Paróquia Santa Ângela Mérici - Araraquara

Paróquia Santa Ângela Mérici - Araraquara Nossa Matriz Santa Ângela Mérici f**a localizada à Rua Manoel Rodrigues Jacob, 526, no Jardim Santa Angelina, em Araraquara.

Capela da Comunidade Imaculada Conceição, localizada à Rua Expedicionários do Brasil, 3917, no Jardim Tangará.

26/08/2026

26 de Agosto | 10º dia da Quaresma

Tema: Curando o patinho feio ( a vergonha)

_Jesus veio trazer salvação_

Entramos hoje na casa de Zaqueu. Este é um dos Evangelhos mais conhecidos e mais belos, porque nos apresenta uma das conversões mais profundas narradas por São Lucas. É a história de um homem que queria ver Jesus, mas que descobriu uma verdade ainda maior: antes que ele conseguisse enxergar Jesus, Jesus já o enxergava. Zaqueu subiu numa árvore para ver Jesus passar. Talvez ele imaginasse que f**aria escondido entre os galhos, apenas como mais uma pessoa curiosa no meio da multidão. Mas Jesus nunca desperdiça a boa vontade do ser humano. Jesus percebe o menor movimento do nosso coração. Ele vê quando alguém dá um pequeno passo em sua direção. Porque essa é uma característica maravilhosa de Deus: Ele pega o nosso pouco e multiplica. Um desejo pequeno de encontrar Jesus se transforma numa grande mudança de vida. Uma pequena abertura do coração se torna uma porta para a graça entrar. O Evangelho diz: “Zaqueu, desce depressa, porque hoje eu devo f**ar na tua casa.” (Lc 19,5). Que palavra forte! Jesus não diz apenas: “Vou passar pela sua cidade”. Ele diz: “Vou entrar na sua casa”. Porque Jesus não veio apenas para visitar lugares; Ele veio para habitar corações. São Lucas nos apresenta uma informação aparentemente simples: Zaqueu era baixinho. Mas essa pequena característica revela algo muito profundo. Zaqueu era um homem rico, poderoso, conhecido, talvez temido por muitos. Mas havia algo que todo o dinheiro do mundo não conseguia mudar: sua pequenez. Existem coisas na nossa vida que o dinheiro não compra, não resolve e não cura. O dinheiro pode comprar uma casa grande, mas não pode comprar um lar cheio de amor. Pode comprar conforto, mas não pode comprar paz. Pode comprar aparência, mas não pode comprar identidade. São Paulo vai dizer na primeira carta a Timóteo: “A raiz de todos os males é o amor ao dinheiro.” (1Tm 6,10) Observe: São Paulo não diz que o dinheiro é a raiz de todos os males.
O problema não é possuir dinheiro, mas permitir que o dinheiro possua o nosso coração. Quantas histórias conhecemos de pessoas que tinham tudo, mas perderam aquilo que realmente importava? Pessoas que por causa do dinheiro se tornaram egoístas, agressivas, desonestas, incapazes de enxergar o sofrimento dos outros. Zaqueu era rico, mas carregava uma pobreza interior. Talvez ele tenha tentado compensar sua pequenez física com grandeza exterior. Talvez tenha pensado: “Se eu não posso ser grande aos olhos das pessoas pela minha aparência, serei grande pelo meu poder, pela minha riqueza, pela minha posição.” E assim ele começou a acumular. Cobrou impostos, explorou pessoas, tornou-se rico. Mas por trás de toda aquela riqueza havia uma ferida escondida. Muitas vezes, aquilo que acumulamos revela aquilo que tentamos esconder. Algumas pessoas acumulam dinheiro porque têm medo de faltar. Outras acumulam conquistas porque precisam provar seu valor. Outras acumulam elogios porque nunca se sentiram amadas. Outras acumulam coisas porque existe dentro delas um vazio que elas não sabem como preencher. O consumismo, as apostas, o desejo exagerado de ter sempre mais revelam uma busca desesperada por preencher algo que somente Deus pode preencher. O demônio tentou Jesus exatamente nessa área. Ele disse: “Eu te darei todos os reinos do mundo e a sua glória, se te prostrares diante de mim.” (Mt 4,9) A proposta era: “Ganhe o mundo.” Mas Jesus nos ensina que existe uma pergunta maior: De que adianta ganhar o mundo inteiro e perder a própria alma? (cf. Mt 16,26) Por isso, uma das grandes curas que precisamos pedir é a cura do apego desordenado ao dinheiro, às coisas e às aparências. Precisamos perguntar: O que será que eu estou tentando esconder quando preciso comprar, possuir ou provar algo? Zaqueu subiu numa árvore porque queria ver Jesus. Mas aquela árvore também representa muitas coisas que nós subimos para nos proteger. Às vezes subimos na árvore da aparência: queremos mostrar que está tudo bem. Subimos na árvore do orgulho: não queremos que ninguém veja nossas fraquezas. Subimos na árvore da vergonha: achamos que nosso passado nos define. Subimos na árvore da rejeição: carregamos marcas das palavras que ouvimos e das feridas que recebemos. Talvez Zaqueu tenha sofrido muito por ser pequeno. Talvez tenha ouvido palavras que feriram sua dignidade. Talvez tenha carregado durante anos a sensação de ser inferior. E Jesus olha para ele e não diz: “Zaqueu, esconda-se melhor.” Jesus diz: “Desce depressa.” Desce dessa árvore da vergonha. Desce dessa árvore do pecado. Desce dessa árvore das falsas compensações. Desce dessa necessidade de provar seu valor. Porque antes de você fazer alguma coisa por Jesus, Jesus já fez tudo por você. Ele não diz: “Mude primeiro e depois eu entrarei na sua casa.” Ele diz: “Hoje eu devo f**ar na tua casa.” A presença de Jesus é que gera a transformação.
Nesta Quaresma de São Miguel, nós também subimos numa árvore. As práticas espirituais da vida católica são esta árvore em que subimos e nos elevamos do meio da multidão para ver Jesus! Subimos porque queremos ver Jesus. Mas fazemos isto não só por devoção e piedade. Fazemos isto por nós mesmos, como que dizendo: “Senhor, apesar das minhas conquistas, apesar das minhas capacidades, apesar de tudo aquilo que consegui construir, existe dentro de mim uma ferida que eu não consigo curar sozinho.” “Existe um medo que me acompanha.” “Existe uma rejeição que ainda dói.” “Existe uma parte da minha história que ainda precisa da tua misericórdia.” E Jesus olha para nós e diz: “Eu te vejo. Desce depressa. Eu quero entrar na tua casa.” Hoje vamos pedir a Jesus a cura da baixa autoestima, da vergonha e dos sentimentos de rejeição. Talvez alguém tenha sido rejeitado pela aparência, pela condição social, pela história familiar, pelos erros do passado ou pelos próprios pecados. Muitos de nós nos consideramos e sentimos o patinho feio da família, da roda de amigos, da comunidade paroquial. Mas Jesus diz: “Patinho feio, desce depressa. Eu quero f**ar na tua casa.”

ORAÇÃO

Pai amado e misericordioso, eu Te agradeço porque Tu me vês antes mesmo que eu consiga Te procurar. Muitas vezes eu me sinto pequeno, inferior, rejeitado ou incapaz de ser amado, e deixo que essas feridas definam a maneira como enxergo a mim mesmo. Peço perdão pelas vezes que esqueci que sou Teu filho amado e que o meu valor nasce do Teu amor. Jesus, meu Salvador e amigo fiel, chama-me para descer de toda árvore onde tenho me escondido. Muitas vezes eu tento esconder a minha dor por trás da aparência, do orgulho, das conquistas e da necessidade de provar que sou importante. Peço perdão pelas vezes que busquei nas coisas, no dinheiro ou na aprovação dos outros aquilo que somente a Tua presença pode preencher. Espírito Santo, visita as feridas mais profundas da minha história e cura em mim toda vergonha e todo sentimento de rejeição. Muitas vezes eu acredito que os meus erros, o meu passado ou as palavras que ouvi dizem quem eu sou. Peço perdão pelas vezes que me fechei para a Tua graça e não permiti que a verdade de Deus renovasse a minha identidade. São Miguel Arcanjo, defendei-me de toda mentira que tenta afastar-me de Jesus e diminuir a minha dignidade. Muitas vezes eu me deixo prender pelo apego, pelo medo e pelas falsas compensações que roubam a liberdade do meu coração. Guardai-me no combate e conduzi-me para perto de Deus. Jesus, eu desço aos Teus pés e abro a porta da minha casa. Entra em minha vida, cura as minhas feridas e faz de mim uma pessoa livre para amar e ser amada. Amém.

25/08/2026

25 de Agosto | 9º dia da Quaresma

Tema: Curando a decepção com Jesus e a dor da morte

_Jesus quer restaurar o coração da minha família._

Este é o nosso terceiro dia na casa de Marta, Maria e Lázaro, em Betânia, um lugar onde Jesus esteve diversas vezes. Não era apenas uma casa que Ele visitava; era uma família com a qual mantinha uma amizade profunda. O Evangelho de São João chega a dizer que, quando Lázaro adoeceu, Marta mandou avisar Jesus: “Senhor, aquele que tu amas está doente.” Que expressão bonita! Lázaro não é identif**ado por seus méritos, mas pelo amor que Jesus tinha por ele. Entretanto, Jesus toma uma atitude curiosa para quem ama. Ele não corre imediatamente para curar o amigo. Ao contrário, permanece onde está e declara: “Esta enfermidade não é para a morte, mas para a glória de Deus.” Aos olhos humanos, parece atraso; aos olhos da fé, era preparação para um milagre ainda maior. Quando finalmente chega a Betânia, Jesus encontra Marta e Maria profundamente feridas. As duas lhe dirigem praticamente a mesma frase: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.” É a voz da dor, da frustração e da decepção. Quantas vezes também nós já rezamos assim! Quantas vezes pensamos: “Senhor, por que não fizeste? Por que demoraste? Por que não respondeste a minha oração?” Antes de ressuscitar Lázaro, porém, Jesus faz uma pergunta decisiva a Marta: “Crês que eu sou a ressurreição e a vida?” E Marta, justamente no pior momento de sua existência, decepcionada, machucada e sem entender os planos de Deus, responde uma das mais belas profissões de fé de todo o Evangelho: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Cristo, o Filho de Deus.” Talvez esta seja a primeira cura que precisamos pedir hoje: a cura da nossa decepção com Deus. Existem pessoas que continuam rezando, mas com o coração ferido. Não deixaram a Igreja, mas perderam a confiança. Não conseguem entender um “não” de Deus, uma cura que não veio, uma porta que se fechou, uma perda que nunca foi explicada. Como Marta e Maria, carregam uma dor silenciosa em relação ao próprio Jesus. Peçamos hoje que Ele cure essa fé machucada e nos ensine a confiar, mesmo quando não compreendemos seus caminhos.
A segunda cura é aprender com Marta a continuar acreditando nos momentos mais difíceis. A verdadeira fé não aparece apenas quando tudo dá certo. Ela se manifesta quando continuamos dizendo: “Eu creio”, mesmo sem enxergar a resposta. Então acontece o grande milagre. Jesus chega ao túmulo e grita: “Lázaro, vem para fora!” É impressionante perceber que Lázaro não pronuncia uma única palavra em todo o Evangelho. Ele apenas escuta a voz de Jesus e sai do sepulcro. Quantos de nós precisamos ouvir hoje esse mesmo grito de Cristo! “Vem para fora!” Sai da tristeza, sai do pecado, sai da culpa, sai da acomodação, sai da falta de esperança. Depois Jesus acrescenta: “Desamarrai-o e deixai-o ir.” Lázaro é libertado. Mas essa liberdade nos faz uma pergunta: para onde ele irá agora? Essa também é uma pergunta para nós. Quando terminar esta Quaresma de São Miguel, para onde iremos? Se Deus conceder as graças que tanto pedimos pela intercessão de São Miguel Arcanjo, quem nos tornaremos? Voltaremos à antiga vida ou viveremos como homens e mulheres transformados? O Evangelho termina dizendo que muitos judeus que tinham ido à casa de Marta e Maria, vendo o que Jesus realizou, creram nele. Lázaro não precisou fazer um discurso. Não precisou convencer ninguém com palavras. Sua própria vida tornou-se testemunho. Aquele homem ressuscitado transformou-se num verdadeiro anúncio vivo do poder de Cristo. Este é também o nosso chamado. Hoje, peçamos ao Senhor três graças: a cura da nossa decepção com Deus; a firmeza da fé, mesmo nas horas mais escuras; e a graça de que nossa vida, mais do que nossas palavras, leve outras pessoas a acreditar em Jesus Cristo.

ORAÇÃO

Pai amado e misericordioso, recebe a dor que muitas vezes guardo em silêncio diante de Ti. Muitas vezes eu não entendo os Teus caminhos, sinto que a resposta demorou e me pergunto por que certas perdas ou sofrimentos aconteceram em minha vida. Peço perdão pelas vezes que deixei a decepção ferir a minha confiança no Teu amor. Jesus, ressurreição e vida, vem ao encontro do meu coração machucado. Muitas vezes eu continuo rezando, mas por dentro estou cansado, frustrado e sem esperança de que algo possa mudar. Peço perdão pelas vezes que duvidei da Tua presença e não consegui repetir com fé: “Sim, Senhor, eu creio.” Espírito Santo, sustenta-me nas horas escuras e fortalece a minha fé quando não consigo enxergar a resposta. Muitas vezes eu só quero acreditar quando tudo dá certo e esqueço que Tu permaneces comigo também nos dias de lágrimas e de espera. Peço perdão pelas vezes que permiti que o medo e a tristeza apagassem a luz da fé em mim. São Miguel Arcanjo, defendei-me de tudo aquilo que tenta manter-me preso no sepulcro da culpa, do pecado, da acomodação e da falta de esperança. Muitas vezes eu me acostumo com as amarras e deixo de ouvir a voz de Jesus me chamando para fora. Guardai-me no combate e ajudai-me a caminhar na liberdade dos filhos de Deus. Jesus, chama-me para fora e faz da minha vida um testemunho vivo do Teu poder, para que outros também creiam em Ti. Amém.

25/08/2026
Momento bonito da nossa Paróquia com os membros do Conselho de Pastoral Paroquial para a Conversação no Espírito, como p...
25/08/2026

Momento bonito da nossa Paróquia com os membros do Conselho de Pastoral Paroquial para a Conversação no Espírito, como proposta de nossa Diocese para que, em breve, tenhamos elaborado o Plano Diocesano de Pastoral.

24/08/2026

24 de Agosto | 8º dia da Quaresma

Tema: Curando a minha capacidade de escolher bem

_Jesus quer restaurar o coração da minha família._

Saber escolher bem é um dos grandes desafios da vida. Muitas vezes, somos chamados não apenas a escolher entre o bem e o mal, mas entre o bem e o bem maior. Continuamos na casa de Marta, Maria e Lázaro. Agora, porém, voltamos nosso olhar para Maria, esse grande exemplo de alguém que soube fazer a escolha certa, porque discerniu o bem maior. Se Maria tivesse permanecido ajudando Marta nos afazeres da casa, não teria escolhido um mal. Pelo contrário, teria escolhido um bem. Servir, acolher e cuidar da casa são atitudes boas. Acontece que, naquele momento, existia um bem maior: permanecer aos pés de Jesus, ouvindo sua Palavra. Por isso, o Senhor afirma que Maria escolheu “a melhor parte”. Também nós, em muitos momentos da vida, encontramos dificuldade para escolher o bem maior. Primeiro, porque nem sempre conseguimos reconhecê-lo quando ele está diante de nós. Segundo, porque, mesmo quando o identif**amos, temos medo de perder um bem menor, de decepcionar alguém, de frustrar expectativas ou até de machucar pessoas que amamos. Maria nos ensina que é preciso sermos verdadeiramente livres, inclusive afetivamente, para escolher o bem maior. Sua decisão certamente não agradou a Marta naquele momento, mas agradou ao Senhor. Há ocasiões em que seguir Jesus exigirá coragem para colocar Deus acima das expectativas humanas. Como podemos fazer essa escolha no dia a dia? Escolhemos Jesus, antes de tudo, quando decidimos estar aos seus pés, rezando, meditando sua Palavra e contemplando sua presença. Somente quem permanece muito tempo olhando para Jesus aprende a discernir o mal, o bem e o bem maior. Por isso, a vida de oração precisa ocupar um lugar central em nossa rotina. É necessário reservar tempo, colocá-lo na agenda e protegê-lo como um compromisso inadiável.
E pouco importa se estamos emocionalmente motivados ou “com vontade”. A oração não depende apenas do sentimento, mas da decisão. Não é a vontade que sustenta a vida espiritual; é a determinação. Mesmo quando não sentimos nada, permanecemos diante de Jesus porque reconhecemos o valor infinito de estar com Ele. Esse permanecer com Jesus acontece de modo privilegiado na oração com a Palavra, na Santa Missa, na adoração eucarística e nas diversas formas de devoção da Igreja. É convivendo com Cristo que aprendemos a enxergar a realidade com os olhos de Deus e a distinguir o que é mau, o que é bom e aquilo que é o bem maior. Também escolhemos Jesus nas ocasiões da vida em que precisamos ser coerentes com a fé que professamos em tantas coisas tidas como “normal”, “todo mundo faz”, “só eu que não posso?” No Evangelho, Jesus afirma que “uma só coisa é necessária”. Tudo o mais pode nos ser tirado: a saúde, os bens, os projetos, os relacionamentos, dinheiro, sucesso, aprovação social. Contudo, existe uma riqueza que ninguém pode arrancar de nós: uma fé viva e um relacionamento íntimo com Jesus. Podemos estar saudáveis ou doentes, ricos ou pobres, fortes ou frágeis. Se Cristo habita em nosso coração, possuímos o essencial. Esta é a “melhor parte”, aquela que jamais nos será tirada. Quem escolhe Jesus escolhe o bem maior e descobre que, ao colocar Deus em primeiro lugar, nunca perde o que realmente importa. “Maria gar tén agathén merída exelexato”, ao pé da letra a tradução é “Maria escolheu a melhor parte”. Mas o verbo “exelexato” merece atenção. Ele não signif**a simplesmente “escolher”. Indica uma escolha consciente, refletida e pessoal. Maria não ficou aos pés de Jesus por acaso nem por comodismo; ela discerniu que, naquele momento, Cristo era o bem maior. Já a palavra “meris”, da qual vem “merida”, era usada no Antigo Testamento para falar da “porção” ou da “herança”. Os Salmos dizem: “O Senhor é a minha herança.” (Sl 16,5; cf. Sl 73,26). Assim, quando Jesus afirma que Maria escolheu “a melhor parte”, Ele está dizendo muito mais do que ela escolheu uma boa atividade. Está revelando que Maria escolheu o próprio Deus como sua herança. Essa expressão lembra a atitude dos levitas, que não receberam terras em Israel, porque sua herança era o próprio Senhor (cf. Nm 18,20). Maria faz a mesma opção espiritual: antes de qualquer serviço, escolhe estar na presença daquele que é sua verdadeira riqueza. Santo Agostinho faz um comentário belíssimo sobre essa passagem: “Marta ocupava-se com muitos serviços; Maria alimentava-se da Palavra do Senhor. Marta preparava um banquete para o Senhor; Maria já se alimentava do próprio Senhor.” E conclui dizendo: “Nesta vida, servimos como Marta; na eternidade, gozaremos para sempre da contemplação de Maria.”
Ou seja, Agostinho não coloca Marta contra Maria. Ambas são necessárias. Contudo, ensina que o serviço só encontra seu verdadeiro sentido quando nasce da contemplação. Primeiro sentamo-nos aos pés de Jesus; depois levantamo-nos para servir. A ação sem oração se esgota. A oração autêntica, porém, sempre transborda em caridade.

ORAÇÃO

Pai amado e misericordioso, dá-me um coração livre para escolher aquilo que mais Te agrada. Muitas vezes eu sei qual é o bem maior, mas tenho medo de perder outras coisas, de decepcionar pessoas ou de sair daquilo que me é mais confortável. Peço perdão pelas vezes que coloquei as expectativas humanas acima da Tua vontade. Jesus, minha melhor parte e minha verdadeira riqueza, ensina-me a permanecer aos Teus pés. Muitas vezes eu deixo a oração para depois, permito que a correria ocupe todo o meu tempo e espero sentir vontade para Te buscar. Peço perdão pelas vezes que não protegi o encontro Contigo e não reconheci que és o essencial da minha vida. Espírito Santo, concede-me sabedoria para discernir o mal, o bem e o bem maior. Muitas vezes eu me deixo influenciar pelo que parece normal aos olhos do mundo e deixo de ser coerente com a fé que digo professar. Peço perdão pelas vezes que escolhi agradar aos outros antes de ser fiel a Deus. São Miguel Arcanjo, fortalecei-me para vencer toda indecisão, apego e medo que tentam afastar-me de Jesus. Muitas vezes eu procuro segurança nos bens, nos projetos e na aprovação das pessoas, esquecendo que somente Deus é a minha herança. Guardaime no combate e ajudai-me a escolher o Senhor todos os dias. Jesus, faz de mim alguém que primeiro se alimenta da Tua presença e depois se levanta para servir com amor. Amém.

22/08/2026

22/08 ▪︎ 5h30 | Quaresma de São Miguel ▪︎ 6h | Santa Missa

22/08/2026

22 de Agosto | 7º dia da Quaresma

Tema: Curando a distração do meu coração.

_Jesus quer restaurar o coração da minha família._

Você já levou um puxão de orelha em público? Pois é! Foi assim que Marta, Santa Marta, entrou para a história: por um puxão de orelha que recebeu diante de sua irmã Maria. Muitas vezes, mais doloroso do que a repreensão é quando ela vem acompanhada do elogio a outra pessoa. Jesus, ao corrigir Marta, ainda disse: “Maria escolheu a melhor parte.” Muitos de nós já passamos por isso e sabemos como dói. No entanto, a verdade é que ninguém cresce sem correções. E, muitas vezes, para amadurecer, precisamos reconhecer que alguém, em determinado momento, conseguiu fazer melhor do que nós. Marta entrou para a história por causa dessa correção de Jesus. Mas, se olharmos com atenção, veremos que foi ela quem tomou a iniciativa de abrir as portas de sua casa para o Senhor. Foi na casa de Marta, Maria e Lázaro que Jesus encontrou uma família amiga. E isso seria providencial mais tarde, quando Lázaro morresse e Jesus o ressuscitasse. Aquela casa se tornaria um dos lugares mais marcantes do Evangelho. Olhando para o episódio de hoje, somos convidados a permitir que Jesus entre também na nossa casa, isto é, no nosso coração, para curar a “Marta” que existe dentro de cada um de nós: a Marta ansiosa, preocupada, agitada e sobrecarregada. Lucas não escreve apenas que Marta servia. Ele usa uma palavra muito forte: periespâto. Peri = ao redor; spaō = puxar, arrastar. Literalmente, signif**a: "ser puxado para todos os lados", "ser distraído", "ser arrastado em várias direções". No texto, o verbo está no imperfeito médio/passivo, indicando uma ação contínua no passado: "estava sendo continuamente puxada para todos os lados" ou "vivia absorvida e sobrecarregada*". Não era o serviço que a cansava; era o coração dividido*. Existem pessoas que não estão apenas ocupadas, estão interiormente despedaçadas pelas inúmeras exigências da vida." "O problema de Marta não era o excesso de trabalho, mas o excesso de dispersão. Ela tem muitas preocupações e medos... talvez não tenha escutado Jesus dizer “buscai em primeiro lugar o Reino dos Céus e a sua justiça e tudo o mais vos será dado em acréscimo.
Olhai os lírios dos campos e as aves do céus, Deus cuida deles, não cuidará de vós?” O serviço sem intimidade com Jesus transforma a missão em peso. Quando minha missão vira peso, fardo, eu faço o bem com o coração mau. Muitas pessoas só fazem o que é certo e estão cada vez mais amargas, impiedosas e sem capacidade de se pôr no lugar do outro. Parece mentira: faço tudo certo e me torno cada vez mais prepotente, autoritário e azedo. Marta tinha muitas outras preocupações na cabeça e no coração: ele está gostando? Ele prefere a mim ou a Maria? E se ele não gostar do meu café? E o coração mau não se revela só nessa ansiedade e nervosismo, como também neste ensimesmamento: ela se colocou acima de Jesus! Que Jesus fique sozinho na sala, desde que eu não fique sozinha na cozinha! Maria é para mim e não para você, Jesus! Tem gente disputando Maria com Jesus. Ou seja: as pessoas são para mim em primeiro lugar, para realizar meus sonhos. Se der, elas podem servir à Deus, mas primeiro eu e meu sonho de ter netinhos, de passear e etc. Marta convidou Jesus para entrar, mas, de certo modo, acabou deixando Jesus sozinho. Apesar de sua generosidade, de sua bondade e de seu desejo sincero de servir, ela não conseguiu sair de si mesma. Tornou-se excessivamente preocupada com as tarefas. Talvez quisesse mostrar a Jesus sua eficiência, sua organização, sua limpeza ou até mesmo seus talentos na cozinha. Entretanto, ocupou-se tanto em preparar a casa que deixou de acolher verdadeiramente o hóspede. Por isso, a maior cura que Jesus deseja realizar em nós talvez seja esta: libertar-nos da ansiedade que nos faz viver sempre ocupados e devolver-nos a capacidade de parar, escutar e permanecer em sua presença. Porque o que Jesus mais deseja de nós não é, em primeiro lugar, o nosso fazer, as nossas obras ou os nossos resultados. O que Ele mais deseja é o nosso coração, os nossos ouvidos atentos e uma amizade verdadeira. Antes de sermos servidores, somos filhos; antes de trabalharmos para Jesus, somos chamados a estar com Jesus e não impedirmos “Maria” de estar com Jesus também.

ORAÇÃO

Pai amado e misericordioso, cura em mim toda ansiedade que me deixa dividido e sobrecarregado. Muitas vezes eu quero controlar tudo, tenho medo de não corresponder às expectativas e vivo preocupado com aquilo que os outros pensam de mim. Peço perdão pelas vezes que deixei as preocupações ocuparem o lugar da confiança em Ti. Jesus, meu Senhor e meu amigo fiel, ensina-me a parar e permanecer na Tua presença. Muitas vezes eu me preocupo tanto em fazer, organizar e servir que acabo deixando-Te sozinho, sem escutar a Tua voz e sem acolher o Teu amor. Peço perdão pelas vezes que transformei a missão em peso e fiz o bem com impaciência, reclamação ou amargura. Espírito Santo, dá-me um coração simples, atento e livre para escolher a melhor parte. Muitas vezes eu me comparo, sinto-me diminuído pelas escolhas dos outros e quero que as pessoas vivam apenas de acordo com os meus planos. Peço perdão pelas vezes que fui egoísta, controlador e não respeitei a liberdade que Deus concedeu aos meus irmãos. São Miguel Arcanjo, defendei-me de toda agitação, vaidade e dispersão que me afastam de Jesus. Muitas vezes eu permito que o cansaço e a inquietação endureçam o meu coração e me façam perder a mansidão. Ajudai-me a servir com alegria, humildade e caridade. Senhor, liberta-me da ansiedade e faz de mim um filho que sabe escutar, amar e permanecer Contigo. Amém.

Amanhã!!!
21/08/2026

Amanhã!!!

21/08/2026

21 de Agosto | 6º dia da Quaresma

Para Meditar:
*Tema: Da cama para o serviço*

_Jesus quer restaurar o coração da minha família._

A febre a deixou, e ela, imediatamente, se levantou e pôs-se a servi-los.” Neste pequeno versículo temos o fruto maduro do toque de Jesus em alguém. Em primeiro lugar, se levantar! O ser humano não nasceu para viver prostrado na dor, tristeza ou preguiça. Muitas pessoas estão na “cama” da tristeza. Um fato que não foi como eu queria ou que mudou aquilo que estava em paz, somado à dificuldade de entender os convites da vida... pronto, a pessoa nunca mais se levanta, não consegue ver nada diante de si a não ser aquilo que nunca mais vai ser como antes. Existe amanhã e futuro para todos nós e o que deixou de ser como era nunca mais será como antes. Outros estão na “cama” da preguiça para o bem. O bem, a verdade, a santidade... causam tédio e cansaço. Isto vem muitas vezes da falta de caridade, de generosidade para com Deus e o próximo. Quem não tem em si o dom da “ciência”, que é um dos sete dons do Espírito Santo, tende a ver a vida com muita superficialidade. A pessoa superficial não vê a beleza e o valor oculto no bem a ser feito, na cruz que nos visita, no outro que precisa de mim. Sem a “ciência” do Espírito Santo, na superficialidade da carnalidade, o bem parece chato, cansativo e intruso sempre que não vem com cara de “gostoso”. O bem nem sempre é gostoso. Quem é curado pelo evangelho de Jesus não vive só para si mesmo. Encontra alegria em participar naquilo que Deus quer fazer nesta e não quer fazer sem a nossa ajuda. Ela começou a “servi-los”, no plural. Ou seja, ninguém serve a Jesus se não aceita servi-lo no outro, no pobre, na Igreja, no febril ao meu lado. Na catequese aprendemos as sete obras de misericórdia corporais: dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, dar pousada aos peregrinos, vestir os nus, visitar os enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos. Também aprendemos as sete obras de misericórdia espirituais: ensinar os ignorantes, dar bom conselho, corrigir os que erram, perdoar as injúrias, consolar os tristes, sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo, rezar a Deus por vivos e defuntos. E o mais importante: fazer as obras de misericórdia... com misericórdia! Aqui talvez tenhamos uma última febrezinha: o bem feito com má vontade, a misericórdia dada com raiva!

ORAÇÃO

Pai amado e misericordioso, levanta-me de toda tristeza, desânimo e preguiça que me deixam prostrado. Muitas vezes eu fico preso ao que não aconteceu como eu queria e deixo de enxergar que ainda existe futuro, graça e esperança para mim. Peço perdão pelas vezes que me entreguei ao desânimo e deixei de caminhar na direção do bem. Jesus, meu Senhor e meu libertador, toca o meu coração e devolve-me a alegria de servir. Muitas vezes eu quero receber, mas não quero me doar; desejo ser amado, mas não me disponho a amar; espero ajuda, mas me fecho diante de quem precisa de mim. Peço perdão pelas vezes que vivi somente para mim mesmo e não reconheci a Tua presença no pobre, no doente e no irmão. Espírito Santo, concede-me o dom da ciência para enxergar a beleza e o valor do bem que sou chamado a realizar. Muitas vezes eu considero cansativa a oração, a caridade, o perdão e a fidelidade diária, porque olho para tudo com superficialidade. Peço perdão pelas vezes que recusei a cruz e não percebi que ela também pode ser caminho de amor. São Miguel Arcanjo, fortalecei-me contra toda preguiça espiritual, egoísmo e má vontade. Muitas vezes eu até faço o bem, mas o faço reclamando, com impaciência ou sem misericórdia. Ajudai-me a servir com um coração livre, generoso e semelhante ao de Jesus. Senhor, levanta-me e faz de mim um instrumento da Tua misericórdia, para que eu Te sirva com alegria em cada pessoa que colocares no meu caminho. Amém.

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