16/04/2023
O CATOLICISMO ROMANO HOJE
Por: Dr. Augustus Nicodemos
O Catolicismo não precisa de apresentação. Ainda é a religião com maior número de adeptos no Brasil, embora este número venha caindo. Em 1940, 95% dos brasileiros eram católicos. Em 1991, esse número caiu para 83%. Em 2000, caiu mais ainda, para 73,6%. Em 2010, 64,6% dos brasileiros se declararam católicos.
Não temos os números atuais, mas é plausível que os números de católicos no Brasil tenham caído mais ainda, coincidindo com o crescimento dos evangélicos no Brasil, especialmente os pentecostais. Lembremos ainda que dessa quantidade de católicos declarados, uma porcentagem apenas é praticante.
Em 313 d. C. o Imperador Constantino assinou o Édito de Milão, concedendo liberdade de religião aos cidadãos do Império Romano. Com isso, o Cristianismo, que era considerada religião ilegal, expandiu-se e não demorou que se tornasse a religião oficial do Império Romano.
Multidões aderiram ao Cristianismo para ganhar o favor imperial. Não se conformando com a pureza do simples Evangelho, a Igreja cristã começou a acrescentar ritos pagãos e a modificar doutrinas.
No séc. XI (1054) houve o Grande Cisma do Oriente, quando os líderes da Igreja de Roma (Ocidente) e da igreja de Constantinopla (Oriente) se excomungaram mutuamente, nascendo a Igreja Católica Apostólica Romana e a Igreja Católica Apostólica Ortodoxa. A causa, entre outras, foram as pretensões do papa de Roma de ser pai de toda cristandade. Em 1965 suspenderam as excomunhões.
No sec. XVI houve uma tentativa de reformar a Igreja, da parte de homens como Lutero, Calvino, Zwinglio, Huss, etc. Não sendo possível, separaram-se, nascendo a Igreja Protestante ou Reformada. Em 1546 a Igreja Católica Apostólica Romana se reuniu em concílio na cidade de Trento, e durante 18 anos discutiu e decidiu o que fazer diante do crescimento da Reforma em todo mundo. Esse concilio foi chamado da Contra Reforma Protestante.
Suas principais decisões em relação aos protestantes foram essas: (1) Condenou a doutrina protestante da justificação pela fé somente; (2) Declarou, como texto bíblico autêntico a tradução de São Jerônimo denominada "Vulgata" (popular, ou de uso popular, em latim) e com ela, os livros apócrifos, que até então não faziam parte do cânon bíblico usado pela Igreja desde sua origem; (3) Os sete sacramentos da Igreja (batismo, confirmação, eucaristia, matrimônio, ordens, confissão auricular, extrema unção) foram mantidos, como os meios que Deus usa para salvar pecadores; (4) Manteve o culto dos santos e relíquias; (5) Reafirmou a doutrina do purgatório e das indulgências; (6) reafirmou e fortaleceu o papel do papa como sucessor de Pedro. Nesse concílio, ao contrário dos concílios anteriores, foi estabelecida a supremacia dos papas, tendo o papa Pio IV que ratificar suas decisões.
Essas doutrinas não foram adotadas pela Igreja Católica com base nas Escrituras, que no catolicismo tem autoridade igual ao magistério católico, mas no que consideram revelação de Deus mediante a Igreja, que consiste numa expansão daquilo que a Bíblia diz. Não é sem razão que o lema central da Reforma foi Sola Scriptura (Somente a Escritura). Somente a Bíblia é nossa regra de fé e prática. A aceitação de outras fontes de revelação e autoridade abre as portas para doutrinas espúrias, como por exemplo, aquelas relacionadas com Maria (virgindade perpétua, nasceu sem pecado, co-medianeira, ascendeu aos céus depois da morte).
Em outras palavras, a Igreja Católica não aceitou o apelo dos Reformadores para retornar a um cristianismo bíblico, abandonando as doutrinas que foram acrescentadas sem fundamento bíblico. Não somente continuou como era, mas endureceu ainda mais os seus posicionamentos.
Os dogmas do concílio de Trento nunca foram revogados. Apesar das decisões do Concílio Vaticano II (1961-1965) sinalizarem de maneira amigável para os protestantes, a Igreja Católica nunca mudou seus posicionamentos. Atualmente a Igreja Católica tem uma grande influência política no mundo, e tenta revitalizar-se com papas carismáticos, como o papa Francisco, que tem o ecumenismo como ponto central de sua agenda. Contudo, experimenta em todo lugar uma diminuição acentuada de sua membresia. Uma das reações do catolicismo tem sido o investimento pesado nas mídias sociais, através de blogueiros, “digital influencers” e canais digitais onde ataca os evangélicos e propaga as doutrinas católicas. A conversão de “evangélicos” ao catolicismo, especialmente de pastores, é festejada e destacada por esses canais, muito embora o número de católicos que se convertem ao evangelicalismo seja muito maior.
É muito importante que os evangélicos conheçam mais de perto o catolicismo romano para entender os motivos que levaram à Reforma protestante.