Gotas de Torá

Gotas de Torá Rabanit Ruth Benaion Benzaquen. Aulas de Torá para nos conhecermos melhor e melhorar nossas ações.

05/06/2026

B”H
A Parashá Beha’alotcha nos ensina fundamentos profundos sobre liderança, humildade, confiança em D’us e, sobretudo, sobre a luz espiritual. Logo em sua abertura, a Torá descreve o acendimento da Menorá o candelabro de sete braços que deveria arder constantemente no Mishkán.
Mas será que D’us precisa da luz da Menorá?
Certamente não. A Menorá não existe para iluminar D’us, mas para iluminar o homem.
O ser humano, limitado em sua percepção espiritual, necessita de símbolos físicos para se conectar ao Infinito. A Menorá representa essa ponte: ela transforma luz material em consciência espiritual.
Os sete braços da Menorá aludem aos sete dias da semana, ensinando que a conexão com Hakadosh Baruch Hu não deve ser ocasional, mas constante, não deve ser apenas no Shabat ou em Yom Kipur, mas em todos os momentos da vida.
A própria palavra “Beha’alotcha” vem da raiz de “aliá” (subida). Não basta acender a chama, é preciso elevá-la até que ela se sustente sozinha e se direcione para o alto. Assim também é o crescimento espiritual: verdadeiro quando se torna interno, firme e independente.
Uma vela acesa tem uma característica única:
ela pode acender outras velas sem perder sua própria luz.
Esse é um dos ensinamentos mais profundos da Menorá:
o crescimento espiritual não é competição é multiplicação.
Quando vemos o brilho do outro, não devemos sentir ayin Hará (inveja ou olhar negativo), mas compreender que:
A luz dele não diminui a minha, pelo contrário, pode acender a minha também.

O Rambam ensina que o caminho correto é o equilíbrio e a elevação constante do caráter. A luz da Menorá simboliza o intelecto iluminado pela Torá.
Assim como uma chama sobe naturalmente, o homem deve elevar sua mente e suas ações.
Ver o sucesso do outro não é motivo de inveja, mas um convite à própria elevação.
Rav Kook escreve que cada alma possui uma luz única, e todas juntas formam uma grande luz coletiva de Israel.
Quando alguém brilha, ele está revelando uma parte da luz divina no mundo.
Sentir Ayin Hará contra isso é, na verdade, rejeitar a própria luz de D’us.
O correto é alegrar-se: quanto mais luz, mais redenção.
(Rabbi Nachman de Breslev ensina que cada pessoa tem um “ponto bom” (Nekuda Tová)).
Mesmo uma pequena chama tem valor infinito.
Ao reconhecer o bem no outro, nós fortalecemos a nossa própria chama.
A inveja apaga, mas a valorização acende, ou seja, quando valorizamos alguém, nós também nos elevamos.
A Menorá nos ensina três níveis de vida espiritual:
Acender a própria luz é desenvolver conexão com D’us
Elevar essa luz é crescer constantemente
Acender outras luzes é influenciar sem perder nada
Quando entendemos isso, eliminamos o ayin Hará da nossa vida.
Pois a verdade é simples e profunda:
A luz do outro não ameaça a minha ela prova que há mais luz possível.
Portanto amiga que possamos aprender com Aharon HaCohen: acender com paciência. Elevar com constância, e iluminar sem inveja.
Que sejamos como a Menorá: fontes de luz que acendem outras luzes sem nunca diminuir.
Que a Kedushá das luzes de Shabat iluminem eternamente nossas vidas.
Shabat Shalom Umevorach.
RABANIT RUTH BENAION BENZAQUEN.

29/05/2026

B”H
A Parashá Nassó é a maior da Torá, e isso nos leva a perguntar: por que tanto destaque? Seu tema central é a responsabilidade. “Nassó” significa elevar, mas também carregar ensinando que a verdadeira elevação vem daquilo que assumimos.
Rashi nos diz o seguinte: “De acordo com quem a pessoa é assim ela é elevada.” A grandeza não está em momentos extraordinários, mas na constância das responsabilidades diárias.
Os Leviim tinham funções diferentes no Mishkán, mostrando que cada pessoa tem um papel único. O Ramban ensina que a verdadeira honra está em servir, não em ser servido.
O episódio da Sotá (a mulher suspeita) pode ser entendido, segundo a abordagem chassídica, como uma metáfora da alma que se desviou. Mesmo ali, a Torá oferece um processo de restauração. Isso revela um princípio essencial de Breslev: Hashem não quer destruir, mas reparar.
A Parashá também aborda ética, pureza e o Nazir, ensinando equilíbrio: não fugir do mundo, mas viver nele com consciência. O Baal Shem Tov reforça que quem levanta os outros se eleva mais alto.
Na Birkat Cohanim, Hashem “eleva” o rosto sobre o povo mostrando que quem sustenta o próximo recebe elevação divina.
A repetição das oferendas dos líderes ensina que cada ato, mesmo igual, tem valor único e que a espiritualidade se constrói na constância.
Rav Kook resume: a grandeza está no que damos aos outros.
Nassó revela amiga que honra (kavod) e paciência (savlanut) vêm da capacidade de carregar. O mundo valoriza poder; a Torá valoriza responsabilidade.
A maior Parashá da Torá nos ensina a maior lição da vida.
Ser grande é assumir responsabilidade.
Ser elevado é levantar outras pessoas.
Cada um pode diminuir o peso do outro, cada um pode assumir uma parte da responsabilidade.
E assim, a comunidade se mantém firme, pois quem carrega o próximo, é carregado por Hashem, quem levanta os outros, é elevado pelo Céu.
Shabat Shalom Umevorach.
RABANIT RUTH BENAION BENZAQUEN.

20/05/2026

B”H
Essa noite BZH vamos comemorar Shavuot.
Sabemos que esse dia de Shavuót não é apenas a recordação da entrega da Torá.
É o reencontro da alma com sua origem.
Naquele momento no Har Sinai, o céu e a terra deixaram de ser distantes.
Hashem desceu ao mundo, e o homem foi elevado ao infinito.
A festa de Shavuót nos ensina que a Torá não é apenas um livro sagrado,
mas a própria respiração espiritual do povo de Israel.
Cada letra contém luz, cada mitzvá revela um caminho,
e cada geração recebe novamente a oportunidade de dizer:
“Naassê Venishmá” — faremos e compreenderemos.
O deserto onde a Torá foi entregue não foi escolhido por acaso.
O deserto é vazio, tem silêncio e humildade.
Porque somente um coração humilde consegue se tornar morada da Shechiná.
O grande tzadik Rabbi Akiva ensinava:
“Veahavta lereacha kamocha , este é o grande princípio da Torá.”
A verdadeira preparação para Shavuót amiga, não acontece apenas no estudo,
mas principalmente na forma como tratamos o próximo.
O Baal Shem Tov dizia:
“Uma alma desce ao mundo por setenta ou oitenta anos apenas para fazer um favor a outro judeu.”
Isso nos revela que a Torá só é completa quando gera bondade, compaixão e união.
Já o Rabbi Nachman de Breslov ensinava:
“Se você acredita que pode destruir, acredite também que pode consertar.”
Shavuót é justamente essa força de reconstrução espiritual.
Não importa quantas quedas a pessoa teve durante o ano;
ao receber novamente a Torá, ela renasce.
Nossos sábios explicam que todas as almas judaicas estavam presentes no Sinai.
As almas dos pais, dos filhos, dos netos e das futuras gerações.
Por isso, quando estudamos Torá, não estamos apenas aprendendo;
estamos despertando uma memória eterna da alma.
A luz de Shavuót também é comparada ao fogo.
O fogo ilumina, aquece e transforma tudo o que toca.
Assim também é a Torá:
ela ilumina a mente, aquece o coração e transforma a vida.
Nesta noite sagrada, cada palavra de Torá estudada abre portões nos Céus.
Cada Tehilim recitado cria luz.
Cada lágrima sincera se transforma em tefilá diante do Kisse Hakavod.
Amiga que neste Shavuót possamos receber a Torá com alegria verdadeira,
com pureza no coração e fé renovada.
Que a Shechiná habite nossos lares,
que haja saúde, sustento, paz e união em todo Am Israel.
Que possamos sentir novamente a voz de Hakadosh Baruch Hu ecoando no Sinai dentro da nossa alma,
e que nunca deixemos apagar a chama sagrada da Torá.
Chag Shavuót Sameach.
Shabat Shalom Umevorach
*RABANIT RUTH BENAION BENZAQUEN*

15/05/2026

B”H
A Parashá Bamidbar abre um novo livro da Torá e, mais do que relatar eventos, ela inaugura uma nova forma de existência espiritual para o povo de Israel. Após a saída do Egito, a revelação no Sinai e a construção do Mishkán, agora a Torá nos conduz para uma realidade onde a presença de Hashem precisa ser vivida de maneira constante e organizada. Não é por acaso que tudo começa no deserto. O termo “Bamidbar” “no deserto” carrega em si uma mensagem profunda. O Baal Shem Tov ensina que o deserto representa um estado de anulação, um lugar onde não há posse, não há ego inflado, não há distrações; é um espaço vazio que permite que a pessoa se torne um kli (recipiente), adequado para receber a presença divina. Já o Rav Kook escreve que o deserto não é ausência de vida, mas sim um campo de potencial ainda não revelado. Assim, a Torá começa nos ensinando que antes de organizar o mundo externo, o ser humano precisa organizar seu interior, esvaziando-se para que algo verdadeiro possa ser construído.
Logo em seguida, Hashem ordena a contagem do povo. À primeira vista, trata-se de um censo técnico, militar, contando os homens aptos para o serviço. No entanto, os comentaristas revelam uma dimensão muito mais profunda. O Rashi explica que Hashem conta o povo repetidamente por amor, como alguém que conta suas joias preciosas. Essa contagem na Torá, não é para reduzir as pessoas a números, mas afirmar o valor singular de cada indivíduo. Em um mundo que frequentemente mede as pessoas por quantidade ou utilidade, a Torá afirma que cada alma possui um valor absoluto e insubstituível. Antes mesmo de formar um acampamento coletivo, Hashem revela que a base da santidade nacional é o reconhecimento da importância de cada pessoa.
A organização das tribos ao redor do Mishkán reforça ainda mais essa ideia. Cada tribo possui seu lugar específico, sua bandeira, sua identidade, mas todas estão voltadas para um mesmo centro Podemos aprender com isso, que vida ideal não é caótica nem centrada no ego humano, mas organizada ao redor de Hashem. O Rabi Nachman de Breslov afirma que cada pessoa tem um lugar único no mundo e que sair desse lugar é perder sua missão. Assim, a disposição das tribos não é apenas geográfica, mas profundamente espiritual: ela ensina equilíbrio, propósito e direção.
No centro desse sistema estão os Leviim, separados para o serviço do Mishkán. O Rambam ensina que a escolha da tribo de Levi não foi baseada em status, mas em sua dedicação a Hashem. Isso revela um princípio essencial: a espiritualidade não é garantida por nascimento ou posição, mas conquistada por escolhas e fidelidade.
Nossos sábios nos ensinam que a santidade do Mishkán só se concretiza quando todas as funções, mesmo as aparentemente menos elevadas, são realizadas em harmonia. Isso nos mostra amiga que na verdade, cada detalhe é essencial para a presença Divina se manifestar no mundo. Ao mesmo tempo, a Torá estabelece limites claros: os utensílios mais sagrados, como a Arca, não podiam ser vistos diretamente pelos Leviim antes de serem cobertos por Aharon e seus filhos. O Midrash ensina que a proximidade com a santidade exige preparação, pois uma luz muito intensa, quando recebida sem kli (recipiente) adequado, pode se tornar perigosa. Isso nos ensina que o crescimento espiritual precisa ser gradual, estruturado e guiado.
Ao longo de toda a Parashá amiga, percebe-se um movimento claro: transformar o deserto em um espaço habitável espiritualmente. O deserto, que simboliza vazio e desordem, torna-se um acampamento organizado, onde cada pessoa tem seu lugar, cada tribo tem sua função e tudo gira ao redor da presença de Hashem. Essa transformação não é apenas histórica, mas existencial. Cada pessoa vive, em algum momento, seu próprio “deserto”, momentos de confusão, vazio ou falta de direção. Bamidbar nos ensina que esses momentos não são o fim, mas o início de uma construção. Quando a pessoa reconhece seu valor, encontra seu lugar e coloca Hashem no centro de sua vida, o deserto deixa de ser desolação e se transforma em um espaço de significado.
Essa Parashá Bamidbar nos apresenta uma pergunta profunda: a nossa vida está organizada ao redor de algo sagrado ou dispersa como um deserto vazio?
A resposta a essa pergunta define não apenas a nossa relação com Hakadosh Baruch Hu, mas também o sentido da nossa existência.
Shabat Shalom Umevorach.
RABANIT RUTH BENAION BENZAQUEN.

08/05/2026

B”H
Nesta semana lemos duas Parashiot:
Parashat Behar e Parashat Bechukotai.
E justamente nesta proximidade do Dia das Mães, encontramos nelas uma mensagem profunda sobre cuidado, responsabilidade, continuidade e bênção,valores que se refletem na essência da maternidade judaica.
A Parashá Behar nos ensina sobre a Shemitá, o ano sabático da terra. A terra descansa, mas nunca deixa de gerar vida. Assim também é uma mãe: mesmo quando silenciosa em seus próprios sonhos e necessidades, continua sustentando, alimentando e fazendo florescer aqueles que ama. A maternidade judaica é comparada à terra fértil que acolhe a semente, protege o crescimento e prepara o futuro.
Já em Bechukotai, a Torá fala das bênçãos que recaem sobre o povo quando caminhamos nos caminhos de Hashem. Entre essas bênçãos estão a paz no lar, a continuidade das gerações e a presença Divina entre nós. E onde essa presença repousa com mais força senão dentro de uma casa construída com amor, dedicação e temor a D”s?
No judaísmo amiga,a maternidade não é apenas biológica; ela é espiritual. Uma mãe transmite identidade, valores, fé e memória. Ela conecta passado, presente e futuro. Carrega em si as marcas das gerações anteriores e planta nos filhos as sementes das próximas gerações de Israel.
Nossas matriarcas Sarah, Rebecca, Rachel e Leah ,não foram apenas mães; foram construtoras espirituais do povo judeu. Delas aprendemos que ser mãe é também educar, proteger, rezar, sustentar emocionalmente e manter viva a chama da Torá dentro do lar.
Sobre nossa matriarca Sara, a Torá relata que Hashem disse a Abraão:
Tudo o que Sara lhe disser, escute a voz dela.
Essa passagem revela a grandeza da mulher judaica dentro da família: não como alguém secundário, mas como parceira espiritual essencial na construção do lar judaico.
Em Israel não existe tradicionalmente um “Dia das Mães” separado, mas sim o Dia da Família, celebrado na data ligada a Henrietta Szold, mulher que dedicou sua vida ao cuidado do povo judeu. Ainda assim, no judaísmo, toda mãe é homenageada semanalmente nas noites de Shabat, quando antes do Kidush entoamos o cântico Eshet Chayil:
No livro de provérbios está escrito .
“Mulher virtuosa, quem a encontrará?”
Essas palavras do Rei Salomão tornaram-se um tributo eterno às mulheres e mães de Israel, reconhecendo sua força, sabedoria e dedicação silenciosa.
Após a destruição do Segundo Templo ensinam nossos sábios que a Presença Divina passou a repousar em cada lar judaico. Cada casa tornou-se um pequeno Mishkan, e a mãe é muitas vezes o coração espiritual desse santuário.
É ela quem transmite aos filhos os valores da ética, da compaixão, da fé e das mitzvot. É ela quem muitas vezes sustenta emocionalmente a família, orientando os filhos para a Torá, para a Chupá e para a continuidade do povo judeu.
Amiga que nesta semana de Behar e Bechukotai possamos refletir sobre as bênçãos que recebemos através de nossas mães e reconhecer o quanto elas representam o amor, a entrega e a presença de Hashem dentro de nossos lares.
Dedico esta mensagem a todas as mães, especialmente à minha mãe, Lecticia bat Léa, que continua sendo meu norte e exemplo de amor, dignidade, fé e dedicação à família.
Shabat Shalom Umevorach.
*Rabanit Ruth Benaion Benzaquen*

01/05/2026

B״H
A Parashá desta semana, Emor (“Diga”), não é apenas uma instrução técnica dirigida aos Cohanim, ela é um chamado profundo para cada judeu sobre como usar a fala, um dos maiores dons que recebemos de Hashem.
A Torá nos ordena: “Emor” “Diga!”.
Mas os nossos sábios revelam: não é apenas falar é saber como falar.
O Midrash nos ensina que todas as declarações de Hashem são “imrot tehorot” palavras puras. Diferente de um rei de carne e osso, que pode prometer e não cumprir, Hashem é a própria Verdade (Emet) e tudo o que Ele diz se concretiza.
O Rambam (Maimônides) escreve que o ser humano deve imitar os caminhos de Hashem (Hilchot Deot), e isso inclui nossa fala.
Se somos conectados a Ele, então nossas palavras também têm poder para construir ou destruir mundos.
O Chafetz Chaim, o grande mestre da guarda da língua, ensinava:
“A língua é como uma flecha uma vez lançada, não pode ser recolhida.”
O Rambam nos ensina algo forte e prático:
“É uma Mitzvá amar cada judeu como a si mesmo e por isso, falar a seu favor.”
Não temos apenas que evitar o Lashon Hará procurar o bem no outro e expressá-lo.
O Rav Kook explicava que quando enxergamos o bem no outro, não estamos inventando estamos revelando sua essência divina que às vezes está escondida.
Amiga mesmo quando vemos alguém errar, a Torá nos ensina a julgar com bondade.
Não é por acaso que Parashá Emor é lida durante Sefirat HaOmer.
Nestes dias lembramos os 24.000 alunos de Rabi Akiva, que faleceram porque não se respeitavam adequadamente.
O problema não era falta de Torá era falta de refinamento no trato com o outro, especialmente na fala.
Quando você elogia alguém algo profundo acontece, pois temos que ter cuidado até para elogiar, não falar apenas para agradar, mas para revelar o bem oculto naquela pessoa, para fortalecer sua identidade positiva.
Amiga a Parashá nos deixa uma mensagem para que possamos exercitar:
Antes de falar pense: isso constrói ou destrói?
Procure algo bom em cada pessoa e diga isso
Evite qualquer forma de fala negativa, mesmo sutil
Julgue sempre com bondade.
Portanto quando formos dizer algo, vamos dizer com pureza, com amor, com verdade.
Que possamos usar nossa fala para refletir a luz de Hashem neste mundo, elevando os outros e a nós mesmos.
Shabat Shalom Umevorach.
RABANIT RUTH BENAION BENZAQUEN.

24/04/2026

B”H
Nesta semana leremos duas Parashiot: Acharei Mot e Kedoshim.
Em Acharei Mot, após a morte dos filhos de Aharon, Hashem instrui os Cohanim a terem extremo cuidado ao entrar no Mishkán. Em Yom Kipur apenas o Cohen Gadol pode entrar no lugar mais sagrado, o Kodesh HaKodashim, depois de intensas preparações espirituais e utilizando vestes específicas de santidade e humildade.
Ele oferece os Korbanot especiais de Yom Kipur, incluindo os dois bodes idênticos, que são designados por sorteio: um para Hashem e outro para Az**el. O Rambam explica que todo esse serviço tem como objetivo despertar no homem o arrependimento sincero e a purificação interior, mostrando que a proximidade com Hashem exige preparo, reverência e consciência.
Já a Parashá Kedoshim é uma Parashá central, que contém um dos ensinamentos mais conhecidos de toda a Torá:
“Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Vayikrá 19:18).
Sobre esse versículo, o grande sábio Hillel declarou:
“Isto é toda a Torá; o resto é comentário. Vai e aprende.” (Talmud, Shabat 31a).
Da mesma forma, Rabbi Akiva ensina: “Este é um grande princípio da Torá!” (Sifrá, Kedoshim).
No entanto, surge uma questão profunda: como é possível amar o próximo como a si mesmo amiga?
O Ramban explica que a Torá não exige um sentimento idêntico ao amor próprio, mas sim que desejemos ao outro todo o bem que desejamos para nós mesmos. Ou seja, agir com o outro com a mesma consideração, cuidado e dignidade que temos conosco.
Isso inclui cuidar dos bens do próximo como cuidamos dos nossos; proteger sua honra; falar bem dele e evitar qualquer forma de Lashon Hará; preocupar-se com seu bem-estar físico e emocional; não se beneficiar ou se engrandecer à custa do outro.
Nossos Sábios ensinam: que está escrito no Talmud que “Aquele que se enaltece a custa do seu próximo não tem porção no Mundo Vindouro”.
Por outro lado, aquele que trata o próximo com bondade e paz santifica o Nome de Hashem.
O Rav Kook aprofunda ainda mais essa ideia, ensinando que o amor ao próximo é, na verdade, uma expressão do amor a Hashem, pois todas as almas de Israel estão profundamente conectadas em sua essência.
Portanto amiga, a pessoa deve elogiar o outro, respeitá-lo e cuidar de seus bens da mesma forma que deseja ser honrada e protegida. Não devemos jamais nos engrandecer por meio da humilhação ou difamação de alguém, pois isso nos leva a transgressões graves como o Lashon Hará.
Que possamos aprender dessas Parashiot a viver com santidade não apenas em momentos elevados, como em Yom Kipur, mas também no nosso dia a dia através do respeito, da empatia e do amor verdadeiro ao próximo.
Shabat Shalom Umevorach
Rabanit Ruth Benaion Benzaquen

17/04/2026

B”H
Nesta semana lemos duas Parashiot juntas: Tazria, que significa “dar à luz”, e Metzorá, que se refere à pessoa atingida pela tzaráat, muitas vezes comparada à “lepra”.
À primeira vista, parecem temas distintos, mas, na verdade, ambas falam sobre algo muito profundo: a fragilidade humana e a necessidade de purificação tanto física quanto espiritual.
A Parashá Tazria nos mostra o milagre e a vulnerabilidade, quando a Torá nos ensina que a mulher após o parto entra em um estado de impureza, isso pode soar estranho. Mas, ao refletirmos com mais profundidade, percebemos que não se trata de algo negativo e sim de algo extremamente humano e sensível.
A mulher, após dar à luz, está em um momento de total vulnerabilidade. Ela está exausta, sensível, se reconstruindo física e emocionalmente, enquanto aprende a conhecer aquele ser que agora depende completamente dela.
Os dias que sucedem o parto são dias de reconstrução com seu próprio eu, conexão com aquele que saiu de suas entranhas, adaptação a sua nova rotina, e o fortalecimento, não só físico, mas espiritual.
O Rambam nos ensina que os estados de pureza e impureza representam transições profundas da alma. E o Rav Kook explica que, após um momento de grande elevação espiritual, é necessário um recolhimento para internalizar essa luz.
Dar à luz é um dos momentos mais elevados da existência humana é de certa forma, imitar o Divino. Mas logo depois dessa elevação, vem à necessidade de um afastamento.
E eu entendo isso como um presente da Torá. Esse tempo é para a mulher se reconstruir, se reorganizar, criar vínculo com seu filho e, depois, retornar ao mundo mais inteira.
A imersão na mikvê simboliza exatamente isso: um renascimento. Uma nova mulher, um novo ciclo.
Já a Parashá Metzorá nos mostra o poder da palavra
A Parashá Metzorá nos traz um alerta muito forte sobre o poder da fala.
A tzaráat, segundo nossos sábios, está ligada ao pecado de Lashon Hará.
O Rabbi Shimon bar Yochai ensina que a palavra tem poder de criar realidades. E o Rei David já dizia: “Quem deseja a vida guarda sua língua do mal.”
Amiga vamos refletir quantas vezes uma palavra pode construir
e quantas vezes pode destruir completamente alguém?
Os nossos sábios chegam a comparar o Lashon Hará ao assassinato. Porque tirar a honra de alguém é como tirar sua vida. E isso é algo muito sério.
Há uma historinha muito interessante sobre a língua
Um rabino pediu ao seu aluno que trouxesse a melhor parte do animal ele trouxe a língua.
Depois esse mesmo sábio pediu a pior parte e ele trouxe novamente a língua.
Isso nos ensina que tudo depende de como usamos nossas palavras.
Elas podem: nos dar vida, ou destruir vidas.
Mas será que existe uma ligação entre as Parashiot?
A resposta é sim, a Tazria, vemos o poder de gerar vida, e a Metzorá, vemos o poder de destruir com a fala.
Ou seja, o mesmo ser humano que pode criar, também pode destruir.
Meu pai, de abençoada memória, sempre dizia: “O que mata não é a arma, é o comando de dizer ‘atire’.”.
E isso é exatamente o que a Torá está nos ensinando.
A responsabilidade não está apenas nas ações, mas também nas palavras.
Por isso amiga essas duas Parashiot nos ensinam duas coisas muito fortes:
Ter sensibilidade com quem está em um momento de fragilidade
e Cuidar daquilo que sai da minha boca
Porque, muitas vezes, ao falar Lashon Hará, podemos estar destruindo alguém por dentro tirando sua honra, sua alegria e até sua vontade de viver.
E sabemos que o dano causado pela fala é muito difícil de reparar.
Que possamos usar nossas palavras para construir, para elevar e para trazer vida ao mundo.
Shabat Shalom Umevorach
RABANIT RUTH BENAION BENZAQUEN

10/04/2026

B”H
A Parashá Shemini desta semana descreve um dos momentos mais elevados da história do povo judeu: a inauguração do Mishkán. A presença divina desce ao mundo de forma revelada. É o encontro entre o Céu e a Terra.
Mas, de forma surpreendente, esse momento sublime é marcado por uma tragédia: a morte de Nadav e Avihu, filhos de Aharon.
A Haftará dessa Parashá reflete essa mesma tensão: quando a Arca é levada a Jerusalém, Uza morre ao tentar segurá-la.
O que existe em comum nesses episódios?
Aqui estamos vemos o perigo das boas intenções sem limites.
O Rashi explica que Nadav e Avihu trouxeram um “fogo estranho” algo que não foi ordenado por Hashem.
Eles não eram rebeldes. Pelo contrário: eram elevados espiritualmente e buscavam proximidade com Hashem, e estavam cheios de devoção.
Mas cometeram um erro fundamental, serviram a Hashem segundo sua própria vontade e não segundo a vontade de Hashem.
Da mesma forma, Uza quis evitar que a Arca caísse. Sua intenção era proteger o sagrado.
Mas ele esqueceu algo importante, a Arca não precisa do homem. O homem é que precisa dela.
Vemos também que o amor sem temor não se sustenta
O Ramban nos ensina que o erro de Nadav e Avihu foi uma aproximação excessiva, sem os limites adequados.
Eles tinham amor (ahavá), mas faltou temor (yir’á).
No judaísmo, o equilíbrio é essencial, como na vida amor sem limites ao leva ao excesso, como também o temor sem amor, nos distancia.
O verdadeiro serviço a Hashem é a harmonia entre proximidade e respeito.
Uza errou quando agiu com familiaridade demais diante do sagrado, contrastando com o Rei David.
Quando finalmente a Arca chega a Jerusalém, vemos uma reação completamente diferente no Rei David:
Ele dança com toda a sua força diante de Hashem.
O que isso representa?
Que David se anula diante de Hashem, ele não age por impulso próprio, ele direciona sua emoção dentro da vontade Divina.
Sua dança não era um ato descontrolado, mas sim uma expressão de submissão total.
Michal esposa de David achava que um rei como David deve manter sua dignidade, e que tem que haver limites para se expor.
Mas David responde com uma das declarações mais profundas da Torá:
“Foi diante de Hashem que eu dancei e ainda me rebaixarei mais.”
Aqui está um ponto importante enquanto Michal vê honra humana David vive verdade divina
Amiga vivemos em uma época que se valoriza, sentimentos, intenções, e autenticidade pessoal.
Mas a Torá nos ensina algo paradoxal, que as boas intenções não são suficientes.
Nadav e Avihu nos ensinam que espiritualidade sem limites pode destruir, Uza nos ensina que familiaridade com o sagrado pode cegar. E David nos ensina que quando a emoção e obediência se unem, nasce à verdadeira Avodá Hashem.
Portanto amiga Hashem não busca apenas o que sentimos ELE busca que transformemos nossos sentimentos em obediência.
Shabat Shalom Umevorach.
RABANIT RUTH BENAION BENZAQUEN.

07/04/2026

B”H.
Amiga chegamos ao sétimo dia de Pessach que é um dos momentos mais elevados espiritualmente de toda a festa. Ele marca o milagre da abertura do mar, o evento conhecido como Abertura do Mar Vermelho, quando o povo de Israel atravessou em terra seca e viu a completa queda das forças que os escravizavam.
Existe uma visão cabalística, que esse dia representa algo muito mais interno do que externo que é.
A ruptura final das limitações (Yetziat Mitzraim interior).
O Egito (Mitzraim) simboliza “estreiteza”, bloqueios emocionais, espirituais e até financeiros. No sétimo dia, não é apenas sair do Egito é romper definitivamente com aquilo que te prende.
Existe também uma revelação de fé absoluta (Emuná)
Ao entrar no mar antes dele se abrir, o povo atingiu um nível de fé acima da lógica. Nossos sábios ensinam que nesse dia há uma abertura espiritual para milagres que vêm quando a pessoa age com confiança total em D’s.
Também temos o julgamento das forças negativas, pois assim como os egípcios foram submersos, simbolicamente este é um momento de anulação de energias negativas, inveja, processos difíceis e oposições.
Neste dia foi entoado o Shirat Hayam (Cântico do Mar). Espiritualmente, isso representa quando a alma finalmente consegue expressar sua verdade sem bloqueios.
Esse dia não é apenas um dia de lembrança é um dia de decisão espiritual.
Amiga você não foi tirada do Egito para viver com medo, você não atravessou o mar para continuar preso ao passado.
Portanto o sétimo dia de Pessach te chama para cortar vínculos com aquilo que te enfraquece, parar de negociar com situações que te fazem sofrer, e acreditar que o impossível pode se abrir mesmo quando tudo parece fechado.
Assim como o mar se abriu, aquilo que parece impossível na sua vida também pode se abrir agora.
Chag Sameach
RABANIT RUTH BENAION BENZAQUEN

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