Catequese da Paróquia de Sines

Catequese da Paróquia de Sines Catequese de iniciação da infância e adolescência da Paróquia de Sines.

Esta página surge com o intuito de complementar e aproximar a catequese às crianças e adolescentes da Paróquia de Sines. Ao longo do ano catequético serão publicados nesta página conteúdos que auxiliem a sua caminhada cristã.Contará também com a agenda de todas as atividades integrantes deste ano letivo.

A liturgiaDomingo XIX do Tempo Comum (Ano A)Ano AEntre o vento e a brisa encontro a tua mãoTem no rosto as marcas visíve...
09/08/2026

A liturgia
Domingo XIX do Tempo Comum (Ano A)
Ano A

Entre o vento e a brisa encontro a tua mão

Tem no rosto as marcas visíveis do tempo, da terra, do sol, do vento e do mar. Antes do amanhecer, lança o seu pequeno barco para enfrentar a imensidão do ruidoso mar, um mar sem fundo, um mar sem fim”. A faina é dura e, não raras vezes, o oceano mostrava-se revoltado e ameaçador.

Apesar de tudo, regressa sempre às águas porque ali está metade da sua alma. No movimento das águas aprende a coragem de regressar uma e outra vez. Na espuma das ondas encontra o refúgio e o propósito. A cada rede puxada, ele sabe que mesmo quando o seu corpo cede, a coragem da sua rotina permanece.

LEITURA I 1Rs 19, 9a.11-13a

Naqueles dias,
o profeta Elias chegou ao monte de Deus, o Horeb,
e passou a noite numa gruta.
O Senhor dirigiu-lhe a palavra, dizendo:
«Sai e permanece no monte à espera do Senhor».
Então, o Senhor passou.
Diante d’Ele, uma forte rajada de vento
fendia as montanhas e quebrava os rochedos;
mas o Senhor não estava no vento.
Depois do vento, sentiu-se um terramoto;
mas o Senhor não estava no terramoto.
Depois do terramoto, acendeu-se um fogo;
mas o Senhor não estava no fogo.
Depois do fogo, ouviu-se uma ligeira brisa.
Quando a ouviu, Elias cobriu o rosto com o manto,
saiu e ficou à entrada da gruta.

Elias encontra-se com Deus no monte Horeb. Depois de experimentar a força do vento, o terramoto e o fogo, o profeta aprende que o Senhor não se impõe pela força esmagadora, mas comunica-Se no silêncio que convida à escuta profunda e à intimidade.

Salmo 84 (85), 9ab-10.11-12.13-14 (R. 8)

Para o povo que regressa da desolação do exílio, este Salmo proclama o restabelecimento de uma harmonia entre o Céu e a terra. O salmista apresenta o encontro entre a Misericórdia e a Fidelidade, transformando a Justiça Divina num beijo de paz que fecunda a história humana, fazendo germinar da nossa própria fragilidade os ingredientes necessários para que a Glória de Deus habite definitivamente na nossa terra.

LEITURA II Rm 9, 1-5

Irmãos:
Em Cristo digo a verdade, não minto,
e disso me dá testemunho a consciência no Espírito Santo:
Sinto uma grande tristeza e uma dor contínua no meu coração.
Quisera eu próprio ser anátema, separado de Cristo,
para bem dos meus irmãos,
que são do mesmo sangue que eu,
que são israelitas,
a quem pertencem a adoção filial, a glória, as alianças,
a legislação, o culto e as promessas,
a quem pertencem os Patriarcas
e de quem procede Cristo segundo a carne,
Ele que está acima de todas as coisas,
Deus bendito por todos os séculos. Amen.

Paulo revela-se magoado ao perceber que a maioria de Israel recusa aceitar o Messias. O apóstolo enumera os privilégios históricos do Povo Eleito: a filiação, a aliança e a própria linhagem de Cristo, para salientar que o povo da promessa ignora o seu cumprimento. É este o mistério da liberdade humana e da fidelidade de Deus. A dor do apóstolo é tão grande que ele se oferece em sacrifício pela salvação do seu povo incrédulo.

EVANGELHO Mt 14, 22-33

Depois de ter saciado a fome à multidão,
Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco
e a esperá-l’O na outra margem,
enquanto Ele despedia a multidão.
Logo que a despediu,
subiu a um monte, para orar a sós.
Ao cair da tarde, estava ali sozinho.
O barco ia já no meio do mar,
açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário.
Na quarta vigília da noite,
Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar.
Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar,
assustaram-se, pensando que fosse um fantasma.
E gritaram cheios de medo.
Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo:
«Tende confiança. Sou Eu. Não temais».
Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor,
manda-me ir ter contigo sobre as águas».
«Vem!» – disse Jesus.
Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas,
para ir ter com Jesus.
Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se,
gritou: «Salva-me, Senhor!».
Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o.
Depois disse-lhe:
«Homem de pouca fé, porque duvidaste?».
Logo que subiram para o barco, o vento amainou.
Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus,
e disseram-Lhe:
«Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».

O evangelho coloca-nos entre a confiança de Jesus no silêncio da oração e a agitação da barca de Pedro, açoitada pelo vento e pelas ondas. Ao chegar caminhando sobre as águas, Jesus revela aos discípulos que ele é mais forte que todas as forças adversas que eles venham a enfrentar. A audácia de Pedro seguida da vacilação é um aviso para todos os cristãos, que confiam mais em si mesmos do que em Jesus.

Reflexão da Palavra

No capítulo 19 do Primeiro Livro dos Reis, inicia-se o ciclo de Elias. A preocupação deste livro não é a mera narração histórica, mas, sobretudo, a reflexão sobre a fidelidade à Aliança. Elias vive um tempo difícil, em que o culto a Baal afastou os israelitas de Iahvé. O profeta luta com todas as forças contra a idolatria: desafia os profetas de Baal e vence-os. Perante esta derrota, a rainha Jezabel, seguidora de Baal, lança uma perseguição implacável contra ele. Na fuga, o profeta, exausto, sente que é preferível morrer a continuar a fugir como um animal escorraçado. Contudo, Deus orienta os seus passos para o monte Horeb, num regresso às origens da fé de Israel e, ali, ele vive a experiência profunda da Presença Divina.

O povo libertado por Moisés do Egito fez o caminho do Horeb à Terra Prometida. Elias faz o caminho inverso e entra na gruta onde Moisés se tinha refugiado para contemplar a Glória de Deus (Ex 33, 22). A preocupação pela fidelidade à Aliança e ao cumprimento da Lei faz de Elias um novo Moisés.

O texto da primeira leitura enumera diversas situações em que Deus não está presente, para revelar um modo novo e mais ef**az da Sua manifestação. O vento forte, o terramoto e o fogo, sinais com que Deus se manifestara no tempo de Moisés, já não são os meios adequados para os tempos novos. Deus já não se serve da força da natureza para se impor ao homem; em vez disso, Elias faz uma nova experiência de Deus através de uma brisa suave, um sopro de silêncio, um murmúrio: uma presença de qualidade. É na interioridade, no coração, que o Senhor se manifesta, num silêncio que fala apenas àquele que sabe escutar.

Apesar de ser algo estranho para quem usou da força para vencer os profetas de Baal, Elias reconhece o Senhor que passa por ele e cobre o rosto, pois ninguém pode ver a Deus e continuar vivo (Ex 33, 20). Perante esta presença, revitaliza-se o ânimo do profeta: ele já não deseja a morte, mas está pronto para continuar a sua missão, levando agora consigo o Espírito do Senhor.

versículo 9 do Salmo 84, que lemos neste domingo, começa com palavras que manifestam uma atitude semelhante à do profeta Elias no Horeb: «Prestarei atenção ao que diz o Senhor Deus». O salmista afirma que o Senhor fala de paz, uma paz que tem origem em Deus, brota da Sua presença no mundo e não meramente das ações humanas. É uma paz que se adquire no silêncio e na escuta, acontecendo no íntimo dos corações. Esta paz será total quando Deus montar a Sua tenda entre nós (Jo 1, 14).

Quando se encontrarem a Misericórdia de Deus e a Fidelidade do homem, como amigas de longa data, então também a Justiça e a Paz, como dois apaixonados, se beijarão. Nesse momento, haverá felicidade, abundância e harmonia plena.

Depois de ter afirmado que o amor de Deus por nós é inabalável, ao ponto de nada nem ninguém nos poder separar do Amor de Cristo, Paulo expressa a sua perplexidade perante a atitude do povo de Israel em relação a Jesus. Por que razão Israel, o povo da promessa, não acredita que Jesus é o Messias?

Deus concedeu-lhes todos os privilégios: tratou Israel como filho, estabeleceu com ele, por diversas vezes, uma Aliança, deu-lhe uma Lei, uma liturgia e uma promessa messiânica; constituiu-o como povo desde Moisés e fez nascer do seu seio o próprio Messias. Para Paulo, a única explicação para a recusa de Israel reside na liberdade humana. O problema não está na Palavra de Deus que lhes foi anunciada, mas no modo como cada um usa a sua liberdade.

Esta atitude de Israel causa em Paulo uma tristeza tão profunda que ele chega a afirmar que preferiria ser ele próprio a separar-se de Cristo, desde que, com isso, os seus irmãos se encontrassem com Ele na fé. Já Moisés fizera o mesmo em prece pelo povo (Ex 32, 32). A terminar, Paulo proclama a divindade de Jesus numa doxologia final: «Cristo… Deus bendito por todos os séculos. Ámen».

Depois da multiplicação dos pães, o ambiente era favorável a manifestações políticas em favor de Jesus. Talvez por isso, Mateus afirma que Jesus «obrigou» os discípulos a seguir para a outra margem, afastando-os da possível confusão, e despediu a multidão.

A partir desta primeira referência, o texto enche-se de simbolismo. Jesus sustenta com a Sua oração, no silêncio e na quietude da noite, a barca de Pedro, onde os discípulos lutam contra o vento e contra o mar.

Na mesma hora em que os filhos de Israel saíram do Egito e Jesus saiu do túmulo, na quarta vigília da noite, Ele vai ter com eles caminhando sobre as águas. As águas representam as forças do mal que só Deus pode dominar; Jesus caminha sobre elas porque Ele é Deus, e não um fantasma, como os discípulos começam por acreditar.

Para que O reconheçam, Jesus diz: «Sou Eu», usando a expressão revelada por Deus a Moisés: «Eu Sou». Com esta afirmação, eles perdem o medo e recuperam a confiança. A cena de Pedro revela o desejo de seguir Jesus. Se este desejo for transformado em busca de poder pessoal, torna-se incapaz de resistir aos ventos; Pedro afunda-se e, com ele, a barca. Só Jesus o pode salvar, por isso a Igreja não cessa de clamar com Pedro: «Salva-me, Senhor!».

Meditação da Palavra

A Palavra de Deus deste domingo coloca-nos diante das nossas tempestades: o mundo com as suas convulsões, os conflitos geopolíticos e militares, a economia selvagem, a instabilidade social, a crise da verdade e os problemas climáticos, acrescidos da sensação de que as instituições internacionais (como a ONU) perderam a capacidade de mediação, deixando o mundo num estado de «cada um por si». Somam-se a estes os conflitos pessoais, como a ansiedade provocada pelo medo do futuro: o receio de, mesmo trabalhando muito, perder a autonomia financeira; o medo do desemprego por inutilidade perante a novidade da Inteligência Artificial; a débil saúde mental e o isolamento; a perda da privacidade e a incerteza face à verdade; e, finalmente, o medo da guerra e a incapacidade de controlar tudo.

Elias experimenta a exaustão perante a perseguição movida pela rainha Jezabel; Paulo experimenta a tristeza perante a recusa dos judeus em relação ao Evangelho; os doze discípulos lutam contra o vento e o mar enfurecidos. No meio destas tempestades, os atores bíblicos mostram-se tão humanos quanto nós, fazendo-nos perceber a nossa pequenez diante dos grandes desafios da vida. Mas a Palavra de Deus revela algo mais importante do que as dificuldades humanas: mostra a presença do Senhor e a força daqueles que se deixam conduzir pela fé.

Efetivamente, no Evangelho, Jesus, ao fazer-Se presente, põe termo ao medo dos apóstolos e salva Pedro de se afundar nas suas falsas seguranças, convidando-o a confiar na mão protetora do Mestre. Na primeira leitura, Elias ensina-nos onde Deus não está e convence-nos de que a Sua ação é ef**az, mas silenciosa e interior, pois, como diz o Salmo, Ele fala ao coração. E a segunda leitura dá-nos a consciência de que mesmo os homens de fé não estão isentos de sofrimento.

A compreensão dos textos bíblicos deste domingo desperta em nós a consciência de que as tempestades fazem parte da vida; que andar à deriva é, por vezes, uma consequência de estarmos no mundo empenhados na sua construção e transformação; e que, é normal experimentarmos a angústia de sentir que Deus está ausente. Por outro lado, a Palavra ensina-nos que é necessário aprender a discernir a presença de Deus na realidade concreta, e não fabricar a ilusão de uma presença à medida dos nossos desejos. A Sua manifestação mais ef**az é suave e discreta, quase impercetível, mas real; inaudível, mas transformadora; invisível, mas reconfortante.

Também compreendemos que, mesmo quem vive a fé com audácia e determinação, como Pedro, experimenta-se frágil nas situações de maior provação. Se nos focamos demasiado nas dificuldades, se a nossa preocupação se concentra nos ventos contrários e na força das vagas, acabaremos por sucumbir, por não percebermos onde reside a nossa verdadeira segurança. Fixar o olhar em Jesus, que é mais forte que todos os ventos e sabe caminhar sobre as ondas mais ameaçadoras, é o segredo para manter viva a esperança.

As grandes dificuldades da vida são a oportunidade para firmar a confiança na mão protetora e solícita de Jesus. A oração de súplica, como ensina Pedro ao gritar «Salva-me, Senhor!», é sempre escutada, mesmo que a nossa fé seja pouca. Nas vidas de Elias, Paulo e Pedro, e na vida da Igreja, qual barca de Pedro, aprendemos que não há vidas sem tempestades, mas que a presença de Deus faz toda a diferença no momento de as enfrentar. A fé, ainda que frágil, é suficiente para manter n’Ele o olhar e levantar a voz em súplica Àquele que nos pode salvar quando as forças nos faltam.

Rezar a Palavra

Senhor, guia-me sobre as águas agitadas e firma a minha mão perante os ventos da dúvida. Que a Tua presença no meu coração sustente a minha esperança. Que o sopro suave do Teu espírito me proteja da dureza do mundo, mantendo-me firme na fé de que é possível contruir um mundo de paz e justiça.

Compromisso semanal

Enfrento o desafio da fé como Pedro, segurando na mão de Jesus.

Retirado da Pastoral Litúrgica. (texto)

07/08/2026

A liturgia
Sábado da Semana XVIII do Tempo Comum
Anos Pares

S. Domingos, presbítero
Memória

Nota histórica
Domingos de Gusmão nasceu em Caleruega, na Espanha, por volta do ano 1170. Estudou Teologia, em Palência, e foi nomeado cónego da Igreja de Osma, cidade da província de Sória. Por meio da sua pregação e do exemplo da sua vida combateu com grande êxito a heresia dos Albigenses. Desejoso de encontrar uma nova forma de propagar a fé, fundou a Ordem dos Pregadores, para renovar na Igreja a forma de vida apostólica, mandando aos seus irmãos que se dedicassem ao serviço do próximo com a oração, o estudo e o ministério da palavra. Morreu em Bolonha, cidade de Itália, no dia 6 de agosto de 1221. Com Francisco de Assis, é um dos patriarcas da santidade cristã, suscitados pelo Espírito, num tempo de grandes transformações históricas. Promoveu, a par do aprofundamento dos estudos teológicos, a oração popular do rosário.

Leitura I Hab 1, 12 — 2, 4
Não sois Vós, Senhor, desde os tempos antigos,
o meu Deus, o meu Santo, o Imortal?
Estabelecestes os caldeus, Senhor, para exercerem a justiça
e os consolidastes como um rochedo para castigarem.
Os vossos olhos são demasiado puros para verem o mal
e não podeis contemplar a opressão.
Porque olhais então para os malvados,
porque f**ais em silêncio, quando o ímpio devora o justo?
Tratareis os homens como os peixes do mar,
ou como os répteis que não têm dono?
O inimigo pesca-os a todos no anzol,
apanha-os com a rede, recolhe-os com a tarrafa
e assim f**a alegre e satisfeito.
Por isso oferece sacrifícios à sua rede
e queima incenso à sua tarrafa,
pois fez com elas uma pesca abundante
e alcançou alimento com fartura.
Continuará ele a utilizar a sua rede,
matando os povos impiedosamente?
Ficarei no meu posto de sentinela,
conservar-me-ei de pé sobre a muralha,
estarei alerta para ver o que o Senhor me dirá,
como irá responder à minha queixa.
Então o Senhor respondeu-me:
«Põe por escrito esta visão
e grava-a em tábuas com toda a clareza,
de modo que a possam ler facilmente.
Embora esta visão só se realize na devida altura,
ela há de cumprir-se com certeza e não falhará.
Se parece demorar, deves esperá-la,
porque ela há de vir e não tardará.
Vede como sucumbe aquele que não tem alma recta;
mas o justo viverá pela sua fidelidade».

compreender a palavra
Habacuc, o profeta, levanta a voz para apresentar a sua queixa contra Deus e fazer perguntas que estão no coração de todos os homens. Deus vê tudo e não suporta o mal diante dos seus olhos. Então, não se entende, diz Habacuc, «porque olhais para os malvados, porque f**ais em silêncio, quando o ímpio devora o justo? Tratareis os homens como os peixes do mar, ou como os répteis que não têm dono?» Permitindo que uns se imponham sobre os outros Deus pactua com os que adoram os instrumentos de guerra e de opressão, como o pescador adora a rede com que tira os peixes do mar. O profeta desafia Deus dizendo-lhe que vai estar atento para ver o que Deus vai fazer. No final, no entanto, o profeta acaba por mostrar que apesar de muitas perguntas sem resposta, Deus é a única segurança e o silêncio de Deus não signif**a que pactua com o mal, pois quem se apoiar nele encontra a segurança que procura.

meditar a palavra
Quantas vezes me interrogo sobre a atitude de Deus perante o sofrimento dos homens, sobretudo, aquele sofrimento que é causado pela maldade, pelo egoísmo, pela violência e indiferença de outros homens. Porque f**ais em silêncio, Senhor, quando o ímpio devora o justo? Na realidade é necessário aprender a ler o silêncio de Deus e a encontrar nas perguntas sem resposta os sinais do caminho a seguir. Enquanto uns praticam o mal e entendem que pode continuar a prejudicar os outros porque ninguém se lhes opõe, nós havemos de aprender a ver os sinais de um Deus que não é indiferente ao sofrimento dos homens para nos tornarmos daqueles que têm fome e sede de justiça, que constroem a paz, choram com os que choram e, na pobreza do amor, sentem alegria por serem perseguidos sem perder a fé.

rezar a palavra
Também eu estou atento, Senhor, como sentinela, para aprender no teu silêncio a enxugar as lágrimas dos que choram e a limpar as feridas dos que sangram, para como tu lutar pela construção de um mundo mais justo, mais humano, mais fraterno e mais feliz, ainda que no meio de perseguições.

compromisso
Em vez de gastar o tempo a lamentar o mal vou estar junto dos que precisam de uma mão amiga.

EVANGELHO Mt 17, 14-20
Naquele tempo,
aproximou-se de Jesus um homem,
que se ajoelhou diante d’Ele e Lhe disse:
«Senhor, tem compaixão do meu filho,
porque é epilético e sofre muito;
cai frequentemente no fogo e muitas vezes na água.
Apresentei-o aos teus discípulos,
mas eles não puderam curá-lo».
Jesus respondeu:
«Oh geração incrédula e perversa!
Até quando estarei convosco?
Até quando terei de vos suportar?
Trazei-mo aqui».
Jesus ameaçou o demónio,
que saiu do menino
e este ficou curado a partir daquele momento.
Então os discípulos aproximaram-se de Jesus
e perguntaram-Lhe em particular:
«Por que motivo não pudemos nós expulsá-lo?».
Jesus respondeu-lhes:
«Por causa da vossa pouca fé.
Em verdade vos digo:
se tiverdes fé comparável a um grão de mostarda,
direis a este monte: ‘Muda-te daqui para acolá’,
e ele há de mudar-se.
E nada vos será impossível».

compreender a palavra
A aflição de um pai perante a desgraça do filho serve para Jesus chamar os discípulos à fé. De facto, para Jesus, o problema nunca é a doença. Ele não curou todos os doentes que havia naquele tempo naquelas terras. Curou muitos, mas não todos. A ação de Jesus visa mais a fé do que a doença. Percebemos no relato que o homem se aproximou de Jesus porque tinha o filho doente e os discípulos também se aproximaram de Jesus porque não foram capazes de o curar. Tanto um como os outros não perceberam que aproximar-se de Jesus exige a fé. Por isso Jesus reage de modo tão inesperadamente brusco e irritado. Nem os apóstolos, nem o homem, nem os presentes, mostram a fé necessária para acontecer o dom de Deus que é mais que a simples cura de um jovem epilético. Jesus explica isso aos discípulos e chama-os à fé. Com fé nada é impossível.

meditar a palavra
A busca do deus dos milagres não é a busca do Deus verdadeiro. Jesus cura muitas pessoas, acolhe os que padecem, mas não permite que o confundam com um curandeiro, com um deus menor, com um moço de recados sempre disponível para fazer milagres com pré marcação. A fé gera em nós uma capacidade de acolher a própria vida como ela é e uma confiança total na presença de Deus. De Deus vem a força para abraçar a cruz e da fé o milagre de a carregar até ao fim. As palavras de Jesus perguntam-nos pela fé que temos, uma fé que pede para aliviar o peso da vida ou uma fé que pede auxílio para carregar todos os pesos que nos pertencem e auxiliar ainda alguns que caminham connosco. Afinal, não é impossível carregar a cruz até ao calvário e Jesus prova isso carregando a sua.

rezar a palavra
Às vezes, Senhor, pergunto pela minha fé. Umas vezes parece-me que tenho muita outras vezes julgo não ter nenhuma. Nem sempre o que sinto corresponde à verdade. Sei que não quero fugir das consequências da minha vida, das exigências dos meus compromissos, da responsabilidade para comigo e para com os outros, da adesão ao teu projeto de amor libertador. Não quero aliviar a minha carga, mas conto contigo para ter as forças necessárias para transportar a cruz até ao fim.

compromisso
Vivo a fé daqueles que, como Jesus, carregam a sua cruz e a de outros, pelo caminho mais difícil até ao fim.

Retirado da Pastoral Litúrgica.

06/08/2026

A liturgia
Sexta-feira da Semana XVIII do Tempo Comum
Anos Pares

Leitura I Na 2, 1.3; 3, 1-3.6-7
Vede sobre os montes
os passos do mensageiro que anuncia a paz.
Celebra as tuas festas, Judá, cumpre os teus votos,
porque o malfeitor não voltará a passar por ti,
ele foi totalmente destruído.
O Senhor restaurou o esplendor de Jacob
e o esplendor de Israel,
porque os salteadores a tinham saqueado,
devastando os seus sarmentos.
Ai da cidade sanguinária,
cheia de perfídia, repleta de despojos,
onde não cessa a pilhagem!
Ouve-se o estalar do chicote, o estrépito das rodas,
o galope dos cavalos, o baloiçar dos carros.
Arremetem os cavalos, brilham as espadas, cintilam as lanças.
Depois, multidão de feridos, mortos sem conta,
cadáveres sem fim, nos quais se tropeça!
«Vou cobrir-te de imundície, lançar-te na ignomínia
e expôr-te à vergonha pública – diz o Senhor –.
Quem te vir fugirá de ti, dizendo:
‘Nínive está devastada!
Quem terá compaixão dela?’
Onde encontrarei quem te console’».

compreender a palavra
A queda do Império Assírio é anunciada com a profecia da destruição da sua capital, Nínive. Esta cidade “sanguinária” será saqueada e despojada das suas riquezas e as suas praças serão palco dos mortos à espada. O império será totalmente destruído. O povo do Senhor é restaurado no seu esplendor e celebra as suas festas. Esta é a mensagem da paz que já se ouve nos montes.

meditar a palavra
O Senhor liberta o seu povo do poder do inimigo que o oprime. Restaura o seu esplendor e devolve-lhe a liberdade para celebrar as suas festas. O povo vibra de alegria ao receber a notícia do que está para chegar. Mas a verdadeira notícia não é a da libertação do jugo Assírio é a liberdade interior que chega pelo perdão. Esta liberdade não se conquista com lanças e espadas e não enche de mortos as ruas e as praças das cidades. Esta liberdade é conquistada pelo filho de Deus na cruz. Esta é a notícia de hoje para nós. Esta notícia ainda não chegou a todos os ouvidos e não inundou todos os corações. Ainda resistimos à fé no crucif**ado que deu a vida por nós, ainda resistimos à misericórdia preferindo a guerra, a discórdia, a divisão, a inveja, o ódio e a vingança. Voltar para o Senhor, restaurar o verdadeiro culto, é deixar-se inundar pela misericórdia de Deus manifestada na cruz de Jesus.

rezar a palavra
Com a tua cruz nas mãos e o teu lado aberto a jorrar água e sangue sobre mim, experimento a misericórdia que me salva. Inunda-me, Senhor, com o teu amor, inunda-me com a tua graça para que anuncie a tua salvação a todos os homens prisioneiros de si mesmos, das suas ideias e dos seus preconceitos.

compromisso
Salvar-me é deixar-me amar por Deus.

Evangelho Mt 16, 24-28
Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo,
tome a sua cruz e siga-Me.
Pois quem quiser salvar a sua vida há de perdê-la;
mas quem perder a sua vida por minha causa,
há de encontrá-la.
Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro,
se perder a sua vida?
Que poderá dar o homem em troca da sua vida?
O Filho do homem há de vir na glória de seu Pai,
com os seus Anjos,
e então dará a cada um segundo as suas obras.
Em verdade vos digo:
Alguns dos que estão aqui presentes não morrerão,
antes de verem chegar o Filho do homem
na glória do seu reino».

compreender a palavra
Jesus apresenta a grande condição para ser seu discípulo: “renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. Para Jesus é necessário alcançar a vida, encontrá-la, ganhá-la. E não há outros critérios válidos senão os que estão presentes na cruz. Quem quiser salvar a vida perde-a e quem perder a vida encontra-a. Não há outros critérios nem outro caminho. É que a vida não é algo que o discípulo possa conquistar, é-lhe dada, pelo Filho do homem. Ele virá e dará a cada um a vida de acordo com as suas obras. O homem, “que pode dar em troca da sua vida?”

meditar a palavra
Jesus apresenta-me um caminho para alcançar a vida, renunciar a mim mesmo, tomar a minha cruz e segui-lo. Não poderei alcançar a vida sem esta decisão. Não vale, para mim, pegar na minha cruz como um herói que tudo aguenta. Não vale escolher um caminho e seguir por ele, lançando fora a cruz de cada dia. Também não vale pegar na cruz e escolher o caminho que entender. A decisão implica renunciar a mim mesmo e às minhas capacidades, pegar na minha cruz confiante na força de Jesus e seguir pelo seu caminho. Só assim chegarei à vida. De meu não tenho nada, portanto, só posso mesmo render-me a Jesus.

rezar a palavra
Que posso dar-te, Senhor Jesus, se de meu nada tenho, nada possuo? Que vida é esta a que chamo minha, se na verdade, por mim, ela nada vale? Que posso eu querer senão querer-te a ti renunciando a mim mesmo? Que posso esperar de mais grandioso senão a cruz que se apresenta diante de mim cada dia? Por onde conduzirei a minha vida senão por ti que és o caminho que conduz à vida? Mostra-me o teu caminho, ensina-me a pegar na cruz e faz crescer em mim o desejo da vida em plenitude.

compromisso
Vou olhar para Jesus e aprender com ele a carregar a cruz pelos caminhos tortuosos da minha vida.

Retirado da Pastoral Litúrgica.

A liturgiaTransfiguração do Senhor (Ano A)Ano A, SantoralNota históricaA Transfiguração do Senhor diante dos apóstolos P...
05/08/2026

A liturgia
Transfiguração do Senhor (Ano A)
Ano A, Santoral

Nota histórica

A Transfiguração do Senhor diante dos apóstolos Pedro, Tiago e João, com o testemunho da Lei e dos Profetas, «manifestou a sua glória e na sua humanidade, em tudo semelhante à nossa, fez resplandecer a luz da sua divindade, para tirar do coração dos discípulos o escândalo da cruz e mostrar que devia realizar-se no corpo da Igreja o que resplandecia na sua cabeça» (Prefácio). Esta celebração realça a dimensão pascal e escatológica da liturgia e de toda a vida cristã. Originariamente celebrada no Oriente, foi estendida a toda a Igreja pelo papa Calisto II, no dia 6 de agosto de 1457.

LEITURA I Dn 7, 9-10.13-14
Estava eu a olhar,
quando foram colocados tronos
e um Ancião sentou-se.
As suas vestes eram brancas como a neve
e os cabelos como a lã pura.
O seu trono eram chamas de fogo,
com rodas de lume vivo.
Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele.
Milhares de milhares o serviam
e miríades de miríades o assistiam.
O tribunal abriu a sessão
e os livros foram abertos.
Contemplava eu as visões da noite,
quando, sobre as nuvens do céu,
veio alguém semelhante a um filho do homem.
Dirigiu-Se para o Ancião venerável
e conduziram-no à sua presença.
Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza,
e todos os povos e nações O serviram.
O seu poder é eterno, que nunca passará,
e o seu reino jamais será destruído.

compreender a palavra
A visão de Daniel, mais alargada do que este pequeno texto, apresenta Deus como um ancião que se senta com a sua corte no trono de fogo com rodas e lume vivo. Parece montar-se uma sessão de julgamento onde o Ancião é o juiz. Há um rio de fogo que separa o ancião daqueles que vão ser julgados e serve para executar a sentença. Depois aparece “um filho do homem”. Não sabemos quem é este personagem. Sabemos que não desce nem sobe, simplesmente vem sobre as nuvens e dirigindo-se ao ancião recebe o poder, a honra e a realeza e o seu reino será eterno. Todos os povos o servirão.

meditar a palavra
A profecia do filho do homem remete-nos automaticamente para Jesus. Ele disse de si mesmo que era “o filho do homem”, sobretudo quando se falava sobre a forma como iria morrer e para falar sobre a sua vinda “sobre as nuvens”. Jesus fala também de uma sessão de julgamento quando ele, o filho do homem, se sentar no seu trono de glória também eles, os apóstolos, se sentarão com ele para julgar as doze tribos de Israel. Na festa da Transfiguração do Senhor, esta passagem de Daniel, onde aparece o “filho do homem”, serve para mostrar que este Jesus que se transfigura no cimo do monte é aquele que recebeu o poder a honra e a realeza. É aquele que se fez homem, mas está ao nível de Deus que tem na mão o fogo para julgar os poderes da terra que se opõem ao seu poder.

rezar a palavra
O teu poder, senhor, é o amor. O teu fogo é purif**ador e o teu julgamento é misericórdia. Justamente condenados ao esquecimento por causa dos nossos pecados, não nos abandonaste à nossa sorte, mas enviaste o teu filho, para que, como filho do homem, no mistério da cruz, restabelecesse a amizade entre ti e os homens pelo sangue derramado. Ali, no madeiro do suplício, o fogo do amor chegou até nós e tocou-nos pela água e pelo Espírito Santo para nos purif**ar e revestir da tua glória elevando-nos à condição de filhos. Nenhum poder nos pode arrebatar das tuas mãos porque só o teu reino é eterno.

compromisso
Revestido de Cristo pelo batismo quero experimentar continuamente a força purif**adora do fogo do amor misericordioso de Deus.

LEITURA II 2Pd 1, 16-19
Caríssimos:
Não foi seguindo fábulas ilusórias
que vos fizemos conhecer o poder e a vinda
de nosso Senhor Jesus Cristo,
mas por termos sido testemunhas oculares da sua majestade.
Porque Ele recebeu de Deus Pai honra e glória,
quando da sublime glória de Deus veio esta voz:
«Este é o meu Filho muito amado,
em quem pus toda a minha complacência».
Nós ouvimos esta voz vinda do céu,
quando estávamos com Ele no monte santo.
Assim temos bem confirmada a palavra dos profetas,
à qual fazeis bem em prestar atenção,
como a uma lâmpada que brilha em lugar escuro,
até que desponte o dia
e nasça em vossos corações a estrela da manhã.

compreender a palavra
Pedro dá testemunho da sua presença no cimo do monte, quando Jesus se transfigurou e revelou ser ele o cumprimento de toda a lei e de todas as profecias, ao falar com Moisés e Elias. Desta forma confirma que o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo que anuncia não está fundado em fábulas ou ilusões, mas na voz vinda do céu que dizia: «Este é o meu Filho muito amado, em quem pus toda a minha complacência».

meditar a palavra
Recebemos o Evangelho diretamente daqueles que viram e ouviram na primeira pessoa, por conviverem diretamente com o seu autor, Jesus Cristo. O seu testemunho revela que esse Jesus em quem acreditamos está acreditado junto de Deus e a sua palavra é confirmada pelos profetas, Moisés e Elias. “Aquele que viu estas coisas é que dá testemunho delas e o seu testemunho é verdadeiro”, diz S. João no seu Evangelho (19, 35), ele que esteve com Pedro no cimo do monte. “Nós ouvimos esta voz vinda do céu, quando estávamos com Ele no monte santo” diz Pedro, para entendermos que recebemos a verdade e não fantasias e é nesta verdade que encontramos a luz que nos ilumina até que chegue o dia do Senhor.

rezar a palavra
O teu evangelho, chegou até nós, Senhor, pela boca e pelas mãos daqueles que escolheste para andarem contigo e serem enviados em teu nome. Eles viram, ouviram e beberam da vida que partilhaste com eles. Por isso encontro nesta palavra a verdade que ilumina a minha noite e me faz acreditar que o dia vem, esse dia em que verei o teu rosto.

compromisso
Aprofundo a minha fé na palavra e procuro dar testemunho com a minha vida como o fizeram os apóstolos que estiveram no cimo do monte.

EVANGELHO (Ano A) Mt 17, 1-9
Naquele tempo,
Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João seu irmão
e levou-os, em particular, a um alto monte
e transfigurou-Se diante deles:
o seu rosto ficou resplandecente como o sol
e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz.
E apareceram Moisés e Elias a falar com Ele.
Pedro disse a Jesus:
«Senhor, como é bom estarmos aqui!
Se quiseres, farei aqui três tendas:
uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias».
Ainda ele falava,
quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra
e da nuvem uma voz dizia:
«Este é o meu Filho muito amado,
no qual pus toda a minha complacência.
Escutai-O».
Ao ouvirem estas palavras,
os discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se muito.
Então Jesus aproximou-se e, tocando-os, disse:
«Levantai-vos e não temais».
Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus.
Ao descerem do monte, Jesus deu-lhes esta ordem:
«Não conteis a ninguém esta visão,
até o Filho do homem ressuscitar dos mortos».

compreender a palavra
Esta manifestação de Jesus no cimo do monte que dá nome à festa que celebramos, a transfiguração de Jesus, coloca diante dos olhos dos três discípulos escolhidos o episódio do monte Sinai, onde a nuvem luminosa e o rosto iluminado de Moisés são testemunho da presença de Deus. Os três discípulos são agora testemunhas de uma nova manifestação. Jesus transfigura-se, quer dizer, mostra-se como ele é, o filho de Deus, o centro de toda a revelação, aquele em quem se cumprem as Escrituras. Moisés e Elias são símbolo da Lei e dos Profetas. Nessa manifestação, para além da visível atrapalhação dos discípulos, ouve-se a voz do Pai, como no Jordão, depois de Jesus sair da água. Essa voz revela o mistério, «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência» e dá uma ordem «Escutai-O». Perplexos caem de rosto por terra porque estão atemorizados e percebem-se na presença de Deus. Ao descer do monte os discípulos dão-se conta que foram testemunhas de algo muito importante que não devem revelar, porque Jesus assim o pede.

meditar a palavra
Estamos inseridos neste mistério de Cristo que, sendo homem é também Filho de Deus. Aquele que afirma «O Filho do Homem tem que ser entregue nas mãos dos homens, que o matarão; mas, ao terceiro dia, ressuscitará» é o mesmo que agora se mostra aos nossos olhos em todo o esplendor da sua divindade, como se mostrará de novo, mais tarde, já vencedor da morte. O Filho do Homem é o Filho de Deus, o que morre na cruz é o que já existia em Deus desde sempre e o que ressuscita é o que suspirou na cruz por aqueles que o mataram. A força deste acontecimento presenciado pelos três discípulos é reveladora do poder de Deus que desde sempre se interessou pelos homens, os chamou, reuniu na grande assembleia do Sinai, deu-lhes uma lei, edificou-os na esperança através das promessas anunciadas pelos profetas e agora realiza tudo por meio de seu Filho Jesus Cristo. É neste mistério de Cristo que nós acreditamos e este mistério ele manifesta-se a cada um de nós numa experiência única, semelhante à dos discípulos, porque como eles também nós somos envolvidos na mesma luz de Cristo ressuscitado.

rezar a palavra
Eu creio, Senhor, que tu és o Filho de Deus que havia de vir ao mundo. Tu és aquele que os nossos pais esperaram e os discípulos contemplaram transfigurado no cimo do monte. Tu és aquele que ilumina a minha vida e a vida de cada homem que vem a este mundo.

compromisso
Contemplo o mistério de Cristo transfigurado fazendo um tempo de adoração.

Retirado da Pastoral Litúrgica. (texto)

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