11/11/2023
A UMBANDA É PARA TODOS MAS NEM TODOS SÃO PARA A UMBANDA
" Quem não está para doar também não está para receber."
Todos querem ...
Todos querem incorporar o erê mais fofo, o caboclo mais forte, o preto Velho mais sábio, o exu ou pombagira mais temível.
Poucos incorporam as doutrinas, os ensinamentos, os alertas, os conselhos, as recomendações.
Todos querem fazer trabalhos nas matas , nas praias, nas montanhas, nos rios , nas estradas, no cemitério.
poucos querem varrer o chão, tirar o lixo, lavar a louça, arrumar as cadeiras, justamente no terreiro onde os Orixás, Guias e Protetores trazem sua luz.
Todos querem trabalhar com oferendas de velas, ervas, alguidares, cachaça, elementos mágicos.
Poucos querem raspar a tábua, esvaziar os cinzeiros, lavar os alguidares, raspar o respingo de vela.
Todos querem aprender mirongas, banhos, encantamentos, fórmulas, pontos riscados.
poucos querem respeitar a hierarquia, acatar as normas, saudar e respeitar o chão santo.
Todos querem ver, ouvir, sentir, receber intuição.
Poucos querem ouvir as razões, ver as fraquezas, sentir a sensibilidade, intuir as carências de seu irmão e, fazer as pazes.
Todos querem firmar o congá, cruzar imagem, vestir o branco, cantar pontos, bater palma, riscar a tábua.
poucos querem ter humildade, serenidade e sinceridade.
Todos querem a roupa mais vistosa, a guia mais elaborada, o chapéu, o brinco, a capa, a saia, o instrumento mais exótico.
Poucos querem se vestir com a armadura da fé, se vestir com as armas da coragem e, pior, não querem se despir do orgulho, da vaidade e da arrogância.
Todos querem, poucos fazem.
Todos querem, poucos recebem.
Todos reclamam, se lamentam.
Poucos olham pra dentro de si mesmos ou para o lado.
Créditos:
Kassio de Oyá
Marcelo de Xapanã