16/02/2026
Crónica | Crítica social
Crescemos a orar, mas esquecemo-nos, por vezes, de planear.
Crescemos a jejuar, mas adiamos a construção. Crescemos a profetizar, mas retardamos a organização.
A Igreja Pentecostal em Angola é rica em fé, fogo e cânticos. Disso não há dúvida. O Espírito move-se, os cultos fervem, os altares enchem-se.
Mas quando o culto termina e a semana começa, muitos regressam às mesmas carências, aos mesmos vazios, às mesmas perguntas sem resposta.
Não temos rádio para formar consciências.
Não temos universidades para preparar gerações.
Não temos colégios, nem escolas do ensino médio estruturadas.
Não temos orfanatos, creches, cozinhas comunitárias.
Não temos um hospital central da Igreja.
E o desemprego cresce silenciosamente dentro dos bancos do templo.
Há fé, mas falta estrutura.
Há unção, mas escasseia estratégia.
Há línguas espirituais, mas falta linguagem de gestão.
Assusta-me o baixo nível de escolaridade que se normalizou em certos ambientes pentecostais, como se o conhecimento fosse inimigo da espiritualidade. Assusta-me ainda mais a ideologia mental que foi pregada, repetida e fixada em algumas mentes — uma ideologia que precisa, urgentemente, de desintoxicação. Porque Deus não chama ninguém à ignorância; chama à luz.
Enquanto isso, igrejas que chegaram depois já entenderam que o Evangelho também se constrói com escolas, hospitais, comunicação, ciência, emprego e dignidade. Não se trata de competição espiritual. Trata-se de visão. Trata-se de responsabilidade histórica.
Jesus nunca separou o espiritual do humano. Ele curou corpos, ensinou mentes, alimentou multidões e, ao mesmo tempo, salvou almas. Cresceu em graça diante de Deus, mas também em sabedoria diante dos homens. Esse equilíbrio parece-nos esquecido.
Não precisamos apenas de crescer no Espírito precisamos de crescer em todos os lados da vida. Na educação, na saúde, na economia, na cultura, no pensamento crítico, na acção social.
By: Poeta momentâneo