12/06/2019
Hoje é véspera de Santo Antônio. Muitos consideram ele um santo "casamenteiro". Porém, o que mais refulgiu em Santo Antônio foi a pregação. O que é que poderia animar tanto Santo Antônio se não o amor por Nosso Senhor?
Observemos o exemplo de um outro pregador, tão grande ou mesmo maior que Santo Antônio, que é São Paulo, e entenderemos que o amor por Jesus Cristo vai muito além do que tantas vezes pensamos. O amor se manifesta nas obras que vão além dos sentimentos.
"Vede S. Paulo. Jamais homem algum trabalhou e se consumiu como ele por amor de Jesus. Um dia em que os inimigos atacam a legitimidade da sua missão, é obrigado, para se defender, a fazer narração das suas obras, trabalhos e sofrimentos. Esta descrição viva, conhecei-la muito bem; mas é sempre uma alegria para a alma reler essa página, única nos anais do apostolado: «Muitas vezes, diz o grande Apóstolo, vi a morte de perto; cinco vezes sofri o suplício de flagelação; três vezes fui vergastado, e uma vez apedrejado; três vezes naufraguei; passei um dia e uma noite no fundo do mar. E as minhas viagens inúmeras, cheias de perigos; perigos por parte dos salteadores, perigos por parte dos meus patrícios, por parte dos infiéis; perigos nas cidades, perigos nos desertos, perigos no mar; os meus trabalhos e sofrimentos, as minhas numerosas vigílias; as torturas da fome e da sede, os múltiplos jejuns, o frio, a nudez; e, sem falar de tantas outras coisas, lembrarei as minhas preocupações diárias, a solicitude de todas as igrejas que fundei» (II Cor. XI, 23-28). Noutro lugar aplica a si as palavras do Salmista: «Por amor de Vós, Senhor, todos os dias somos entregues à morte, somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro…» Não obstante, acrescenta logo a seguir: «Mas em todos estes perigos saímos vencedores»: Sed in his omnibus superamus (Rom. VIII, 36-37). E onde encontra ele o segredo desta vitória? Perguntai-lhe porque suporta tudo, até mesmo o «tédio de viver» (II Cor. I, 8); por que é que em todas essas provações permanece unido a Cristo, com tão inabalável firmeza que «nem a tribulação, nem a angústia, nem a perseguição, nem a fome, nem a espada o podem separar de Jesus? (Rom. VIII, 35). Responder-vos-á: Propter eum qui dilexit nos (Ibid. 37) — «por amor d’Aquele que nos amou». O que o sustenta, fortalece, anima, estimula, é a profunda convicção do «amor que Jesus Cristo lhe tem»: Dilexit me et traditit semetipsum pro me (Gal. II, 20)."
Dom Columba Marmion (1958) Jesus Cristo nos Seus Mistérios: Conferências Espirituais. 3ª Ed. Singeverga, Ora & Labora, pp. 436-437.