10/01/2024
Cheiro de terra molhada
(Série – Reflexões)
Essa expressão, muito comum em terras tropicais como a nossa, com períodos quentes e de seca, seguidos de chuvas de fim de tarde, que caindo faz exalar o cheiro da terra tocada pelas gotas úmidas da chuva.
Cheiro que nos alegra e inspira, pois, com ele também chega a esperança do brotar da semente, do renascimento da relva, do capim, da nascente.
Plantas secas dão lugar ao pendão verde que emerge da terra solada e dura e ergue trazendo vida a um lugar antes assolado e morto.
O Evangelho é cheiro de terra molhada, é chuva serôdia (Joel 2:23) caindo sobre a aridez da vida sem esperança e separada de forma abismal de Deus.
É Deus fazendo romper as nuvens sobre nós e nos encharcando de seu amor e de sua graça.
O Evangelho de Jesus tem esse cheiro que faz encher os pulmões da alma, pelas possibilidades nele inseridas. São nuvens espirituais descortinando favor e perdão sobre um ambiente hostil e severamente em estado de sequidão, contando que, certamente ao cheiro destas águas brotos surgirão como planta nova (Jó 14:9).
O Evangelho, como este cheiro de terra molhada, torna possível acreditar que a vida prevalece, que o tempo da seca passa e será sucedido por outro cheiro, o cheiro verde da alegria, cheiro de renovo.
O Evangelho de Cristo é esse bom perfume (2 Cor. 2:15,16) que encanta e apaixona quem por ele é alcançado.
Toda terra árida está carente de chuva como todo homem sem Deus precisa de Jesus.
Jesus é a pequena nuvem de Elias (1 Rs 18:44) que uma vez avistada é sinal imprescindível de transformação que se aproxima.
Nossa vida é terra seca e rachada pela dureza do pecado esperando que Jesus desça como orvalho de Hermon (Sl 133:3) e restaure nossa sanidade e nosso vigor.
Há esperança para toda secura humana que mesmo sendo exaustivamente solapada por períodos prolongados de seca, passando até mesmo a aceitar que desse chão não se produz mais nada. Produz sim, com toda certeza, Cristo é frescor num mundo inclemente, com Ele sempre haverá cheiro de águas, cheiro de terra, cheiro de vida, perfume suave de alegria.
Deixa chover! Que nuvens formadas pra esse fim deságüe sobre a terra, trazendo gotas enfileiradas, que somadas, formam poças, enxurradas, abastecem córregos, rios e enfim voltam ao mar para evaporar e retornar a este siclo interminável.
"Para a árvore pelo menos há esperança: se é cortada, torna a brotar, e os seus renovos vingam.
Suas raízes poderão envelhecer no solo e seu tronco morrer no chão;
ainda assim, com o cheiro de água ela brotará e dará ramos como se fosse muda plantada.” (Jó 14:7-9)
Pr. Marcos Dias