01/08/2021
X Domingo depois de Pentecostes
Eis aqui a bela parábola que Jesus Cristo propôs a uns que confiavam em si mesmos como se fossem justos e desprezavam os outros.
“Subiram dois homens ao templo a fazer oração, um fariseu e outro publicano. O fariseu, em pé, orava, em seu interior, desta forma: Graças te dou, meu Deus, porque não sou como os demais homens, que são uns ladrões, uns injustos, uns adúlteros, nem como é este publicano. Jejuo duas vezes na semana; pago dízimo de tudo que tenho.
O publicano, pelo contrário, posto lá de longe, não ousava nem sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Meu Deus, sê propício a mim, pecador. – Digo-vos que este voltou justificado para sua casa, e não o outro; porque todo o que se exalta será humilhado e todo o que se humilha, será exaltado.
Desta parábola, meu irmão, pode-se deduzir que, se a virtude da santa humildade nos é necessária sempre e em toda parte, ela nos é mais indispensável ainda quando dirigimos a Deus as nossas orações, e especialmente quando estamos na igreja, que é a Casa de oração. – Quem não é humilde, não espere ser atendido; porquanto Deus não pode suportar aqueles orgulhosos que confiam em suas próprias forças e se julgam melhores que os outros.
Por isto, como escreve São Tiago, resiste aos pedidos dos orgulhosos, não os ouve, não os defere, antes os rejeita. Muitas vezes as próprias orações daqueles orgulhosos, segundo a expressão do Salmista, mudam-se em pecado: “A sua oração se lhe impute a pecado”.
Ao contrário, o Senhor não sabe desprezar um coração contrito e humilhado, ainda que no passado tenha sido grande pecador; para com este é liberal de suas graças. É-lhe, por assim dizer, impossível deixar de atendê-lo; pois que, como nos assegura o Eclesiástico:
“A oração do humilde penetrará as nuvens e não se consolará enquanto não chegar até o Altíssimo e não se retirará até que o Senhor ponha nele os olhos.”
– Numa palavra, assim conclui Santo Agostinho:
Quando alguém se humilha, Deus lhe vai ao encontro para o abraçar; mas quando alguém se exalta e se gloria da sua sabedoria, das suas ações, Deus afasta-se dele e o abandona, de sorte que infalivelmente será humilhado.
Trecho da meditação de Santo Afonso para este domingo.