12/02/2026
A Polícia Civil investiga Eduardo Bueno, o Peninha, por discriminação religiosa. O inquérito é conduzido na Delegacia de Combate à Intolerância, em Porto Alegre, tendo como base um vídeo em que o escritor aparenta ser simpatizante da proibição do direito ao voto de cidadãos evangélicos. Ele garante jamais ter discriminado qualquer credo, enfatizando que a gravação não deve ser interpretada de forma literal.
Peninha divulgou a filmagem em seu canal Buenas Ideias, no YouTube. Ali, sugere que evangélicos “têm que ficar no culto, pastando” e que “deveria ser proibido evangélico votar”, em tom jocoso.
“Por que eles [evangélicos] têm que votar para vereador, deputado estadual, deputado federal, senador e presidente? Não, eles não têm que votar. Aí eles votam e elegem uma escumalha perigosa e violenta”, insinua Eduardo Bueno, na filmagem.
O delegado Vinícius Nahan, à frente da investigação, afirma que as falas caracterizam crime de discriminação religiosa. Ainda de acordo com o delegado, Bueno será intimado para prestar depoimento em março.
“Ele [Eduardo Bueno] defende que apenas parte da população não pode votar, em específico os evangélicos, nitidamente por conta da religião. Ainda diz que deveriam ficar pastando no culto. Tudo isso caracteriza discriminação religiosa”, pontua Vinícius Nahan.
O inquérito decorre de notícia crime do vereador Tiago Albrecht (Novo). “Não se trata de liberdade de opinião. Estamos diante de um ataque direto à dignidade de milhões de brasileiros que professam uma fé e têm o direito constitucional de votar, como qualquer outro cidadão. Isso precisa ser investigado com rigor”, avalia o parlamentar.
Eduardo Bueno repudia alegações
A reportagem contatou Eduardo Bueno, que ainda não tinha sido comunicado da instauração do inquérito. Ele repudia as alegações.
“Não tenho nenhuma intolerância religiosa, nem mesmo contra demonistas. Tenho intolerância apenas contra golpistas, inimigos da democracia e a quem persegue as religiões de matriz africana, que não sigo, mas estudo e muito admiro. Por mim, os evangélicos podem seguir votando, mas deveriam coerentemente recorrer ao voto no papel, já que boa parte deles parece não confiar nas urnas eletrônicas”, afirma Bueno.