20/04/2025
TÍTULO: Cabinda: Terra Riquíssima, Mas Ainda Empobrecida – Um Chamado à Consciência Governativa
Por: Manuel Afonso Chincanda
Nesta manhã, acordei com uma inquietação que não me larga: Será que a minha província, Cabinda, é naturalmente impróspera ou tem sido simplesmente mal governada? A pergunta que me faço é simples, mas carregada de dor: Será que quem governa sabe o que é governar? Será que quem administra entende, de verdade, o que é administrar?
Cabinda não é pobre.
É rica em petróleo. Rica em madeira. Rica em terra fértil. Rica em cultura e tradição. E, acima de tudo, rica no seu povo: trabalhador, resistente, paciente.
Mas a realidade que enfrentamos é de pobreza gritante, ausência de dignidade, e um silêncio que se tornou insuportável.
Não temos água.
As torneiras secaram há semanas, e com elas, a paciência de quem já vive de improviso. As mães levantam cedo para encontrar um balde d’água. Os filhos vão para escola — quando vão — sem banho, sem energia, sem esperança.
Não temos comida.
Os preços sobem, os salários não. Comer três vezes ao dia tornou-se privilégio. Fome não devia ser normal. Mas já é.
Não temos uma educação condigna.
Faltam professores preparados, estruturas adequadas, materiais básicos. Como se estuda sem luz? Como se sonha sem base?
Não temos emprego.
A juventude está perdida. Os rapazes, sem horizonte, afundam-se nos vícios. As meninas, empurradas pela necessidade, recorrem à prostituição. Os pais, já sem autoridade nem recursos, sentem-se falhados nas suas próprias casas.
E para ter uma simples oportunidade... tens de te filiar ao partido no poder.
Como se fosse um favor, e não um direito. Como se a vida fosse um jogo político e o povo, simples peões descartáveis.
Até os taxistas impõem seus próprios preços. Sem regras, sem regulação. Cada um por si, e o povo sempre por último.
A minha pergunta é: será isso que este povo merece?
Será esta a nossa sina?
Ou será que alguém precisa, finalmente, levantar-se e dizer: basta?
Estamos