07/10/2020
Você conhece o Tombensi?
Conhece o Bate-Folha, o Tumba Junsara? Ciriaco ou Bernardino? Já ouviu falar de Mametu Twenda dia Nzambi? Ou de Sinhá Maria Neném? De Maria Genoveva Bonfim? Sabem de Manoel Boiadeiro? Tata Kapiexi? Conhece a comunidade do Nó de Pau?*
Você conhece o candomblé de angola? Conhece os povos Bantu?
Tombensi! Twenda dia N’zambi!
Quando falamos do Tombensi os pensamentos são sempre direcionados ao nome daquela que foi uma das grande matriarcas do candomblé na bahia: Maria Genoveva do Bonfim. Popularmente conhecida como Sinhá Maria Neném, a Mametu Twenda dia N’zambi – seu nome de batismo para o sagrado – é tida, na verdade, como a grande fundadora do próprio Candomblé de Nação Congo-Angola na Bahia, uma das raízes mais antigas do povo de santo História, sobre a qual se sustenta as próprias bases dos cultos afro-brasileiros.
Tombensi! Twenda dia N’zambi!
Sinhá Maria Neném fundou o Unzó Tombensi e foi com muito amor e respeito pela ancestralidade Bantu que ela regou, por anos, uma saudável vida comunitária na localidade conhecida como Nó de Pau, atualmente na Fazenda Grande do Retiro, em Salvador.
Foi ali que iniciou e cuidou de seus filhos de santo, acolheu crianças, atendeu a comunidadeem suas necessidades materiais e espirituais, enfrentou a opressão, driblou a perseguição e fez história em sua luta incessante pela preservação e sobrevivência das tradições e saberes dos povos Congo-Angola na Bahia.
Deixou, portanto, grandioso legado que se mantém vivo até os dias de hoje no cotidiano e nos ritos de todos angoleiros do Brasil.
Tombensi! Twenda dia N’zambi!
Também por causa dela que a língua falada hoje nos terreiros de Tradição Bantu no Brasil não é o famoso Yorubá. Falamos português e falamos quicongo ou quimbundo.
Dizemos Kumbandagira quando queremos pedir licença.
Dizemos Nkisi quando queremos chamar nossos ancestrais.
Dizemos Mokuyu quando queremos tomar a benção.
Falamos Zambi ua Quateça quando queremos agradecer.
Dizemos Ngunzo para falar de fé e reafirmação de tudo que é positivo.
Por causa de Sinhá Maria Neném o Angola VIVE!
Mametu Twenda dia Nzambi iniciou personalidades como Manoel Bernardino e Ciriaco, que posteriormente viriam a ser os fundadores de grandes casas como o Bate-Folha e o Tumba Junsara, respectivamente.
Tombensi! Twenda dia N’zambi!
Repetir essas palavras é lhes conferir poder. É resgatar em nossas memórias coletivas os seus lugares de direito.
É continuar o legado de Sinhá Maria Neném e ajudar a manter vivo um grande museu vivo de memórias que afeta diretamente nossa identidade e o nosso pertencimento.
É fincar as raízes que nos sustentam e erguem as nossas tradições ao céus como uma árvore que cresce bem nutrida.
Viva o Angola! Viva o Tombensi! Viva Sinhá Maria Neném!
- Tuenda Dia N’zambi fundou o Terreiro tombensi na Fazenda Grande do Retiro, a comunidade do “Nó de Pau”, onde morreu no ano de 1945.
- Sua filha de santo Silú fora apontada com sucessora. Infelizmente sua regência teve curta duração pois logo veio também a óbito.
- Manoel Boiadeiro, chamado Tata Kapiexi, a partir de então, seguiu os passos de sua mãe adotiva e tão amada zeladora levando adiante, com respeito e honra a casa de Ngunzo fundada por ela. Kapiexi fez valer seu legado até o seu falecimento em 17 de Julho de 1997.
- Foi apontada Lúcia, ou Kisimbirê para uma nova sucessão que nunca chegou a assumir.
Atualmente o Terreiro Tombensi encontra-se fechado e possui apenas parte de sua estrutura física conservada, ainda na comunidade do nó de pau.
As marcas de tempo e idade nas paredes das construções confessão a idade do lugar, mas jamais traduzirão o verdadeiro estado das tradições do Candomblé de Angola que segue produzindo seus filhos e mantendo sua memória viva!
Sinhá Maria Neném estará sempre viva naquele chão, e na memória de todos seus descendentes!
Texto de Gabriel Abreu Vieira Fontes ( Dijina Mona Kitanji) e Matheus Freitas ( Dijina Awa Kiankulo )
Mametu kuangolô
Unzo Mean Dandalunda