31/05/2026
◎31 de maio de 2026 – Solenidade da Santíssima Trindade – Missa festiva
Pe. Tani Kunisada
(Trecho da homilia)
…Quantas vezes por dia fazemos o sinal da cruz sobre o nosso corpo? Vamos refletir um pouco sobre isso.
Quando viemos à igreja e participamos da Missa, fazemos o sinal da cruz junto com a comunidade no início da celebração e também ao final, quando recebemos a bênção de envio. E no nosso dia a dia? Ao acordar, antes e depois das refeições, antes de dormir… provavelmente fazemos o sinal da cruz pelo menos de cinco a oito vezes por dia.
Qual é o signif**ado de fazer o sinal da cruz sobre o nosso corpo?
Primeiro, é a profissão da nossa fé no Deus Uno e Trino, isto é, no Pai, no Filho e no Espírito Santo.
Segundo, é recordar o sacrifício e a salvação de Cristo na cruz.
Terceiro, é pedir a proteção de Deus.
Quando sentimos medo ou insegurança, muitas vezes fazemos o sinal da cruz. Em jogos de futebol, por exemplo, vemos atletas estrangeiros fazendo o sinal da cruz, pedindo a graça e a proteção de Deus.
Há duas semanas celebramos a Ascensão do Senhor, na semana passada celebramos Pentecostes, e hoje celebramos a Solenidade da Santíssima Trindade. A Trindade é o mistério central da nossa doutrina católica. Se negarmos a presença de Jesus Cristo ou a presença do Espírito Santo, não podemos dizer que acreditamos em Deus.
No entanto, o mistério da Trindade é extremamente difícil de compreender. Mesmo que dedicássemos toda a nossa vida neste mundo para estudá-lo profundamente, não conseguiríamos compreendê-lo plenamente. Nossa razão e nosso conhecimento têm limites; por isso, não conseguimos aceitar esse mistério apenas pela lógica, mas podemos acolhê-lo pela fé.
A fé é um dom gratuito que Deus nos concede. Não é fruto do nosso conhecimento ou esforço, mas do amor de Deus por nós. Foi Deus quem nos amou primeiro.
Há uma famosa história sobre Santo Agostinho, grande filósofo e teólogo.
Conta-se que, caminhando à beira-mar, ele encontrou um menino que pegava água do mar e a colocava em um pequeno buraco na areia. Agostinho perguntou por que ele fazia aquilo, e o menino respondeu: “Estou tentando colocar toda a água do mar dentro deste pequeno buraco”. Ao ouvir isso, Agostinho riu e disse que aquilo era impossível, mesmo que levasse muito tempo. Então o menino respondeu: “É mais fácil fazer isso do que compreender o mistério da Santíssima Trindade com a mente humana”. Diz-se que essas palavras despertaram profundamente Santo Agostinho.
Na segunda leitura deste domingo, na Carta aos Coríntios, São Paulo transmite a presença de Deus por meio de uma saudação de bênção — a mesma que também usamos na Missa (no início da celebração):
“A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vocês” (2Cor 13,13).
Hoje, ao celebrarmos a Solenidade da Santíssima Trindade, agradeçamos a Deus pelo dom da fé que Ele nos concedeu. Ao mesmo tempo, somos chamados a viver não apenas em nossas famílias, mas também na comunidade e na paróquia, com um coração de unidade e paz, convivendo em harmonia uns com os outros.
Quando vivemos dessa maneira, o Deus Trino — fonte de amor e de paz — permanece conosco. E Ele nos guiará para que possamos nos tornar testemunhas do Evangelho, cheios do amor de Deus.
Muito obrigado,
Padre Tani