31/03/2026
Rito de lórogùn
Fecham-se as cortinas...
Apagam-se as velas...
Bará saiu andando e no sétimo cruzeiro desapareceu...
Ogum cravou a espada no chão e em terra se transformou...
Oyá virou furacão e no vento sumiu...
Xangô cruzou os machados e o trovão estremeceu e ninguém mais o viu...
De Odé só se viu o rastro mata à dentro e Otim o seguindo...
Ossanha escolheu as folhas necessárias e foi andando até sumir por detrás das árvores...
Obá segurou firme a navalha e seguiu...
Todos pareciam esperá-lo e então palha virou terra e Xapanã partiu...
Oxum se olhou em seu espelho e numa queda d' água em rio se transformou...
Iemanjá agora está onde o toque humano jamais alcançará, um pescador conta ser o fundo do mar...
Oxalá em seu alá se recolheu...
Não, não é o fim dos tempos, é o fim de mais um ciclo.
E nós aqui f**amos, recolhidos e reflexivos.
E do lado de lá, os Orixás guerreiam, preparam um novo amanhã cheio de vitórias e conquistas.
E para que o novo possa surgir, obviamente o velho f**a para trás.
Para que os Orixás tragam o novo, precisamos abrir mão do velho!
Que possamos esperar os Orixás de orí limpo, alma leve e coração puro.
Que sejamos merecedores dos frutos de mais uma guerra, mas uma guerra boa!