16/05/2026
Uma investigação jornalística baseada em documentos contratuais revelou que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) possuía amplas atribuições de controle financeiro e decisório sobre o orçamento do filme "Dark Horse", um longa-metragem biográfico sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A documentação, datada originalmente de novembro de 2023 e assinada digitalmente em janeiro de 2024, aponta que o parlamentar figurava formalmente na função de produtor executivo do projeto, ao lado do também deputado federal Mário Frias (PL-SP).
A produtora principal listada no acordo é a GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos.
Atribuições e Mecanismos de Financiamento
De acordo com as cláusulas do contrato de produção, as responsabilidades atribuídas aos produtores executivos iam muito além da cessão de direitos de imagem.
O texto estipulava a participação direta em decisões estratégicas de financiamento, que incluíam:
Identificação e captação de fontes de recursos, tais como patrocínios, créditos e incentivos fiscais;
Elaboração de relatórios informativos voltados para atrair investidores;
Planejamento, projeção orçamentária e acompanhamento minucioso dos custos de produção;
Negociação e estruturação do cronograma de filmagens.
Paralelamente ao desenvolvimento do longa, o plano de negócios desenhado para atrair capital estrangeiro utilizava o filme como um atalho imigratório.
A proposta oferecia a investidores de grande porte a oportunidade de obter o Green Card (visto de residência permanente nos Estados Unidos), associando o aporte financeiro na produção a programas de imigração norte-americanos.
A engrenagem financeira do projeto envolveu cifras expressivas. Relatos indicam o envolvimento do empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, que teria se comprometido a repassar um total de US$ 24 milhões à produção.
Desse montante, cerca de US$ 10,6 milhões teriam sido efetivamente transferidos em um curto período entre fevereiro e maio de 2025. Adicionalmente, investigações apontam que pelo menos R$ 61 milhões foram movimentados para o exterior por meio de um fundo gerido por pessoas ligadas a aliados políticos do deputado.
Contrapontos e Defesa
Após a repercussão do caso, Eduardo Bolsonaro utilizou suas redes sociais para contestar veementemente o teor das acusações e classificar as manchetes sobre o tema como distorcidas.
O parlamentar apresentou as seguintes justificativas:
Assunção de Risco Inicial: O deputado afirmou que assumiu individualmente o risco de um contrato temporário de dois anos — avaliado em aproximadamente US$ 50 mil — apenas para assegurar a contratação do diretor da obra. Em razão desse aporte inicial, a produtora o teria registrado sob a rubrica de produtor executivo.
Transição de Função: Eduardo argumentou que, próximo ao encerramento deste período contratual, formou-se um grupo consolidado de investidores privados.
A partir desse momento, ele teria se desligado das funções operacionais, limitando sua participação estritamente à cessão dos direitos de imagem para a narrativa biográfica.
Negativa de Gestão: Ele negou categoricamente ter exercido cargos administrativos, gerenciais ou de ordenamento de despesas no fundo financeiro associado ao projeto, afirmando que a gestão burocrática e jurídica competia a escritórios especializados.
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro e os demais citados no gerenciamento do fundo imobiliário e societário também foram procurados e mantêm os canais abertos para manifestações formais sobre os fluxos de capitais apontados.
Fontes consultadas:
Reportagem exclusiva: "Eduardo Bolsonaro tinha poder sobre dinheiro do 'Dark Horse', revela contrato" – Intercept Brasil (Publicado em 15 de maio de 2026).
Desdobramentos e repercussão: "Contrato põe Eduardo como produtor executivo de filme sobre Jair, diz site" – Portal UOL (Publicado em 15 de maio de 2026).
Dados complementares de mercado: "Contrato aponta poder de Eduardo Bolsonaro sobre verba de 'Dark Horse'" – ICL Notícias (Publicado em 15 de maio de 2026).