A Ong Casa de Caridade de Candomblé Ilé Axé Dará Xangô Oyá, popularmente conhecida apenas por Casa de Caridade, tem sua identidade marcada pela cultura afro-brasileira e pelas culturas populares em geral, em função de haver sido criada a partir da comunidade de um terreiro de Candomblé liderado pelo Babalorixá Alex Gomes, no bairro Itapuã, situado na periferia de Arapiraca em uma área onde funcionavam, outrora, os prostíbulos da cidade. As religiões afro-brasileiras, conhecidas em Alagoas como Xangôs, se caracterizam por um forte sincretismo cultural que agrega componentes históricos oriundos das civilizações africanas Yorubás, bantos e Jêjes, junto com expressões advindas da chamada Jurema – religião nordestina igualmente sincrética - , que é composta por elementos das culturas índio-cabocla, negro-africana, sertaneja (cangaço e vaqueiros), cigana e das comunidades rurais e das periferias urbanas. Dessa mistura, resulta que os terreiros de Xangô, do qual a Casa de Caridade é um exemplo típico, se configuram como verdadeiros territórios de guarda, manutenção e reprodução de todas essas culturas, vivenciadas em suas práticas cotidianas através da culinária sagrada, das danças e cantos, na organização de suas festividades públicas, dos costumes e estéticas expressas em suas mínimas ações. Coerente com essas características, a Casa de Caridade vem desenvolvendo projetos para a realização de atividades culturais formativas, estruturadas justamente em torno desses saberes e fazeres tradicionais vivenciados comunitariamente, a par de seu potencial educativo, socializante e estruturante da identidade coletiva e individual, posto que fruto de séculos de resistência e auto-afirmação das minorias étnicas submetidas desde o período colonial.