02/02/2024
Agô a todos ...
Chegamos em fevereiro, mês dedicado ao Orixá Iemanjá, gostaria aqui de deixar de lado um pouco dessa vez as falas sobre a exaltação e o grande axé que essa divindade tem em solo brasileiro para ter um papo sobre racismo, patriarcado e padrão de beleza.
Iemanjá em terras brasileiras está relacionada as águas do mar, oceanos, kalunga maior, apesar de que em África está divindade é cultuada no rio Ògun, nas imediações de Abeokutá, capital do estado de Ogum na Nigéria. Porém entendemos que essas reconfigurações são consequências da diáspora.
É polêmico e controverso o assunto clichê de porque ainda nos dias de hoje a tão famosa imagem de Iemanjá branca, magra e de cabelo liso é a representação de um Orixá em nossas tradições, temos várias interpretações e visões sobre a causa, obviamente que a mais aceita e comentada seria o "sincretismo" com Nossa Senhora dos Navegantes, mais não podemos deixar de debater e nos questionar sobre porque ainda nos dias de hoje nos falta letramento racial para para romper com esse racismo estrutural onde em fevereiro as lojas de artigos religiosos vendem centenas de imagens brancas e uma dúzia de imagens pretas que seria o mais adequado perante a representatividade, pois Orixá tem cor sim e vem de África portanto sua representação é a pele preta, qualquer coisa diferente disso é apagamento histórico e racismo, ponto.
Além do racismo existe o problema dos padrões de beleza e do corpo que é aceito pela sociedade ocidental, as mulheres que devem ser magras, brancas, sensuais e de cabelo liso, oque obviamente exclui a mulher negra desse contexto.
Poucas pessoas sabem que Iemanjá em África, por estar associada a fertilidade é representada por uma mulher negra, gorda e de seios fartos, que amamenta seus filhos e que inclusive, esse "modelo" é a referência de beleza para as mulheres de algumas etnias, oque contrapõe o padrão ocidental. Isso demostra também uma falta de conhecimento histórico e cultural de nós macumbeiros brasileiros, que temos o hábito de reproduzir equívocos na macumba, sem ao menos termos a capacidade de questionar.
Deixando bem claro aqui que esse texto é para servir de reflexão e estudo para os interessados, não estamos aqui criticando e nem diminuindo a prática de nenhum grupo religioso e sim expressando opiniões de estudos sobre fatos históricos e culturais, a os seguidores simpatizantes da página espero que sirva para reflexão e conhecimento.
É hora de atinar para o resgate ancestral de nossas práticas! Saravá a Umbanda ! Saravá as macumbas que vieram antes de nós!
Salve Iemanjá !
Salve o mar !
Salve a Kalunga !
Axé!
Nikolas Martins sacerdote do Templo de Umbanda e Quimbanda Quilombo das Pedras.