Catequese da Paróquia de Sines

Catequese da Paróquia de Sines Catequese de iniciação da infância e adolescência da Paróquia de Sines.

Esta página surge com o intuito de complementar e aproximar a catequese às crianças e adolescentes da Paróquia de Sines. Ao longo do ano catequético serão publicados nesta página conteúdos que auxiliem a sua caminhada cristã.Contará também com a agenda de todas as atividades integrantes deste ano letivo.

24/09/2026

A liturgia
Sexta-feira da Semana XXV do Tempo Comum
Anos Pares

Leitura I Co 3, 1-11

Tudo tem o seu tempo,
tudo tem a sua hora debaixo do céu:
Há tempo para nascer e tempo para morrer,
tempo para plantar e tempo para arrancar;
tempo para matar e tempo para curar,
tempo para demolir e tempo para construir;
tempo para chorar e tempo para rir,
tempo para gemer e tempo para dançar;
tempo para atirar pedras e tempo para as juntar,
tempo para se abraçar e tempo para se separar;
tempo para ganhar e tempo para perder,
tempo para guardar e tempo para deitar fora;
tempo para rasgar e tempo para coser,
tempo para calar e tempo para falar;
tempo para amar e tempo para odiar,
tempo para a guerra e tempo para a paz.
Que aproveita ao homem com tanto trabalho?
Tenho observado a tarefa que Deus atribuiu aos homens,
para nela se ocuparem.
Ele fez todas as coisas apropriadas ao seu tempo
e pôs no coração do homem a sucessão dos séculos,
sem que ele possa compreender
o princípio e o fim da obra de Deus.

compreender a palavra
A visão sobre a vida, o tempo e as circunstâncias que nos apresenta Coelet revela a caducidade das coisas. Tudo é passageiro e tudo parece estar desprovido de razão e de sentido. Há um vazio que nada pode preencher. A existência do homem sobre a terra sofre desta caducidade, desta limitação e deste vazio. O homem não consegue dar às coisas e aos acontecimentos um sentido e não consegue dar sentido à própria vida. De que vale trabalhar se não chega a compreender o princípio e o fim da tarefa que Deus colocou nas suas mãos?

meditar a palavra
Se o homem do antigo testamento tem dificuldade em entender o vazio existencial, porque lhe falta o elemento essencial para mostrar que ela é mais do que a sucessão do tempo e a alternância dos acontecimentos, nós temos a possibilidade de encontrar o verdadeiro sentido, porque lemos a vida à luz de Cristo. Se tudo parece aos nossos olhos, vaidade, ilusão e vazio, aos olhos de Cristo tudo se transforma. A vida tem sentido no amor. Quando olhamos apenas para nós, na busca egoísta da felicidade, encontramos muitas desilusões porque as circunstâncias parecem estar contra nós, como adversários que impedem a nossa felicidade. Ora o sentido da vida não está em ser feliz ou, se preferirmos, em sermos amados. O sentido da vida, a razão da alegria e da felicidade está em sair de nós para que outros sejam felizes. A felicidade ao jeito de Jesus está em dar, em amar, em perdoar e morrer pelo outro. De acordo com esta visão, a alternância do tempo e das circunstâncias não afetam a alegria, nem a felicidade, porque o sentido das coisas está no amor de Deus no qual também nós amamos e, esse não morre.

rezar a palavra
Senhor, se gastar a minha vida a olhar para mim, para o meu bem estar, para a felicidade a que julgo ter direito, deparo-me com uma insatisfação, um vazio, que não consigo superar com as minhas forças. Mas tu ensinaste-me que a alegria e a felicidade não estão em conquistar para mim o que desejo ou satisfazer as minhas vontades de cada momento. O sentido da minha vida hei de encontra-lo amando e dando a vida como tu, para que outros tenham a vida, para que outros encontrem o sentido que o tempo parece querer roubar-nos.

compromisso
Preocupar-se com a felicidade dos outros pode trazer dissabores e incompreensões, mas também traz uma grande liberdade diante do tempo que passa.

Evangelho Lc 9, 18-22

Um dia, Jesus orava sozinho,
estando com Ele apenas os discípulos.
Então perguntou-lhes:
«Quem dizem as multidões que Eu sou?».
Eles responderam:
«Uns, João Batista; outros, que és Elias;
e outros, que és um dos antigos profetas que ressuscitou».
Disse-lhes Jesus:
«E vós, quem dizeis que Eu sou?».
Pedro tomou a palavra e respondeu:
«És o Messias de Deus».
Ele, porém, proibiu-lhes severamente
de o dizerem fosse a quem fosse
e acrescentou:
«O Filho do homem tem de sofrer muito,
ser rejeitado pelos anciãos,
pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas;
tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia».

compreender a palavra
Após a multiplicação dos pães, Lucas apresenta este diálogo entre Jesus e os discípulos sobre a mesma questão colocada por Herodes e pela multidão. Quem é Jesus? A pergunta é feita por Jesus após um momento de oração a sós: “Quem dizem a multidões que eu sou?”. A pergunta é feita também ao o grupo dos doze: “E quem dizeis vós que eu sou?”. A resposta de Pedro revela a identidade de Jesus, Ele é o Messias, mas Pedro não conhece os contornos dessa identidade. Por isso Jesus os manda calar. E para que não fabriquem nenhuma imagem errada do Messias, anuncia-lhes a sua morte e ressurreição.

meditar a palavra
Jesus é o Messias, mas a sua identidade não pode ficar fechada em chavões que a nossa imaginação fabrica, de modo a satisfazer os nossos caprichos. Dava-nos jeito um Messias que fizesse por nós o que nos compete como homens, cidadãos e cristãos. A vida fácil foi sempre um desejo assim como fuga às dificuldades e sofrimentos. Um Messias que faz por nós era tudo o que podíamos desejar. Jesus não é assim. Pelo contrário, ele apresenta-se como o que carrega a cruz e passa pelos sofrimentos e pela morte. Então, é preciso fazer silêncio diante de Jesus e calar as vozes interiores que nos impedem de ouvir o que ele nos revela de si mesmo, para que a nossa fé se concentre no mistério da Paixão e não se deixe enganar por falsos profetas que em nada se parecem com o Messias.

rezar a palavra
Senhor, quero contemplar-te no mistério da Paixão para encontrar, no sofrimento do corpo entregue e do sangue derramado, os sinais do Messias salvador. Quero prender-me ao mistério que me salva e reconhecer-te como caminho de ressurreição e de vida. Não quero seguir pelo caminho fácil dos que sabem tudo sobre ti, mas não te reconhecem no crucificado, nem quero viver sem a cruz que me ofereces como caminho de vida eterna.

compromisso
No silêncio de uma Igreja ou do meu quarto, contemplo Cristo na Cruz, na busca do Messias que me salva.

Retirado da Pastoral Litúrgica.

23/09/2026

A liturgia
Quinta-feira da Semana XXV do Tempo Comum
Anos Pares

Leitura I Co 1, 2-11

Vaidade das vaidades – diz Coelet –
vaidade das vaidades, tudo é vaidade.
Que aproveita ao homem todo o esforço
com que trabalha debaixo do sol?
Passa uma geração, vem outra geração
e a terra permanece sempre.
Nasce o sol e põe-se o sol;
depressa volta ao ponto de partida,
donde volta a nascer.
O vento sopra do sul, depois sopra do norte;
num vaivém constante, retoma os seus caminhos.
Todos os rios vão ter ao mar
e o mar nunca se enche;
e embora cheguem ao ao seu termo,
jamais deixam de correr.
Todas as coisas se afadigam,
mais de quanto se pode explicar;
o olhar não se farta de ver,
nem o ouvido se cansa de ouvir.
O que foi será outra vez
e o que se deu voltará a acontecer:
nada de novo debaixo do sol.
Se de alguma coisa se disser:
«Vede que isto é novidade»,
o certo é que já foi assim
nos tempos que nos precederam.
Mas nenhuma memória ficou dos tempos antigos,
nem haverá lembrança dos acontecimentos futuros
entre aqueles que vierem depois.

compreender a palavra
O livro de Coelet faz parte do conjunto dos livros da sabedoria e apresenta uma leitura da vida e da realidade. O sofrimento é um tema importante em todas as épocas porque toca o homem de perto, na sua pele e no seu espírito. O autor tem uma visão pessimista da realidade e da vida. Tudo é vaidade… é vão o trabalho do homem…tudo volta ao ponto de origem… não há novidade porque tudo já foi e volta a ser. Esta visão negativa é fruto da contemplação de tempos difíceis e da experiência de sofrimento. Atingido pelo sofrimento, o homem parece viver num labirinto que o faz retornar uma e outra vez ao ponto de partida, numa vida sem retorno.

meditar a palavra
O pessimismo de Coelet choca-nos porque, em Cristo, encontrámos o caminho a verdade e a vida. Encontrámos a saída para este contínuo retorno ao ponto de partida. Agora, olhamos o mundo a partir da novidade permanente que é Cristo na sua ressurreição como fonte de vida e de alegria. Em Cristo, o homem, mesmo no sofrimento, pode ser feliz porque tem caminho e tem destino. Sem Cristo, a dor, o sofrimento e a morte, provocam a angústia porque são o fim do qual não se pode sair. Em Cristo não há fim, a morte é caminho de vida eterna. Apesar de tudo, com o seu pessimismo, Coelet faz-nos pensar na realidade deste mundo e ver é passageiro este cenário. A vaidade de pensar ter aqui morada permanente, de escapar ileso ao passar do tempo e a veleidade de se julgar acima das forças do vento, mostram a nossa pequenez diante do mistério da vida que, em definitiva, é o mistério de Deus que nos acompanha.

rezar a palavra
Os ventos sopram, Senhor, contra esta casa que sou eu e que é a vida e o mundo e nada podem contra ela porque está edificada sobre a rocha que és tu, no mistério que salva, a morte e a ressurreição. Caminhar por mim, encontrar o caminho da vida apenas com as minhas visões da realidade é pretensão que me leva ao abismo. Ensina-me, Senhor, que sou pó e nada, agitado pelos ventos que fazem girar o tempo sobre mim e que só em ti, senhor do tempo, a minha vida encontra plenitude.

compromisso
Olhar através de Cristo é encontrar um caminho e uma resposta para a dor, para o sofrimento e para a morte.

Evangelho Lc 9, 7-9

Naquele tempo,
o tetrarca Herodes ouviu dizer tudo o que Jesus fazia
e andava perplexo, porque alguns diziam:
«É João Batista que ressuscitou dos mortos».
Outros diziam: «É Elias que reapareceu».
E outros diziam ainda:
«É um dos antigos profetas que ressuscitou».
Mas Herodes disse:
«A João mandei-o eu decapitar.
Mas quem é este homem,
de quem oiço dizer tais coisas?».
E procurava ver Jesus.

compreender a palavra
Este texto vem na sequência do envio dos discípulos com poder para curar e expulsar demónios e anunciar a Boa Nova. Jesus tem uma atitude clara diante dos homens e os discípulos são ensinados a viver de acordo com essa atitude de Jesus. O texto mostra que a ação de Jesus e dos discípulos desperta a curiosidade de todos sobre a identidade de Jesus. Herodes questiona-se e a multidão inventa identidades para Jesus. Herodes tem razão para não seguir as vozes que chegavam ao seu palácio, porque tinha sido ele a mandar matar João. Quem será então Jesus? Esta interrogação cria em Herodes o desejo de ver Jesus.

meditar a palavra
Os discípulos de Jesus seguem pelo seu caminho, imitando-o nos seus gestos e palavras. Desta forma, anunciam a Boa Nova, curam os doentes e expulsam demónios. Mas há outro caminho, o dos que preferem identificar Jesus com os mortos, quer dizer, querem vê-lo como um personagem do passado. Também há quem, por curiosidade, queira ver Jesus. Estas três atitudes colocam-se diante de mim e questionam-me. Qual a minha posição diante de Jesus? Fico a dissertar sobre a sua identidade como quem procura saber de um morto? Tenho desejo de ver Jesus por curiosidade face ao que se diz dele? Ou sigo-o, imitando-o, como os discípulos, assumindo que Jesus está vivo e me envia a continuar a sua missão?

rezar a palavra
Muitos perguntam quem tu és, Senhor. Às vezes até me fazem essa pergunta a mim. Tenho sempre muita dificuldade em dar uma resposta e sobretudo tenho receio de errar na resposta, não dizendo tudo quanto é importante dizer. Hoje ensinas-me que a resposta às perguntas das pessoas sobre a tua identidade está na minha vida. Se eu me lançar na aventura de realizar os gestos e anunciar as palavras que tu nos deixaste, o mundo vai entender quem tu és. Tu és aquele que liberta o homem das suas enfermidades, das suas prisões e abre caminhos novos de esperança para os que, ouvindo a tua palavra, creem em ti. Dá-me coragem para fazer da minha vida um verdadeiro testemunho, para que todos queiram ver-te.

compromisso
Quero assumir um compromisso na minha comunidade, pondo-me ao serviço de Jesus e da sua Boa Nova.

Retirado da Pastoral Litúrgica.

22/09/2026

A liturgia
Quarta-feira da Semana XXV do Tempo Comum
Anos Pares

São Pio de Pietrelcina, presbítero
Memória
Pio de Pietrelcina (Francisco Forgione) nasceu em Pietrelcina, na região de Benevento, na Itália, no ano de 1887. Ingressou na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos e, ordenado presbítero, exerceu o ministério com grande diligência pastoral, especialmente no convento da localidade de San Giovánni Rotondo, na Apúlia, região do sul de Itália. Serviu o povo de Deus com grande espírito de oração e humildade, na direção espiritual dos fiéis, na reconciliação dos penitentes e na dedicação providente pelos enfermos e os pobres. Plenamente configurado com Cristo crucificado, completou a sua peregrinação terrena no dia 23 de setembro de 1968.

Leitura I Pr 30, 5-9

Toda a palavra de Deus é comprovada,
é um escudo para quem n’Ele se refugia.
Não acrescentes nada às suas palavras,
porque Ele te repreenderia e passarias por mentiroso.
Duas coisas Vos peço, Senhor,
não mas negueis antes de eu morrer:
Afastai de mim a fraude e a mentira;
não me deis pobreza nem riqueza,
concedei-me apenas o alimento necessário.
Porque na abundância eu poderia renegar-Vos,
dizendo: «Afinal, quem é o Senhor?»,
e na miséria poderia roubar
e assim profanar o nome do meu Deus.

compreender a palavra
É fácil cair na tentação de fazer Deus dizer o que não disse e querer o que não quer. O livro dos provérbios aconselha a não acrescentar nada à palavra de Deus porque está provado que ela é a verdade. O que devemos é pedir o auxílio para as dificuldades que se colocam no seu cumprimento. O pedido que aqui surge é de grande sabedoria. Não quero riqueza nem pobreza, mas apenas o necessário. A pobreza pode revoltar-me contra Deus e infringir a lei roubando e a riqueza afastar dele o coração julgando-me dono e senhor.

meditar a palavra
Viver com sabedoria significa tirar da palavra de Deus os critérios para as decisões de cada dia. Os subterfúgios que usamos para adulterar a palavra e enganar os demais não vão alcançar-nos um bom fim, porque a palavra sempre nos desmascarará e acabamos enganando-nos a nós mesmos. Vamos viver com dignidade diante de Deus e dos homens, pedir ao Senhor o pão de cada dia e contentar-nos com o necessário para que o coração não se afaste do Senhor.

rezara palavra
Hoje te peço, Senhor, não me deis pobreza nem riqueza, mas apenas o necessário, o pão de cada dia, tudo e só o que preciso para viver dignamente diante de ti e dos homens.

compromisso
Vou em auxílio dos pobres para que eles, na sua aflição, não se revoltem contra Deus.

Evangelho Lc 9, 1-6

Naquele tempo,
Jesus chamou os doze Apóstolos
e deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demónios
e para curarem todas as doenças.
Depois enviou-os a proclamar o reino de Deus
e a curar os enfermos.
E disse-lhes:
«Não leveis nada para o caminho:
nem cajado, nem alforge, nem pão, nem dinheiro,
e não leveis duas túnicas.
Quando entrardes em alguma casa,
ficai nela até partirdes dali.
Se alguns não vos receberem,
ao sair dessa cidade,
sacudi o pó dos vossos pés, como testemunho contra eles».
Os Apóstolos partiram
e foram de terra em terra
a anunciar a boa nova
e a realizar curas por toda a parte.

compreender a palavra
O texto revela um conjunto de elementos interligados que falam da missão de Jesus e da sua intenção. Ele escolheu doze para andarem com ele e para os enviar. Os que escolheu são os que chama a si para lhes conceder o seu poder sobre as enfermidades e para anunciarem o reino. O poder concedido é o mesmo com que ele próprio realiza os milagres. E a missão que lhes confia é a mesma que ele realiza, o anúncio do reino. A missão configura o enviado numa atitude de vida, “Não leveis nada para o caminho: nem cajado, nem alforge, nem pão, nem dinheiro, e não leveis duas túnicas. Quando entrardes em alguma casa, ficai nela até partirdes dali. Se alguns não vos receberem, ao sair dessa cidade, sacudi o pó dos vossos pés, como testemunho contra eles”.

meditar a palavra
Jesus confia a sua missão ao grupo daqueles que ele próprio escolheu. Todos fomos escolhidos pelo Senhor no dia do batismo, porque todos fomos escolhidos no mistério da cruz que é mistério do amor de Deus que quer salvar todos os homens. A missão dos escolhidos é realizar os mesmos gestos e anunciar a mesma notícia de Jesus. Esta missão é geradora de vida. Ali onde há enfermidades retoma-se a vida recebendo a cura. Onde domina o demónio, senhor da morte, passa a habitar o senhor da vida pela implantação do reino. Esta missão exige homens novos, capazes de se despojarem de tudo o que os impede de perseguir o dinamismo do reino.

rezar a palavra
Depositaste nas minhas mãos um poder capaz de transformar a vida dos que me rodeiam. Sou enviado a bater de porta em porta para transformar a vida daqueles a quem anuncio e recebem o toque das minhas mãos. É demasiado este poder e grande a responsabilidade. Por mim não serei capaz da fidelidade necessária ao teu projeto. Só tu, Senhor, poderás garantir a minha fidelidade.

compromisso
Preciso rezar para ser fiel ao projeto do Senhor.

Retirado da Pastoral Litúrgica.

21/09/2026

A liturgia
Terça-feira da Semana XXV do Tempo Comum
Anos Pares, Santoral

Leitura I Pr 21, 1-6.10-13

O coração do rei está nas mãos do Senhor,
como curso de água que Ele dirige para onde quer.
Aos olhos do homem todos os caminhos parecem rectos,
mas o Senhor é que pesa os corações.
Praticar a justiça e o direito
vale mais do que o sacrifício aos olhos do Senhor.
Olhar altivo, coração soberbo:
assim é a lâmpada dos ímpios, que é o pecado.
Os projetos do homem ativo trazem lucro,
mas os planos do impaciente trazem miséria.
Acumular tesouros com língua mentirosa
é sopro que passa, é laço de morte.
A alma do ímpio deseja o mal;
nem para o amigo tem olhar benévolo.
O homem simples adquire a sabedoria,
quando vê o castigo do insolente,
e adquire a ciência,
quando ouve a instrução do sábio.
Se o insolente for castigado, o ingénuo torna-se prudente;
se ao homem prudente se der instrução, ele acolhe a ciência.
O Deus justo observa a casa do ímpio
e precipita na desgraça os homens perversos.
Quem fecha os ouvidos ao clamor do pobre
também clamará, mas sem que lhe respondam.

compreender a palavra
Esta passagem do livro dos provérbios é uma coletânea de frases tiradas da reflexão sobre a vida real. O homem que observa a vida, os acontecimentos e as situações de cada dia, adquire um conhecimento profundo que o leva pelo caminho da verdade e da justiça e o livra da desgraça. Aquele que não reflete e não presta atenção à sabedoria dos homens prudentes vê-se mergulhado nas trevas e na hora da desgraça encontra-se só. Vale a pena refletir sobre o conhecimento do homem que pensa a vida à luz da palavra de Deus, pois nessa luz encontra a vida. Aquele que julga saber tudo só se ouve a si mesmo e cai facilmente na desgraça.

meditar a palavra
A leitura de hoje é composta por pequenas afirmações construídas a partir da reflexão de homens que se deixam iluminar pela voz de Deus. São leituras tiradas da vida real, das circunstâncias concretas e que servem a todo o homem que pensa. Deste modo percebemos que o rei, por ser rei não está acima de Deus, que os nossos olhos não Veem como os de Deus, que a fé não passa por sacrifícios, mas pela justiça. O coração soberbo está nas trevas. A língua mentirosa conduz à morte. A impaciência traz a miséria. Mas a prudência traz a sabedoria do coração. Atender a estas verdades, iluminadas com a sabedoria de Deus que se revela na vida e torna o nosso coração sábio, evita que o mal caia sobre nós e entre em nossa casa, porque ao ver o que acontece ao outro prevenimos o que pode acontecer connosco, se seguirmos pelo mesmo caminho. Deus vê, não o que nós lhe queremos mostrar, mas a verdade que está nos nossos corações.

rezar a palavra
Livrai-me, Senhor, do coração soberbo que se julga a si mesmo acima de toda a verdade e se crê iluminado e a salvo de qualquer censura. Mostra-me o caminho do humilde que sabe escutar a voz da sabedoria para evitar os males que acontecem pela imprudência de quem vive ao acaso.

compromisso
Pensar dá trabalho, mas evita o risco de voltar atrás no caminho da vida.

Evangelho Lc 8, 19-21

Naquele tempo,
vieram ter com Jesus sua Mãe e seus irmãos,
mas não podiam chegar junto d’Ele por causa da multidão.
Então disseram-Lhe:
«Tua Mãe e teus irmãos estão lá fora e querem ver-Te».
Mas Jesus respondeu-lhes:
«Minha mãe e meus irmãos
são aqueles que ouvem a palavra de Deus
e a põem em prática».

compreender a palavra
Lucas narra um episódio simples da vida quotidiana, muito natural, na medida em que Jesus estava sempre rodeado por multidões. O facto é que a mãe de Jesus chegou ao local onde ele se encontrava, acompanhada por alguns parentes (aos parentes podia chamar-se irmãos) e não consegue aproximar-se de Jesus por causa da multidão. A mesma multidão que informa Jesus da chegada de sua mãe é a multidão que não permite o encontro entre ambos, impedem que o vejam.
Este acontecimento natural, é aproveitado por Jesus para ensinar à multidão algo muito importante. Com Jesus nasce uma comunidade de discípulos que estão unidos por laços mais fortes que os laços do sangue e da carne. São laços que nascem da escuta da palavra e do seguimento que é cumprimento da palavra. Para estes, não é necessário ver Jesus, mas é fundamental a fé que nasce da escuta da Palavra. Maria é aquela que estabeleceu laços com Jesus que vão além dos laços da maternidade.

meditar a palavra
As palavras de Jesus não desprezam os laços familiares, mas põem em evidência outros laços mais importantes e mais fortes, contra os quais nem a família se pode opor. De facto, aquele que, pela escuta da Palavra, encontra a fé em Jesus, estabelece com ele e com os outros crentes, uma nova família caracterizada pela fé e pela obediência a Cristo. A Palavra só está suficientemente assimilada quando faz brotar em mim esta relação familiar com Cristo e com os irmãos. Agora, as pessoas já não se unem porque são da mesma carne e do mesmo sangue, mas porque experimentam e vivem a mesma fé em Jesus. Estou disponível para aceitar os outros como irmãos?

rezar a palavra
Sei que não posso ver-te, Senhor, embora meus olhos o desejem. Sei que entre nós se levanta o impedimento do tempo que me ofusca a tua imagem. Só posso ver-te na Palavra do evangelho e na comunidade dos irmãos. Ensina-me a comunicação da fé, a partilha da palavra, o empenhamento na ação, para que saiba ser família com os irmãos. Ajuda-me a vencer os meus impedimentos interiores que não me permitem aceitar os outros como membros da tua família.

compromisso
Vou rezar pela minha comunidade cristã, por todos e cada um dos seus membros procurando na oração acolher com amor os irmãos de quem estou mais afastado.

Retirado da Pastoral Litúrgica.

20/09/2026

A liturgia
São Mateus, apóstolo e evangelista
Santoral

Festa

Mateus, apóstolo e evangelista, denominado Levi, nasceu em Cafarnaum, e exercia a profissão de publicano ou cobrador de impostos quando Jesus o chamou. Escreveu o Evangelho em língua hebraica para a comunidade judeo-cristã, no qual se proclama especialmente que Jesus Cristo é filho de David, filho de Abraão, mestre e fundador do novo Israel, Aquele que levou à plenitude a promessa do Antigo Testamento. É o Evangelho da Igreja edificada sobre a fé de Pedro. Segundo uma tradição, pregou no Oriente.

LEITURA I Ef 4, 1-7.11-13

Irmãos:
Eu, prisioneiro pela causa do Senhor,
recomendo-vos que vos comporteis
segundo a maneira de viver a que fostes chamados:
procedei com toda a humildade, mansidão e paciência;
suportai-vos uns aos outros com caridade;
empenhai-vos em manter a unidade do espírito
pelo vínculo da paz.
Há um só Corpo e um só Espírito,
como existe uma só esperança na vida a que fostes chamados.
Há um só Senhor, uma só fé, um só Batismo.
Há um só Deus e Pai de todos,
que está acima de todos,
atua em todos e em todos Se encontra.
A cada um de nós foi concedida a graça,
na medida em que recebeu o dom de Cristo.
Foi Ele que a uns constituiu apóstolos,
a outros evangelistas e a outros pastores e mestres,
para o aperfeiçoamento dos cristãos,
em ordem ao trabalho do ministério,
para a edificação do Corpo de Cristo,
até que cheguemos todos à unidade da fé
e do conhecimento do Filho de Deus,
ao estado de homem perfeito,
à medida de Cristo na sua plenitude.

compreender a palavra
O texto de Paulo aos efésios, escolhido para a festa de São Mateus, apóstolo e evangelista, salienta três aspetos interessantes nas quatro partes em que podemos dividir o texto. Primeiro é um chamamento à perfeição cristã “procedei com toda a humildade, mansidão e paciência; suportai-vos uns aos outros com caridade; empenhai-vos em manter a unidade do espírito pelo vínculo da paz”. Depois apresenta a razão desta perfeição “Há um só Corpo, um só Espírito, uma só esperança, um só Senhor, uma só fé, um só Batismo, um só Deus e Pai de todos”. Em terceiro lugar o dom de Deus que é ministério e serviço aos outros e ao Corpo de Cristo “a cada um de nós foi concedida a graça” de ser “apóstolo, evangelista, pastor ou mestre… para o aperfeiçoamento dos cristãos e edificação do Corpo de Cristo”. Tudo isto tem como intenção realizar em nós o convite inicial, a perfeição cristã, “para a unidade da fé, conhecimento de Filho de Deus e atingir o estado de homem perfeito à imagem de Cristo”.

meditar a palavra
A dimensão pessoal da fé tem uma correspondência eclesial e teológica. Viver a fé é uma experiência que nos leva desde o batismo até à consciência de Deus como Pai de todos, que habita em todos e em todos atua. Esta consciência conduz-nos à união fraterna pelo vínculo da caridade e ao serviço em favor do Corpo de Cristo, no exercício de um ministério recebido do próprio Senhor, até que todos, nós e os outros, pelo dom recebido do Senhor, cheguemos à perfeição da vida cristã, ao homem perfeito, à medida de Cristo, que é a perfeição na caridade. Por causa disto é que o batismo não é um acontecimento perdido num momento da nossa vida, mas uma realidade permanente e presente em cada momento da vida. Ele atua em nós para que continuamente nos aperfeiçoemos mutuamente na caridade e edifiquemos o Corpo de Cristo.

rezar a palavra
Senhor, nas palavras de Paulo, percebo uma experiência de fé que se abre para os outros numa dedicação plena em ordem à perfeição. Viver para ti como Senhor e pai de todos é acolher os outros na caridade que tudo suporta, para que todos cheguem a plena realização do Corpo de Cristo que é a Igreja e atinjam a estatura do homem perfeito que é Cristo. Dá-nos a humildade, a mansidão e a paciência, para suportarmos as dificuldades do caminho que leva à perfeição do amor.

compromisso
Quero compreender a vida como caminho de fé e abertura a Deus e aos outros.

EVANGELHO Mt 9, 9-13

Naquele tempo,
Jesus ia a passar,
quando viu um homem chamado Mateus,
sentado no posto de cobrança dos impostos,
e disse-lhe: «Segue-Me».
Ele levantou-se e seguiu Jesus.
Um dia em que Jesus estava à mesa em casa de Mateus,
muitos publicanos e pecadores
vieram sentar-se com Ele e os seus discípulos.
Vendo isto, os fariseus diziam aos discípulos:
«Por que motivo é que o vosso Mestre
come com os publicanos e os pecadores?»
Jesus ouviu-os e respondeu:
«Não são os que têm saúde que precisam do médico,
mas sim os doentes.
Ide aprender o que significa:
‘Prefiro a misericórdia ao sacrifício’.
Porque Eu não vim chamar os justos,
mas os pecadores».

compreender a palavra
Mateus conta como ele próprio foi chamado por Jesus e se tornou seu discípulo, passando a segui-lo para toda a parte. Mateus estava sentado no lugar de cobrador de impostos. Ele recebia dos outros os impostos pesados que devia entregar ao poder político que dominava sobre aquele território. Ao passar por ele, Jesus levanta-o desse lugar e senta-o junto dele e dos pecadores. Ali, Mateus aprende o que significa misericórdia. Ao contrário dos fariseus que estão de pé sobre as suas ideias e convicções e não sabem sentar-se com os outros, ao lado de Jesus, o mestre da misericórdia. Por isso Jesus lhes diz: “Ide aprender”. Já que não querem sentar-se com Jesus, devem ir aprender nas Escrituras que eles tanto dizem estimar.

meditar a palavra
A proposta de Jesus para mim, hoje, é a mesma que fez a Mateus: “Segue-me”. Quer dizer, levanta-te desse lugar, desse estilo de vida, dessa opção que fizeste há tanto tempo, deixa esse capricho, sai de ti e segue-me numa aventura nova. Senta-te em outro lugar, junto de mim, e aprende uma nova forma de gastar a vida. Aprende a viver na misericórdia, de coração disponível para compreenderes os outros e seres para eles caminho de libertação. Senta-te comigo para aprenderes de mim a seres médico e não juiz.

rezar a palavra
“Come com os publicanos e os pecadores”. Estas palavras ditas pelos fariseus lembram-me tantas palavras que discriminam e afastam os homens uns dos outros, impedindo a realização daquelas palavras que tu um dia nos deixaste: “amai-vos como eu vos amei”. Escuto estas palavras e percebo que também eu, como Mateus, estou sentado no meu posto de cobrança. Cobro da vida de todos, faço exigências a todas as pessoas, não entendo o que é misericórdia e termino, só, a contar o resultado das minhas cobranças. Tu pedes que me levante e ocupe um outro lugar, junto de ti, para aprender contigo a misericórdia. Faz-me sensível, Senhor, aos pecadores que são apontados e julgados pelo mundo de hoje, mas podem e devem ser amados por mim.

compromisso
Vou quebrar em mim as cadeias que não me deixam compreender os pecadores e ser, para eles, sinal da misericórdia de Deus.

Retirado da Pastoral Litúrgica.

A liturgiaDomingo XXV do Tempo Comum (Ano A)Ano APorque ficais sem fazer nadaHá uma vinha onde cada um pode chagar à hor...
19/09/2026

A liturgia
Domingo XXV do Tempo Comum (Ano A)
Ano A

Porque ficais sem fazer nada

Há uma vinha onde cada um pode chagar à hora que entender e começar a trabalhar. É uma vinha onde todos têm lugar. Uma vinha onde todos têm trabalho e salário. Uma vinha onde todos são bem-vindos.

Há uma vinha que precisa de braços para trabalhar. O proprietário desta vinha chama cada um pelo seu nome e paga generosamente.

Há uma vinha onde eu posso entrar e trabalhar porque o proprietário é generoso.

LEITURA I Is 55, 6-9

Procurai o Senhor, enquanto se pode encontrar,
invocai-O, enquanto está perto.
Deixe o ímpio o seu caminho,
e o homem perverso os seus pensamentos.
Converta-se ao Senhor, que terá compaixão dele,
ao nosso Deus, que é generoso em perdoar.
Porque os meus pensamentos não são os vossos,
nem os vossos caminhos são os meus – oráculo do Senhor –.
Tanto quanto o céu está acima da terra,
assim os meus caminhos estão acima dos vossos,
e acima dos vossos estão os meus pensamentos.

Isaías desafia o seu povo a converter o coração à generosidade de Deus, à sua compaixão e capacidade de perdoar, para que despertem em nós os mesmos pensamentos de Deus e se firmem os nossos passos nos seus caminhos de libertação.

SALMO RESPONSORIAL Sl 144 (145), 2-3.8-9.17-18

Deus é grande, compassivo e cheio de bondade. A sua justiça leva-o a aproximar-se dos homens que o invocam de todo o coração.

LEITURA II Flp 1, 20c-24.27a

Irmãos:
Cristo será glorificado no meu corpo,
quer eu viva quer eu morra.
Porque, para mim, viver é Cristo e morrer é lucro.
Mas, se viver neste corpo mortal me permite um trabalho útil,
não sei o que escolher.
Sinto-me constrangido por este dilema:
desejaria partir e estar com Cristo, que seria muito melhor;
mas é mais necessário para vós
que eu permaneça neste corpo mortal.
Procurai somente viver de maneira digna do Evangelho de Cristo.

O anúncio do evangelho tem prioridade sobre todas as realidades da vida do cristão. Paulo está preso e deseja libertar-se das cadeias que esta vida lhe impõe por causa do evangelho. Mas ele vive de Cristo e, por isso, mais importante do que a sua libertação é que o evangelho continue a ser anunciado.

EVANGELHO Mt 20, 1-16a

Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola:
«O reino dos Céus pode comparar-se a um proprietário,
que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha.
Ajustou com eles um denário por dia
e mandou-os para a sua vinha.
Saiu a meia-manhã,
viu outros que estavam na praça ociosos e disse-lhes:
‘Ide vós também para a minha vinha,
e dar-vos-ei o que for justo’.
E eles foram.
Voltou a sair, por volta do meio-dia e pelas três horas da tarde,
e fez o mesmo.
Saindo ao cair da tarde,
encontrou ainda outros que estavam parados e disse-lhes:
‘Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?’.
Eles responderam-lhe: ‘Ninguém nos contratou’.
Ele disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha’.
Ao anoitecer, o dono da vinha disse ao capataz:
«Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário,
a começar pelos últimos e a acabar nos primeiros’.
Vieram os do entardecer e receberam um denário cada um.
Quando vieram os primeiros, julgaram que iam receber mais,
mas receberam também um denário cada um.
Depois de o terem recebido,
começaram a murmurar contra o proprietário, dizendo:
‘Estes últimos trabalharam só uma hora,
e deste-lhes a mesma paga que a nós,
que suportámos o peso do dia e o calor’.
Mas o proprietário respondeu a um deles:
‘Amigo, em nada te prejudico.
Não foi um denário que ajustaste comigo?
Leva o que é teu e segue o teu caminho.
Eu quero dar a este último tanto como a ti.
Não me será permitido fazer o que quero do que é meu?
Ou serão maus os teus olhos porque eu sou bom?’.
Assim, os últimos serão os primeiros
e os primeiros serão os últimos».

Para Jesus, Deus é como um proprietário que sai continuamente para contratar trabalhadores para a vinha. Contrata todos os que encontra, independentemente da hora e da situação de cada um. Contrata até os que ninguém quer e a todos dá o mesmo salário, a sua graça, a sua misericórdia, o seu amor, que são tudo o que cada homem precisa para viver cada dia.

Reflexão da Palavra

No final do segundo livro de Isaías, no contexto do eminente regresso a Jerusalém, o profeta recorda a promessa de Deus, feita por Jeremias quando o povo foi levado para Babilónia, por causa dos seus pecados. De facto, Jeremias, após a saída de Jerusalém enviou uma carta aos anciãos, sacerdotes e profetas, cativos em Babilónia, na qual Deus afirma: “Quando se cumprirem os setenta anos na Babilónia, Eu vos visitarei, a fim de realizar a promessa que fiz de vos trazer de novo a este lugar. (…) Invocar-me-eis e vireis suplicar-me, e Eu vos atenderei. Buscar-me-eis e me encontrareis, se me procurardes de todo o coração. Deixar-me-ei encontrar por vós – oráculo do SENHOR – farei regressar os cativos e irei buscar-vos a todas as nações e a todos os lugares por onde vos dispersei, a fim de vos fazer voltar ao lugar donde vos desterrei”.

Isaías recorda ao seu povo que chegou o tempo de procurar e invocar o Senhor que se deixa encontrar. Assim como a necessidade de inverter o caminho que os levou a Babilónia, pelo arrependimento e conversão, pois a compaixão de Deus e a sua generosidade abrem um caminho novo para o regresso à pátria.

Acreditar nesta possibilidade e no tempo presente como tempo de Deus, requer uma nova mentalidade, pois os homens estão longe de Deus, os seus caminhos e os seus pensamentos não coincidem com os de Deus.

O salmo 144, um hino de louvor construído em ordem alfabética, já nos apareceu outras vezes na liturgia dominical. Aqui, surgem alguns versículos que enaltecem o Senhor pela sua bondade e misericórdia, pela sua grandeza e paciência, mas sobretudo pela sua justiça. O Senhor é um Deus próximo, mesmo que os caminhos dos homens sejam distantes dos caminhos de Deus, o Senhor não está longe, “está perto de quantos O invocam”.

Na Carta aos filipenses, Paulo coloca a prioridade do evangelho em relação a todas as situações pelas quais o apóstolo ou qualquer cristão tenha que passar. Paulo está preso e percebe que pode mesmo ser condenado à morte. Nesta situação experimenta sentimentos contraditórios a partir de uma certeza. No sofrimento que ele experimenta no corpo, por estar encarcerado, Cristo é glorificado e, portanto, não importa se morre ou se vive. Paulo já chegou à consciência de que “viver é Cristo e morrer é lucro”.

Neste sentido, os sentimentos atropelam-se. Por um lado, quer morrer para viver definitivamente em Cristo, por outro é necessário que ele continue a anunciar o evangelho.

O evangelho deste XXV domingo do tempo comum é todo ele ocupado com uma parábola de Jesus. Trata-se de uma parábola para explicar o que é o Reino de Deus “o reino dos céus pode comparar-se…” e onde se revela a distância entre os pensamentos de Deus e os dos homens.

Apresentado o objetivo da parábola, Jesus começa a contar, descrevendo uma situação perfeitamente comum naquele tempo e, em muitas situações, também hoje. Chegara o tempo das vindimas e os proprietários precisam de mão de obra para apanhar as uvas. Do mesmo modo, os trabalhadores precisam de ganhar o sustento para as suas famílias.

Estar na praça pública significa estar disponível para trabalhar. O salário é ajustado de acordo com o tempo de trabalho que resta até ao fim do dia. Por isso, Jesus, não se esquece de dizer, que ao contratar os primeiros trabalhadores, o proprietário ajustou com eles um denário.

A parábola conta que o proprietário sai várias vezes à praça pública para contratar trabalhadores. Os primeiros são contratados na primeira hora, os segundos a meio da manhã, os terceiros ao meio-dia, e às três horas da tarde ainda há homens que esperam ser contratados. No final do dia, o proprietário ainda contratou um grupo de homens. Com esta sequência Jesus quer dizer que o proprietário precisa de muitos trabalhadores, aliás ele próprio o diz claramente aos discípulos em outra parte do evangelho “a messe é grande mas os trabalhadores são poucos”. Significa que há trabalho para todos no Reino dos céus e que o proprietário não se cansa de sair à praça pública para contratar trabalhadores. Ninguém se pode queixar de não ter sido contratado porque o proprietário contrata todos os que encontra, mesmo aqueles que ninguém quis contratar.

Se os primeiros trabalhadores sabem que vão receber um denário, o suficiente para viver um dia, os outros não sabem o que vão receber, sabem apenas que será justo, de acordo com o trabalho realizado.

No final da parábola, não esqueçamos que Jesus tem como objetivo explicar o que é o Reino dos céus, o proprietário manda pagar o mesmo a todos os trabalhadores, um denário, como ajustou com os da primeira hora.

De acordo com a economia real, quem mais horas trabalha mais deve ganhar. No entanto, aqui, todos ganham o mesmo, um denário. Está em jogo uma nova economia que assenta, não no trabalho, mas na dignidade do trabalhador que merece o salário para viver um dia e na generosidade do proprietário. Ao ouvir a reclamação dos que trabalharam o dia inteiro, o proprietário objetou que fora um denário o que ajustou com eles, portanto, não há injustiça. E conclui “não me é permitido fazer o que quero do que é meu?”, isto é, não posso ser generoso com quem eu quero? Para questionar “ou serão maus os teus olhos porque eu sou bom?”.

Meditação da Palavra

A partir da experiência dos israelitas no desterro de Babilónia, Isaías dá-nos os elementos para fazermos a experiência de um Deus que cuida e não se esquece do seu povo. O Senhor tinha anunciado pelo profeta Jeremias que, no tempo certo, viria reunir o seu povo para o levar de volta à sua terra. As palavras de Jeremias são recuperadas por Isaías “Procurai o Senhor, enquanto se pode encontrar, invocai-O, enquanto está perto”. Com estas palavras, o profeta, anuncia que chegou o “tempo favorável”, o “dia da salvação”. Deus, “rico de compaixão” e “generoso em perdoar”, está disponível para acolher todos os que o invocam, como diz o salmo 145. O Senhor está perto e aguarda que “o ímpio deixe o seu caminho e o homem perverso os seus pensamentos” para iniciar o caminho novo de regresso. Todos podem vir, porque “O Senhor é bom para com todos e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas”.

É importante salientar este “todos”, porque aqui se revela o novo horizonte, Deus. Os caminhos do Senhor e os seus pensamentos não são como os dos homens. Muito acima dos interesses dos homens está Deus que vê de outro modo e, por isso, a sua generosidade destina-se a todos.

É esta a visão que Jesus dá no evangelho. Na parábola, por ele contada, podemos perceber que há um proprietário que é Deus, um capataz que se identifica com Jesus, os trabalhadores que são todos os homens, uma vinha que tanto pode ser o mundo como a Igreja e o salário, um denário, é a generosidade de Deus, a sua graça, dizemos nós.

O proprietário está preocupado porque não tem trabalhadores suficientes para a sua vinha e há homens de braços cruzados sem fazerem nada. Ele é incansável. Sai a todas as horas do dia para contratar trabalhadores e encontra sempre alguém a quem contratar. Contrata os da primeira hora, os do meio da manhã, do meio dia, das três da tarde e os que ninguém quis contratar, os da última hora. Contrata os que garantem êxito, eficácia, competência, dedicação e contrata os que não dão garantias, mas precisam de um salário para sobreviverem, eles e as suas famílias.

Jesus fala do reino dos céus. Diz que “é semelhante a um proprietário”. Na sua vinha há lugar para todos. Ele não exclui ninguém. Todos podem entrar porque têm garantido o salário mínimo que é a sua generosidade, a sua graça. O proprietário não está centrado na competência e capacidade de produção dos trabalhadores, na quantidade de uva recolhida, mas na sua generosidade e no homem beneficiário da sua gratuidade.

Na vinha deste proprietário, que é Deus, há trabalho para todos e há salário para todos. Nesta vinha não há primeiros nem últimos, todos são iguais e todos recebem igual porque a vinha não lhes pertence, trabalhar não é um direito mas um dom, o salário não é o pagamento justo pelo trabalho realizado mas fruto da generosidade do Senhor que dá o que é seu a quem quer e quando quer.

A mensagem parece clara. Deus tem trabalho para todos na sua vinha. Ele não faz distinção de pessoas. Todos podem entrar no reino dos céus. Cada um entra para trabalhar independentemente da hora. Ele, o Senhor, o justo proprietário, dá a sua graça a todos, mas dá segundo os seus critérios, de acordo com a sua generosidade e conforme a necessidade de cada um e não de acordo com os critérios dos homens.

O mundo é a vinha do Senhor. Nele há lugar para todos, há trabalho para todos. Todos chamados pelo nome para colaborar com o Senhor na obra da criação.

A Igreja é a vinha do Senhor. Nela há lugar para todos, há trabalho para todos. Todos são chamados a colaborar na obra da salvação.

O Senhor conta com trabalhadores incansáveis que não pensam em si mesmos nem procuram garantir para si um salário chorudo, se possível superior ao dos demais. Os trabalhadores aprendem a generosidade do coração do Senhor, aprendem a ter um olhar bom. Paulo é um bom exemplo de trabalhador que entrou na vinha, numa determinada hora do dia, e se dedicou percebendo que o fruto a recolher é o evangelho anunciado a todos, incansavelmente. E toda a sua vida vale, na medida em que serve o evangelho. Ainda que o seu desejo seja ir ao encontro de Cristo libertando-se das limitações do corpo, a verdade é que o evangelho é mais importante que o seu bem-estar pessoal. Compreender isto é compreender o coração de Deus.

Rezar a Palavra

É fácil, Senhor, deixar-se estar comodamente na situação de exilado e não querer levantar-se para regressar à casa do Pai. É fácil ficar na praça pública de braços cruzados sabendo que há trabalho na vinha. É fácil procurar o bem pessoal em vez de lutar para que o evangelho chegue ao coração de todos. É fácil reclamar um salário mais elevado do que o dos outros do que entender a economia da generosidade que favorece os mais necessitados. Convidas-me a converter o coração para deixar que a tua graça chegue em abundância a todos de modo que todos conheçam os teus pensamentos e sigam pelos teus caminhos.

Compromisso semanal

Como é o meu olhar? De que modo sirvo o Senhor? Que reclamações tenho guardadas dentro de mim?

Retirado da Pastoral Litúrgica. (texto)

Endereço

Largo Poeta Bocage
Sines
7520-152SINES

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