28/02/2026
Sou apenas mais um pecador, carente da misericórdia Divina.
É doloroso constatar que muitos de nós, católicos apostólicos romanos, têm se deixado seduzir por propostas que, embora apresentadas sob aparência de justiça social ou renovação pastoral, afastam-se do depósito perene da fé. Entre tais correntes, destaca-se a chamada **Teologia da Libertação**, surgida na América Latina na segunda metade do século XX, que buscou aproximar o Evangelho das realidades sociais dos pobres, mas que, em determinados contextos, incorporou categorias de análise oriundas do marxismo — fato reconhecido pela própria Igreja ao emitir, em 1984 e 1986, instruções doutrinais advertindo contra desvios ideológicos.
A fé cristã, por sua natureza, não pode ser reduzida a instrumento de projeto político, seja de esquerda ou de direita. A Igreja, conforme ensina o Magistério, possui missão eminentemente espiritual: conduzir as almas à salvação, iluminando as realidades temporais com a luz do Evangelho, mas sem confundir-se com ideologias transitórias. Como afirmou **Bento XVI**, a Igreja não é uma organização política, mas comunidade de fé chamada a testemunhar a verdade de Cristo.
Vivemos em um mundo marcado pelo pecado original, realidade teológica constante desde os primórdios do cristianismo. A Escritura recorda que “não há um justo sequer” (Rm 3,10), e a tradição espiritual sempre reconheceu a fragilidade humana. Ainda assim, o chamado à santidade permanece universal. Muitos tentam, caem e recomeçam — e é justamente nesse recomeçar que se manifesta a graça.
Não é possível, para quem crê, compartimentar a existência: fé e vida não se separam. Mesmo aquele que se declara ateu estrutura sua visão de mundo sobre convicções últimas, sobre um ato de confiança racional em determinada concepção da realidade. A fé, no sentido amplo, é dimensão constitutiva da condição humana.
Fui batizado e crismado, mas durante anos percorri caminhos diversos, alguns áridos e tortuosos. Hoje compreendo, à luz da Providência, que tais experiências foram permitidas para que, amadurecido, pudesse reconhecer com maior consciência a riqueza da Igreja. Ao estudar a história do cristianismo — desde os Padres Apostólicos, passando pelos grandes Concílios Ecumênicos, até o testemunho contínuo da **Igreja Católica** — torna-se difícil negar a continuidade histórica e doutrinária que caracteriza a fé católica. A **Sagrada Tradição**, as **Sagradas Escrituras** e o **Sagrado Magistério** formam, segundo o Concílio Vaticano II, um único depósito sagrado da Palavra de Deus.
Causa perplexidade perceber como, por vezes, a superficialidade catequética fragiliza os fiéis, tornando-os suscetíveis a leituras parciais da fé. A Igreja sempre insistiu na necessidade de formação sólida: desde o Catecumenato antigo até o atual Catecismo promulgado em 1992 por **João Paulo II**, que reafirma a integridade da doutrina católica. A catequese não pode limitar-se a eventos sociais ou encontros festivos; deve ser iniciação profunda no mistério de Cristo.
Apesar das crises internas — que não são novidade na história eclesial, pois atravessaram séculos de perseguições, heresias e escândalos — permanece firme a promessa de Cristo registrada em Mateus 16,18: “as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. A esperança cristã não se apoia na perfeição humana, mas na fidelidade divina.
As aparições de **Nossa Senhora de Fátima**, reconhecidas pela Igreja, trouxeram advertências sobre erros que se espalhariam pelo mundo — referência que muitos interpretam à luz das ideologias totalitárias do século XX, incluindo o comunismo, oficialmente condenado pelo Magistério em diversos documentos. Tais advertências não alimentam medo, mas conclamam à conversão, à oração e à fidelidade.
Assim, enquanto me for concedida a vida, desejo permanecer fiel à fé que recebi: defender a **Sagrada Tradição**, as **Sagradas Escrituras** e o **Sagrado Magistério**, não por espírito de contenda, mas por amor Àquele que é a Verdade.
Salve Maria.
Viva Cristo Rei.