19/11/2025
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No Palácio de Savalu, eu, uma Iyalorixá filha de Sakpatá, do Deus Forasteiro, sinto orgulho diante de Legba, diante de seu falo ereto.
O mesmo falo, que o colonizador tentou chamar de indecência — porque sabia que nunca conseguiria controlar um povo que entende o corpo como templo e não como vergonha.
A mesma Europa que transformou prazer em pecado tenta até hoje convencer mulheres de Axé a ter medo do que nossos ancestrais honravam como força vital. Sim, meus ancestrais, e seus também, mesmo que renegue, justificado pela sua cor de pele, por sua bíblia debaixo do braço, pelo esquecimento forçado que a Escola impõe.
O falo de Exu/Legba não é erotização: é tecnologia de poder, portal de criação e aviso direto de que espiritualidade africana não aceita castração simbólica.
O que o colonialismo chama de escândalo, Savalu chama de soberania.
E é por isso que uma Iyalorixá com Exu/Legba ao lado vale mais do que qualquer moral branca tentando dizer o que é sagrado para nós.
Eu me orgulho de quem sou, de onde vi e para onde irei.
E você já rastreou sua História, ou permanece convencido de ser o que você não é?
Legba no Palácio de Savalu,
República do Benim, 2025