30/11/2025
VOLTE PRA CASA!
Eu cresci dentro da minha congregação.
Toda a minha família faz parte desta igreja há muitos anos.
Comecei na Escola Bíblica Dominical, aprendi a fé nos bancos simples, e cresci dentro de uma tradição que sempre valorizou a ordem, a doutrina e a sobriedade.
A minha igreja era conhecida pela pregação bíblica e pela disciplina. Não havia práticas como profecias públicas, línguas estranhas ou ministérios de milagres. Tudo seguia a cultura antiga: pregação em português, tradução em kikongo, e pastores formados internamente num curso de cinco anos, seguidos de estágios antes de serem consagrados.
Foi nesse processo que um novo pastor estagiário chegou à nossa igreja.
Ele era carismático, comunicativo e atraía muitos jovens. Começou a ensinar temas que nós conhecíamos na teoria, mas que nunca fizeram parte da prática da nossa igreja: milagres, curas, dons espirituais e oração em línguas estranhas.
Isso criou divisão na igreja.
Os mais velhos defendiam a tradição; os jovens encantados, abraçavam o avivamento.
O pastor formou grupos, criou bandas, protocolos, equipes dentro da igreja na sua maioria Jovens. Os cultos dos jovens passaram a encher.
Quando ele pregava no culto geral, a igreja ficava lotado que até pessoas de outras igrejas vinham só para lhe ver.
Um dia em conversa com os jovens como ele sempre fazia, revelou sua visão:
"Abrir sua própria igreja."
Metade da juventude o apoiou. A outra metade ficou indecisa. Eu levado pela emoção fui com ele.
Na nova igreja tudo parecia perfeito. Acreditávamos que seríamos líderes, mas ele escolheu outro pastor como adjunto e alguém entre nós que nem era muito destacado que se tornou o seu contabilista.
Mesmo assim nós continuamos crendo que coisas boas viriam.
Com o tempo alguns jovens que foram connosco começaram abrir também seus próprios ministérios. Outros saíram decepcionados. Começamos a reduzir.
Cada saída de um membro influênciava o outro.
A igreja tinha se tornado como um espaço de competição e emoção excessiva.
A visão inicial do pastor mudou.
Tornou-se um sistema em que quem dava mais oferta era mais valorizado.
As pregações começaram a focar em visões pessoais. O pastor que só era pastor, passou a ser também profeta com profecias duvidosas e milagres que não resistiam à verdade bíblica.
Era mais um palco de aplausos do que uma casa de oração.
A igreja parecia uma claque de fanáticos num estádio.
Foi aí que a saudade bateu.
Saudade da minha antiga igreja.
Da ordem.
Da Santa Ceia simples.
Dos nossos hinários.
Dos cultos calmos.
Da paz.
E da nossa cultura dentro da igreja.
Percebi que eu tinha sido levado pela emoção, e não pelo discernimento.
Vi jovens que foram comigo se desviando. Voltaram para suas vidas antes da conversão.
Cada um foi seguindo o seu próprio rumo.
Paradoxalmente nós que éramos o início da igreja, já não éramos mais o fim. A igreja recebeu outros membros.
Comecei a pensar em sair desta igreja.
Tentei visitar outras igrejas, mas não me encontrei. Em algumas igrejas onde eu fui faltava organização. Em outras igrejas vi exageros e vícios no dinheiro.
No final comecei a orar em casa.
E confesso que o arrependimento de ter saído da minha igreja passou a girar sobre a minha cabeça.
Já não tinha mais forças para voltar na minha antiga igreja porque eu saí de lá de forma errada: Saí com orgulho, emoção e sem discernimento.
Entendi uma verdade simples:
"O jeito que você sai de uma igreja pode ser o mesmo jeito que você vai sair das próximas."
É preciso ter discernimento e firmeza.
Seguir pastor por emoção é perigoso.
Seguir pastor por admiração é arriscado.
Seguir pastor por fanatismo é destrutivo.
Antes de seguir um líder, tens de seguir primeiro à Deus.
Antes de ouvir uma voz, tens de ouvir primeiro a Bíblia.
Antes de mudar de igreja, tens de mudar primeiro as tuas atitude.
Hoje o meu orgulho já não me permite voltar mais na minha antiga igreja.
E se esta história tocou o seu coração, sinta-se abraçado, porque Deus sempre quer te ver perto dele.
Sáiba que:
Os bons filhos sempre voltam para casa.
(Lucas 15:17-20)
O filho pródigo saiu por emoção,
viu o erro,
voltou para casa,
e o seu pai lhe recebeu com dupla honra!
Volte pra casa!
Att:
(Essa história não fala de mim mesmo. É tudo fruto de uma simples criatividade.)
(Qualquer história semelhante é mera coincidência)
Jackson Profeta Inocente