Religião Respeito Humildade

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Porque os guardiões trabalham com as luzes apagadas nas giras?No escuro não existe preto nem branco, não existe rico nem...
24/08/2026

Porque os guardiões trabalham com as luzes apagadas nas giras?
No escuro não existe preto nem branco, não existe rico nem pobre, todos são iguais, seja homem ou mulher. Assim Exús e Pombo Giras nos enxergam, sem títulos, sem aparência, sem privilégios. Não existe jeitinho brasileiro, nem barganhas. Eles veem cada um pela sua essência. E ponto.

Você vai encontrar diversos pensamentos sobre, mas podemos cita alguns aqui.
Antigamente os terreiros eram de chão batido e os trabalhos aconteciam a luz natural ou lamparinas, acreditava que as linhas só se manifestavam nas penumbras ou na escuridão para concentrar energias densas, ocultar segredos e mistérios, e assim foi passando o tempo e assim permaneceu este hábito nos terreiros.

Mas não é uma regra, isso depende da doutrina da casa do que uma regra universal, há terreiros que trabalham com os guardiões de luzes acesas normalmente e está tudo bem.

O próprio ponto de Exú já diz, “Apaga a luz, acende a vela, que a magia vai começar”, sim, de fato a magia acontece aos nossos olhos de forma imperceptível, há mistérios não explicados pelo plano espiritual que talvez não iriemos saber, com a luz apagada o ambiente f**a mais aconchegante e mais introspectivo para o consulente.

Por um outro lado a luz apagada faz a pessoa desacelerar, induz o relaxamento e pode facilitar o trabalho das entidades em diversos campos de atuação, além da pessoa também sentir que a conversa está mais reservada sem ninguém a observando, são vários motivos.

Umbanda Oficial
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Resgate de um registro histórico. Em junho de 1949, há 76 anos, a revista A Cigarra publicou um texto de Roger Bastide, ...
23/08/2026

Resgate de um registro histórico. Em junho de 1949, há 76 anos, a revista A Cigarra publicou um texto de Roger Bastide, acompanhado de fotografias de Pierre Verger, sobre o que o autor presenciou durante um candomblé no terreiro de Joãozinho da Goméia, na Bahia. Segue a transcrição na íntegra:

Candomblé

Nos flancos sonoros dos navios negreiros vieram não só os filhos da Noite mas também os seus deuses, os Orixás dos bosques, dos rios e do céu africano. É verdade que, no cais dos portos brasileiros, o capelão esperava os nagôs, os jejes, os angolas — capelães das cidades, capelães dos engenhos, para lhes ensinar as preces latinas e os batizar com o Espírito Santo. Os negros confundiriam suas divindades sombrias com os santos católicos, mas continuariam, através dos cantos e das danças tradicionais, a adorar os deuses de além-mar. E assim nasceu o Candomblé, perdurando até os nossos dias, apesar das muitas transformações por que passou.

A partir dos trabalhos de Arthur Ramos e de Nina Rodrigues essa religião afro-brasileira se tornou bem conhecida — pelo menos em suas linhas gerais. Mas existe no Candomblé um outro aspecto, não menos importante, que chamou a atenção dos romancistas do nordeste — o seu aspecto estético. A religião e a arte, que em nossa civilização ocidental se separaram, casam-se aqui em líricos esponsais. E se é possível que o elemento religioso do Candomblé um dia desapareça, é de se esperar que o brasileiro mantenha a herança de beleza que os negros transplantaram para sua nova pátria.

Era nisso que eu ia pensando, enquanto o automóvel me conduzia, junto com alguns amigos, ao "terreiro" de Joãozinho da Gomea. A noite caía sobre a estrada litorânea onde se defrontavam e se confundiam os perfumes das árvores tropicais das flores selvagens da terra e o odor persistente de iodo e de maresia, vindo do mar próximo. Bonfim, onde à sombra da cruz cristã, as filhas de santo vêm oferecer preces a Oxalá, o velho, ia f**ando para trás. E o auto subia a encosta que conduz ao santuário africano.

Alguns dias antes eu havia visto na camarinha, estendidas no chão, apertadas nas faixas litúrgicas, o rosto afogado na brancura da fazenda, as candidatas a esta iniciação, que fará das jovens negras da Bahia, cavalos m***ados pelos deuses. Semelhavam a humildes crisálias, talvez naquele momento à espera do banho de ervas sagradas preparado pelo babalorixá, o qual abriria os corpos e as cabeças à entrada do divino e desvencilharia as asas das dançarinas dos deuses. É hoje a festa de "dar o nome", a entrada das iniciadas na confraria das filhas e dos filhos de santo. Para que a cerimônia não seja perturbada, já se realizou o sacrifício inicial a Exu; a multidão dos vizinhos, dos pais, dos amigos, dos curiosos, dos amadores desses espetáculos de arte, se acotovela no terreiro, ao lado dos fiéis e dos devotos. Enquanto esperam, os moleques correm atrás duma bola de futebol, rindo alegremente.

O candomblé de Joãozinho pertence à nação angola. Portanto, a uma nação bantu. Na verdade, os Orixás desta nação não diferem dos Orixás dos Ketu ou dos Jeje. Mas se a mitologia é a mesma, se o ritual é comum, existe assim mesmo no canto, no ritmo e na liturgia um certo número de diferenças. A nação angola resiste menos às influências estrangeiras que nascem do meio, brotam na nova pátria. Enquanto os nagôs e os dahomeianos permanecem fiéis à pureza africana, o bantu aceita com mais facilidade a linguagem dos portugueses em seus cânticos festivos. E também não despreza os Espíritos dos caboclos. Unem aos deuses de seu país os deuses da terra adotiva. É verdade que o sincretismo não é tão grande quanto na macumba, havendo mais justaposição que assimilação. As festas dos caboclos, por exemplo, não se fazem na mesma época que as dos africanos, as roupas são diferentes. E enquanto o candomblé se desenrola sob o teto do barracão, o candomblé de caboclo se realiza ao ar livre, pois as divindades indígenas são divindades de ar livre.

Geograf**amente, o terreiro da Gomea desenha esta justaposição dos cultos. Eis, depois da cabana de Exu, bem junto à porta, a cruz de Oxalá, que acolhe os visitantes. Mas Oxalá nunca foi crucif**ado e esta cruz, plantada no umbral do santuário africano, é o catolicismo do branco. Um pouco além, eis a árvore de Camujupitiá [nome africano do caboclo Pedra Preta], o caboclo protetor de Joãozinho, cercada de uma barreira tabu cobrindo com a folhagem rasteira, com a verde sombra, pratos de alimentos, vasilhas de terra e a pedra negra, fálica. Um caminho tranquilo conduz os passos do visitante à árvore de Jucá, de frutos interditos, de tronco oco onde o vento se engolfa com um suspiro doloroso, da qual não se pode aproximar sem trazer na mão a folha protetora. É nos ramos frondosos desta árvore que dormem, enquanto não se reencarnam ou desaparecem, as almas das filhas de santo do terreiro. Os candomblés jeje têm uma casa dos mortos onde depois da morte do babalorixá ou da mãe de santo, a alma se recolhe enquanto espera sua substituição ou sua volta à terra, sob a forma de uma branca sombra que transmite aos fiéis suas últimas vontades. Esta cabana não existe no terreiro de Joãozinho e é a árvore poderosa, povoada de cantos de pássaros, de gemidos de vento, em cuja rama se agarra o manto da noite, que serve de repouso aos mortos. Os deuses africanos, a não ser algumas raras exceções como Exu, Ossain, as divindades da vegetação em geral, não são adorados fora, mas no interior da casa, no "peji". Ainda aqui vemos que o sincretismo se limita a uma simples justaposição: não há dúvida que a influência católica pode se refletir na decoração, nos padrões de beleza aprendidos na contemplação das capelas barrocas; não obstante, o "peji" é africano, com as oferendas de pratos odorantes, de doces, de frangos, com as pedras sagradas — ou "itá" — seixos rolados pela vaga marinha, pedras de raio, as ferragens de Ogum, os pedaços de giz de cores simbólicas. Quanto ao santuário católico, está separado do "peji"; se eleva num canto do barracão, com seus santos — sem dúvida equivalentes aos Orixás, Santa Bárbara identif**ada a Yansã, São Jorge a Oxóssi, São Sebastião a Omolu. Mas estes não recebem culto, apenas presidem à festa pagã.

Os três tambores, Rum, Rumpi e Lé, estão em seus postos. Eles são deuses. Foram batizados, receberam o sangue do animal sacrif**ado, habita-os a alma dos Orixás. E quando as mãos ágeis dos músicos — dança negra de dedos sobre a pele tensa — ferem o tambor, os deuses falam aos corpos. O tã-tã mágico não é somente a saudade da África, nem a lembrança deste outro tã-tã, o reboar das vagas no flanco do navio negreiro, mas a descida dos Orixás na cabeça, nos músculos, no coração de seus filhos. Quem entra vem saudá-los, deitar-se diante do instrumento sagrado, tocando sucessivamente a terra e o tambor, com a mão trêmula de emoção. As danças e os cantos começam, numa ordem determinada, sempre a mesma — o "xirê" —, cada deus recebendo, obrigatoriamente, três cânticos.

Sobre o caminho que liga a casa de Joãozinho ao barracão, os braços estendidos no ar sustentam o pano branco — o "alá", que eu já havia encontrado em outro lugar, no batuque de Porto Alegre, há centenas e centenas de quilômetros de distância, servindo a outros fins litúrgicos, e que reflete, eu creio, uma sobrevivência maometana. Os Malês, que durante um momento sacudiram o Brasil com suas insurreições, já se foram ou morreram, e o culto de Alá se extinguiu; seus traços, contudo, ainda hoje perduram nos candomblés.

É então que, cercadas da alegria da multidão, no meio dos gritos e entre pétalas de flores, entram as iniciadas, as "iaôs". A procissão hierática desfila ao som do mesmo cântico monótono e cada filha de santo vem acompanhada de sua "keti", incumbida de ampará-la na hora do êxtase, de enxugar-lhe o suor do rosto com uma toalha imaculada. Elas vêm dançando, a parte inferior do corpo envolta numa saia branca que, subindo, contorna o busto; mas as costas e os braços estão nus, cobertos de manchas brancas. As manchas brancas salpicam ainda o rosto e a cabeça, que se raspou para que o deus possa mais facilmente entrar e subjugar sua m***aria. Em nenhuma parte eu havia visto cerimônias iguais, em que os "iaôs" entrassem enfileirados, com as vestimentas dos Orixás. Joãozinho, que é um admirável "maitre de ballet", aqui, abandonou-se certamente à sua fantasia de criador estético. A cena é grandiosa e os corpos negros pintalgados de branco são como noites estreladas da África, que chegam até nós, dançando.

A estrutura das cerimônias afro-brasileiras é conhecida. Os cantos chamam os deuses e os deuses descem:

Ogum ôburucan
imbaô balé
Ogum ô lojo
babaim nagô
erum jelé;

os pés batem no chão, as mãos se estendem ou se abaixam, as ancas giram, o tã-tã martela o peito:

ô ami luô
má nô
ô ami luô
má nô
xarangô lá nu aeô
má nô
ami luô
má nô

As "quedas de santo" se sucedem. Cada vez que um homem cai em transe, tiram-lhe os chinelos, o paletó, o chapéu; o corpo das mulheres estremece sob os golpes dos deuses, os olhos fecham-se, estáticos, às vezes a possessão é tão violenta que o filho ou a filha de santo cai por terra. Mas não devemos pensar que o candomblé nos apresenta cenas de histeria. A possessão se realiza musicalmente; mesmo na violência — que é rara — obedece ao ritmo do cântico. Ela começou com a dança e com a dança terminará; ela é, em si mesma, uma dança, selvagem, liricamente selvagem. As pessoas em transe são carregadas para a "camarinha" e lá envergam as vestimentas características de seus Orixás. Roupa de Xangô, branca e vermelha com o chapéu redondo, a saia curta, a calça até os pés, o machado duplo. Estranha e assustadora vestimenta de Omolu, o deus da varíola, cobrindo a cabeça e o corpo de palha da costa.

Às vezes a possessão demora. Então, o ritmo faz-se mais rápido, mais feroz. Joãozinho persegue os corpos que resistem ao transe divino, agita o "agogô", desenha, à volta das cabeças suadas, um rendilhado de sinetas sacudidas. Ele próprio, o pai de santo venerado de sua nação, será m***ado por Yansã e envergará sua vestimenta feminina, pois Yansã é a mulher de Xangô. E dançará admiravelmente, perdidamente, e será também Oxóssi, o deus caçador. Enquanto isso, nos intervalos em que os tambores calam, ouve-se na relva dos campos à volta o canto noturno dos grilos — grito de amor que a terra da Bahia lança ao céu profundo e luminoso.

Entre as dançarinas reconheço a neta da "mãe pequena" do terreiro de Joãozinho; é uma menina [de] Xangô, de doze anos. Está doente, mas assim mesmo o Orixá se apossou dela e ela dança, estática, entre as companheiras. Só Oxalá não dança. Sentado no trono, pois Oxalá é o deus supremo, o rei dos Orixás...

Oxalá-rei ô i, babá ô é
Oxalá-rei
.. preside à festa, recebe as homenagens dos Orixás, dá à cerimônia o caráter hierárquico que faz da mitologia yorubá uma tradução sobrenatural das realezas africanas.

A festa está terminando. Segundo o costume, vou comer o resto do alimento dos deuses. E depois, partirei só. Quero descer, rumo à cidade adormecida, levando a braçada de músicas, que continuam em minha memória. Tomarei o último bonde que geme nos trilhos. Perto de mim, entre os passageiros, alguma filha de santo, de novo na roupa triste de trabalho, ainda trará nos olhos o brilho do amplexo dos deuses.

Wolkartt
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Resgate de um registro histórico. Em 30 de maio de 1982, há 44 anos, a revista O Cruzeiro publicou uma reportagem sobre ...
22/08/2026

Resgate de um registro histórico. Em 30 de maio de 1982, há 44 anos, a revista O Cruzeiro publicou uma reportagem sobre o ritual do Axexê tomando como referência os relatos do babalorixá carioca Luiz de Jagum. Marcada por seu método sensacionalista, a revista encontrou uma boa oportunidade para chamar a atenção de seus leitores a partir das declarações do pai de santo, que justificou a exposição do tema como uma tentativa de combater a "exploração comercial" em torno da cerimônia, além de alegar que outros "segredos" já haviam vindo a público. Com informações por vezes confusas e imprecisas, a matéria não deixa de ser um retrato da divulgação enviesada do Candomblé levada a cabo desde meados do século passado. Segue a transcrição na íntegra:

Axexê: o ritual da morte

Os segredos do Axexê — a cerimônia do funeral no Candomblé e na Umbanda [sic] — estão agora ao alcance dos adeptos da religião ou de qualquer pessoa que queira conhecê-los nos mínimos detalhes. É uma cerimônia obrigatória e das mais importantes da seita, mas que estava desaparecendo por falta de conhecimento dos próprios praticantes. Quem faz as revelações é o zelador de santo Luiz de Jagum, com a finalidade de ensinar e ao mesmo tempo combater a "exploração comercial dos poucos indivíduos que conhecem estes segredos".

Luiz de Jagum, um profundo conhecedor do assunto, diz que a cerimônia nada mais é do que "a preparação para o outro lado da vida".

— Isto representa para nós, os adeptos da seita, o desligamento do egum (alma) da matéria, dando-lhe força para a outra vida. Hoje, nas casas de Amoreira (casas que cultivam os eguns), os eguns quando são "tratados" (passam pelo ritual do Axexê) respondem ao jogo de búzios.

Iniciação — Se a morte física ocorre de modo inesperado, as primeiras providências são tomadas de improviso, mas é necessário recorrer ao jogo de Ifá (búzios).

— Para se arriar um Axexê, temos que m***ar o Ibalé (uma qualidade de Iansã que mexe com os eguns), o santo para o carrego (despacho).

No caso da morte ser esperada, o procedimento é outro:

— Primeiro arriamos o santo da cabeça do moribundo e depois o colocamos sob a água. Se for Orixá feminino, põe-se a água dentro do Ibá (bacia) e se for masculino, coloca-se a bacia sobre um acaçá (bolos de canjica). Após a morte, despacha-se a água do Ibá. Logo depois volta-se ao local do santo para cobri-lo com um ojá (pano) branco e levá-lo para um lugar predeterminado, dentro da roça (terreiro), onde se m***a o Ibalé do morto.

A partir daí, usando materiais dos mais diversos, o zelador faz uma espécie de limpeza no corpo do indivíduo, colocando coisas dentro do caixão (acaçá, ecuru — bolo de feijão fradinho etc.).

— No ritual da saída, após a encomendação do corpo, os babalorixás e ogãs levantam o caixão três vezes antes de carregá-lo. No caminho, em cada encruzilhada, há o revezamento entre as pessoas até chegar à porta do cemitério. Aí levanta-se o caixão até a altura dos ombros, continuando o processo até a chegada à sepultura.

Para todas as fases do Axexê, há também os cânticos próprios que são puxados pelos ogãs. Os adeptos também dançam ao ritmo de cabaças, que substituem o atabaque.

— Se for tocado em Jeje (a nação de Luiz de Jagum) ou Angola, o ritmo será tirado de um pote de barro (porrão) e de um alguidar (prato de barro) com uma cabaça.

Na m***agem do Ibalé, o zelador junta todas as roupas do morto, inclusive as do seu santo e fios de contas (colares), que vão no carrego. Além disso, adiciona bolos diversos, ervas etc.

— Se o morto for graduado, ou seja, pai ou mãe de santo, o santo não é despachado. Se fizerem isso, o barracão terá que ser fechado. Para dar continuidade ao funcionamento da casa, é necessário consultar o jogo de búzios para saber quem será o herdeiro.

O Axexê, dependendo da graduação do morto, pode durar até sete dias (é o caso de um pai ou mãe de santo). Quem assistir ao primeiro dia da cerimônia não pode faltar aos outros e, durante o ritual, os presentes só podem comer peixe cozido ou frito, bacalhau ou camarão em forma de moqueca ou bobó:

— Se for um iaô (iniciante), o Axexê durará os dias que forem de acordo com seus anos de obrigação.

Durante as danças, os participantes obedecem a certos critérios, prevalecendo também a ordem hierárquica de cada um. Antes de iniciá-las, trocam dinheiro por moedas e depois começam a passá-las em torno do corpo, jogando-as dentro de uma cuia.

— Isso é feito durante todos os dias do Axexê, e o dinheiro apurado será utilizado no pagamento da missa de 7º dia. É uma reverência dos africanos à religião católica.

Quem participa da cerimônia veste o branco, que representa a paz e o luto. As mulheres, além da roupa branca, usam o ojá de cabeça e o pano-da-costa cobrindo todo o corpo.

— Além disso, o zelador passa os atins (pós sagrados) nos olhos, cabeça, face, peito e costas de quem está presente. Os ogãs amarram os mariwôs (espécie de franja de folha de palha) no pulso de cada pessoa, usando também a palha-da-costa. Isto serve como proteção contra perturbações de espíritos. Todos também devem usar um fio de conta de Xangô que tem o mesmo objetivo.

A seguir, o zelador louva os santos, começando por Oxum e terminando com Ogum:

— No terceiro dia do ritual, os Orixás Iansã, Ogum, Obaluaê e Nanã são chamados, isto é, incorporam e f**am de ronda.

Depois do sepultamento, o zelador volta à casa de Egum na sua roça e prepara a limpeza, armando o Ibalé do morto. M***a uma espécie de corpo com suas roupas e pertences, enquanto as filhas de santo fazem as comidas:

— Os pertences, exceto os bens materiais, f**am para alguém que será determinado pelo jogo de búzios, normalmente um filho da casa.

Por fim, o despacho do santo do morto ou o carrego:

— Santo de zelador com casa aberta não vai em carrego. Neste caso, o responsável arranja outro santo de sua linhagem e o despacha junto com o carrego geral no último dia do Axexê.

Antes do despacho, quebra-se tudo que for de louça ou de barro, as roupas são rasgadas, as contas arrebentadas e faz-se uma trouxa:

— Esta trouxa será despachada no mato ou no rio, de acordo com o que o jogo de búzios determinar.

O sacrifício de animais, no Axexê, também obedece a um critério:

— Só podemos ofertar ao egum animais de cor branca e sem nenhuma espécie de defeito físico. São sacrif**ados, dependendo da graduação do morto, bodes, galinhas, galinhas-de-angola e pombos. Há algumas casas que sacrif**am também carneiros, que são considerados sagrados na nação Jeje.

Polêmicas — Luiz de Jagum está convicto de que suas revelações criarão polêmicas. Admite, inclusive, que será muito criticado, mas tem uma defesa:

— Depois que revelaram o nosso maior segredo, que é a feitura de um santo, ninguém pode reclamar mais nada. Eu estou apenas colaborando e ensinando as pessoas a manterem uma tradição da seita, que deve ser repetida todos os anos na data da morte de quem passou pela cerimônia do Axexê.

Carlos wolkartt
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Bom dia irmãos de fé!Ojo Jimu - Sexta feira.Dia que nos cultos afros brasileiros reverenciamos os Òrìṣas funfuns, vamos ...
21/08/2026

Bom dia irmãos de fé!
Ojo Jimu - Sexta feira.

Dia que nos cultos afros brasileiros reverenciamos os Òrìṣas funfuns, vamos pedir a Ọbatáalà que nos abençoe com a sua benevolência e o seu grande àse. Que ele cubra à todos nós com o seu àla!!

Ọbatáalà, gbákú ló, gbárùn ló - Obataalà, leva a morte para longe, leva as doenças para longe.

Oriṣanla Baba funfun bukun wa fun wa pẹlu rẹ àṣẹ idunu ati aisiki - Grande Orixá pai do branco, nos abençoe com o seu axé de paz, alegrias e prosperidade!!

A irè a irè Baba a irè - Traga-nos sorte pai!!

Eepaà Baba!!

Um ótimo fim de semana meus irmãos!

Os Mistérios da África
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Ẹ Kàárọ̀!Algumas coisas são simples de entender e você não precisa gastar dinheiro com magias e cursos mirabolantes pra ...
20/08/2026

Ẹ Kàárọ̀!

Algumas coisas são simples de entender e você não precisa gastar dinheiro com magias e cursos mirabolantes pra se curar de nada.

Sê você ganha um salário mínimo e gasta 2, no final do mês você estará lascado.

Sê você não trabalha mas utiliza o cartão de crédito que o banco ofereceu vai dar m***a pois ele não se paga com vento.

Nenhum Òrìṣà irá pagar suas dívidas.

Não adiantar ter Òrìṣà Aje, Èṣù Alaje, Èṣù Awure e ser uma pessoa sem disciplina financeira, sem responsabilidade.

Òrìṣà não é o Serasa Experian nem o desenrola Brasil.

Òrìṣà não irá parcelar suas dívidas e nem pagar suas contas.

Deixe de ser besta.

Não banalize o Sagrado.

Sangowale
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O Mentiroso possui Orí buruku, pois aquele que cria falsos mundos, distorcendo a verdade, falando mal de todos, inventan...
19/08/2026

O Mentiroso possui Orí buruku, pois aquele que cria falsos mundos, distorcendo a verdade, falando mal de todos, inventando histórias dos seus desafetos e vive enganando os outros para alcançar seus próprios objetivos.
É a pessoa que, atrás de um sorriso, constrói um "Templo de mentiras", manipulando situações e pessoas com a intenção de tirar proveito. Muitas vezes, o manipulador esconde suas reais intenções, camuflando com atos de bondade, oferecendo banquetes e bebedeiras à custa dos outros, mas seu Orí está corrompido, alinhado ao egoísmo, ao engano e à dissimulação.
Se afaste deste abjeto e caso você tenha sido expulso do convívio agradeça e muito seu Òrìṣà, pois Olódùmaré o Deus supremo é conhecido como Olúmònokàn,
“aquele que conhece todos os corações”, que tudo sabe e tudo vê, e o seu julgamento é correto e absoluto.

Ìwà nikàn l’ ó sòro o
“Caráter é tudo o que é necessário.”

Şàngò afirma;
-Nem todo cristal bruto vira Diamante!

José Ti Òsògìyan
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Terradeancestrais

Mo júbà, gbogbo!Quarta-feira é o dia em que o céu ruge e a terra se curva diante da balança da justiça. É o dia de sauda...
19/08/2026

Mo júbà, gbogbo!

Quarta-feira é o dia em que o céu ruge e a terra se curva diante da balança da justiça. É o dia de saudar o fogo que ilumina a verdade e consome a injustiça: dia de louvar Sàngó!!

Viver sob o olhar do Rei de Ọ̀yọ́ é compreender que nada escapa à lei do retorno.

A sabedoria ancestral nos ensina através do provérbio:
Bí Ṣàngó bá ńpa igi, kò ní pa ẹni tí kò jẹ̀bi!

Se o raio desce e a árvore cai, há um propósito maior. O fogo de Ṣàngó é cirúrgico: ele atinge o erro, mas poupa o justo.

Isso nos traz uma paz profunda, mas também uma responsabilidade imensa. A justiça divina não é um sorteio, é uma colheita.

Como diz o provérbio: Ẹni tí ó gbin èpùrù, èpùrù ni yóò kà.

Quem planta o bem, colhe o bem. Quem semeia o inhame èpùrù, colherá exatamente o que colocou na terra.

Nesta quarta-feira, olhe para as suas ações e para as sementes que você tem espalhado pelo caminho.

A justiça de Ṣàngó é o terreno onde a verdade floresce. Se o seu coração está limpo e suas mãos estão ocupadas com o trabalho honesto e a retidão, não há o que temer.

O trovão que assusta os culpados é o mesmo que anuncia a chuva que abençoa a colheita do justo.

Que o machado duplo de Ṣàngó corte toda a negatividade e que sua balança equilibre a sua vida. Siga com a cabeça erguida, cultivando a verdade em cada gesto, pois a colheita é certa e a justiça não falha.

Káwò Kábíyèsí, Ṣàngó!

Educa Yorubá
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A justiça do homem falha,A de Xangô, NÃO!Quando meu coração bateÉ no ritmo do Alujá, que ele pulsa feito trovãoÉ ancestr...
19/08/2026

A justiça do homem falha,
A de Xangô, NÃO!

Quando meu coração bate
É no ritmo do Alujá, que ele pulsa feito trovão

É ancestral a voracidade que me toma
É de Oyo minha valentia

De um Rei que cospe fogo,
Herdei dEle o meu grito de "abaixo à tirania"

Fogo que consome o mal,
É Xangô, a chama da vida

Quando me fizeram réu em meio à injustiça,
Bateu o machado,
E declarou minha felicidade como veredito
Porque se Xangô diz, está dito

Se no mundo tenho aflição,
Rodo àmàlà,
Bato paó, de joelhos me coloco no chão
Feito clarão que rasga o céu,
vejo resposta na prece que soluço

Porque a justiça do homem falha,
A de Xangô, NÃO!
Imagem: A creditar
Texto: Gamo de Ọ̀ṣùn (Ilẹ̀ Òṣùmàrè)

Casa de Oxumare
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MULHERES QUE FIZERAM A HISTÓRIA DO TAMBOR DE MINA DO MARANHÃO.MARIA CELESTE SANTOS ( Bahisetó).        Como uma forma de...
19/08/2026

MULHERES QUE FIZERAM A HISTÓRIA DO TAMBOR DE MINA DO MARANHÃO.

MARIA CELESTE SANTOS ( Bahisetó).

Como uma forma de reconhecimento e respeito a essas mulheres que foram baluartes na fundação e construção da nossa religiosidade afro-maranhense. Sobretudo do segmento Tambor de Mina do Maranhão para que essa e futuras gerações saibamos um pouco da história dessas incríveis mulheres.
Dona Celeste eu a conheci pessoalmente, pois participamos na mesma mesa como palestrantes em dois eventos, além de ter me concedido uma extensa entrevista sobre a Casa das Minas.
Mais vou me ater aqui a falar da relação de amizade dela com o meu Pai de santo o Talabyan Lissanon respectivamente com a Casa Fanti-Ashanti.
Celeste foi Vodunsi-Hê da Casa das Minas, Pai Euclides ressaltou a sua grande importância pelas suas contribuições para a nossa cultura, principalmente no que se diz respeito à Festa do Divino Espírito Santo da qual, através do Centro de Cultura Domingos Vieira Filho, ela criou oficinas de toques de Caixas que terminaram sendo um sucesso.
Em 1993, Celeste foi a primeira pessoa de uma casa de culto de São Luis do Maranhão a visitar a África, especialmente o Benin, na companhia dos antropólogos Mundicarmo e Sérgio Ferretti. Lá essa vodunsi foi bem recepcionada e desempenhou muito bem seu papel diante daqueles sacerdotes africanos, o que nos encheu de orgulho, pois o Maranhão tem raiz, raiz que devemos cultivar com dignidade e segurança bem definida, sempre ressaltava Pai Euclides.
Naquele ano também pela primeira vez em São Luis do Maranhão foi gravado um LP, com o titulo de Batuque, que diz respeito a referida Festa do Divino na Casa das Minas, uma responsabilidade e organização de Dona Celeste.
Celeste morou alguns anos no Rio de Janeiro onde teve grande participação para organizar a Festa do Divino Espírito Santo que foi uma iniciativa do Pai de Santo Manoel Colasso Veras.
Dona Celeste ao retornar a São Luís do Maranhão resolveu reativar a Festa do Divino Espírito Santo da Casa das Minas, que há anos estava parada e naquele contexto, Celeste por não ter as Caixas (instrumentos), tomou emprestadas as Caixas da Casa Fanti-Ashanti e fez a Salva do Divino. A partir daquele momento, no final da década de 1960, as caixeiras foram : A mãe biológica de Pai Euclides, Dona Romana, Vitória do Nascimento, Iluminata, Lucília de Guerreiro e a própria Celeste. E com a notícia do acontecimento outras companheiras foram chegando e no ano seguinte fez a festa já com os Impérios.
No dia 02 de Novembro de 1975 a genitora de Pai Euclides a Senhora Romana Anunciação Ferreira faleceu fazendo que ele com esse fato que o fez "quase perder a razão", segundo seus próprios relatos, Dona Celeste, por sua vez, tomou a frente da parte da cozinha e determinou toda a alimentação para mais de cem pessoas que foram dar as condolências a Pai Euclides. Com a perda de sua mãe biológica, Euclides desistiu de fazer a Festa do Divino Espírito da Casa Fanti-Ashanti, foi então que Celeste, Iluminata Santos e Dona Carmina o incentivaram dando a maior força para que ele continuasse a realizar a referida festa, e a partir daí elas f**aram o acompanhando enquanto puderam.
Talvez em três ou quatro anos, era Dona Celeste e Iluminata quem passava as posses dos Impérios e fechava a Tribuna até que o Talabyan conseguiu outra caixeira Régia. Que no caso foi Dona Elisia.
Contava o Talabyan Lissanon, que muitas vezes nos toques de Tambor de Mina na Casa Fanti-Ashanti, Celeste sentava do seu lado sacudindo uma pequena cabaça lhe ajudava a cantar para as divindades. Assim, lhe foi uma grande amiga, além de ter sido sua comadre e por conta do seu Vodun Toi Averekete, que era o mesmo vodun da iniciadora de Pai Euclides no Tambor de Mina, Mãe Maria Pia.
A relação de amizade de Pai Euclides com Dona Celeste era muito forte, não somente com ela, mas com varias vodunsis da Casa das Minas que de vez em quando iam assistir toques de Mina na Casa Fanti-Ashanti, entre elas: Dilú, Neuza de Sogbô, Deni de Toi Lepon, Maria Roxinha de Toi Jotin, Rita Jardim de Toi Abedigá, Justina de Onontochê Agbê, Edwirgem, Amansinha de Nochê Bossa, Amélia de Toi Doçú, Enedina e Elza de Toi Bosso Kó. enumerava Pai Euclides.
Concluiu assim o sábio Talabyan : Como a vida é assim mesmo, e tudo tem seu limite chegou o momento dessa grande vodunsi nos deixar no dia 25 de Outubro de 2010. Finalizou ele dizendo que foi mais uma biblioteca viva que se apagou.
Na foto Dona Celeste com seu Senhor Toi Averekete na festa de Cosme e Damião (Toça e Toçe), em Setembro de
1993.

Cícero Centriny ll
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NO DJÈDJÈ MAHI A SEQÜENCIA DA AHAMA (QUE NO NAGÒ CHAMA-SE BARCO), PODEMOS EXEMPLIFICAR DOFONO, DOFONITINHO, FOMU…ESSES N...
18/08/2026

NO DJÈDJÈ MAHI A SEQÜENCIA DA AHAMA (QUE NO NAGÒ CHAMA-SE BARCO), PODEMOS EXEMPLIFICAR DOFONO, DOFONITINHO, FOMU…ESSES NOMES SEQUENCIAIS PERTENCE AO DJÈDJÈ MAHI.
SEQÜÊNCIA DA AHAMA – DOFONO, DOFONITINHO, FOMU, FOMOTINHO, GAMO, GOMOTINHO, VIMO, VIMOTINHO, TRIMO, TRIMOTINHO, ZIMO, ZIMOTINHO, UNTO, UNTINHO, TUNGE, TUNGINHO, BETUTINHO.
DOFONO – 1º INICIADO EM UMA AHAMA (BARCO)
DOFONITINHO – 2º INICIADO EM UMA AHAMA (BARCO)
FOMU – 3º INICIADO EM UMA AHAMA (BARCO)
FOMOTINHO - 4º INICIADO EM UMA AHAMA (BARCO)
GAMO - 5º INICIADO EM UMA AHAMA (BARCO)
GAMOTINHO - 6º INICIADO EM UMA AHAMA (BARCO)
VIMO - 7º INICIADO EM UMA AHAMA (BARCO)
VIMOTINHO - 8º INICIADO EM UMA AHAMA (BARCO)
TRIMO - 9º INICIADO EM UMA AHAMA (BARCO)
TRIMOTINHO - 10º INICIADO EM UMA AHAMA (BARCO)
ZIMO - 11º INICIADO EM UMA AHAMA (BARCO)
ZIMOTINHO - 12º INICIADO EM UMA AHAMA (BARCO)
UNTO - 13º INICIADO EM UMA AHAMA (BARCO)
UNTINHO - 14º INICIADO EM UMA AHAMA (BARCO)
TUNGE - 15º INICIADO EM UMA AHAMA (BARCO)
TUNGINHO - 16º INICIADO EM UMA AHAMA (BARCO)
BETUTINHO - 17º INICIADO EM UMA AHAMA (BARCO)
NO DJÈDJÈ MAHI A SEQÜENCIA DA AHAMA (QUE NO NAGÒ CHAMA-SE BARCO), PODEMOS EXEMPLIFICAR DOFONO, DOFONITINHO, FOMU…ESSES NOMES SEQUENCIAIS PERTENCE AO DJÈDJÈ MAHI.

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