02/10/2019
ELE NÃO É HOMEM COMO EU
"Meus dias passam mais depressa do que alguém que corre; vão sem verem o bem. Passam como balsas de junco, como a águia que se lança sobre a presa.
Se eu disser: Eu me esquecerei da minha queixa, mudarei o meu semblante e ficarei contente, mesmo assim sinto pavor de todas as minhas dores; pois tenho certeza de que não serei considerado inocente. Então, já que serei condenado, por que me esforçar em vão?
Se eu me lavar com água de neve e limpar com sabão as minhas mãos, mesmo assim me afundarás no fosso, e até minhas próprias roupas sentirão aversão de mim. Ele não é homem como eu, para que eu lhe responda, para que fiquemos frente a frente em juízo. Não há árbitro para decidir sobre nós dois. Que Deus retire de mim a sua ameaça, e que o seu terror não me amedronte; então falarei sem medo; mas eu não sou assim."
Jó 9:25-35
Em seu desespero, sob os flagelos do inimigo, o justo Jó sente-se aflito, impuro diante de Deus, e atemorizado diante do poder do Altíssimo. As chagas no seu corpo gritam que não há motivo para viver, as trevas se tornaram absolutas. O terror de Deus nublou qualquer esperança. Deus não é homem para estar diante de Jó; nem há um árbitro para ajudá-lo no conflito. O Senhor o esmagou.
Posso ouvir o verso 35 sendo murmurado no final do lamento: Quem dera que a ameaça fosse retirada, o terror se acalmasse, o medo se dissipasse. Coisas que Jó obviamente considera impossíveis. Sua luta já foi perdida.
Jó ainda não sabe o que Jacó e Paulo aprenderam, que na luta contra Deus ganha aquele que se rende. Há um árbitro, há um Deus-homem, há Aquele que dissipa as trevas que tomam o coração e retira todo o medo. Em uma cruz, recebendo os flagelos que nos atormentam, Cristo nos lavou e retirou a ameaça. Por mais que a culpa agora te deixe cego, saiba que o amor ainda brilha por Aquele que se tornou o mais miserável dentre os homens justamente para nos tirar da miséria.
Ele te ama e se compadece de você.
Pintura: "Jó", de Leon Bonnat