29/05/2020
Em seguida é uma carta de Gabriela Fuchs, filha da Emilie Totz (Emilie faleceu 26-05-2020) Muito obrigada pela possibilidade de agradecer a Deus neste grupo da MICEB e antigos membros da MICEB.
Meus pais, Hermann e Emilie Totz chegaram de navio em Belém, 1963. Esse foi o começo de sua carreira missionária em Brasil.
Começaram na base com o aprendizagem de português. Em agosto, a primeira filha (eu) nasceu e Emilia quase morreu durante o parto. Foram dois dias de muita luta. Ela me contava várias vezes que quando ela quase desmaiava de repente lia um versículo na parede: " Nao morrerei; pelo contrário, viverei e contarei as obras do Senhor!" (Salmo 118:17)
Naquele momento ela sabia que Deus tinha pra ela muita coisa a fazer.
Depois de alguns meses em Abaetetuba, meus pais seguiam para o campo kayapó e estudaram a língua desse povo. Moraram alguns anos em Gorotire, junto com o Sr. Earl & Da. Ivy Trapp, Mariane Kornmann, Heidi Anselm e outros...
Emílie era também a enfermeira dedicada daquela aldeia. Ela contou que muitas vezes não tinha remédio suficiente e confirmou que Deus fez muitos milagres! Foi no tempo da ditadura no Brasil, e sem a permissão de ter um rádio para comunicação.
A segunda filha, Dorothea, nasceu dois anos depois, quando eles voltaram para a aldeia.
Depois de 4 anos no Brasil, chegou a hora de fazer divulgação na Alemanha. Andreas, seu 3. filho nasceu, na Alemanha em 1968.
A volta foi de navio, também. (Imagine 3 crianças pequenas por quase três semanas no navio...)
Voltaram para Gorotire. Infelizmente houve um surto de sarampo naquele ano na aldeia e não houve medicamentos, nem um rádio para pedir socorro.
O pajé apontou os missionários como os "responsáveis" pelo surto. A família foi ameaçada de morte e pela graça do Senhor, todos nós foram resgatados no tempo certo.
Em 1969/1970 se mudaram para o campo Guajajara. Moraram primeiro na aldeia "Colônia".
Em 1972 nasceu o 4. filho Joachim, na Alemanha.
Voltado ao Brasil, a nossa vida se dividiu entre o campo Guajajara e o colégio de filhos missionários em Belém. Foi um tempo muito complicado, todos nós sofremos bastante com a distância e a separação. Nas cartas que recebíamos da minha mãe, ela sempre nos encorajou a buscar o Senhor e o SEU co***lo. Encorajou-nos a ler a palavra de Deus. E Deus respondeu maravilhosamente e nos deu outras "familiares de coração", como a família Berger e Lienhard, nossas tias Marianne, Heidi, Irene e demais.
Em 1977 voltamos pra Alemanha e moramos até 2000 em Schriesheim, que f**a perto de Heidelberg.
A partir de 2000/2001 meus pais tiveram a oportunidade de se mudar para um casa de aposentados da DMG, nossa missão enviadora.
Desde que meus pais voltaram do Brasil, eles apoiaram missões, ativamente.
Emílie era por muitos anos parte do conselho da DMG, até chegar sua aposentadoria. Além disso frequentava fielmente todas as reuniões de oração, que aconteciam quase todos os dias. Era um privilégio pra ela.
2008 meu pai faleceu depois de alguns AVC sofridos. Anos difíceis seguiram, mas a vida espiritual ficou cada vez mais forte e a fé inabalável.
Emilie era uma mãe extremamente amada pelos 4 filhos e 3 genros. Era uma avó orgulhosa, amorosa e gentil de 10 netos e bisavó feliz de 7 bisnetos. Sem esquecer os incontáveis filhos e netos do seu coração!
Quando olhamos para o passado da vida da minha mãe... e o que temos guardado e guardaremos dela, é que ela é uma testemunha impressionante de fidelidade a Deus, além de firmeza na oração e com uma fé inabalável nas promessas do Senhor. O seu lema de vida é Cristo, a quem ela seguiu incondicionalmente, a quem ela amou porque Ele a amou primeiro. "É tudo graça", ela costumava de dizer. "Por graça eu sou o que sou!"
"Ele veio do seu trono até nós...Jesus está aqui!" foram as suas últimas palavras.
Querida mãe, Ámem! - este é o vosso testemunho, - a vossa narração das obras de Deus até o seu último suspiro . Nós te amamos.
Sentimos muito a sua falta