22/05/2020
QUEM FUNDOU A IGREJA: CONSTANTINO OU JESUS CRISTO? QUANDO SURGIU O TERMO CATÓLICA?
Com muita frequência, presenciamos pessoas sem estudo e conhecimento histórico falando bobagens dentro de universidades ou mesmo em igrejas protestantes. Se estudassem mais sobre história, lessem mais ao invés de repetir o que outros falam, com certeza descobririam o quanto a ignorância e a falta de conhecimento têm cegado a muitos. Muitos sustentam a ideia de que a Igreja foi fundada por Constantino no ano de 324 d.C. Acho que esquecem de um pequeno detalhe: De que Igreja, então, foram os 32 Papas que existiram entre Pedro (o primeiro Papa) e Constantino? Bem, vamos aos documentos de fato, que é o que nos interessa. Documentos que provam que a Igreja já existia muito antes de Constantino existir. Desde Cristo, a Igreja era chamada simplesmente de Igreja. Mas o seu caráter universal (“Ide a todos os povos…”) fez agregar-se a ela a palavra católica (katolicon, do grego universal).
O primeiro escritor da Igreja que apresenta a expressão católica foi Santo Inácio de Antioquia, martirizado em Roma, em 107 d.C. Santo Inácio nos fala abertamente da Igreja Católica, na sua Epístola aos Esmirnenses: “Onde comparecer o Bispo, aí esteja a multidão, do mesmo modo que, onde estiver Jesus Cristo, aí está a IGREJA CATÓLICA” (Epístola aos Esmirnenses c 8, 2). Outro contemporâneo dos Apóstolos foi São Policarpo, bispo de Esmirna, que nasceu no ano 69 e foi discípulo de São João Evangelista.
Quando São Policarpo recebeu a palma do martírio, a Igreja de Esmirna escreveu uma carta que é assim endereçada: “A Igreja de Deus que peregrina em Esmirna à Igreja de Deus que peregrina em Filomélio e a todas as paróquias da IGREJA SANTA E CATÓLICA em todo o mundo”.
Nessa mesma Epístola se fala de uma oração feita por São Policarpo, na qual ele fez menção de "todos quantos em sua vida tiveram trato com ele, pequenos e grandes, ilustres e humildes, e especialmente de toda a IGREJA CATÓLICA, espalhada por toda a terra” (c. São Cipriano em 249, antes de Constantino nascer, e antes do Concílio de Nicéia, testemunhava: “Estar em comunhão com o Papa é estar em comunhão com a Igreja Católica.” (Epist. 55, n.1, Hartel, 614); “E não há para os fiéis outra casa senão a Igreja Católica.” (Sobre a unidade da Igreja, cap. 4); “Roma é a matriz e o trono da Igreja Católica.” (Epist. 48, n.3, Hartel, 607).
No século III, Firmiliano, bispo de Capadócia, diz assim: “Há uma só esposa de Cristo que é a IGREJA CATÓLICA” (Ep. De Firmiliano nº 14). São Frutuoso, martirizado no ano 259, diz: “é necessário que eu tenha em mente a IGREJA CATÓLICA, difundida desde o Oriente até o Ocidente”. (Ruinart. Acta martyrum pág 192 nº 3). Ora, quem não quiser ver, não veja. Inventar mentiras para sustentar que a Igreja Católica não estava sempre presente na historia é fácil, o difícil é provar! "E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edif**arei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus." São Mateus 16, 18-19 "O primado é conferido a Pedro para que fosse evidente que há uma só Igreja e uma só cátedra. Todos são pastores, mas é anunciado um só rebanho, que deve ser apascentado por todos os Apóstolos em unânime harmonia.
Aquele que não guarda esta unidade, proclamada também por Paulo, poderá pensar que ainda guarda a fé? Aquele que abandona a cátedra de Pedro, sobre o qual foi fundada a Igreja, poderá confiar que ainda está na Igreja?" São Cipriano de Cartago (†258) "Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade." I Timóteo 3, 15 "Onde está Cristo Jesus, está a Igreja Católica." Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir no ano 107 d.C Jesus orou pela união da Igreja: "Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste.
Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam um, como nós somos um: eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, como amaste a mim."
São João 17, 21-23 O apóstolo Paulo alertou sobre as divisões quando escreveu a Carta aos Coríntios: "Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno acordo e que não haja entre vós divisões. Vivei em boa harmonia, no mesmo espírito e no mesmo sentimento." I Coríntios 1, 10 Há uma só Igreja, como também um só batismo e uma só fé: "Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança.
Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo." Efésios 4, 3-5 O "jesus" subjetivo e relativo que o protestantismo nos apresenta, é uma cilada do Demônio, a desunião protestante não agrada a Deus, onde uns guardam o sábado, outros o domingo, uns batizam crianças, outros não, uns dizem já estar salvos antecipadamente, outros não, uns calvinistas, outros arminianos, fora os TJs, Mórmons, pentecostais, etc.
DISCUSSÃO: Já nos alertava Santo Atanásio em 359 d.C: "Levemos em conta que a própria tradição, ensinamento e fé da Igreja Católica, desde o princípio, dadas pelo Senhor, foi pregada pelos Apóstolos e foi preservada pelos pais. Nisto foi fundada a Igreja; e se alguém se afasta dela, não é e nem deve mais ser chamado Cristão." Santo Atanásio, Carta a Serapião de Thmuis, 359 d.C E o que dizer da Pentarquia, os 5 Patriarcados que, unidos, regiam a Fé Cristã — Jerusalém, Antioquia, Alexandria, Constantinopla e Roma? Por que somente Roma teve que ser a sede da Igreja de Cristo? A Igreja até Constantino era chamada apenas de Igreja de Cristo, ou do Caminho. Com Constantino passou a chamar Santo Império Romano, 100 anos depois Sacro Império Católico Romano e finalmente Igreja Católica Apostólica Romana. A história não mente, A Igreja de Cristo só passou a ser a Igreja Católica quatro séculos após o relato de Jesus e Pedro.
Como cristãos, procuremos ler de tudo, sermos, intelectualmente, abertos, analisar todas as vertentes e pontos de vista, ver a mesma realidade histórica sob diferentes aspectos e janelas.
Toda cabeça é um universo diferente, portanto, é natural que as apreensões de uma mesma realidade sejam diferentes. Pra ser mais claro, vou dar um exemplo, se for ouvir de um padre católico acerca da Reforma, terei uma dada apreensão do fato histórico, agora, se for ouvir a mesma história de um pastor luterano, o mesmo dará uma outra apreensão de uma mesma realidade histórica.
Agora, se quisermos ter uma posição mais ou menos neutra, então, ouvirei a mesma história contada por um padre ortodoxo. “Segundo ‘A Enciclopédia Americana’, tomo 8, página 368, o mencionado Táscio Cecílio Cipriano nasceu por volta do ano 200 d.C. e morreu em Cartago, África, em 14 de setembro de 258. ‘Pouco depois de ter sido batizado (246), foi ordenado sacerdote e então foi eleito bispo pelos cristãos de Cartago (248)…
Fez muito para socorrer e fortalecer seu episcopado. Sob ele foram celebrados sete concílios, o último em 256″. Embora este bispo africano seja considerado um dos ‘padres’ da Igreja e reconhecido como santo pela Igreja Católica Romana, subsiste o facto de que era um clérigo, alguém do clero que existiu após a morte dos apóstolos de Jesus Cristo e dos que estiverem estreitamente associados a eles”. Observe-se que, ao terminar a citação da Enciclopédia Americana, a Torre da Vigia afirma que: “Embora este bispo africano seja considerado um dos ‘padres’ da Igreja e reconhecido como santo pela Igreja Católica Romana, subsiste o facto de que era um clérigo, alguém do clero que existiu após a morte dos apóstolos de Jesus Cristo e dos que estiverem estreitamente associados a eles”. Isto contradiz a teoria da Torre da Vigia de que a Igreja Católica foi fundada no século IV por Constantino. São Cipriano (200-258) é anterior a Constantino (274-337) Como poderia, portanto, Constantino fundar a Igreja Católica se antes dele já existiam católicos e até bispos como São Cipriano? Isto demonstra que já existia uma hierarquia eclesiástica, que não nasceu por “geração espontânea”. A própria Torre da Vigia conclui que São Cipriano estava “estreitamente” ligado à cadeia ininterrupta dos discípulos que vêm desde Jesus Cristo. Portanto, antes de Constantino já existia a Igreja Católica e alguns dos mais conhecidos foram São Cipriano, Santo Inácio de Antioquia, Santo Ireneu, São Lino, São Clemente etc.
Todos eles acreditavam na Eucaristia, na comunhão dos santos, na devoção da Virgem, na confissão perante o sacerdote, no Papa… eram católicos. Tudo isto qualquer um pode comprovar em uma biblioteca, consultando as obras cristãs escritas nos primeiros séculos. A questão e a pergunta que deve ser feita é: a quem e/ou a quê interessa que o fato histórico seja relatado e descrito sob tal e, determinada, óptica? Qual o viés ideológico está envolvendo o fato e, assim, moldando, de forma sistémica e ideológica, o seu relato? A questão não é de quem está certo ou de quem está errado, fazer essa análise dicotómica, maniqueísta de quem está ou não certo ou errado é ser, por demais, simplista, pra não dizer superficial, apenas são entendimentos diferentes de uma mesma realidade, uma auxilia a outra na busca de uma compreensão mais ampla e profunda. Dentro desse prisma, tenho por mim, que não existem "fatos", o que há são apreensões diferentes de uma mesma realidade, no sentido de que a verdade cognoscível, enquanto simples opinião plausível, não passa de mera aparência, enquanto que a verdade absoluta, identif**ada com o Uno de Plotino e, mais ainda, identif**ada com o Verbo encarnado de Deus é, ôntica e, fenomenicamente, eterna, sem ocaso e sem fim em si mesma. A grande verdade absoluta é que Deus vive eternamente e a ele seja nosso louvor e oração por intermédio de nosso irmão literal JESUS CRISTO que com Deus vive pelos séculos dos séculos amém..