04/08/2022
Em um momento em que muitas pessoas têm se preocupado em resgatar, preservar e manter as tradições Afro-brasileiras, há outras que tentam nos separar, fazendo o papel de nossos algozes, ou seja, "dividir para conquistar", desprezando nossa história e o legado de nossos Ancestrais.
Tancredo da Silva Pinto, homem preto, um dos maiores expoentes da Umbanda, ignorado por grande parte dos umbandistas, por motivos mais do que debatidos (racismo estrutural, epistemicídio etc.), trabalhou incansavelmente para que as tradições pretas fossem preservadas.
Em resposta ao branqueamento da Umbanda, levada ao ápice pelos debates havidos no 1º Congresso de Espiritismo de Umbanda, Tata Tancredo se opôs às teorias que criticavam a herança africana da Umbanda.
Entre suas obras destaco: Tecnologia Ocultista da Umbanda no Brasil; Primado de Umbanda; Guia e Ritual para Organização dos Terreiros de Umbanda;
Doutrina e Ritual de Umbanda; As Mirongas de Umbanda; Origens da Umbanda; O Eró da Umbanda; Cabala Umbandista; Camba de Umbanda; Impressionantes Cerimônias da Umbanda; Fundamentos da Umbanda; Catecismo de Umbanda.
Em 1950 ajuda a fundar a Confederação Espírita Umbandista do Brasil, da qual se desfilia, em razão de discordâncias políticas (sim, Tata Tancredo sempre esteve envolvido na política). Em 1968 funda a Congregação Espírita Umbandista do Brasil.
Tancredo nomeava Omoloko sua prática umbandista, à exemplo de outras vertentes de Umbanda (Branca e Demanda, Esotérica, Agla-Avid, Eclética, Mirim)
Mesmo com todas essas informações, acessíveis em diversos "sites", livros, revistas blogs, trabalhos acadêmicos etc., há pessoas que insistem em dizer que Omolokô não é Umbanda. O pior é que pessoas que dizem isso afirmam ser "filhos ou netos 'de Santo'" de Tata Tancredo!
Ora, Tata Tancredo, o "Papa da Umbanda", que falava de Umbanda, que fundou federações de Umbanda, que organizou eventos de Umbanda não era umbandista? Era o quê?
Como pessoas que se dizem de Omolokô renegam a Umbanda? O que as levam a fazer isso? As respostas foram dadas no primeiro parágrafo: racismo estrutural e epistemicídio, além, é claro, de interesses financeiros e a "vontade" de ser diferente, de ser especial.
Autor baba Mário filho
Dirigente do templo caboclo Pantera negra