13/06/2026
Santo António (Dia festivo: 13 Junho)
Santo António é um santo de projeção universal, sendo, muito provavelmente, o mais popular de todos os santos: igrejas e capelas dedicadas a Santo António, imagens na maior parte das igrejas, casas particulares ou comerciais, azulejos e pinturas, alminhas e nichos, cânticos, festas, peregrinações, toponímia, entre outros, dão ideia da grande devoção a Santo António, que hoje atravessa todas as idades e todas as classes sociais em todo o mundo. É um “santo de todo o mundo”, como referiu o Papa Leão XIII.
Santo António de Lisboa (onde nasceu) ou Santo António de Pádua (cidade de Itália, onde exerceu grande parte da sua missão e foi sepultado) é um santo reconhecido pela sua poderosa intercessão. Protetor dos pobres, auxiliador na busca de objetos ou pessoas perdidas, e grande amigo nas causas do coração, assim é Santo António, frei franciscano que trocou o conforto de uma abastada família burguesa de Lisboa pela vida religiosa. “Doutor da Igreja”, “Martelo dos Hereges”, “Doutor Evangélico”, “Arca do Testamento” ou “Santo de todo o mundo”, são alguns dos títulos com que vários Papas ao longo da história o honraram, aquele cuja vida foi, no dizer de um de seus biógrafos, “um milagre contínuo”.
É o santo dos milagres, tal a quantidade de fatos extraordinários e sobrenaturais, obtidos através da sua oração, que acompanhavam a sua pregação. É o santo da história da Igreja mais rapidamente canonizado (desde que o processo de canonização foi regularizado no Séc. XII), apenas 11 meses após a sua morte. Não é o padroeiro de Lisboa - essa honra cabe a S. Vicente - mas a vontade popular dos lisboetas o tornou "maior" que o próprio padroeiro da capital portuguesa.
Nasceu em Lisboa no dia 15 de agosto de 1191 ou de 1995, cerca de 50 anos depois do nascimento da nação portuguesa e no decurso da reconquista cristã do território ao domínio muçulmano. A sua história deve ser vista nesse ambiente de expulsão dos muçulmanos e, ao mesmo tempo, de emergência de uma nova nação.
Era filho único, herdeiro dos nobres Martinho de Bulhões e Teresa Taveira. O nome de batismo era Fernando de Bulhões. Reside em frente à Sé Catedral de Lisboa, local onde hoje se encontra a Igreja de Santo António de Lisboa e onde ainda permanece o quarto onde nasceu.
De boa índole, inclinado à piedade e às coisas santas, a sua formação espiritual e intelectual foi confiada aos cónegos da Catedral de Lisboa pelo seu pai, oficial no exército de D. Afonso. Reservado, Fernando preferia a solidão das bibliotecas e dos oratórios às discussões religiosas. Temendo ser acometido por violenta tentação contra a pureza, aos 19 anos pede para entrar para o mosteiro de São Vicente de Fora, dos Clérigos Regulares de Santo Agostinho.
Ali ficou dois anos, findos os quais, por ser muito procurado por parentes e amigos, pediu aos superiores que o transferissem para o mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, casa-mãe do Instituto. Aqui em Coimbra um fato o marcará: os restos mortais de cinco mártires mortos em Marrocos durante um serviço missionário, partem em cortejo pelas ruas da cidade, havendo uma enorme multidão que espera a passagem das relíquias a caminho do Convento de Santa Cruz.
Entre a multidão está Frei Fernando - como era conhecido no início Santo António, que ao ver passar o cortejo fúnebre decide que também quer encontrar a morte pelo martírio, quer ser como aqueles homens enviados em missão por Francisco de Assis.
Obedece então ao impulso e sai do convento para entrar na Ordem dos Frades Menores de Assis. Passa a envergar o hábito franciscano e troca de nome: escolhe “António” por causa de Santo Antão. Estávamos na primavera de 1220. No ano seguinte segue para Marrocos mas as circunstâncias alteram-lhe os planos: adoece na viagem e é forçado a voltar para Portugal, mas uma tempestade desvia a embarcação, arrastando-a para o Sul de Itália.
Desembarca na Sicília e é acolhido pelos irmãos franciscanos. Em Maio do mesmo ano participa, em Assis, do capítulo das Esteiras, uma famosa reunião de cinco mil frades. Ali conhece o fundador da Ordem, São Francisco de Assis. Estava predestinado que a sua vida não seria ilustrada como mártir da Igreja, mas sim com as suas pregações e santa vida.
Em Itália, ainda em 1221, como homem de oração, torna-se eremita, passando 15 meses de solidão contemplativa. Desejando preservar a humildade, António nunca revelou seus conhecimentos e raramente era visto com livros, além do breviário e do missal. Ninguém teria apercebido na altura as grandes qualidades teólogas e intelectuais deste jovem franciscano.
Inicia a vida apostólica como grande Pregador quase por acaso: em 1222, após a clausura, é enviado a uma região chamada Forli com alguns franciscanos e dominicanos (Ordem de S. Domingos) que deveriam receber as ordens sacras. O Padre guardião do convento em que se hospedavam pediu que algum dos presentes dissessem algo para a glória de Deus e edificação dos demais.
Um a um, foram todos escusando-se por não estarem preparados. Restava António. Sem muita convicção, o Superior mandou-lhe então que falasse, à falta dos demais. Era a primeira vez que o futuro santo falava em público, e então viu-se a maravilha: da sua boca saíram palavras de fogo, demonstrando profundo conhecimento teológico e das Escrituras, tudo exposto com uma lógica, clareza e eloquência que conquistou a todos.
Entusiasmado, o Padre guardião comunicou aquele sucesso ao Provincial, que transmitiu a notícia a São Francisco. Ordenaram então que Frei António estudasse teologia escolástica para dedicar-se à pregação. António foi nomeado pregador oficial da Ordem. Começa a sua epopeia de pregador itinerante.
Prega pelo Norte de Itália e no Sul da França, onde enfrente várias vezes grupos de hereges. Em 1227 é nomeado Superior Maior da Itália Setentrional, mas a sua vocação missionária ‘fala mais alto’ e pede para ser afastado daquela responsabilidade. Quer dedicar-se à pregação e recolhe-se em Pádua. Ali medita, escreve e revê os seus sermões.
À região chegam milhares de pessoas ávidas de o escutar. Sem querer, torna-se numa figura popular, chegando a ter assistências de mais de 30 mil pessoas na praça pública. Os comerciantes fechavam as lojas para ir ouvi-lo, e “era necessário que alguns homens valentes e robustos o levantassem e protegessem das pessoas que vinham beijar-lhe a mão e tocar-lhe o hábito após os sermões”.
O número de sacerdotes que o acompanhavam era pequeno, ficavam preparados para ouvirem as confissões dos que, tocados pelo sermão, queriam redimir-se da vida. Inclusive o Papa da altura - Gregório IX, veio vê-lo ver a pregar, e admirado com o seu conhecimento das Escrituras, o apelida de “Arca do Testamento”.
Segundo os seus biógrafos, Santo António tinha gestos elegantes e aspecto atraente. A sua voz era forte, clara, agradável, e sua memória feliz. A essas vantagens, juntava uma ação cheia de graça. Entretanto, o seu traço característico, o milagre constante de sua existência, é a força incontestável de sua pregação, o poder de sua voz sobre os corações e as inteligências.
Era entendido por pessoas de toda espécie de países, daí o seu sucesso extraordinário, tanto na Itália quanto na França. O seu sucesso levou a que fosse enviado para a França, onde ficou 3 anos a evangelizar contra as correntes hereges que surgiam ferozmente.
Os sermões de Santo António eram seguidos de milagres como não se viam desde o tempo dos Apóstolos. Praticamente não havia pessoa com incapacidade que, depois de receber a bênção, não ficasse curada ou aliviada. O número de hereges por ele convertidos não tinha fim, e várias preces são atendidas. Ganha fama de santo, rumores que só mais tarde chegarão a Portugal.
Um dos milagres mais conhecidos de Santo António foi a pregação aos peixes. Na cidade italiana de Rimini na Itália, os hereges impediam o povo de ir aos seus sermões. Numa dessas situações foi pregar à beira-mar. Milhares de peixes de vários tipos e tamanhos puseram a cabeça fora da água para ouvir Santo António. Este milagre foi testemunhado e difundido pela cidade, convertendo mesmos os mais cépticos seguidores das correntes gnósticas.
Chegou a pregar sucessivamente nas 55 igrejas da região de Pádua. “Vinham multidões quase inumeráveis de homens e mulheres das cidades, castelos e aldeias da região de Pádua, todos sequiosos de ouvir com a maior devoção a palavra de vida” referem os seus biógrafos, acrescentando «Estavam presentes velhos, acorriam jovens, homens e mulheres, de todas as idades e condições, vestidos como se fossem religiosos, o próprio Bispo de Pádua e o seu clero».
Em finais de 1231, com a saúde muito abalada, Santo António retira-se para o castelo de Camposampiero, próximo de Pádua. Ali, escreve e revê os seus Sermões, dedicando longas horas à meditação espiritual.
Um dia, estando em Camposampiero, sente-se mal à mesa e pede a um dos irmãos que o leve imediatamente para Pádua. No caminho, sentido-se desfalecer, teve de ficar no mosteiro das clarissas, em Arcella. António só tem tempo para se confessar e receber a unção, sofre de hidropisia. Morreu dizendo: «Vejo o meu Senhor». Era o dia 13 de junho de 1231. Os sinos das igrejas de Lisboa replicam sem intervenção de ninguém - só mais tarde se soube que naquele dia partiu da vida terrena o santo que a sua cidade natal viu nascer.
Santo António foi cognominado “Martelo dos Hereges”, porque a heresia não teve inimigo mais formidável. Na sua mais antiga biografia, conhecida pelo nome de Assídua, relata: “Dia e noite tinha discussões com os hereges; expunha-lhes com grande clareza o dogma católico; refutava vitoriosamente os preceitos deles, revelando em tudo ciência admirável e força suave de persuasão que penetrava a alma dos seus contrários”.
Depois de ter dado a conhecer os seus dotes oratórios em Forli, Santo António dedicou o resto da sua vida, quase sempre, à pregação popular, atraindo sobre si, a atenção de todo o povo. Três elementos explicam o seu sucesso: em primeiro lugar, o fascínio da sua santidade e autoridade moral; em segundo lugar, a extensão e profundidade da sua cultura, acompanhada por um invulgar poder de comunicação, segundo as regras da Retórica do seu tempo; e, em terceiro lugar, a sua magnífica figura física.
Dada a sua fama de santidade, no dia da sua morte, todos queriam fazer-se guardas dos restos mortais. As freiras Clarissas do Mosteiro onde morreu, de acordo com os Franciscanos de Arcella, tentaram ocultar o seu falecimento. Mas, as crianças de Arcella, ao saberem da notícia, saíram por todos os lados a gritar: «Morreu o Santo! Morreu o padre Santo». O povo da região acorreu todo a Arcella. Como a última vontade do Santo tinha sido ir para Pádua, o seu corpo acabou por ser para aí conduzido, 4 dias depois da sua morte, no dia 17 de Junho de 1231.
A devoção por aquele homem, verdadeiramente eleito pelo Céu, era geral. Todos queriam estar junto, tocar de alguma forma o corpo de António, já canonizado pelo povo em vida e logo nos primeiros dias após a sua morte. Dizem os biógrafos que os primeiros milagres surgem no dia do enterro, em Pádua. Nos dias seguintes, toda a gente se encaminha para o túmulo do bem-aventurado António, de pés descalços, a fim de obterem graças do céu por seu intermédio. «Acorrem os venezianos, apressam-se os tervisinos, notam-se pessoas de Vicenza, lombardos, eslavónios, da Aquileia, teutónicos, húngaros». Este é o primeiro mapa do culto antoniano.
Os populares de Pádua, representados pelas autoridades civis e religiosos, apresentaram na Cúria Pontifícia, então em Rieti, uma delegação a pedir a canonização do irmão António. O processo foi aberto no início de julho de 1231, ainda não tinha passado um mês da morte do Servo de Deus. E a cerimónia de canonização ocorreu no dia 30 de maio de 1232, solenidade do Pentecostes, na catedral de Espoleto. Em menos de um ano o processo ficou concluído. O nome de António foi inscrito no catálogo dos Santos, pela bula da canonização “Cum dicat Dominus”, que manda celebrar a sua festa todos os anos, no dia 13 de Junho.
O fascínio exercido por Santo António durante a sua vida terrena como pregador itinerante, sábio e santo espalhou-se após a sua morte e canonização, sobretudo na Itália do Norte e na França do Sul. A Portugal a fama da sua santidade só chegou depois da sua canonização.
No século XV, o movimento dos espirituais, que se emancipava dentro da Ordem dos Frades Menores, levou Santo António para outros lugares da Europa, onde ainda não era conhecido, o que contribuiu decisivamente para aumentar o culto e veneração a este Santo.
Nos séculos XVI, XVII e XVIII, as viagens marítimas dos navegadores portugueses, espanhóis e italianos levaram a sua fama às terras de África, América e Ásia. Entre os marinheiros portugueses, sobretudo os da região de Lisboa, tornou-se comum levarem uma imagem do Santo António na embarcação, para os proteger contra as forças marítimas, talvez, por ele ter sido vítima de uma tempestade, que o empurrou para as costas da Sicília.
Por ocasião das comemorações do sétimo centenário, na última década do século XIX, Santo António atinge o máximo da sua popularidade. Nesta ocasião, para além das outras manifestações de piedade começou a sublinhar-se o aspeto social do Santo.
A bênção do pão de Santo António e a sua distribuição aos pobres generaliza-se por todos os países, o que faz com que quase todas as representações do Santo feitas no século XX o apresentem com uma cestinha de pão para distribuir aos pobres, embora conservem outros símbolos tradicionais (em Vila Seca tem o pão representado, na Capela da Senhora da Salvação, na Igreja de Fornelos ou de Gilmonde, aparece com o livro e a cruz).
O nome António passa a ser mais utilizado nos baptismos de rapazes. O Menino Jesus, expressão do seu amor por Deus Menino - que uma tradição antiga diz lhe ter aparecido em Camposampiero pouco antes da sua morte - começa a surgir na iconografia antoniana no século XV.
Em Portugal, como em todo o mundo, considera-se Santo António extraordinário advogado das coisas perdidas. A devoção enraíza-se no poeta e músico Frei Juliano de Espira, que cerca do ano de 1235, compôs o ofício litúrgico de Santo António e nele deixa ler o célebre responsório: Si quaeris miracula (Se milagres quereis).
Já a fama de casamenteiro ter-se-á estabelecido após a divulgação da história de uma jovem que o abordou, em vida, e lhe pediu que a ajudasse a casar com um vizinho, mas cuja união era impossível para os costumes da época, porque a família não tinha dinheiro para o dote. António disse-lhe que pusesse o caso nas mãos de Deus e, em silêncio, juntou com outros franciscanos a quantia de dinheiro necessária, atirando o saquinho de dinheiro pela janela do quarto da jovem.
É canonizado em 30 de Maio de 1232. Em 1263 os seus restos mortais são depositados na Basílica de Santo António de Pádua, construída em sua memória, e onde até hoje pode ser visitado o seu túmulo. Em 16 de Janeiro de 1946 é proclamado doutor da Igreja. Um sinal da sua santidade é a sua língua permanecer ainda incorrupta nos dias de hoje. Disputado por Lisboa e por Pádua, é um santo do mundo inteiro!
Santo António é venerado na Igreja Paroquial de Vila Seca, na Igreja Paroquial de Fornelos, na Igreja Paroquial de Cristelo, na Igreja Paroquial de Gilmonde e na Capela da Senhora da Salvação, também em Gilmonde.
ICONOGRAFIA:
É representado com o hábito franciscano, de túnica castanha, capuz e cíngulo branco ou dourado. Tem o Menino Jesus nos braços e também um livro. Pode também aparecer representado a segurar uma cruz, um pão, ou uma açucena.
DIA FESTIVO:
13 Junho
INVOCAÇÕES E PATROCÍNIOS:
É padroeiro dos casais, dos noivos e dos namorados. Intercede pelas crianças, pelos pobres, pelos padeiros, pelos jovens aptos para o serviço militar, entre outros. É invocado como protetor nos partos, contra a esterilidade dos casais, contra os males da guerra e para recuperar objectos perdidos. É padroeiro secundário de Portugal e padroeiro de Pádua.
SOBRE SANTO ANTÓNIO…
S. João Paulo II: “Durante toda a sua existência Santo António foi um homem evangélico. E se nós o veneramos como tal, é porque nós acreditamos que o Espírito Santo habitou nele de modo extraordinário enriquecendo-o com os seus maravilhosos dons e levando-o ‘a partir de dentro’, a exercer uma actividade que foi notável nos 36 anos da sua existência, mas que está bem longe de ser esgotada no tempo – ela permanece, com vigor e providencialmente ainda nos nossos dias. Queria pedir a todos vós que mediteis exactamente sobre este marco de evangelização. Essa é também a razão pela qual Santo António é proclamado “O Santo”.
Papa Francisco: “Que Santo António vos ensine a beleza do amor sincero e gratuito. Só amando como ele amou, ninguém à volta de vós se sentirá marginalizado e, ao mesmo tempo, vós mesmos sereis cada vez mais fortes nas provações da vida”.
IMAGEM DA FOTO:
Santo António, Igreja Paroquial do Divino Salvador de Cristelo, Barcelos