13/06/2025
Notas (em torno da Conferência)
O que me propuseram foi, convosco, nesta noite, dissecar a esperança nos árduos caminhos da saúde: o do sofrer e o do morrer. Desafio provocador, que nos pede uma profunda humildade para enxergarmos a esperança exactamente nos pátios mais duros do desespero.
A medicina não dispõe de oração nem de fé no seu arsenal terapêutico. Mas a medicina pode e deve abrir portas para que a esperança possa florir em cada Jardim das Oliveiras.
Compete a cada médico descobrir cada doente, na identidade das suas referências culturais, afectivas, sociais, espirituais e religiosas. E partir ao seu encontro, no tempo de viver ou no seu tempo de morrer, certo de que é na autenticidade deste encontro, quando acontece, que poderá realizar cabalmente a sua nobre tarefa de cuidar.
Falar de espiritualidade no exercício da medicina é convocar o profissional de saúde para um diálogo aberto à interioridade de cada doente, para ajudá-lo a alcançar o discernimento possível para a compreensão de si e do seu adoecer.
Enquanto médico, fui o escolhido, fui o eleito para ser colocada a questão radical: que sentido para este viver sofrido e para este morrer fora do tempo? Assim interpelado para este diálogo, inadiável e inapelável quando o diagnóstico se aprontou, senti-me o último reduto de esperança para esta menina, para os pais deste menino!
Na verdade, não basta cuidar o corpo que morre, urge cuidar do homem que morre.
O tempo de morrer é, porventura, o tempo mais intimista da vida, o tempo mais exigente de quem o experimenta e, por tal, o tempo mais exigente de quantos têm o privilégio de o partilhar.
Tu, meu doente, és a minha maior oportunidade para amar. Quero ser, não a tua esperança, mas, aquele que tens firme à tua espera, para que a esperança aconteça!
Filipe Almeida
𝗖𝗢𝗡𝗩𝗜𝗧𝗘
Conferência:
𝙀𝙨𝙥𝙚𝙧𝙖𝙣𝙘̧𝙖 𝙣𝙖 𝘿𝙤𝙚𝙣𝙘̧𝙖, 𝙣𝙖 𝙈𝙤𝙧𝙩𝙚 𝙚 𝙣𝙤 𝙇𝙪𝙩𝙤
Doutor Filipe de Almeida
Temos o prazer de convidar todos os interessados para uma Conferência sobre o tema: “Esperança na doença, na morte e no luto”, que terá lugar na Igreja da Lapa no próximo dia 13 de Junho de 2025 sexta-feira, às 21h00.
Uma conferência onde a ciência, o humanismo e a espiritualidade da esperança nos fará reflectir neste Ano Jubilar. Todos somos Peregrinos de Esperança.
Que lugar tem a esperança nos momentos da doença, da morte e do luto?
«𝘕𝘢 𝘷𝘦𝘳𝘥𝘢𝘥𝘦, 𝘯𝘢̃𝘰 𝘣𝘢𝘴𝘵𝘢 𝘤𝘶𝘪𝘥𝘢𝘳 𝘥𝘰 𝘤𝘰𝘳𝘱𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘮𝘰𝘳𝘳𝘦, 𝘶𝘳𝘨𝘦 𝘤𝘶𝘪𝘥𝘢𝘳 𝘥𝘰 𝘩𝘰𝘮𝘦𝘮 𝘲𝘶𝘦 𝘮𝘰𝘳𝘳𝘦».
O orador, o Prof. Doutor Filipe de Almeida, é especialista em cuidados intensivos pediátricos no Centro Hospitalar de São João, onde desenvolveu o Serviço de Humanização, sendo o único português na Academia Pontifícia para a Vida da Santa Sé, tendo sido nomeado como consultor pelo Papa Francisco em 2015.
Também é professor da Faculdade de Medicina do Porto e conselheiro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida.
A entrada é livre.