14/09/2018
VITÓRIA EM SUAS MÃOS
Fugir a morte era a rotina diária; crianças magras, desnutridas sem brilho nos rostos. Velhos cansados sem esperança de serem enterrados de forma digna. Jovens sem robustez física, corpos feridos pelos espinhos e pedras das florestas onde buscavam refúgios como animais selvagens. Outros mutilados pela espada ou membros perfurados pelas flechas. Sonhos estagnados. Mulheres insatisfeitas; pois os homens não tinham sequer tempo, nem lugar para elogiar à superior beleza delas. (Quem é feliz sem elogios?) Interromperam-se os casamentos; pois que a aglomeração de gente era oportunidade para o inimigo derramar sangue. Não era momento para festas. As únicas associações seguras ou mesmo autorizadas eram talvez as dos militares. A nova geração não tinha outras ocupações, senão aprender à atacar, defender-se dos inimigos; matar, ferir, expulsar e fugir eram as profissões vigentes...
De que adianta viver numa sociedade assim? Sem paz, sem pão, sem água, sem leite, vivendo oprimido, gastando o curto prazo de vida nos campos de batalhas?! Onde se ouvem apenas gemidos, gritos de morte, vê-se unicamente sangue e órgãos humanos, transformados em pedaços de carne? Para nada adianta! Mas quê fazer, se for o único lugar para viver? É a terra que lhe viu nascer, é lá onde estão os pilares dos sonhos e está um caos, um inferno o pior dos lugares do mundo. Terra sem sabor. Porquê tanto sofrimento? O que fazer? Quem é o culpado? Será o rei e seus conselheiros? Não. A verdade é que não eram ainda governados por majestades. Rei nenhum existia entre ele. Será esta a causa do drama? De jeito nenhum. Porquê noutrora brilhou como sol ao meio-dia, respeitado, famoso, glorioso, conquistou e espelhou temor entre povos. Sem nenhuma monarquia. Agora a cena é outra; acabou a fama gloriosa, extinguiu-se o medo que outras nações tinham a respeito deles. Já não passam de um povo miserável, desgraçado, atrasado social, politica, tecnológica e economicamente. E, para piorar à situação, perderam a autoridade espiritual, moral e declinaram ao mais baixo nível como povo antes soberano. Mas a quem recai a responsabilidade? O natural é, que “ nada vem do nada ” como reflectiu Elifaz, de Temã (uma atinga cidade da Arábia Pétrea), que “ A aflição não brota da terra; a desgraça não nasce do chão”, havia uma causa da daquela situação. Qual era razão do sofrimento e o que fazer para sair da mísera realidade? Eram as questões que torturavam as mentes dos homens; o enigma que desconcentrava os velhos, os porquês que ocupavam o tempo dos jovens e o assunto que andava na boca das mulheres...
In Seja um Vencedor de: João Buazeca Domingos..