26/01/2024
SEGUNDO BEM LHE PARECEU
"Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? — diz o Senhor ; eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel" Jeremias 18:6
Sempre me interessei pela olaria. A dinâmica de ver o barro em estado natural transformado em algo tão belo como um vaso me fascina. E na roda do oleiro, há alguns elementos que não podem faltar, um deles é o barro, retirado de barreiros, limpo e posto sobre a roda. O outro é a água que, derramada na quantidade certa e no momento certo, amolece o suficiente para que o barro seja transformado em vaso. Sem a água, o barro permanece apenas barro. E o terceiro é o próprio oleiro, mais precisamente suas mãos que seguram, amassam, constroem e modelam o barro.
Em Jeremias 18 lemos que Deus revela ao profeta o seu desejo de trabalhar na vida do povo a partir dessa figura. O profeta ouve do Senhor que “… como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel” (Jr 18:6).
Que linda cena! Deus se ocupa conosco. Somos alvos de sua atenção e trabalho desde a primeira vez em que Ele pôs as mãos no barro para criar nosso pai Adão. Mas a figura é mais complexa, pois, mesmo estando nas mãos do oleiro, o vaso quebrou-se. Dentre tantos motivos que levam um vaso a quebrar-se quando ainda na roda do oleiro, um dos mais frequentes é a impureza do barro. Mesmo depois de escolhido, limpo e tratado, o barro ainda carrega impurezas. Uma pedrinha, um pedaço de raiz ou simplesmente uma parte mais endurecida, ilustrando bem a força que o pecado tem em corroer e colapsar tudo o que toca. E levanta-se uma pergunta: quais são as impurezas da nossa vida que devem urgentemente ser identificadas, tratadas e deixadas?
A parte mais fascinante dessa figura, porém, revela-se quando o vaso se quebra e o oleiro decide refazê-lo! E diz: “Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu” (Jr 18:4).
Eu amo essa sentença: “segundo bem lhe pareceu”. Essa frase aponta para o descanso, a expectativa e a submissão. Descanso, pois é o imperativo da graça de Deus que nos molda, não desiste de nós e insiste em nos tornar um vaso de honra. Estamos em boas mãos. Expectativa, pois revela que Deus tem um plano, um desejo claro e definido para cada um de seus filhos. Isto talvez envolva processos difíceis e quebras dolorosas, mas também abundante graça e completa restauração. E, sem dúvida, submissão, pois não é segundo bem ‘me’ pareceu, mas ‘lhe’ pareceu. É a vontade do Senhor, não a nossa. É o tempo do Senhor, não o nosso. É o plano do oleiro, não do barro.
Por fim, encontramos um convite. Deus afirma que poderá fazer com os seus filhos como o oleiro fez com o vaso que se quebrou – reconstruí-lo. É um convite à fé. Um convite para que o barro creia no oleiro.
Não somos chamados para trabalhar o barro, escolher seu formato e nem mesmo purificá-lo. Somos chamados a crer. E é nessa jornada de fé que, mesmo sendo amassados ou até pisados, podemos olhar para o Altíssimo dizendo ‘louvado seja o teu nome porque não desistiu de mim’; e, em alegre adoração, concluir: 'obrigado pelo que tem feito, como bem lhe parece'.