12/03/2026
𝐏𝐞𝐫𝐜𝐮𝐫𝐬𝐨 𝐁𝐞𝐧𝐞𝐝𝐢𝐭𝐢𝐧𝐨 𝐧º 𝟒𝟑 - 𝐁𝐫𝐚𝐠𝐚𝐧𝐜̧𝐚 - 𝐌𝐨𝐬𝐭𝐞𝐢𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐂𝐚𝐬𝐭𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐀𝐯𝐞𝐥𝐚̃𝐬, 𝐈𝐠𝐫𝐞𝐣𝐚/𝐌𝐨𝐬𝐭𝐞𝐢𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐒. 𝐁𝐞𝐧𝐭𝐨, 𝐂𝐞𝐧𝐭𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐀𝐫𝐭𝐞 𝐂𝐨𝐧𝐭𝐞𝐦𝐩𝐨𝐫𝐚̂𝐧𝐞𝐚 𝐆𝐫𝐚𝐜̧𝐚 𝐌𝐨𝐫𝐚𝐢𝐬 𝐞 𝐌𝐮𝐬𝐞𝐮 𝐝𝐨 𝐀𝐛𝐚𝐝𝐞 𝐝𝐞 𝐁𝐚𝐜̧𝐚𝐥
𝐒𝐚́𝐛𝐚𝐝𝐨 | 𝟐𝟏-𝐌𝐚𝐫-𝟐𝟎𝟐𝟔
Voltamos ao vosso contacto para informar que no próximo dia 𝟐𝟏 𝐝𝐞 𝐦𝐚𝐫𝐜̧𝐨, dia do Trânsito de São Bento, realizaremos o nosso 43º Percurso Beneditino à cidade de Bragança e ao seu notável património: Mosteiro de Castro de Avelãs; Igreja de S. Bento/Mosteiro de S. Bento; Centro de Arte Contemporânea Graça Morais e Museu do Abade de Baçal.
Ao longo dos anos, muitos foram os espaços beneditinos visitados, muitas foram as memórias recolhidas, muito foi o conhecimento adquirido.
Mas nunca demandámos terras de Bragança, cuja diocese tem como padroeiro São Bento. A escolha desta veneração decorre, naturalmente, do papel histórico dos monges beneditinos para o desenvolvimento da urbe brigantina e de toda a região norte do actual distrito de Bragança.
A presença beneditina neste território remonta ao século XII, quando, reedificando um cenóbio primitivo, fundaram o 𝐦𝐨𝐬𝐭𝐞𝐢𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐒. 𝐒𝐚𝐥𝐯𝐚𝐝𝐨𝐫 𝐝𝐞 𝐂𝐚𝐬𝐭𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐀𝐯𝐞𝐥𝐚̃𝐬, num lugar vulgarmente conhecido por Torre Velha, no cabeço de Castro de Avelãs, um lugar com permanência humana correspondente ao período proto-histórico, onde viveram os Zoelas, um povo de origem pré-romana que deixou fortes marcas na região.
Em crescendo de importância ao longo de toda a Baixa Idade Média, a que não é estranha a sua localização muito perto da via romana que ligava Bracara Augusta a Asturica Augusta e de um caminho de peregrinação a Santiago de Compostela, este mosteiro beneditino, dispondo de um imenso património, chegando a ser a mais rica instituição monástica de Trás-os-Montes, com terras espalhadas pelos atuais com concelhos de Bragança, Vinhais e Macedo de Cavaleiros, encontra-se documentado pelo menos desde 1145, num diploma que foi apresentado pelo abade beneditino aos inquiridores de D. Afonso III.
Tratava-se de mosteiro com uma igreja erguida em tijolo, na tradição do românico mudéjar do País Leonês, com paralelos na zona de Zamora, Toro, Salamanca, Sahagún e na parte ocidental da província de Valladolid, e mesmo dentro da cidade de Bragança. Tal como acontece usualmente nesta arquitetura românica que usa o tijolo como material construtivo, a decoração de Castro de Avelãs é dominada, exteriormente, por um extremo geometrismo onde imperam as arcadas cegas de duplo arco, reentrantes, que se organizam em três registos, rematados, junto do lacrimal, por um friso de dentes-de-serra, um dos elementos decorativos mais comuns neste tipo de construções. Sobre a Igreja, o beneditino Frei Leão de S. Tomás, escrevia na sua Beneditina Lusitana, impressa em 1644, que a igreja medieval era “... hua igreja muy fermosa de tres naves & mayor que a de qualquer Sé..." e que “...as naves colateraes se derrubarão quando as rendas delle se aplicarão ao Cabido de Miranda...".
Sobre esta informação convém esclarecer que o mosteiro de S. Salvador de Castro de Avelãs foi extinto em 1545 pela Bula Pro Excellenti Apostolicae Sedis, do Papa Paulo III, o mesmo diploma que instituiu a Diocese de Miranda, na qual ficaram desde logo anexadas as rendas de Castro de Avelãs.
Em seu lugar foi erguida uma igreja paroquial de proporções mais modestas, que reduziu o plano da igreja românica, ocupou parte da nave central e continuou a utilizar a capela-mor com funções sacras. O absidíolo Norte foi aproveitado para Sacristia, o que permitiu a sua conservação em bom estado até aos nossos dias. Menos sorte teve o absidíolo do lado Sul, que ficou ao ar livre, tal como ainda hoje acontece, e que por isso entrou em progressiva degradação.
O conjunto está classificado como Monumento Nacional desde 1910, e o seu atual aspeto resulta de uma grande intervenção da D.G.E.M.N., realizada entre 1928 e 1950, que apresenta uma igreja de planta composta com nave única, rebocada e pintada, cabeceira tripardina e escalonada de abside e absidíolos em românico mudéjar, decoradas com um a três registos de arcaturas de arcos de volta perfeita, separados e rematados por frisos em dentes de serra. No interior, permaneceu a estrutura do antigo púlpito, o retábulo-mor e dois colaterais em estilo barroco nacional.
Mas o nosso tributo à memória beneditina não se esgota em Castro de Avelãs, ele vai estender-se à 𝐈𝐠𝐫𝐞𝐣𝐚 𝐝𝐞 𝐒. 𝐁𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐁𝐫𝐚𝐠𝐚𝐧𝐜̧𝐚, um templo edificado em meados do século XVI e parte integrante do convento beneditino feminino de Santa Escolástica. Para além do rico recheio da igreja, composto por uma considerável quantidade de obras de imaginária, talha, azulejo e pintura, o seu legado mais impressionante é uma complexa e requintada pintura de quadratura no teto da nave, em óleo sobre madeira, executado, em 1763, pelo pintor Manuel Caetano Fortuna. Este trabalho, um dos mais sumptuosos exemplos da pintura ilusionista dedicada à hagiografia beneditina em Portugal, apresenta um programa iconográfico em que as quatro virtudes cardeais, alegoricamente ligadas aos quatro continentes, ombreiam com as representações, em ascensão, da Imaculada Conceição, de S. Bernardo, de S. Bento e de Santa Escolástica, culminadas com a figuração da Santíssima Trindade.
E do século XVIII, partimos para a contemporaneidade. Espera-nos o 𝐂𝐞𝐧𝐭𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐀𝐫𝐭𝐞 𝐂𝐨𝐧𝐭𝐞𝐦𝐩𝐨𝐫𝐚̂𝐧𝐞𝐚 𝐆𝐫𝐚𝐜̧𝐚 𝐌𝐨𝐫𝐚𝐢𝐬, um projeto arquitetónico de referência da autoria do arquiteto Souto de Moura, galardoado com o prémio Pritzker em 2011, onde vamos encontrar alguma da vasta obra de Graça Morais, uma das mais ilustres da pintura contemporânea portuguesa centrada, segundo a própria, nas grandes dores do mundo, como a violência e a morte, as injustiças e a indiferença e onde universo feminino transborda como matéria principal do seu traço ao longo de toda a sua vida artística.
E como em Bragança, mais propriamente no 𝐌𝐮𝐬𝐞𝐮 𝐝𝐨 𝐀𝐛𝐚𝐝𝐞 𝐁𝐚𝐜̧𝐚𝐥, está patente, até ao mês de abril, a exposição temporária 𝐎𝐥𝐡𝐚𝐫 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐚𝐥. 𝐀 𝐩𝐚𝐫𝐭𝐢𝐫 𝐝𝐚𝐬 𝐜𝐨𝐥𝐞𝐜̧𝐨̃𝐞𝐬 𝐝𝐨 𝐌𝐍𝐀𝐀, não podemos perder a oportunidade de, segundo as palavras da entidade Museus e Monumentos de Portugal E.P.E, descobrir, em Bragança, obras fundamentais do património artístico nacional e aprofundar o conhecimento sobre a história e a arte portuguesas através das coleções do MNAA.
𝐎 𝐩𝐫𝐨𝐠𝐫𝐚𝐦𝐚 𝐬𝐞𝐫𝐚́ 𝐨 𝐬𝐞𝐠𝐮𝐢𝐧𝐭𝐞:
→ Hora de partida:
𝟎𝟔.𝟑𝟎 horas - Mosteiro de Tibães;
𝟎𝟔.𝟒𝟓 horas - Estacionamento da Makro, em Lamaçães (junto à Casa de Saúde de Nogueiró)
𝐕𝐢𝐬𝐢𝐭𝐚 𝟏
→ 𝟏𝟎.𝟎𝟎 - Mosteiro de Castro de Avelãs
𝐕𝐢𝐬𝐢𝐭𝐚 𝟐
→ 𝟏𝟏.𝟑𝟎 - Centro de Arte Contemporânea Graça Morais
→ 𝟏𝟑.𝟎𝟎 - Almoço no 𝐫𝐞𝐬𝐭𝐚𝐮𝐫𝐚𝐧𝐭𝐞 𝐏𝐨𝐜̧𝐚𝐬, com o seguinte menu:
Sopa do Dia
Entradas Regionais (Alheira e Cogumelos)
Bacalhau à Transmontana
Ou
Lombinho de Porco Bísaro c/ puré de castanhas, puré de maçã, puré de batata doce e legumes
Sobremesas caseiras, à escolha, e fruta
Café
Bebidas.
𝐕𝐢𝐬𝐢𝐭𝐚 𝟑
→ 𝟏𝟓.𝟎𝟎 - Igreja de S. Bento
𝐕𝐢𝐬𝐢𝐭𝐚 𝟒
→ 𝟏𝟓.𝟒𝟓 - Museu do Abade de Baçal
→ 𝟏𝟕.𝟑𝟎 - Hora prevista de regresso;
→ 𝟐𝟎.𝟑𝟎 - Hora prevista de chegada.
→ O preço da viagem será de 𝟔𝟓 € para sócios do GAMT e de 𝟕𝟎 € para não sócios (inclui transporte, entradas nos espaços, seguro e almoço).
As inscrições deverão ser feitas até ao dia 18 de março. Para isso, precisam de responder ao questionário inserido no
𝐋𝐈𝐍𝐊 𝐝𝐞 𝐢𝐧𝐬𝐜𝐫𝐢𝐜̧𝐚̃𝐨: https://forms.gle/3BghYwXhVzsKUGGu9,
onde encontram o IBAN para a transferência/pagamento. Por favor, enviar comprovativo para [email protected]).
→ 𝐀𝐭𝐞𝐧𝐜̧𝐚̃𝐨: Devem responder a todas as questões do formulário e no final clicar no botão enviar, para obterem uma resposta automática de confirmação no mail que indicarem.
Sejam rápidos a decidir, pois as inscrições são efetuadas por ordem de chegada e estão limitadas a 50 participantes.
Como sempre, esperamos que nos acompanhem em mais um Percurso Beneditino
Conselho diretor do GAMT