23/12/2025
Mensagem de Encerramento do Ciclo 2025
Olá! Como você está?
Eu estou grato pelas oportunidades de ter dividido com você, ao longo deste ano, pequenos grandes momentos! É realmente um prazer quando nos encontramos. Seja pessoalmente, virtualmente ou em pensamento.
Mas não.
Eu não vim te desejar um Feliz Natal!
Não que eu não acredite em Jesus Cristo, muito pelo contrário. Assim como meus mentores e guias espirituais, reconheço e acredito profundamente na sua mensagem, expressa não em dogmas, mas através de seus atos. E a prova viva disso é que a própria prece de agradecimento da Igreja do Todo que é dirigida às Partes, coloca Jesus no timão da barca da vida de cada uma delas.
Na visão da Igreja do Todo, Jesus é compreendido como uma cópia do Todo elevada ao penúltimo estágio de ascensão em direção a Consciência Absoluta e, ao lá chegar, ao experimentar o mais puro dos Nirvanas, sentiu-se só.
O amor pleno que ele experimentava naquele agora era tão grande, que ele desejou que todos sentissem o que ele sentia naquele instante. E ao querer para todos, raciocinou e chegou à conclusão que o caminho, sem todos, era vazio.
E desde então, essa mesma Consciência se manifesta de múltiplas formas, em diferentes culturas, mundos e nomes, transmitindo mensagens compatíveis com a capacidade de compreensão de cada povo — sempre apontando para o mesmo destino: a Consciência Absoluta.
Celebrar o Natal é celebrar o nascimento histórico de Jesus dentro de uma tradição específ**a, com data, símbolos e narrativas culturais próprias.
A Igreja do Todo, por outro lado, parte da ideia de que a Realidade Última, o Todo não nasce, não tem começo no tempo, não se manifesta em um único evento histórico.
Celebrar um “nascimento” específico seria, nessa visão, reduzir o Absoluto a um ponto temporal.
E isso é exatamente o substrato da mensagem que Jesus nos trouxe. Perceba que ele fez questão, em sua programação, de que sua data de nascimento nunca fosse revelada.
E não é até hoje.
Por que?
Para justamente iniciar sua jornada da maneira mais humilde possível, para mostrar que aquilo que ele realizava não era exclusivo. Sem data de nascimento. Um comum, nascido em manjedoura de palha. Fruto de um estupro. Não de uma inseminação angelicalmente miraculosa. Um comum com a missão de mostrar a todos que, como ele, são deuses.
Essa foi sua mensagem. Sois deuses. “Aquele que crê em mim fará também as obras que tenho realizado. Fará coisas ainda maiores do que estas...”
Ele não apontava para si. Apontava para todos. Ele era exatamente igual a você. Um ser humano. Apenas tinha mais consciência sobre quem ele realmente era.
As celebrações do que hoje se comemora em 25 de dezembro são pelo menos 7000 anos anteriores ao nascimento de Cristo. Elas celebravam o solstício de inverno, a noite mais longa do ano no hemisfério norte, que acontece no final de dezembro. Dessa madrugada em diante, o sol f**a cada vez mais tempo no céu, até o auge do verão... É o ponto de virada das trevas para luz: o “renascimento” do Sol.
Em um tempo em que o homem deixava de ser um caçador errante e começava a dominar a agricultura, a volta dos dias mais longos signif**ava a certeza de colheitas no ano seguinte.
Na China, as homenagens eram (e ainda são) para o símbolo do yin-yang, que representa a harmonia da natureza. Até povos antigos da Grã-Bretanha, mais primitivos que seus contemporâneos do Oriente, comemoravam: as celebrações eram em volta de Stonehenge, monumento que começou a ser erguido em 3100 a.C. para marcar a trajetória do Sol ao longo do ano.
A comemoração em Roma, então, era só mais um reflexo de tudo isso. Cultuar Mitra, o deus da luz, no 25 de dezembro era nada mais do que festejar o velho solstício de inverno – pelo calendário atual, diferente daquele dos romanos, o fenômeno na verdade acontece no dia 20 ou 21, dependendo do ano. O culto a Mitra chegou à Europa pelo século 4 a.C., quando Alexandre, o Grande, conquistou o Oriente Médio. Centenas de anos depois, soldados romanos viraram devotos da divindade. E ela foi parar no centro do Império.
Mitra, então, ganhou uma celebração exclusiva: o Festival do Sol Invicto. Esse evento passou a fechar outra celebração dedicada ao solstício. Era a Saturnália, que durava uma semana e servia para homenagear Saturno, senhor da agricultura. “O ponto inicial dessa comemoração eram os sacrifícios ao deus. Enquanto isso, dentro das casas, todos se felicitavam, comiam e trocavam presentes”, dizem historiadores Mary Beard e John North no livro Religions of Rome (“Religiões de Roma”, sem tradução para o português).
E, enquanto isso, uma religião pequenina que não comungava com essas ideias crescia em Roma: o cristianismo.
Solstício Cristão
As datas religiosas mais importantes para os primeiros seguidores de Jesus só tinham a ver com o martírio dele: a Sexta-Feira Santa (crucif**ação) e a Páscoa (ressurreição). O costume, afinal, era lembrar apenas a morte de personagens importantes. Líderes da Igreja achavam que não fazia sentido comemorar o nascimento de um santo ou de um mártir – já que ele só se torna uma coisa ou outra depois de morrer. Sem falar que ninguém fazia idéia da data em que Cristo veio ao mundo. O Novo Testamento não diz nada a respeito.
Porém, os fiéis de Roma queriam algo para fazer frente às comemorações pelo solstício. E colocar uma celebração cristã bem nessa mesma época seria o ideal – principalmente para os chefes da Igreja, que teriam mais facilidade em amealhar novos fiéis. Então, em 221 d.C., o historiador cristão Sextus Julius Africanus cravou o aniversário de Jesus no dia 25 de dezembro, nascimento de Mitra. A Igreja aceitou a proposta e, a partir do século 4, quando o cristianismo virou a religião oficial do Império, o Festival do Sol Invicto começou a mudar de homenageado.
“Associado ao deus-sol, Jesus assumiu a forma da luz que traria a salvação para a humanidade”.
Comemorar apenas o nascimento de Jesus implicaria privilegiar uma manifestação em detrimento da universalidade do Todo.
A ênfase não está em datas, mas em estado de consciência
A Igreja do Todo não organiza sua espiritualidade em torno de festas litúrgicas, calendários sagrados ou rituais históricos.
Ela enfatiza a vivência contínua da unidade, a consciência do Todo aqui e agora, não um evento anual simbólico.
Do ponto de vista da Igreja do Todo, o Natal moderno mistura teologia, política e mercado. Perde seu sentido espiritual original e reforça símbolos escravocratas, derivados do comércio.
A Igreja do Todo não comemora o Natal porque sua compreensão do sagrado, da consciência e da realidade não se organiza em torno de eventos históricos, datas simbólicas ou figuras exclusivas, mas sim da experiência contínua do Todo.
Em termos mais claros:
O Todo não nasce em um dia.
O Natal celebra o nascimento de Jesus em um momento específico do tempo.
Para a Igreja do Todo, porém, o Todo é eterno, imanente e permanente.
Ele não começa, não termina e não se manifesta apenas em um ponto da história.
Celebrar um “nascimento” implicaria aceitar uma separação temporal que não existe na experiência do Todo.
A Consciência não é episódica, é contínua
O princípio central da Igreja do Todo é que toda experiência ocorre dentro de um campo consciencial.
Esse campo não se ativa em datas, rituais ou calendários — ele já está ativo o tempo todo.
Assim, não há sentido em celebrar um dia específico como mais “sagrado” do que outro, pois todo instante já contém o Todo.
Celebrar o Natal como algo exclusivo reforçaria a ideia de que há um ponto privilegiado da história, um corpo privilegiado, uma consciência separada das demais.
Isso contraria o princípio fundamental do Todo: não há separação real.
O sagrado não precisa ser lembrado
O Natal existe, em parte, porque as pessoas precisam lembrar do sagrado.
Na Igreja do Todo, a prática é oposta: não lembrar o sagrado, mas não esquecê-lo nunca.
Por isso, não há um dia para o Todo, porque todo dia já é o Todo.
Então, sendo assim, eu vim te desejar um Feliz Agora!
Porque o passado não existe, porque não volta mais. Mas o futuro também não existe, porque ainda não chegou, então.... Não.
Eu não vim te desejar Feliz Ano Novo.
Eu vim te desejar consciência suficiente para agradecer diariamente por absolutamente tudo o que absolutamente todos os dias da sua vida te proporcionem... As experiências agradáveis. Mas também as desagradáveis. Pois são elas que você mesmo escolheu para que, através delas, pudesse evoluir consciencialmente.
Eu vim te desejar consciência suficiente para agradecer diariamente por absolutamente tudo aquilo que você anseia, mas ainda não alcançou, como se já tivesse alcançado. Pois agradecer pelo futuro é materializar no presente.
Eu vim te desejar consciência suficiente para agradecer aos seus irmãos e irmãs, que nesta vida te amaram incondicionalmente, aos que te odiaram visceralmente e aos que te ignoraram solenemente. Mas não só. As tuas irmãs e irmãos, que nesta vida ainda irão te amar incondicionalmente, aos que ainda irão te odiar visceralmente e aos que ainda irão te ignorar solenemente.
Eu vim te desejar consciência suficiente para desejar a todos, os teus mais profundos votos de gratidão pelas escolhas que ambos um dia fizeram em conjunto para que, através um do outro, pudessem experimentar quem vocês realmente são, através de quem não são.
Eu vim te desejar consciência suficiente para entender que você não é o seu nome. Você é o que você faz pelos outros. Quais? Todos.
Eu vim te desejar consciência suficiente para entender que,
Na Verdade Sou Tu.
Na Verdade És Eu.
Na Verdade Somos O Todo.
Um Feliz Agora! Sempre!
Luz, Vida e Amor, para você e todos os que te rodeiam.