14/03/2019
14 de março – nascimento de Dehon: uma vida em chave vocacional
A data 14 de março é significativa para toda a Família Dehoniana: dia do nascimento do seu pai espiritual - um dom para a Igreja e para o mundo, pois em sua história pessoal se abriu a ação do Espírito, com uma tal entrega, que portou para todos ‘seiva’ nova, gerada na profecia do amor e no serviço da reconciliação. Data a celebrar a vocação dehoniana.
Neste ano, em especial, dois fatos a serem destacados. Primeiro, nesta data encerra-se o ‘Ano Vocacional Dehoniano’ da Província Brasil São Paulo, razão pela qual deveríamos nos perguntar: nossas pastorais, movimentos, espiritualidade, enfim, nossas comunidades paroquiais tem uma chave de compreensão ‘vocacional’? Nós, pessoalmente, buscamos a clareza de compreender nossas próprias vidas como a realização de uma vocação? Será que nos percebemos como um ‘povo’ em missão? Segundo, estamos no transcorrer do ano do ‘Coração Ferido’, celebrado por toda a Família Dehoniana. Neste ponto, não seria demais relembrarmos um pequeno trecho da mensagem do ano passado, enviada pelo então Superior Geral SCJ, Pe Heinrich Wilmer, que assim nos falou: “O ícone do ‘Coração Ferido’ sabe revelar a vida interior e íntima feita de desejos e expectativas, de frustrações e sofrimentos. Aponta para os sentimentos de muitas pessoas, torna vivas as sua lágrimas e angústias, as suas torturas e sofrimentos até o sangue. Tudo o que está próximo do homem traz consigo o sinal da ferida” (Prot. N. 0072/2018, de 01/03/2018). E, mais uma vez, não podemos nos furtar à pergunta: nossa vida paroquial, comunitária e pessoal tem sido vivida na perspectiva do ‘serviço da reconciliação’? Percebemos que falar em Coração Ferido não é exercício de pieguismo (sentimentalismo exagerado), mas convocação ao cuidado, ao acolhimento, ao perceber a dor do outro como ‘clamor’ que se eleva ao céu e que exige minha solidariedade?
Notamos, assim, que falar em vocação é falar em forma concreta de ‘empenho de vida’, com implicações na nossa maneira de ver e agir no mundo, como uma forma de ‘estar presente’ na cotidianidade da sociedade na qual vivemos.
Mas como viver uma vida em chave vocacional? Dehon nos deixou algumas pistas: intimidade com a Palavra de Deus, fazer memória da própria história pessoal, sensibilidade eucarística, sentir com a Igreja, atenção aos sinais dos tempos, assumir com maturidade as próprias dores e, acima de tudo, confiança inabalável no amor de Deus: pois Aquele que chama e envia, está presente em nosso meio e caminha conosco através da nossa história.
A vida de Dehon nos lembra que o Senhor nos ama e é amado em cada um daqueles a quem servimos!
Vicente Bruno Cavalcanti de Oliveira
(Coordenador Geral dos Leigos Dehonianos da Província Brasil-São Paulo)