22/09/2026
AS COMUNIDADES PASTORAIS NUMA IGREJA SINODAL
| Carta Pastoral do Bispo de Aveiro
O ano pastoral 2026-2027 é o último de um triénio que tem como objetivo e como horizonte pastoral global “promover e animar processos de corresponsabilidade e ministerialidade para uma identidade cristã numa Igreja sinodal”. Neste ano queremos criar e implementar as Comunidades Pastorais na Diocese: consolidar uma Igreja de comunhão, missão e participação, promovendo comunidades pastorais vivas, corresponsáveis e evangelizadoras, onde cada batizado assume o seu lugar na missão da Igreja.
O Papa Leão XIV, dirigindo-se, no ano passado, aos delegados da Assembleia Diocesana da sua diocese de Roma, afirmou : «O fruto do caminho sinodal, após um longo período de escuta e debate, foi, antes de tudo, o impulso a valorizar os ministérios e os carismas, inspirando-se na vocação batismal, colocando no centro a relação com Cristo e o acolhimento dos irmãos, começando pelos mais pobres, partilhando suas alegrias e dores, suas esperanças e esforços. (…) Pois bem, cabe-nos agora trabalhar para que a Igreja que vive em Roma (em Aveiro) se torne um laboratório de sinodalidade, capaz, com a graça de Deus, de realizar ‘obras do Evangelho’ num contexto eclesial marcado por desafios, especialmente na transmissão da fé».
Uma Igreja sinodal em missão, continua o papa, precisa desenvolver um estilo que valorize os dons de cada um e compreenda o papel da liderança como um exercício pacífico e harmonioso, para que, na comunhão inspirada pelo Espírito, o diálogo e as relações nos ajudem a vencer as numerosas pressões de oposição ou de isolamento defensivo. É urgente estabelecer uma pastoral solidária, empática, discreta, sem julgamentos, que saiba acolher a todos e propor percursos mais personalizados possíveis, adequados às diferentes situações de vida dos destinatários.
Só é possível caminharmos em sinodalidade se nos questionarmos: como é que este “caminhar juntos” se realiza na nossa Igreja de Aveiro? Que passos o Espírito nos convida a dar? Uma vez que todos somos discípulos missionários, de que maneira cada um de nós é convocado para ser protagonista da missão?
Os objetivos definidos para o triénio são uma referência, nomeadamente na pastoral especializada dinamizada pelos secretariados, departamentos, serviços e movimentos. Cada paróquia e cada realidade eclesial tem aqui um horizonte de caminho que deve ser trabalhado. Considerando que a criação das comunidades pastorais implica um “movimento para dentro” da realidade eclesial, alguns dos objetivos do triénio podem ser uma rica oportunidade para sermos uma Igreja que dialoga com a sociedade, sem medo, que saiba escutar antes de responder, que saiba construir pontes e assim anuncie o Evangelho com uma linguagem próxima e cativante.
É necessário ganhar uma consciência de Igreja mais coerente, como referem os documentos conciliares Lumen Gentium e Gaudium et Spes, uma Igreja incarnada no mundo, no diálogo com o mundo e ao serviço do mundo. A Igreja deverá ser ativa na ação missionária e reforçar a dimensão comunitária da fé e, por isso, precisa da colaboração de todos e sente a necessidade de trabalhar com todos. Este trabalho começa ad intra, no enriquecimento da reflexão e auscultação das diferentes sensibilidades, na coordenação dos meios humanos e materiais, no desenvolvimento de novas dinâmicas, e prolonga-se ad extra.
Os quatro eixos indicados para este ano pastoral – criação das comunidades pastorais, sinodalidade, ministérios laicais e formação – pretendem sublinhar as grandes opções pastorais da nossa Diocese em diálogo com a caminhada sinodal que a Igreja Universal está a fazer com a implementação das orientações do Documento Final do sínodo sobre a sinodalidade. Uma Igreja que queira desenvolver a sua força evangelizadora tem de promover no seu seio a corresponsabilidade. Todos os membros do Povo de Deus são necessários numa comunidade evangelizadora. Todos estão chamados a ser membros ativos e responsáveis. Ninguém se pode excluir desta missão de anunciar o Evangelho e, segundo as diferentes vocações, carismas e serviços, todos os membros do povo de Deus somos corresponsáveis da totalidade da missão da comunidade cristã.
A meta a alcançar é ousada, mas clara: consolidar comunidades pastorais missionárias, sinodais e ministeriais, onde todos os batizados participem corresponsavelmente na evangelização, na comunhão e no serviço, testemunhando assim a opção por seguir Jesus. Aos bispos italianos, Leão XIV pediu-lhes que «olhem para o amanhã com serenidade e não tenham medo de escolhas corajosas».
São muitos os desafios sobre os quais temos de refletir e decidir juntos: o desafio a edificar uma Igreja referida a Cristo, mais do que a si mesma; o desafio a levar a sério a natureza comunitária da Fé; o desafio a viver em estado de comunhão e de recomeço, através de uma leitura aberta dos sinais dos tempos e de uma capacidade renovada de aprofundar os aspetos espirituais que comportam uma ação apostólica mais sólida. A exortação que o Senhor nos dirige através do profeta Joel «Voltai para mim com todo o vosso coração» (Jl 2,12) é clara.
A Assembleia Diocesana Sinodal, marcada para os dias 24 de outubro, 7 e 22 de novembro, solenidade de Cristo Rei, vai exigir a participação de todo o povo de Deus que peregrina nesta Igreja de Aveiro. Aos Delegados dos vários setores da vida eclesial pede-se uma preparação cuidada e a todo o povo de Deus a oração ao Espírito Santo para que nos ilumine a discernir caminhos de futuro. Como disse o Papa na semana passada à sua Diocese, verificar a vida pastoral, à luz do Espírito Santo, «significa parar, reler o que aconteceu, reconhecer o que deu fruto, compreender o que não funcionou e procurar juntos as razões para tal. Significa, numa palavra, fazer verdade».
A Equipa de Pastoral Diocesana enviou no dia 16 de julho e, mais recentemente, no dia 1 de setembro, um conjunto de informações a que todos devemos estar muito atentos: a designação e critérios de escolha dos delegados, as inscrições e para onde devem ser enviadas…. Peço que tenham em conta as informações da Equipa de Pastoral Diocesana para que tudo decorra com normalidade e em ambiente de discernimento sinodal.
A inscrição de todos os participantes deve ser feita exclusivamente através do formulário disponível, até 30 de setembro.
Conto com todos vós e, desde já, façamos uma preparação cuidada da Assembleia Sinodal com oração mais intensa e conversão do coração para aceitarmos“o que o Espírito tem a dizer às Igrejas”.
Aveiro, 14 de setembro de 2026, na festa da Exaltação da Santa Cruz.
+ António Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro.