27/01/2026
O Candomblé, religião que honra a ancestralidade e a ligação profunda com o sagrado, é também uma trajetória de aprendizado, dedicação e compromisso com os ensinamentos que atravessam gerações. Dentro dessa jornada, a obrigação de 7 anos é um marco essencial, um rito que não apenas celebra a maturidade espiritual, mas também a continuidade do legado familiar e da tradição dentro da comunidade.
Para minhas filhas, esse período, tem um significado especial, que vai além de um simples rito. É um compromisso com o sagrado, com a ancestralidade e, principalmente, com o legado que venho construindo ao longo de minha própria jornada espiritual. Esta obrigação simboliza não só a conexão com a nossa casa de candomblé, mas também a reafirmação do nosso papel enquanto transmitidores da fé, da sabedoria e da cultura que nos sustentam.
O Candomblé não é apenas uma religião; é uma construção de identidade, uma forma de manter viva a memória de nossos ancestrais e a força dos voduns/orixás que nos guiam.
A obrigação de 7 anos representa, assim, uma fase de preparação e consagração.
Para mim, como mãe e sacerdotisa, vejo essa obrigação como a continuidade de um legado sagrado, onde minhas filhas não apenas seguem um caminho traçado, mas se tornam parte ativa e vital dessa trajetória. Elas são as guardiãs de um legado que se perpetua, através da devoção, do aprendizado e da vivência verdadeira dentro do Candomblé. E, ao cumprirem sua obrigação, elas não só honram seus ancestrais, mas também constroem seu próprio destino, alinhado à força e à sabedoria do sagrado.
Doné Márcia