05/08/2026
Igreja Paroquial do Divino Salvador de Cristelo, história e origens
Divino Salvador é o padroeiro de Cristelo, cuja festa litúrgica é celebrada universalmente pela Igreja neste dia 06 de agosto, e em Cristelo será celebrada Eucaristia Solene em honra do padroeiro (ás 19H30), sendo esta uma oportunidade para voltarmos a apresentar a história e origens da igreja paroquial.
A primitiva localização da igreja paroquial de Cristelo era um pouco mais a sul, onde ainda existem algumas pedras que se pensa ser dessa primeira matriz. A igreja paroquial terá sido mudada para a atual localização em finais do Séc. XVII, mas não se conhecem documentos desse acontecimento.
Nas memórias paroquiais de 1758 é indicado que a igreja "não é moderna mas está bem paramentada", tem 5 altares e duas sacristias, uma para o pároco e outra para a confraria do Senhor. Em relação às imagens cultuadas são mencionadas as do padroeiro Divino Salvador, S. Bento, Menino Jesus, S. Luís, S. Sebastião, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora do Bom Fim, Santo Antão, Santa Quitéria, Santo António, S. Miguel, S. Francisco e Bom Jesus da Cruz.
Apenas iremos encontrar dados mais concretos sobre a estrutura e recheio da Igreja Paroquial de Cristelo a partir da terceira década do século XIX. Em inventário de 1836, é descrito pelo pároco da altura (Pe. José Gomes da Costa) que a igreja tinha uma só nave, púlpito, coro, duas sacristias, pia batismal cercada com grades, e no exterior é indicado que o adro faz também a função de cemitério e que existia um campanário com três sinos.
É muito interessante o inventariado na altura, pois permite ter uma ideia de como era a igreja há várias décadas atrás, e quais elementos arquitetónicos e legado artístico-religioso perdura até hoje. Até ao Séc. XX a igreja era bem mais pequena, nada tendo a haver com a configuração e dimensões atuais, excetuando a capela-mor.
Assim, em 1836, a capela-mor já tinha sacrário e as imagens do padroeiro Divino Salvador e S. Bento preenchiam o altar-mor como agora, e estavam as suas paredes decoradas com seis quadros. Desses seis quadros, quatro deles, todos com a mesma dimensão, referem-se a episódios da vida da Virgem Maria e Jesus.
Atualmente a capela-mor apenas tem quatro desses seis quadros nas suas paredes, estando os outros dois, de menores dimensões, ao fundo do corpo da igreja.
Do lado esquerdo da sacristia, no quadro mais perto do padroeiro da igreja, temos a representação da “Anunciação do Anjo a Nossa Senhora”. Do mesmo lado, por cima da porta da sacristia norte está a representação do “Nascimento do Menino-Deus e aparições dos pastores”. Do lado direito, perto da imagem de S. Bento do altar-mor, está o quadro com a representação da “Jornada no Egipto”. Por cima da entrada da sacristia sul está a representação da “Adoração dos Reis Magos”.
Os outros dois quadros desta coleção foram deslocados para o fundo do corpo da igreja após o restauro da capela-mor em 1999. Um desses quadros representa Santa Maria Madalena, o outro, S. Jerónimo de Estridão.
Percorrendo o então estreito corpo da igreja nos anos 30 de Oitocentos, é dado a saber que tinha quatro altares laterais, dois de cada lado. Do lado do Evangelho, o primeiro colateral era dedicado ao “Nome de Deus”, tendo expostas as imagens de Nossa Senhora da Conceição, Menino Jesus, S. José e Santo António; O segundo altar colateral era o “Altar das Almas”, com as imagens de S. Miguel, S. Gonçalo de Amarante e Santo António Abade (ou Santo Antão, como é mais conhecido).
Do lado da Epístola, ou seja, lado direito, existia o “Altar Doloroso”, com as imagens do Senhor das Necessidades Crucificado, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora do Bom Fim e S. Sebastião. O segundo altar colateral do lado sul era o “Altar da Paixão”, com as imagens escultóricas do Senhor dos Passos e de S. Brás. A imagem do Senhor das Necessidades Crucificado provavelmente é aquela que se designa atualmente por Senhor dos Aflitos ou Cristo Crucificado, que está junto da capela do Batismo.
Entre a capela-mor e o corpo da igreja, está descrito nesse documento de 1836 a existência de um arco cruzeiro a separar os dois espaços, e pormenores como o facto de todos os altares laterais terem um crucifixo. Mais tarde, no ano de 1868 é feito um novo altar para o Senhor das Necessidades Crucificado e Nossa Senhora das Dores, e é colocado um novo sanefão no arco cruzeiro.
Já no século XX, a Igreja Paroquial de Cristelo irá sofrer importantes intervenções que alterarão fortemente a sua arquitetura e configuração, transformando-se praticamente numa igreja nova, da qual se destaca o alargamento do corpo da igreja. Pelos anos 40 e sob a paroquialidade do Pe. Eduardo Lemos Ferreira, são lançadas obras na igreja, iniciadas em 1945.
Em agosto de 1944 é requerida autorização para obras na igreja, obras essas que se iniciam no dia 2 de janeiro de 1945 e são orçamentadas em 130 contos. Vários pedidos de aumento dos prazos para conclusão das obras são feitos em 1946, e embora não fossem encontradas informações sobre que tipo de intervenções se tratavam, o valor das mesmas e os prazos prolongados, levam a crer que, ou houve dificuldades no financiamento, ou foram intervenções de grande m***a.
Pode ter sido nesta ocasião que a igreja deixou de ter o seu frontispício assente em dois arcos que fechavam o átrio, tal como foi descrito pelo historiador Teotónio da Fonseca na sua recolha feita pelos anos 30 do século passado. Em janeiro de 1948 é pedido orçamento para restauro do interior da igreja.
Nos anos 80 e sob a paroquialidade do Pe. José Miranda Carvalho, é levado a cabo a mais importante intervenção no edifício da igreja, com o alargamento da mesma, que era exígua demais para acomodar uma paróquia em franco crescimento demográfico, e daqui surgirá a configuração atual.
Em 1982 é efetuado o alargamento do lado esquerdo (norte) da igreja e no ano seguinte, é alargado o lado direito (sul). Antes, em 1981, é feito o teto em madeira na nave da igreja. Várias atividades de angariação de fundos foram levadas a cabo para financiar a obra, embora pelas informações recolhidas, não tenha sido inaugurada em cerimónia própria.
Após esse alargamento, que inclui a construção de novas sacristias tipo duplex, a igreja passou a ter uma área coberta total de 475m². Excetuando a capela-mor, quase tudo foi modificado, ficando a igreja com apenas dois altares laterais, mas com duas capelas ligadas ao corpo e no seguimento do arco cruzeiro, estando do lado esquerdo a capela do Batismo, e do lado esquerdo a capela do Senhor dos Passos.
Os altares laterais são dedicados a S. Miguel Arcanjo e Almas (lado do Evangelho), e a Nossa Senhora de Fátima (lado da Epístola), imagem esta benzida em 13 de outubro de 1972. Ambos os altares foram revestidos com pinturas sobre azulejo em 1988.
Já sob a paroquialidade do Padre Adélio Matos, várias iniciativas contribuíram para a continuação da beneficiação da igreja ao nível do conforto, estética e restauros. Em março de 1998 a paróquia decide substituir o arco cruzeiro porque era demasiado estreito e baixo em relação ao corpo da igreja, e também é decidido restaurar fortemente a capela-mor devido à degradação progressiva apresentada.
Em 1999 é então feito um restauro geral do interior da igreja, à qual foram inclusive acrescentadas duas novas janelas, mas o destaque foi para a intervenção profunda em toda a capela-mor, com o seu altar-mor, trono, sacrário e o altar “ad orientem” a receberem vários elementos que enriqueceram visualmente e estilisticamente este espaço central. Também o piso foi intervencionado, passando a ser de madeira e nivelado de outra forma.
Em abril de 2001 são restaurados os seis quadros descritos anteriormente, e no exterior é removido todo o azulejo industrial da fachada. Em dezembro de 2002 é colocada a nova mesa de altar e ambão. Em 2010 é decido intervencionar profundamente o adro da igreja, e em novembro desse ano é entregue a empreitada, que incluía o aumento do adro, muros, passeios, arranjos diversos até à zona da casa paroquial, iluminação, entre outros. O adro em conjunto com a igreja perfaz agora cerca de 832m².
Em abril de 2011 são concluídas as obras do adro e exteriores, e no dia 15 de maio é inaugurada a obra por ocasião da visita do Bispo auxiliar de Braga. Ainda neste ano, em novembro, é concluída a substituição do telhado, arranjo da pedra e pintura exterior. Em junho de 2017 é novamente efetuada pintura de exteriores e interiores, assim como o teto. Em abril de 2018 é criado um “hall” na entrada que permitiu melhorar o conforto.
A maior parte das imagens escultóricas veneradas na igreja foram restauradas entre o final de 2021 e o início de 2022, a expensas dos paroquianos. Também neste período foi renovada toda a mobília do presbitério.
Mais recentemente, no dia 17 de março de 2024, foi apresentada à comunidade o restauro profundo do interior da igreja, e foi dada a conhecer a nova sacristia do lado norte do corpo da igreja.
Da inauguração da nova sacristia, denominada "Sacristia Norte", destaca-se a nova mobília e materiais modernos, além de divisória de vidro decorada com motivos alusivos à paróquia. No hall de entrada para essa sacristia, foi acrescentado um painel com as imagens dos párocos que serviram Cristelo nos últimos 100 anos (Padre Eduardo Lemos Ferreira, Padre José Miranda de Carvalho, Padre Adélio Matos e Padre Paulo Sérgio Rodrigues da Silva). Também estão incluídos neste quadro o Papa Leão XIV e o Arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, acrescentando-se o grafismo dos 3 locais de culto público de Cristelo.
Estas intervenções, terminadas em março de 2024, incluíram a impermeabilização do telhado, arranjo e pintura de paredes do corpo da igreja, teto pintado com cores mais claras e elementos decorativos mais ricos, nova iluminação, restauro e pintura das capelas laterais do Senhor dos Passos e de S. João Batista, um novo piso - agora em madeira e granito - em todo o corpo da igreja, arranjo das escadas para o coro-alto, entre outros pormenores, que tornaram a igreja mais luminosa visualmente.
Situada na Avenida da Igreja, reta que nos leva desde a Capela de Nossa Senhora do Rosário até à igreja, no alto da fachada da desta pode-se ver o escudo brasonado dos Pinheiros, por antigamente a freguesia ser da apresentação dos Pinheiros de Barcelos. A igreja tem coro-alto, mas não o púlpito que existia antigamente. A orientação é a clássica, com a fachada virada para poente.
Na Igreja Paroquial de Cristelo, para além do padroeiro Divino Salvador, cuja festa litúrgica é no dia 6 de Agosto, também aqui são venerados: S. Bento, Senhor dos Passos, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora do Bom Fim, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Santa Teresinha do Menino Jesus, Santo Antão, Menino Jesus, S. Sebastião, S. João de Brito, S. Gonçalo de Amarante, Santo António, S. José, S. Miguel Arcanjo, Nossa Senhora da Conceição, Sagrado Coração de Jesus, Sagrado Coração de Maria e Cristo Crucificado.
Neste ano de 2026 foi entronizada a imagem de São Carlo Acutis, cuja imagem foi benzida pelo Padre Bruno Lopes no dia 25 de abril. Também foi restaurada neste ano e devidamente colocada no corpo da igreja, aquela que parece ser a imagem primitiva de Nossa Senhora do Rosário.
Vídeo do restauro da Igreja Paroquial de Cristelo: https://www.facebook.com/share/v/16D1w3kzhC/
Todas as fotos: colaboradores da página interparoquial de Facebook "Fornelos, Gilmonde, Vila Seca, Cristelo - Barcelos"