06/09/2021
Traduções Antigas do Tanach
Maior parte do Tanach foi escrito em no idioma hebraico, com exceção de partes isoladas e os livros de 'Ezra (Esdras) e Daniel que possuem textos extensos em aramaico. Suspeita-se que as traduções tinham interesse político apenas, uma vez que os mesmos que estudavam os textos conheciam o hebraico, mesmo nos tempos do segundo Templo quando o idioma bíblico deu lugar ao aramaico (em verdade questiona-se se algum momento o povo hebreu falou hebraico, se este não seria apenas um idioma literário, porém, não o popular). Vale salientar que as traduções, mesmo as antigas, nunca se limitaram a ser uma tradução literal, sempre agregaram ao texto (ou o direcionaram a) explicações e conceitos dentro da própria tradução.
As primeiras traduções de que se tem registro se deram nos tempos de Esdras o escriba, segundo afirma a tradição massorética. Quando se fala de traduções antigas refere-se às traduções anteriores ao período medieval. A primeira tradução, e a mais polêmica, que persistiu ao tempo e chegou aos nossos dias é a versão grega Septuaginta. Elaborada por judeus setenta judeus e dois anciões em Alexandria nos séculos III e II a.e.c., conforme a tradição recebida de Aristeias. A tradução se baseia em fontes hebraicas da Torá que comportam tanto a versão massorética como versões de Qumram e outras versões pré-massoréticas. Por esta razão a Septuaginta possui divergências ao texto massorético. Em virtude da ascensão do grego a Septuaginta se difundiu com facilidade dentro dos limites do império romano principalmente com o crescimento do cristianismo. Por esta razão esta tradução é uma das principais fontes cristãs da Pentateuco.
O aramaico era o idioma falado pelos judeus da antiguidade tanto em Israel como no exílio (neste caso em paralelo com o idioma local). A tradução literal oral para o aramaico era comum nos primeiro e segundo século para facilitar a compreensão do público. Ao contrário da tradução grega, a aramaica não encontrou muita resistência por parte dos sábios, talvez porque ela atendia uma necessidade da própria comunidade e suas explicações seguiam os padrões de interpretação aceitos pelos sábios. A principal tradução para o aramaico é a de Onkelos, o convertido, que mencionado no Talmud (Meguilá 3a) teve a honra de ter sua tradução lugar de destaque e de leitura obrigatória segundo a tradição haláchica (legal). A tradução de Onkelos em muitos momentos foge da literalidade e assume a forma de explicação. Sua obra serviu de ferramenta linguística para o entendimento do hebraico para os comentaristas, pensadores e legisladores judeus medievais. A tradução onkeliana também serviu de base para outras traduções para o aramaico e para o latin. Outras quatro traduções para o aramaico se têm conhecimento: tradução de Rabi Yonatan, traduções pragmáticas, traduções do Cairo e tradução Neophyti.
A Pesh*ta, que significa simples, é uma tradução para o siríaco, idioma do aramaico, datada do século I e II e.c.. Nesta tradução se encontram elementos explicativos tanto de origem judaica tradicional dos sábios do talmude como de origem cristã. A copilação mais antiga de Pash*ta data do século V. Identifica-se na Pesh*ta muitas evidências de fonte pré-massorética, mesmo assim, ela se mantém muita próxima à tradição massorética. Os investigadores encontram nela grande influência das traduções aramaicas e da Septuaginta. Isso nos mostra que a Pesh*ta parece ser uma tradução encomendada e bem trabalhada para seu tempo.
Outra tradução muito bem trabalhada é a Vulgata. Datada do final do século IV e começo de século V a Vulgata foi obra de tradução ao latim de Jerônimo de Estridão, um dos pais da Igreja. Jerônimo já vinha de outros trabalhos de tradução como a Vetus Latinus. Para a Vulgata Jerônimo partiu de um principio que denominou Hebraica Veritas (verdade do hebraico) onde buscou valorizar a semântica hebraica, para isso contou com a ajuda de hebraístas judeus a fim de substituir termos hebraicos para os seus correspondentes no latim. Jerônimo não usou como fonte apenas a versão massorética, mas, também usou a Septuaginta, a euclidiana e outras.
A última tradução também considerada como parte das traduções antigas de importância é a tradução de Rabi Saadia Gaon, embora seja datada do começo do período medieval, século X. Trata-se da tradução de alguns livros do Tanach para o árabe totalmente e unicamente baseada na fonte massorética.
Espero que tenha sido útil,
Kaleb Lustosa