um homem, que tem a vida direcionada por uma Cosmo Visão de Mundo Africana pré-colonial.
Ao encerrar o ano, no momento que nos deparamos com Terreiros comemorando o Natal, uma festa Judaico-Cristã e sobretudo comercial, observamos o resultado de um processo de massificação onde a cultura ocidental impõe através de sua arma mais potente, a mídia, um costume a várias outras culturas.
Desta forma, o poder em suas múltiplas instâncias: econômico, militar e ideológico, foram e são utilizados em detrimento aos segmentos ditos "inferiores", isto é, os negros, brancos pobres e Povo Tradicional de Matriz Africana como instrumento a fim de adquirir/agregar bens em prol de uma elite neo colonizadora que enxerga o Brasil como um lugar das grandes oportunidades.
De fato, a história deste Povo é marcada por extensa exploração, perseguição, exclusão e marginalização. Os primeiros portugueses não vieram para o Brasil com finalidade de aqui habitar, mas sim com a intenção de explorar os recursos naturais de sua recém conquistada terra. O escrivão Pero Vaz de Caminha indicou os objetivos fundamentais da colonização portuguesa: "Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro"; a agricultura- "Águas são muitas; infinitas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem"; E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar".
A carta de Pero Vaz de Caminha demonstra o interesse dos Portugueses para com o Brasil, no sentido de “fazer América”, isto é, acumular recursos e retornar para a Europa.
Esse fato se repete hoje de uma forma diferente: com a exploração econômica e uma falsa ideia de igualdade e irmandade entre os povos, lançada pelas elites dirigentes, a qual foi contaminada há muito pela política ra***ta e colonial. Por isto, creio que comemorar o Natal nos Terreiros é um processo claro de profanação do Culto Tradicional Africano. Se acreditamos que nosso Orixá é nossa vida, pergunto quando é realmente “nosso Natal”?.
A profanação do Culto Tradicional Africano, pelo poder europeu ocidental, afetou seriamente as Culturas sedimentadas nas Tradições de Matriz Africana. O Cristianismo europeu não reconhecia o Deus dos Africanos como o mesmo Deus de seus ensinamentos. Apesar de na Crença Tradicional Africana constar a existência de um Deu Supremo, Criador(a) de todas as coisas, o Grande Criador, ou a Grande Mãe, eles não viam nenhuma semelhança entre o Deus deles e dos colonizados; ou seja, todos que não entoavam “glorias e louvores a todo o momento” eram selvagens que precisavam ser salvos, mas salvos de que?
O colonizador destruiu muitas convicções tradicionais, valores sociais e rituais que eram considerados em sua maioria nada, pelo cristão europeu, além de valores pagãos e superstições sem papel nenhum para a cultura. Este mesmo paradigma repete-se na conjuntura educacional e política da sociedade contemporânea.
Vivemos em um Estado Laico. Isto quer dizer, simplesmente, que a história não pode se repetir com as desapropriações e a inserção de valores sociais importados nas sociedades. A Cosmo Visão de Mundo Africano nos faz crer na natureza e nas forças da Mãe Natureza. O nosso sagrado não pode ser delimitado, por reservas ou espaços demarcados. Estaríamos criando versões dos campos de concentração. Compete lembrar que a própria Constituição, estatuiu que “é livre exercício do direito de manifestação cultural coletiva”.
Claro que temos que nos adaptar aos novos tempos e, com a perda do território, o plantar de nossas oferendas tornou-se complexo. Temos que pensar num projeto que nos coloque acima de leis inconstitucionais, como limpeza urbana e abate religioso, lei do silencio, lei do meio ambiente, ou alguma nova lei que delimite nossos espaços para oferendas (os quais podem virar grandes lixões e servir de arma contra nosso povo), todo este processo, como se fossemos a causa de todos os males sociais. Hoje estamos despertando para a necessidade de engajamento, criamos Fóruns e grupos para lutar com intuito de que certas atrocidades não se repitam.
O papel de explorador e algoz, no passado exercido pelo cristianismo, passou a ser uma função do sistema sócio educacional e do racismo institucional que tenta visualizar os seres humanos pela cor de sua pele ou pela Fé que possuem, pois a partir do momento que a educação é uma fórmula pronta, num pais de dimensões continentais como o nosso e onde pessoas não conhecem a história do seu povo e da sua região, observamos várias vezes a pergunta que não quer calar: por que meu nome é Souza, Araújo, Marques, Silva... se não possuo em meu arquétipo nenhum traço do europeu Ibérico?
O resgate cultural é um processo lento e penoso, por isso temos que ter muito cuidado com a formulação de leis sem uma fundamentação cultural, baseadas no achismo de governantes, instituições e pessoas, sem um comprometimento nas discussões e no resgate dos valores desta grande parcela da sociedade.
A ameaça iminente está em um cerceamento do mais simples dos direitos: o de ir e vir e o direito de culto; ambos grifados na carta dos direitos humanos e no documento de Durban.
Doem os olhos ao ler que para gente do próprio Povo de Tradicional de Matriz Africana nosso valor seja baixo. Temos muito valor e, quem tenta nos comprar não tem dinheiro para pagar, porque se no passado não sabíamos nosso valor, hoje sabemos e entendemos que não somos mais uma simples moeda de troca ou uma turba desorganizada que serve como massa de manobra. Não temos preço, temos sim vontade política de construir, pois somos cidadãos e cidadãs, moramos em algum lugar, pagamos impostos, consumimos no mercado formal e informal. Enfim, somos uma parcela integrada com as diretrizes desta sociedade e queremos sim sair do anonimato.
Nossos ancestrais, os quais nos deixaram este legado, eram reis e rainhas. Claro que um povo não se salva por meia dúzia de intelectos iluminados e sim pela vontade do próprio povo. Temos que dizer não a todo tipo intolerância, principalmente as mascaradas por atos públicos de falsa preocupação com os destinos dos Cultos de Matriz Afro-brasileira, Federações e Organizações que nunca lutaram realmente, pelo respeito, dignidade e valorização do nosso Povo. Devemos sim fazer uma retomada a antigos valores e nos lembrar que a nossa verdadeira referência, enquanto Povo de Terreiro, esta materialmente longe daqui, está em solo africano.
Estes são alguns dos motivos pelos quais não comemoro o Natal de 25 de dezembro, ele não é uma festa da Minha Tradição. Nada tem haver com a cultura Ancestral que norteia minha existência.
Baba Osoiná – Babalorixá Marcelo D´Ogum – Bàbálawo Ifasegun Aworeni

MOTIVOS PARA NÃO COMEMORAR O NATAL
Vamos começar esta narrativa, lembrando que escrevo enquanto um homem, que tem a vida direcionada por uma Cosmo Visão de Mundo Africana pré-colonial.
Ao encerrar o ano, no momento que nos deparamos com Terreiros comemorando o Natal, uma festa Judaico-Cristã e sobretudo comercial, observamos o resultado de um processo de massificação onde a cultura ocidental impõe através de sua arma mais potente, a mídia, um costume a várias outras culturas.
Desta forma, o poder em suas múltiplas instâncias: econômico, militar e ideológico, foram e são utilizados em detrimento aos segmentos ditos "inferiores", isto é, os negros, brancos pobres e Povo Tradicional de Matriz Africana como instrumento a fim de adquirir/agregar bens em prol de uma elite neo colonizadora que enxerga o Brasil como um lugar das grandes oportunidades.
De fato, a história deste Povo é marcada por extensa exploração, perseguição, exclusão e marginalização. Os primeiros portugueses não vieram para o Brasil com finalidade de aqui habitar, mas sim com a intenção de explorar os recursos naturais de sua recém conquistada terra. O escrivão Pero Vaz de Caminha indicou os objetivos fundamentais da colonização portuguesa: "Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro"; a agricultura- "Águas são muitas; infinitas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem"; E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar".
A carta de Pero Vaz de Caminha demonstra o interesse dos Portugueses para com o Brasil, no sentido de “fazer América”, isto é, acumular recursos e retornar para a Europa.
Esse fato se repete hoje de uma forma diferente: com a exploração econômica e uma falsa ideia de igualdade e irmandade entre os povos, lançada pelas elites dirigentes, a qual foi contaminada há muito pela política ra***ta e colonial. Por isto, creio que comemorar o Natal nos Terreiros é um processo claro de profanação do Culto Tradicional Africano. Se acreditamos que nosso Orixá é nossa vida, pergunto quando é realmente “nosso Natal”?.
A profanação do Culto Tradicional Africano, pelo poder europeu ocidental, afetou seriamente as Culturas sedimentadas nas Tradições de Matriz Africana. O Cristianismo europeu não reconhecia o Deus dos Africanos como o mesmo Deus de seus ensinamentos. Apesar de na Crença Tradicional Africana constar a existência de um Deu Supremo, Criador(a) de todas as coisas, o Grande Criador, ou a Grande Mãe, eles não viam nenhuma semelhança entre o Deus deles e dos colonizados; ou seja, todos que não entoavam “glorias e louvores a todo o momento” eram selvagens que precisavam ser salvos, mas salvos de que?
O colonizador destruiu muitas convicções tradicionais, valores sociais e rituais que eram considerados em sua maioria nada, pelo cristão europeu, além de valores pagãos e superstições sem papel nenhum para a cultura. Este mesmo paradigma repete-se na conjuntura educacional e política da sociedade contemporânea.
Vivemos em um Estado Laico. Isto quer dizer, simplesmente, que a história não pode se repetir com as desapropriações e a inserção de valores sociais importados nas sociedades. A Cosmo Visão de Mundo Africano nos faz crer na natureza e nas forças da Mãe Natureza. O nosso sagrado não pode ser delimitado, por reservas ou espaços demarcados. Estaríamos criando versões dos campos de concentração. Compete lembrar que a própria Constituição, estatuiu que “é livre exercício do direito de manifestação cultural coletiva”.
Claro que temos que nos adaptar aos novos tempos e, com a perda do território, o plantar de nossas oferendas tornou-se complexo. Temos que pensar num projeto que nos coloque acima de leis inconstitucionais, como limpeza urbana e abate religioso, lei do silencio, lei do meio ambiente, ou alguma nova lei que delimite nossos espaços para oferendas (os quais podem virar grandes lixões e servir de arma contra nosso povo), todo este processo, como se fossemos a causa de todos os males sociais. Hoje estamos despertando para a necessidade de engajamento, criamos Fóruns e grupos para lutar com intuito de que certas atrocidades não se repitam.
O papel de explorador e algoz, no passado exercido pelo cristianismo, passou a ser uma função do sistema sócio educacional e do racismo institucional que tenta visualizar os seres humanos pela cor de sua pele ou pela Fé que possuem, pois a partir do momento que a educação é uma fórmula pronta, num pais de dimensões continentais como o nosso e onde pessoas não conhecem a história do seu povo e da sua região, observamos várias vezes a pergunta que não quer calar: por que meu nome é Souza, Araújo, Marques, Silva... se não possuo em meu arquétipo nenhum traço do europeu Ibérico?
O resgate cultural é um processo lento e penoso, por isso temos que ter muito cuidado com a formulação de leis sem uma fundamentação cultural, baseadas no achismo de governantes, instituições e pessoas, sem um comprometimento nas discussões e no resgate dos valores desta grande parcela da sociedade.
A ameaça iminente está em um cerceamento do mais simples dos direitos: o de ir e vir e o direito de culto; ambos grifados na carta dos direitos humanos e no documento de Durban.
Doem os olhos ao ler que para gente do próprio Povo de Tradicional de Matriz Africana nosso valor seja baixo. Temos muito valor e, quem tenta nos comprar não tem dinheiro para pagar, porque se no passado não sabíamos nosso valor, hoje sabemos e entendemos que não somos mais uma simples moeda de troca ou uma turba desorganizada que serve como massa de manobra. Não temos preço, temos sim vontade política de construir, pois somos cidadãos e cidadãs, moramos em algum lugar, pagamos impostos, consumimos no mercado formal e informal. Enfim, somos uma parcela integrada com as diretrizes desta sociedade e queremos sim sair do anonimato.
Nossos ancestrais, os quais nos deixaram este legado, eram reis e rainhas. Claro que um povo não se salva por meia dúzia de intelectos iluminados e sim pela vontade do próprio povo. Temos que dizer não a todo tipo intolerância, principalmente as mascaradas por atos públicos de falsa preocupação com os destinos dos Cultos de Matriz Afro-brasileira, Federações e Organizações que nunca lutaram realmente, pelo respeito, dignidade e valorização do nosso Povo. Devemos sim fazer uma retomada a antigos valores e nos lembrar que a nossa verdadeira referência, enquanto Povo de Terreiro, esta materialmente longe daqui, está em solo africano.
Estes são alguns dos motivos pelos quais não comemoro o Natal de 25 de dezembro, ele não é uma festa da Minha Tradição. Nada tem haver com a cultura Ancestral que norteia minha existência.
Baba Osoiná – Babalorixá Marcelo D´Ogum – Bàbálawo Ifasegun Aworeni
MOTIVOS PARA NÃO COMEMORAR O NATAL
Vamos começar esta narrativa, lembrando que escrevo enquanto um homem, que tem a vida direcionada por uma Cosmo Visão de Mundo Africana pré-colonial.
Ao encerrar o ano, no momento que nos deparamos com Terreiros comemorando o Natal, uma festa Judaico-Cristã e sobretudo comercial, observamos o resultado de um processo de massificação onde a cultura ocidental impõe através de sua arma mais potente, a mídia, um costume a várias outras culturas.
Desta forma, o poder em suas múltiplas instâncias: econômico, militar e ideológico, foram e são utilizados em detrimento aos segmentos ditos "inferiores", isto é, os negros, brancos pobres e Povo Tradicional de Matriz Africana como instrumento a fim de adquirir/agregar bens em prol de uma elite neo colonizadora que enxerga o Brasil como um lugar das grandes oportunidades.
De fato, a história deste Povo é marcada por extensa exploração, perseguição, exclusão e marginalização. Os primeiros portugueses não vieram para o Brasil com finalidade de aqui habitar, mas sim com a intenção de explorar os recursos naturais de sua recém conquistada terra. O escrivão Pero Vaz de Caminha indicou os objetivos fundamentais da colonização portuguesa: "Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro"; a agricultura- "Águas são muitas; infinitas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem"; E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar".
A carta de Pero Vaz de Caminha demonstra o interesse dos Portugueses para com o Brasil, no sentido de “fazer América”, isto é, acumular recursos e retornar para a Europa.
Esse fato se repete hoje de uma forma diferente: com a exploração econômica e uma falsa ideia de igualdade e irmandade entre os povos, lançada pelas elites dirigentes, a qual foi contaminada há muito pela política ra***ta e colonial. Por isto, creio que comemorar o Natal nos Terreiros é um processo claro de profanação do Culto Tradicional Africano. Se acreditamos que nosso Orixá é nossa vida, pergunto quando é realmente “nosso Natal”?.
A profanação do Culto Tradicional Africano, pelo poder europeu ocidental, afetou seriamente as Culturas sedimentadas nas Tradições de Matriz Africana. O Cristianismo europeu não reconhecia o Deus dos Africanos como o mesmo Deus de seus ensinamentos. Apesar de na Crença Tradicional Africana constar a existência de um Deu Supremo, Criador(a) de todas as coisas, o Grande Criador, ou a Grande Mãe, eles não viam nenhuma semelhança entre o Deus deles e dos colonizados; ou seja, todos que não entoavam “glorias e louvores a todo o momento” eram selvagens que precisavam ser salvos, mas salvos de que?
O colonizador destruiu muitas convicções tradicionais, valores sociais e rituais que eram considerados em sua maioria nada, pelo cristão europeu, além de valores pagãos e superstições sem papel nenhum para a cultura. Este mesmo paradigma repete-se na conjuntura educacional e política da sociedade contemporânea.
Vivemos em um Estado Laico. Isto quer dizer, simplesmente, que a história não pode se repetir com as desapropriações e a inserção de valores sociais importados nas sociedades. A Cosmo Visão de Mundo Africano nos faz crer na natureza e nas forças da Mãe Natureza. O nosso sagrado não pode ser delimitado, por reservas ou espaços demarcados. Estaríamos criando versões dos campos de concentração. Compete lembrar que a própria Constituição, estatuiu que “é livre exercício do direito de manifestação cultural coletiva”.
Claro que temos que nos adaptar aos novos tempos e, com a perda do território, o plantar de nossas oferendas tornou-se complexo. Temos que pensar num projeto que nos coloque acima de leis inconstitucionais, como limpeza urbana e abate religioso, lei do silencio, lei do meio ambiente, ou alguma nova lei que delimite nossos espaços para oferendas (os quais podem virar grandes lixões e servir de arma contra nosso povo), todo este processo, como se fossemos a causa de todos os males sociais. Hoje estamos despertando para a necessidade de engajamento, criamos Fóruns e grupos para lutar com intuito de que certas atrocidades não se repitam.
O papel de explorador e algoz, no passado exercido pelo cristianismo, passou a ser uma função do sistema sócio educacional e do racismo institucional que tenta visualizar os seres humanos pela cor de sua pele ou pela Fé que possuem, pois a partir do momento que a educação é uma fórmula pronta, num pais de dimensões continentais como o nosso e onde pessoas não conhecem a história do seu povo e da sua região, observamos várias vezes a pergunta que não quer calar: por que meu nome é Souza, Araújo, Marques, Silva... se não possuo em meu arquétipo nenhum traço do europeu Ibérico?
O resgate cultural é um processo lento e penoso, por isso temos que ter muito cuidado com a formulação de leis sem uma fundamentação cultural, baseadas no achismo de governantes, instituições e pessoas, sem um comprometimento nas discussões e no resgate dos valores desta grande parcela da sociedade.
A ameaça iminente está em um cerceamento do mais simples dos direitos: o de ir e vir e o direito de culto; ambos grifados na carta dos direitos humanos e no documento de Durban.
Doem os olhos ao ler que para gente do próprio Povo de Tradicional de Matriz Africana nosso valor seja baixo. Temos muito valor e, quem tenta nos comprar não tem dinheiro para pagar, porque se no passado não sabíamos nosso valor, hoje sabemos e entendemos que não somos mais uma simples moeda de troca ou uma turba desorganizada que serve como massa de manobra. Não temos preço, temos sim vontade política de construir, pois somos cidadãos e cidadãs, moramos em algum lugar, pagamos impostos, consumimos no mercado formal e informal. Enfim, somos uma parcela integrada com as diretrizes desta sociedade e queremos sim sair do anonimato.
Nossos ancestrais, os quais nos deixaram este legado, eram reis e rainhas. Claro que um povo não se salva por meia dúzia de intelectos iluminados e sim pela vontade do próprio povo. Temos que dizer não a todo tipo intolerância, principalmente as mascaradas por atos públicos de falsa preocupação com os destinos dos Cultos de Matriz Afro-brasileira, Federações e Organizações que nunca lutaram realmente, pelo respeito, dignidade e valorização do nosso Povo. Devemos sim fazer uma retomada a antigos valores e nos lembrar que a nossa verdadeira referência, enquanto Povo de Terreiro, esta materialmente longe daqui, está em solo africano.
Estes são alguns dos motivos pelos quais não comemoro o Natal de 25 de dezembro, ele não é uma festa da Minha Tradição. Nada tem haver com a cultura Ancestral que norteia minha existência.
Baba Osoiná – Babalorixá Marcelo D´Ogum – Bàbálawo Ifasegun Aworeni
MOTIVOS PARA NÃO COMEMORAR O NATAL
Vamos começar esta narrativa, lembrando que escrevo enquanto um homem, que tem a vida direcionada por uma Cosmo Visão de Mundo Africana pré-colonial.
Ao encerrar o ano, no momento que nos deparamos com Terreiros comemorando o Natal, uma festa Judaico-Cristã e sobretudo comercial, observamos o resultado de um processo de massificação onde a cultura ocidental impõe através de sua arma mais potente, a mídia, um costume a várias outras culturas.
Desta forma, o poder em suas múltiplas instâncias: econômico, militar e ideológico, foram e são utilizados em detrimento aos segmentos ditos "inferiores", isto é, os negros, brancos pobres e Povo Tradicional de Matriz Africana como instrumento a fim de adquirir/agregar bens em prol de uma elite neo colonizadora que enxerga o Brasil como um lugar das grandes oportunidades.
De fato, a história deste Povo é marcada por extensa exploração, perseguição, exclusão e marginalização. Os primeiros portugueses não vieram para o Brasil com finalidade de aqui habitar, mas sim com a intenção de explorar os recursos naturais de sua recém conquistada terra. O escrivão Pero Vaz de Caminha indicou os objetivos fundamentais da colonização portuguesa: "Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro"; a agricultura- "Águas são muitas; infinitas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem"; E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar".
A carta de Pero Vaz de Caminha demonstra o interesse dos Portugueses para com o Brasil, no sentido de “fazer América”, isto é, acumular recursos e retornar para a Europa.
Esse fato se repete hoje de uma forma diferente: com a exploração econômica e uma falsa ideia de igualdade e irmandade entre os povos, lançada pelas elites dirigentes, a qual foi contaminada há muito pela política ra***ta e colonial. Por isto, creio que comemorar o Natal nos Terreiros é um processo claro de profanação do Culto Tradicional Africano. Se acreditamos que nosso Orixá é nossa vida, pergunto quando é realmente “nosso Natal”?.
A profanação do Culto Tradicional Africano, pelo poder europeu ocidental, afetou seriamente as Culturas sedimentadas nas Tradições de Matriz Africana. O Cristianismo europeu não reconhecia o Deus dos Africanos como o mesmo Deus de seus ensinamentos. Apesar de na Crença Tradicional Africana constar a existência de um Deu Supremo, Criador(a) de todas as coisas, o Grande Criador, ou a Grande Mãe, eles não viam nenhuma semelhança entre o Deus deles e dos colonizados; ou seja, todos que não entoavam “glorias e louvores a todo o momento” eram selvagens que precisavam ser salvos, mas salvos de que?
O colonizador destruiu muitas convicções tradicionais, valores sociais e rituais que eram considerados em sua maioria nada, pelo cristão europeu, além de valores pagãos e superstições sem papel nenhum para a cultura. Este mesmo paradigma repete-se na conjuntura educacional e política da sociedade contemporânea.
Vivemos em um Estado Laico. Isto quer dizer, simplesmente, que a história não pode se repetir com as desapropriações e a inserção de valores sociais importados nas sociedades. A Cosmo Visão de Mundo Africano nos faz crer na natureza e nas forças da Mãe Natureza. O nosso sagrado não pode ser delimitado, por reservas ou espaços demarcados. Estaríamos criando versões dos campos de concentração. Compete lembrar que a própria Constituição, estatuiu que “é livre exercício do direito de manifestação cultural coletiva”.
Claro que temos que nos adaptar aos novos tempos e, com a perda do território, o plantar de nossas oferendas tornou-se complexo. Temos que pensar num projeto que nos coloque acima de leis inconstitucionais, como limpeza urbana e abate religioso, lei do silencio, lei do meio ambiente, ou alguma nova lei que delimite nossos espaços para oferendas (os quais podem virar grandes lixões e servir de arma contra nosso povo), todo este processo, como se fossemos a causa de todos os males sociais. Hoje estamos despertando para a necessidade de engajamento, criamos Fóruns e grupos para lutar com intuito de que certas atrocidades não se repitam.
O papel de explorador e algoz, no passado exercido pelo cristianismo, passou a ser uma função do sistema sócio educacional e do racismo institucional que tenta visualizar os seres humanos pela cor de sua pele ou pela Fé que possuem, pois a partir do momento que a educação é uma fórmula pronta, num pais de dimensões continentais como o nosso e onde pessoas não conhecem a história do seu povo e da sua região, observamos várias vezes a pergunta que não quer calar: por que meu nome é Souza, Araújo, Marques, Silva... se não possuo em meu arquétipo nenhum traço do europeu Ibérico?
O resgate cultural é um processo lento e penoso, por isso temos que ter muito cuidado com a formulação de leis sem uma fundamentação cultural, baseadas no achismo de governantes, instituições e pessoas, sem um comprometimento nas discussões e no resgate dos valores desta grande parcela da sociedade.
A ameaça iminente está em um cerceamento do mais simples dos direitos: o de ir e vir e o direito de culto; ambos grifados na carta dos direitos humanos e no documento de Durban.
Doem os olhos ao ler que para gente do próprio Povo de Tradicional de Matriz Africana nosso valor seja baixo. Temos muito valor e, quem tenta nos comprar não tem dinheiro para pagar, porque se no passado não sabíamos nosso valor, hoje sabemos e entendemos que não somos mais uma simples moeda de troca ou uma turba desorganizada que serve como massa de manobra. Não temos preço, temos sim vontade política de construir, pois somos cidadãos e cidadãs, moramos em algum lugar, pagamos impostos, consumimos no mercado formal e informal. Enfim, somos uma parcela integrada com as diretrizes desta sociedade e queremos sim sair do anonimato.
Nossos ancestrais, os quais nos deixaram este legado, eram reis e rainhas. Claro que um povo não se salva por meia dúzia de intelectos iluminados e sim pela vontade do próprio povo. Temos que dizer não a todo tipo intolerância, principalmente as mascaradas por atos públicos de falsa preocupação com os destinos dos Cultos de Matriz Afro-brasileira, Federações e Organizações que nunca lutaram realmente, pelo respeito, dignidade e valorização do nosso Povo. Devemos sim fazer uma retomada a antigos valores e nos lembrar que a nossa verdadeira referência, enquanto Povo de Terreiro, esta materialmente longe daqui, está em solo africano.
Estes são alguns dos motivos pelos quais não comemoro o Natal de 25 de dezembro, ele não é uma festa da Minha Tradição. Nada tem haver com a cultura Ancestral que norteia minha existência.
Baba Osoiná – Babalorixá Marcelo D´Ogum – Bàbálawo Ifasegun Aworeni

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