15/02/2024
◼️2 Quinta-feira depois das cinzas:
O jejum
I. — Pratica-se o jejum por três motivos:
1. Primeiro, para reprimir as concupiscências da carne. Donde o dizer o Apóstolo (2 Cor 6, 5): «Nos jejuns, na necessidade», porque o jejum conserva
a castidade. Pois, como diz Jerônimo, «sem Ceres e Baco Vênus esfria», i.
é, pela abstinência da comida e da bebida a luxúria se amortece.
2. Segundo, praticamos o jejum para mais livremente se nos elevar a alma
na contemplação das sublimes verdades. Por isso, refere a Escritura que Daniel (Dn 10), depois de ter jejuado três semanas, recebeu de Deus a
revelação.
3. Terceiro, para satisfazer pelos nossos pecados. Por isso, diz a Escritura
(Jl 2, 12): «Convertei-vos a mim de todo o vosso coração em jejum e em
lágrimas e em gemido». E é o que ensina Agostinho num sermão: «O jejum
purifica a alma, eleva os sentidos, sujeita a carne ao espírito, faz-nos
contrito e humilhado o coração, dissipa o nevoeiro da concupiscência,
extingue os odores da sensualidade, acende a verdadeira luz da
castidade».
II. — O jejum é objeto de preceito. Pois o jejum é útil para delir e coibir
as nossas culpas e elevar-nos a mente para as coisas espirituais. Ora, cada
um está obrigado, pela razão natural, a jejuar tanto quanto lhe for necessário
para conseguir tal fim. Por onde, o jejum, em geral, constitui um preceito da
lei natural. Mas, a determinação do tempo e do modo de jejuar, conforme
à conveniência e à utilidade do povo Cristão, constitui um preceito de
direito positivo, instituído pelos superiores eclesiásticos. E tal é o jejum da Igreja, diferente do jejum natural.
III. — Os tempos de jejum estão convenientemente determinados pela
Igreja. O jejum é ordenado por dois motivos: para delir a culpa e para nos
elevar a mente às coisas espirituais. Por isso, os jejuns foram ordenados
especialmente naqueles tempos em que, sobretudo, devemos os fiéis nos
purificar dos pecados e elevar a mente a Deus pela devoção.