CELs "São João" e "Bom Pastor"

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"Recompartilhando"...SILÊNCIO DIANTE DE DEUSRm 3.19-28Ficar em silêncio: essa é uma postura adequada a ser adotada diant...
31/10/2020

"Recompartilhando"...

SILÊNCIO DIANTE DE DEUS
Rm 3.19-28
Ficar em silêncio: essa é uma postura adequada a ser adotada diante da santidade e da majestade de Deus. Diz o profeta Habacuque: “O SENHOR está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra” (Hc 2.20). No Salmo 46, Deus mesmo convida o mundo inteiro para que fique em silêncio: “aquietai-vos e sabei que eu sou Deus” (Sl 46.10). Ficar em silêncio é uma atitude que indica respeito, reverência, temor e adoração a Deus; é uma atitude que indica o reconhecimento de como somos pequenos e pecadores e como Ele é um Deus grandioso e santo.
De acordo com isso, na epístola aos Romanos, o apóstolo Paulo diz: “Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus” (Rm 3.19). A Lei de Deus revela a sua vontade Santa e perfeita. Ao mesmo tempo, ela revela como todos estamos distantes daquilo que Deus exige de nós, “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (v.23). Por isso, Paulo diz que a Lei de Deus serve para calar nossas bocas. Ou seja, ela mostra que ninguém pode apresentar alguma justificativa; ninguém pode apresentar provas ou argumentos de defesa que comprovem inocência e que livrem da condenação divina. A Lei de Deus revela que todos merecem receber a sua punição eterna.
No entanto, Deus evidencia isso em sua Lei, não para levar-nos ao desespero, mas para levar-nos à percepção da nossa necessidade de Cristo e de sua obra em nosso favor. No Antigo Testamento, repetidas vezes Ele fazia a promessa de que viria habitar com seu povo. Numa dessas promessas, Ele disse por meio do profeta Zacarias: “Cale-se toda carne diante do SENHOR, porque ele se levantou da sua santa morada” (Zc 2.13). É preciso que nós sejamos calados para que Deus fale e nós ouçamos sua Palavra salvadora, pois “a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm 10.17). Somente quando Deus mostra que nós não temos nenhum argumento para provar nossa inocência é que podemos ser consolados com o fato de que Jesus, em sua inocente paixão e morte, já sofreu em nosso lugar a pena e o castigo que nós deveríamos sofrer.
De acordo com uma tradição judaica, antes de Deus criar a luz, as trevas e o silêncio reinavam na criação. Esse silêncio foi rompido quando Deus criou a luz com sua Palavra poderosa. De acordo com essa mesma tradição, também haveria silêncio quando Deus começasse sua nova criação (4 Esdras 6.36, 7.30-36; 2 Baruque 3.5-9).
Se é possível fazer essa consideração, nós precisamos nos lembrar de que Deus já começou sua nova criação a partir da vinda de Cristo. Todos que cremos em Cristo somos novas criaturas (2 Co 5.17). Por isso, no nosso Batismo, Deus também nos silenciou. Naquele dia, Ele calou nossas bocas ao revelar nosso pecado; Ele calou nossas bocas porque, como diz o apóstolo Paulo, fomos sepultados juntamente com Cristo em sua morte (Rm 6.4). Depois disso, assim como Ele criou todas as coisas pelo poder de sua Palavra, Ele também nos recriou pelo poder da Palavra que estava unida com a água. Assim como, no princípio da criação, Ele rompeu o silêncio dizendo: “haja luz”, assim também Ele rompeu o silêncio das trevas da nossa morte espiritual com Sua Palavra, que fez brilhar sobre nós a luz de Cristo (Jo 8.12).
Da mesma forma, Deus continua se relacionando conosco todos os dias. Ele não quer que apresentemos nossas justificativas, desculpas e explicações para nossos pecados. De outra forma, Ele também não quer que nos gabemos por nossas obras e qualidades; Ele não quer que busquemos honra, aplauso e reconhecimento para o que somos e fazemos diante dEle.
Sola Scriptura. Somente a Escritura pode definir e orientar nosso relacionamento com Deus. E a Escritura cala nossas bocas; a Escritura destrói nossos recursos próprios na busca pela Salvação. A Escritura mostra que somente por meio da fé podemos ser salvos.
Por isso, Sola Fide. Somente pela fé podemos ser declarados justos por Deus. Porém a fé que nos salva não é nossa capacidade de acreditar em qualquer coisa. A fé que nos salva é a confiança em Cristo. Não somos acolhidos e salvos por Deus por causa do tamanho ou da força de nossa fé. Mesmo que ela seja do tamanho de um grão de mostarda, o importante é que esteja em Cristo.
Por isso, Sola Gratia. Somente pela graça manifestada em Cristo é que podemos ter perdão e salvação, porque Cristo pagou o preço da nossa liberdade diante do tribunal divino; porque Cristo não foi silenciado pela Lei de Deus e somente ele foi capaz de vencer, por nós, o silêncio da morte.
Portanto, que hoje e sempre, o Espírito Santo cale nossas bocas ao nos lembrar que somos pecadores (Rm 3.19). Da mesma forma, que ele abra nossos lábios para manifestar o louvor a Deus pela justiça concedida em Cristo (Sl 51.14,15); que ele encha nossos corações com a alegria da Salvação, para que, falando com a boca do que o coração está cheio, nós possamos confessar e testemunhar que Jesus é nosso Senhor e Salvador (Mt 13.34,35; Rm 10.8-10).
Em nome dele, amém.

Rev Timóteo Felipe Patrício.

SERMÃO PARA O 19º DOMINGO APÓS PENTECOSTES.ALEGRIA DA SALVAÇÃO SEMPRE PRESENTESl 23, Is 25.6-9, Fp 4.4-13, Mt 22.1-14Por...
13/10/2020

SERMÃO PARA O 19º DOMINGO APÓS PENTECOSTES.

ALEGRIA DA SALVAÇÃO SEMPRE PRESENTE
Sl 23, Is 25.6-9, Fp 4.4-13, Mt 22.1-14

Por um momento, imagine a seguinte situação: você está numa prisão. Você sabe que não fez nada de errado. Você sabe que não fez nada para merecer estar ali. Mas você está preso, esperando pelo julgamento. Talvez você acabe recebendo uma sentença favorável e fique livre. Mas talvez não. Talvez, muito pior do que permanecer preso, você receba a sentença de morte. Por um instante, imagine como você se sentiria numa situação assim; imagine como seria passar por isso.
Esta era a situação do apóstolo Paulo quando ele escreveu a carta aos filipenses. Porém, Paulo não se concentrou em seus próprios problemas; não foi dominado pela tristeza e pela amargura. Em vez disso, encontrou motivação para escrever epístolas que fortaleceram e orientaram na fé os cristãos de diversas congregações fundadas por ele. E nesta carta aos filipenses, o que chama a atenção é que alguns dos principais temas tratados por ele são a gratidão e a alegria.
Então, de onde vinha essa força e essa motivação de Paulo? Qual era a origem dessa alegria da qual ele falava? Esta resposta nós podemos encontrar na leitura do evangelho de hoje.
Jesus conta uma parábola na qual ele compara o reino dos céus à preparação de uma festa, por um rei, para a ocasião do casamento de seu filho. O rei representa Deus, o filho do rei representa Jesus Cristo e a festa de casamento representa a alegria da salvação dos pecados, que existe por meio do “casamento” entre Jesus Cristo e a sua igreja.
Alguns convidados fizeram pouco caso da festa de casamento e por isso desvalorizaram e desprezaram o convite para participar dela. Inclusive, alguns até mesmo espancaram e mataram aqueles que foram convidá-los. Logicamente, essas pessoas representam aquelas que rejeitaram e ainda rejeitam o convite de Deus para a comunhão com ele pela fé em Jesus Cristo. Isso aconteceu ao longo de todo o Antigo Testamento, quando muitos não deram ouvidos, desprezaram, perseguiram, maltrataram e até mesmo mataram os profetas de Deus. Isso aconteceu também na época de Jesus, quando eles o prenderam, castigaram e levaram à morte na cruz. E, infelizmente, isso acontece ainda hoje, quando muitas pessoas dão pouco valor, desprezam e rejeitam o convite que Deus faz em sua Palavra.
Na parábola, o rei mandou que suas tropas exterminassem aquelas pessoas que rejeitaram o seu convite e incendiassem a sua cidade. De maneira semelhante, Deus fará no dia do julgamento. Aqueles que rejeitaram permanentemente o convite da graça feito por Ele, colocando outras coisas no lugar que pertence a Ele e não se arrependendo de seus pecados, serão condenados ao fogo da ira de Deus e excluídos da sua presença para sempre.
Mas, na parábola que Jesus contou, diante da rejeição do seu convite por parte daquelas pessoas ingratas, o rei mandou seus servos convidarem outros. Ele lhes disse: “a festa está pronta, mas os convidados não eram dignos. Vão, pois, para as encruzilhadas dos caminhos e convidem para o banquete todos os que vocês encontrarem” (v.8,9).
É isso o que Deus faz. Apesar de muitas pessoas rejeitarem o seu convite, ele permanece convidando. E conforme a parábola mostra, ele convida a todos. Seu convite é estendido a pessoas de todo tipo, sem distinção. Sim, pois, ninguém é digno de desfrutar da graça que ele concede por meio de seu filho. Todos são pecadores igualmente indignos. Mas ele torna dignas as pessoas por meio do seu convite gracioso.
Portanto, esse é o motivo pelo qual o apóstolo Paulo tinha satisfação, motivação e alegria em sua vida, mesmo na prisão ou diante de qualquer outra dificuldade. Em uma de suas cartas, ele disse que era o pior de todos os pecadores (1 Tm 1.15). Mesmo assim, ele sabia que o convite para participar da festa de casamento entre Cristo e a sua igreja também era para ele, pois ele não confiava em sua própria dignidade, mas na dignidade que recebeu por meio da fé em Jesus.
Queridos irmãos e irmãs, talvez nenhum de nós tenha ficado preso, assim como o apóstolo Paulo. Apesar disso, é possível meditar sobre momentos em que enfrentamos diferentes situações que se parecem com uma prisão. Sendo assim, podemos falar em diferentes tipos de prisão: a prisão da culpa; a prisão de lembranças ruins; a prisão do medo; a prisão da preocupação e da ansiedade; a prisão da doença; a prisão da tristeza; a prisão do luto. Por essas e por outras prisões nós temos que passar em alguns instantes ou por um longo tempo em nossas vidas. Talvez, inclusive, você esteja enfrentando algum tipo de prisão agora.
Apesar disso, nós podemos encontrar motivação e forças. O apóstolo Paulo disse: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.13). E para nós existe a mesma certeza. A festa está pronta! Ela está acontecendo agora, porque Jesus veio ao mundo e inaugurou o tempo da graça, que se estende até o dia do juízo final. E o convite dessa festa é estendido a todas as pessoas, para incluir pecadores de todas as origens e de todos os tipos. Por isso, também vocês e eu, no tempo que se chama HOJE, podemos desfrutar do perdão, do co***lo, da satisfação e da alegria que existem na comunhão com Jesus.
Porque a salvação está disponível para ser desfrutada, o Espírito de Deus nos leva a repousar em pastos verdejantes, nos leva para as águas de descanso, a fim de recebermos refrigério para a alma e orientação para andar nas veredas da justiça (Sl 23.2,3). Isso acontece quando recebemos a absolvição de nossos pecados. Isso acontece quando ouvimos o Evangelho da salvação concedida por Jesus Cristo. E de maneira toda especial, isto acontece na mesa que o Senhor nos prepara diante das adversidades (Sl 23.5). Assim como numa festa de casamento os convidados podem desfrutar de uma farta e abundante refeição, nós podemos desfrutar da Santa Ceia, oferecida para celebrar a comunhão entre Cristo e a sua igreja, onde ele nos oferece e concede seu próprio corpo e sangue.
Por isso, é possível atravessar, enfrentar e receber libertação das prisões que surgem ao longo do caminho. O Senhor está perto de nós (Fp 4.5). Sendo assim, nós podemos confessar a ele nossos pecados, lançar sobre ele nossas ansiedades e preocupações e entregar a ele nossas tristezas e aflições através de nossas súplicas e orações (Fp 4.6). E desse modo, é possível ter o permanente co***lo daquele trecho tão conhecido do salmo que lemos hoje, o qual diz: “ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam” (Sl 23.4).
E tem mais: o melhor ainda está por vir. As bênçãos da salvação que desfrutamos nesse mundo são prenúncio de algo muito maior e especial que Deus ainda nos leva a aguardar com esperança. Conforme ouvimos na leitura do profeta Isaías, Deus promete acabar com a morte para sempre e nos levar para um lugar onde não mais existirão o pecado e suas consequências (Is 25.8). E ali, então, nós desfrutaremos e nos deliciaremos com um banquete gracioso e glorioso, como jamais houve aqui nesse mundo. Deus diz: “Será um banquete de carnes suculentas e vinhos envelhecidos; carnes suculentas com tutanos e vinhos envelhecidos bem clarificados” (Is 25.6) e assim, “Naquele dia, se dirá: ‘Eis que este é o nosso Deus, em quem esperávamos, e ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos; na sua salvação exultaremos e nos alegraremos’” (Is 25.9).
Que assim seja, em nome de Jesus, amém.

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12/08/2020

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