Gotas de Torá

Gotas de Torá Rabanit Ruth Benaion Benzaquen. Aulas de Torá para nos conhecermos melhor e melhorar nossas ações.

06/08/2026

B”H.
A Parashá da semana Reê lida no ultimo Shabat do mês de Av, e em seguida temos Rosh Chodesh de Elul, mês que nos preparamos para Teshuvá, onde logo depois teremos os Yamim Noraim, que começa em Rosh Hashaná e culmina com Shemini Atsêret.
Reê que significa Vê, uma palavra é uma palavra no singular, porque Hashem vem falar conosco em particular, “Vê, eu ponho diante de vós hoje a bênção e a maldição”.
Rashi explica esse passuk dizendo “Com sua bondade, Hashem diz. EU lhe indico que escolham a vida, como alguém que diz ao seu filho: escolha uma parte boa na minha herança.”.
Hakadosh Baruch Hu nos deu o livre – arbítrio, e ELE nos aconselha a optar pelas Mitzvot, e aprimorar nossas Midot.
O texto enfatiza que cada pessoa deve escolher seu caminho, sabendo que suas ações têm impacto direto em sua vida e na comunidade.
Todo homem tem o livre arbítrio, ou seja, significa ter liberdade, essa liberdade quer dizer seguir no bom caminho, e ser integro, por poder está em suas mãos, ou seguir o caminho do mal.
“Seguir os mandamentos de Hashem, poder escolher uma vida de amor, e tranquilidade, de nada adianta você ter uma ‘ aparência” de bom judeu, fazendo boas ações em público, se na tua casa você não cumpri com o que D”s determina”.
Temos a escolha de partilhar um pedaço de pão com um pobre na rua mesmo não tendo muito, ou você tem a escolha de viver brigando por um pedaço de pão dentro de sua própria casa.
A Parashá Reê ensina também de forma direta que a idolatria deve ser completamente eliminada, pois ela afasta o povo de Hashem e corrompe a verdade. A Torá alerta que nem mesmo alguém próximo ou aparentemente justo pode ser seguido se tentar desviar do caminho correto. A fidelidade a Hashem vem acima de tudo.
Fonte rabínica: Rashi explica que essas provas vêm para revelar quem realmente ama Hashem “com todo o coração”, mostrando que a verdadeira Emuná não depende de sinais ou pessoas, mas da fidelidade absoluta à Torá.
O verdadeiro tzadik é Avraham Avinu que destruiu os ídolos de seu pai, permanecendo firme na verdade, mesmo sozinho, ensinando que o tzadik não negocia sua fé.
Ela também nos ensina a importância que as leis de kasherut definem o que o povo pode ou não comer, criando limites que fortalecem a disciplina e a identidade espiritual de Israel. Já as leis do dízimo e do cuidado com os pobres mostram que servir a Hashem também se expressa na responsabilidade de ajudar o próximo.
Essas leis unem santidade pessoal e justiça social, formando um povo consciente, disciplinado e compassivo.
O Ramban explica que os alimentos proibidos afetam a sensibilidade espiritual da pessoa, enquanto o Sifrei (comentários rabínicos) ensina que o dízimo foi dado para sustentar os necessitados e cultivar a generosidade no coração de Israel.
Dar não diminui a pessoa ela eleva. A riqueza não é apenas o que se guarda, mas o que se compartilha com propósito.
Esses temas são importantes amiga por que: A Parashá Reê ensina que o povo deve manter fidelidade a Hashem, rejeitando a idolatria e fortalecendo a unidade espiritual.
As leis de dízimo e caridade promovem justiça social e cuidado com os necessitados.
As leis alimentares e festas preservam a identidade judaica.
Cada pessoa é responsável por suas escolhas e suas consequências.
Assim, a Torá orienta a construir uma sociedade justa, unida e conectada a Hashem.
Portanto a Parashá Reê vem nos fortalecer a escolher sempre o caminho da bênção, com fidelidade a Hashem e coração íntegro.
Que possamos unir santidade pessoal e cuidado com o próximo, construindo luz e paz em nossas vidas.
Shabat Shalom Umevorach.
RABANIT RUTH BENAION BENZAQUEN

31/07/2026

B”H

A força da Tefilá com Kavaná
A Parashat Êkev nos ensina que as bênçãos de Hashem acompanham aqueles que escutam Sua voz e cumprem Suas mitzvot com amor e fidelidade. Moshê Rabenu exorta o povo de Israel a não repetir os erros da geração do deserto, que tantas vezes reclamou e se rebelou contra Hashem. Em vez disso, devemos fortalecer nossa Emuná, nosso temor ao Eterno e nossa confiança em Sua promessa.
Entre as mitzvot destacadas na parashá está o serviço da oração. A Torá afirma: “Ul’ovdô bechol levavchem” , “Servi-O com todo o vosso coração” O Talmud pergunta: “Qual é o serviço do coração?”
Amiga a resposta é a Tefilá
Nossos Sábios ensinaram: “Tefilá beli kavaná ke’guf beli neshamá” “Uma oração sem concentração é como um corpo sem alma.” As palavras podem sair dos lábios, mas é a intenção do coração que lhes dá vida.
Quando entramos na sinagoga, devemos lembrar que estamos diante da Shechiná. Por isso, conversar durante a reza, atender ou utilizar o celular, mesmo discretamente, prejudica não apenas a nossa concentração, mas também a daqueles que estão ao nosso redor. Cada pessoa que está rezando procura criar um momento íntimo com Hakadosh Baruch Hu, e temos o dever de respeitar esse instante sagrado.
Especialmente durante o Shemá Israel e a Amidá, devemos nos desligar das preocupações do mundo e dirigir toda a nossa atenção ao Criador. Ainda que consigamos nos concentrar por poucos segundos, esses momentos têm um valor imenso diante de Hashem.
O Rambam escreve que a pessoa deve afastar de sua mente todos os pensamentos antes de iniciar a Amidá, reconhecendo que está diante do Rei dos reis. A verdadeira Tefilá exige humildade, reverência e entrega.
Grandes tzadikim demonstraram essa Kavaná durante toda a vida.
Rabino Israel Meir Kagan, conhecido como o Chafetz Chaim, costumava rezar com tamanha concentração que parecia não perceber nada ao seu redor. Para ele, aquele era um encontro pessoal com Hashem.
O Rabi Nachman de Breslov ensinava que uma oração sincera, pronunciada do fundo do coração, jamais se perde. Mesmo quando a resposta parece demorar, Hashem escuta cada palavra.
Já o Rabi Yisrael Baal Shem Tov ensinava que uma oração simples, feita com pureza e sinceridade, pode alcançar os céus mais elevados, muitas vezes mais do que palavras ditas mecanicamente.
Precisamos trabalhar diariamente nossa Kavaná. Não é algo que se conquista de um dia para o outro, mas um exercício constante. Quanto mais nos esforçamos para nos concentrar, maior se torna nossa ligação com Hashem.
Que possamos entrar na sinagoga conscientes de onde estamos, guardar o silêncio, desligar o celular, respeitar o momento da reza e valorizar cada palavra pronunciada diante do Criador.
Lembremos sempre que tudo o que recebemos vem de Hashem. Não por nossos méritos, mas por Sua infinita bondade e misericórdia.
Que Hakadosh Baruch Hu receba nossas Tefilot com amor, fortaleça nossa Emuná e nos conceda saúde, paz, sustento e muitas berachot.
Shabat Shalom UMevorach!
*Rabanit Ruth Benaion Benzaquen*

24/07/2026

B”H
Esse Shabat é chamado Shabat Nachamu ele é um dos momentos mais profundos do calendário judaico.
Ele chega logo após Tishá BeAv, o dia mais triste do ano, quando choramos a destruição do Beit HaMikdash. E justamente quando ainda sentimos a dor da perda, surge uma nova voz: a voz da consolação.
A Haftará começa com as palavras: “Nachamu, Nachamu ami”, “Consolem, consolem o Meu povo”.
Não é apenas um co***lo emocional, mas uma mensagem espiritual profunda quando Hashem está nos dizendo que o sofrimento não é o fim da história, mas que existe um plano existe propósito, existe redenção.
O exílio não é abandono, é um processo e o povo de Israel nunca está sozinho.
Shabat Nachamu marca a transição do luto para a esperança quando saímos das três semanas de destruição e entramos nas sete semanas de co***lo que nos levam até Rosh Hashaná, o dia do julgamento e renovação.
Mas o que exatamente devemos consolar?
Amiga não é apenas consolar a dor histórica, mas também a dor espiritual.
A distância de Hashem, a falta do Beit Hamikdash, a ausência da revelação divina é justamente aqui que entra a importância dos Dez Mandamentos.
Nós lemos os Aseret Hadibrot três vezes ao longo do ano.
Duas vezes na Parashá de Yitrô e uma vez na Parashá de Vaetchanan.
Então por que essa repetição?
Porque os Dez Mandamentos não são apenas leis são à base da nossa relação com Hashem, os dez mandamentos são o coração da Torá.
Na Parashá de Yitrô, os mandamentos são dados pela primeira vez, ali vemos a revelação divina em sua forma mais poderosa.
O povo ouve diretamente de Hashem: “Anochi Hashem Elokecha”.
Esse primeiro mandamento não é apenas uma ordem.É uma declaração de identidade e relacionamento. Como vemos no texto: Hashem Se apresenta como Aquele que tirou o povo do Egito.
Ou seja, antes de exigir, Hashem demonstra amor e ação.
Primeiro Ele salva, depois Ele orienta. Primeiro Ele dá, depois Ele pede.
Na Parashá de Vaetchanan, os mandamentos aparecem novamente.
Mas agora com um tom diferente, já não é o momento da revelação, mas da lembrança.
Moshê repete os mandamentos para a nova geração, uma geração que não esteve no Sinai, uma geração que precisa internalizar, não apenas ouvir.
E há diferenças importantes entre as duas versões.
Por exemplo: no Shabat, em Yitrô está escrito “Zachor” que significa lembrar.
Em Vaetchanan está escrito “Shamor” que significa guardar.
Nossos sábios explicam que essas duas palavras foram ditas ao mesmo tempo.
Isso nos ensina que o judaísmo exige tanto ação quanto consciência.
Tanto memória quanto prática.
Então por que lemos três vezes amiga?
Porque cada leitura representa um nível diferente.
A primeira leitura é a revelação, ouvir Hashem.
A segunda é a repetição, compreender com profundidade.
A terceira é a internalização, viver os mandamentos.
Shabat Nachamu conecta tudo isso.
Depois da destruição, precisamos reconstruir, mas a reconstrução começa dentro de nós.
Quando reforçamos nossa conexão com os Dez Mandamentos,
estamos reconstruindo o Beit Hamikdash interior. Estamos trazendo a presença divina de volta à nossa vida.
A mensagem que Nachamu que nos passar é que “tudo vai ficar bem”, é um chamado à ação.
É um chamado para fortalecermos nossa Emuná aumentar nossas boas ações, e aprofundar a conexão com a Torá.
Porque o co***lo verdadeiro amiga vem quando nos aproximamos de Hashem.
Quando lembramos quem somos, e quando vivemos como povo escolhido.
Shabat Nachamu, portanto nos ensina que a dor pode se transformar em crescimento, que a destruição pode gerar reconstrução, e que o exílio possa levar à redenção.
E assim como fomos consolados no passado, seremos consolados novamente no futuro, e que possamos ver a reconstrução do Beit Hamikdash.
Shabat Shalom Umevorach.
RABANIT RUTH BENAION BENZAQUEN.

22/07/2026

B”H
Logo mais vamos comemorar,
Tishá BeAv. Esse é o dia mais triste do calendário judaico. Nele lamentamos principalmente a destruição do Primeiro e do Segundo Beit HaMikdash (Templo Sagrado), além de outras tragédias que atingiram o povo judeu ao longo da história. É um dia de luto nacional, introspecção, arrependimento e fortalecimento da esperança na redenção.

Como devemos agir neste dia (Halachot principais):

* Jejum completo: do pôr do sol da véspera até o anoitecer do dia seguinte, sem comer nem beber.
* Cinco proibições:
1. Comer e beber.
2. Lavar-se por prazer (somente o necessário).
3. Passar cremes, óleos ou perfumes no corpo.
4. Usar calçados de couro.
5. Relações conjugais.
* Sentar-se em bancos baixos ou no chão até o meio-dia, como sinal de luto.
* Evitar cumprimentar as pessoas da maneira habitual (“Shalom”, “bom dia”), pois o clima é de luto.
* Não estudar Torá normalmente, pois ela traz alegria. Estudam-se apenas temas relacionados ao luto, como Eikhá (Lamentações), Iyov, partes de Yirmiyahu e leis de luto.
* Ler Meguilat Eikhá à noite e recitar as Kinot (lamentações).
* Evitar trabalho, quando possível, especialmente pela manhã, para manter o foco no significado do dia.
* Não ouvir música nem participar de atividades de lazer.

O objetivo do dia

Tishá BeAv não é apenas recordar uma tragédia do passado, mas refletir sobre nossas atitudes, fortalecer a união do povo judeu, fazer teshuvá (arrependimento) e renovar a esperança pela reconstrução do Beit HaMikdash e pela vinda de Mashiach, quando este dia será transformado em alegria, conforme anunciaram os profetas. Que possamos merecer ver esse co***lo em breve.
*Início do jejum 22 de julho às 17:20
Término do jejum 23 de julho às 18h04*
Tzom Kal u’Mo’il – um jejum leve e proveitoso para todos.
*Rabanit Ruth Benaion Benzaquen*

16/07/2026

B”H
Esta semana iniciamos o livro de Devarim, onde Moshê revisa toda a trajetória do povo no deserto, esse Shabat é conhecido como Shabat Chazon que nos conduz diretamente a Tishá BeAv, o dia da destruição do Beit HaMikdash.
Ele nos faz relembrar erros, quedas e desafios, não para acusar, mas para ensinar.
Nessa Parashá surge então uma pergunta profunda e que vale uma reflexão:
“Será que Hashem nos abandonou?”
Essa pergunta aparece no final de Eichá:
“Acaso nos rejeitaste completamente?”.
Mas essa dúvida não começou ali. Ela começou na geração dos espiões.
Na Parashá Shelach, o povo disse: “Por causa do ódio de Hashem por nós…”.
Eles confundiram dificuldade com rejeição, desafio com abandono.
E por que Moshê repete isso em Devarim, para uma nova geração?
Porque esse erro não pertence apenas ao passado.
Ele se repete em todas as gerações inclusive na nossa amiga.
O Netziv explica que havia dois medos: o medo da destruição física e o medo do compromisso espiritual.
Ambos nascem da mesma pelo mesmo motivo de
não perceber Hashem dentro da realidade.
Rabbi Nachman de Breslov ensina que “O maior ocultamento é pensar que Hashem não está presente.”.
Às vezes não vemos milagres, não vemos respostas imediatas.
E pensamos: “Hashem me deixou.”.
Mas isso é um erro espiritual profundo.
O Chafetz Chaim diz, que “Hashem não abandona o povo o problema é quando o povo deixa de reconhecê-Lo.”.
Entrar em Eretz Israel não era só viver de milagres, era trabalhar, plantar, lutar, e ainda assim acreditar.
Nossos sábios nos ensinam que
“O verdadeiro nível de Emuná é ver Hashem mesmo no natural.” Ou seja, em qualquer situação de nossas vidas.
Esse é o teste para todos nós, temos que ter Emuná e Bitachon mesmo não só quando tudo é claro
mas quando há silêncio, quando não conseguimos enxergar a verdade.
Temos que ter Emuná mesmo quando há dor.
quando há espera.
Tishá BeAv não é só luto por um prédio.
É luto por uma percepção perdida.
Perdemos a clareza da presença Divina. Isso se chama hester panim.
Mas ocultação não é abandono, e sim um convite para crescer.
E aqui entra um ensinamento essencial de Devarim amiga:
Moshê sabia criticar.
Mas o que é criticar de verdade?
Criticar não é acusar, ou diminuir.
Criticar é ensinar com justiça.
É corrigir sem ferir.
O erro dos espiões foi também um erro de visão
ver o negativo e espalhar desânimo.
Quantas vezes fazemos isso não é mesmo?
Criticamos sem ajudar, falamos sem construir.
Às vezes ignoramos erros graves ao nosso redor.
Outras vezes, reagimos com dureza quando nos afeta.
Mas não sabemos ensinar o caminho certo, com amor.
A verdadeira correção começa dentro de nós:
ver com fé, falar com responsabilidade e agir com amor.
A correção do erro dos espiões é clara:
servir Hashem mesmo sem ver.
Rezar mesmo sem sentir, confiar mesmo sem entender o que ainda não fomos atendidas.
Quando fazemos isso, algo muda.
O que é oculto começa a se revelar.
E então entendemos que Hashem nunca nos abandonou.
Nós apenas não sabíamos onde olhar.
Amiga que possamos transformar crítica em construção,
dúvida em fé, e ocultamento em proximidade.
Que mereçamos ver a reconstrução do Beit Hamikdash
com nossos próprios olhos.
Shabat Shalom Umevorach.

RABANIT RUTH BENAION BENZAQUEN

10/07/2026

B”H
Nesta semana lemos as Parashiot Matot e Massê, que encerram o livro de Bamidbar. O povo de Israel está às portas da Terra Prometida, após uma longa jornada no deserto. Mais do que um relato histórico, a Torá nos oferece um mapa espiritual para a vida ontem e hoje que para aqueles que a seguem encontra um tesouro na vida eterna.
Moshê reúne os líderes das tribos e transmite uma mensagem essencial: a palavra tem peso. Os compromissos assumidos devem ser cumpridos. Em uma época onde não havia contratos formais como hoje, a palavra de um judeu era seu maior selo de verdade.
O Rambam ensina que a integridade da fala é parte central do serviço a Hashem. Hoje, vivemos em uma geração onde promessas são facilmente feitas e rapidamente esquecidas. Redes sociais, mensagens rápidas e relações superficiais podem nos levar a banalizar a palavra. A Torá nos lembra: falar é criar realidade, por isso que devemos ter cuidado com cada palavra dita para que não se transforme em uma arma, pois um compromisso não cumprido enfraquece não apenas o outro, mas a própria alma.
Em seguida, encontramos a guerra contra Midian. No nível mais profundo, os sábios explicam que Midian representa divisão, discórdia e ego. Rav Kook ensina que a maior batalha não é contra o outro, mas contra o próprio ego. Em nossos dias, vemos conflitos constantes dentro das famílias, comunidades e até dentro de nós mesmos. Vencer Midian hoje significa transformar orgulho em humildade, julgamento em compaixão e distância em conexão.
A Torá também nos ensina sobre vingança. Hashem declara que a vingança pertence a Ele. Em um mundo onde as pessoas rapidamente reagem, expõem, atacam e “cancelam” umas às outras, essa mensagem é profundamente atual. Não somos chamados a revidar, mas a confiar na justiça divina e agir com dignidade.
Um momento marcante é o pedido das tribos de Reuven e Gad, que desejam permanecer fora da Terra de Israel. Moshê reage com preocupação, mas após Moshê conversar com eles, esses assumem compromisso de lutar junto com seus irmãos antes de se estabelecer. Aqui aprendemos amiga sobre responsabilidade coletiva. Hoje, muitos buscam conforto pessoal antes de contribuir com o coletivo. A Torá nos ensina equilíbrio: cuidar de si, sem abandonar a missão do povo.
Na Parashá Massê, a Torá enumera as quarenta e duas jornadas no deserto. Rabi Nachman de Breslov ensina que essas jornadas representam todas as fases da vida humana. Existem momentos de avanço, estagnação, dor e recomeço. Hoje, muitas pessoas se frustram com seus próprios “desertos” dificuldades financeiras, emocionais ou espirituais. Mas a Torá afirma: nenhuma etapa é em vão. Cada parada faz parte do caminho.
Moshê relembra também os desafios enfrentados: falta de água, de alimento, medo e reclamações. Muitas vezes amiga julgamos aquela geração, mas esquecemos de que eles criavam filhos em condições extremas. Isso nos ensina empatia. Também hoje, cada pessoa carrega suas lutas invisíveis. Antes de julgar, devemos aprender a compreender.
A morte de Aharon nesta Parashá marca o fim de uma era. Aharon era símbolo de paz e união. Os sábios dizem que ele fazia Shalom entre as pessoas. Em nossos dias, essa qualidade é mais necessária do que nunca. Ser um “aluno de Aharon” significa buscar a paz ativamente, mesmo quando é difícil.
As cidades de refúgio nos ensinam que a Torá equilibra justiça e misericórdia. Existe responsabilidade pelos atos, mas também possibilidade de reparação. O Rambam, nas leis de Teshuvá, ensina que nunca é tarde para voltar. Hoje, muitas pessoas carregam culpa ou sentem que não há retorno. A Torá afirma o contrário: sempre há um caminho de volta.
Os limites da Terra de Israel nos mostram que santidade exige gevulot, (limites). Liberdade não significa ausência de regras, mas viver dentro de parâmetros que elevam a vida. Em uma geração que valoriza o “faça o que quiser”, a Torá ensina que a disciplina é o caminho da verdadeira liberdade.
Ao final, o povo está pronto para entrar na Terra. Moshê, porém, não entrará. Isso nos ensina que nem sempre veremos o resultado final de nossos esforços. Ainda assim, nosso papel é construir, plantar e confiar.
Quero deixar uma mensagem de reflexão, Matot-Massê não é apenas o fim de um livro é o começo de uma nova etapa. Cada final carrega um novo início. Muitas vezes, Hashem fecha portas não como rejeição, mas como redirecionamento.
Hoje, nossos “desertos” podem ser diferentes, mas a jornada é a mesma. Buscamos estabilidade, paz, propósito e conexão com Hashem. Assim como aquela geração sonhava com uma terra, nós sonhamos com uma vida com sentido.
Que possamos aprender a cuidar da nossa fala, vencer nossas batalhas internas, respeitar nossos processos, agir com responsabilidade coletiva e nunca perder a esperança.
Porque Hashem registra cada jornada. Nenhuma lágrima é esquecida. Nenhum esforço é perdido.
E cada passo dado na direção do bem nos aproxima da nossa própria “Terra Prometida”.
Shabat Shalom Umevorach.
RABANIT RUTH BENAION BENZAQUEN

03/07/2026

B”H.
Nesta semana, lemos a Parashá Pinchas e iniciamos o período das Três Semanas, um tempo tradicionalmente associado à destruição do Beit Hamikdash e à introspecção pessoal.
O início da Parashá trata da recompensa de Pinchas. Após agir com zelo para interromper uma grave profanação, ele recebe de Hashem um “pacto de paz” (Brit Shalom). Isso é profundamente paradoxal: um ato de rigor resulta em paz. O Rambam ensina que o ideal da Torá não é o extremismo, mas o equilíbrio, o “caminho do meio”. Vale ressaltar que Pinchas não é elogiado por violência em si, mas por agir com pureza de intenção, sem interesse pessoal. Sua recompensa mostra que quando a ação é totalmente alinhada com a verdade divina, ela produz Shalom, não destruição. Isso nos ensina que o zelo verdadeiro não nasce da raiva, mas da fidelidade à vontade de Hashem.
Em seguida, a Torá apresenta o segundo censo do povo de Israel. Diferente do primeiro, que ocorreu na saída do Egito, este acontece antes da entrada na Terra Prometida. Aqui vemos a transição de uma geração para outra. Rav Kook ensina que cada geração possui uma missão espiritual única, e que a renovação do povo não é perda, mas crescimento. O censo não é apenas numérico é espiritual. Cada indivíduo é contado porque possui um valor singular diante de Hashem. Mesmo após quedas e erros, o povo continua sendo digno de entrar na Terra. Isso revela a confiança divina no potencial humano de recomeçar.
Temos o episódio das filhas de Tzelofchad, que é um dos mais marcantes exemplos de coragem, justiça e, ao mesmo tempo, recato na Torá. Essas mulheres, Machlá, Noá, Choglá, Milcá e Tirtsá, se colocam diante de Moshe, dos líderes e de toda a congregação para reivindicar a herança de seu pai, que havia falecido sem filhos homens. À primeira vista, trata-se de uma reivindicação legal. Porém, ao analisarmos profundamente, percebemos que se trata de uma lição que perdura até os dias atuais, de como pode se buscar direitos dentro da estrutura da santidade.
O que torna a atitude delas tão elevada não é apenas o conteúdo de sua reivindicação, mas a forma como as fizeram. Elas não agiram com revolta, nem com desprezo pelas leis existentes. Pelo contrário, demonstraram profundo respeito pela Torá e pelas autoridades espirituais. Elas disseram: “Por que o nome de nosso pai seria diminuído?”, ou seja, sua motivação não era ego pessoal, mas honra familiar e continuidade dentro do povo de Israel. Elas buscaram justiça, mas dentro dos parâmetros da Kedushá (santidade).
Os sábios destacam que elas eram “chachmaniot” (sábias), “darshaniot” (capazes de interpretar) e “tzidkaniot” (justas). Elas entenderam o momento apropriado, escolheram as palavras corretas e se dirigiram às autoridades com humildade e firmeza ao mesmo tempo. E o mais impressionante: Hashem confirma que elas estavam corretas “Ken benot Tzelofchad dovrot” (“As filhas de Tzelofchad falam corretamente”). Ou seja, sua abordagem não apenas foi aceita, mas se tornou parte da própria Torá.
Amiga ao compararmos com certas manifestações das mulheres dos dias de hoje, percebemos um contraste importante. Hoje, muitas reivindicações por direitos embora possam ser legítimos são, muitas vezes, expressas de forma que rompe com princípios fundamentais da Torá, como recato (Tziniut), respeito e limites espirituais. Quando a busca por direitos vem acompanhada de rebeldia contra a própria estrutura divina, ela perde sua elevação e se distancia da verdade da Torá.
A Torá não é contra que a pessoa busque justiça, pelo contrário, ela incentiva. Porém, ensina que a forma é tão importante quanto o conteúdo. Existe uma grande diferença entre lutar por um direito com humildade e consciência de Hashem, e exigir mudanças a partir de uma postura de confronto que rejeita valores essenciais.
As filhas de Tzelofchad nos ensinam que é possível ser firme sem ser agressiva, buscar mudança sem destruir, e reivindicar direitos sem perder o recato. Elas não precisaram abandonar sua identidade espiritual para serem ouvidas foi justamente sua fidelidade à Torá que deu força à sua voz.
Essa é uma mensagem especialmente relevante amiga para transmitirmos não só para nossas filhas, netas, mas para todas as mulheres através dos nossos atos, pois a verdadeira elevação não está apenas em “o que” se busca, mas em “como” se busca. Quando a pessoa se mantém conectada à Torá, até mesmo uma reivindicação pode se transformar em um ato de santidade. Mas quando se rompe com esses fundamentos, mesmo causas importantes podem se perder no caminho.
Amiga que possamos ser como Pinchas, não na sua lança matando fisicamente, mas na sua coragem de agir quando necessário matar sua Yetzer Hará. E que sejamos como as filhas de Tzelofechad, que souberam falar com sabedoria para corrigir uma injustiça.
Shabat Shalom.
RABANIT RUTH BENAION BENZAQUEN

25/06/2026

B”H
Nesta semana lemos as Parashiot Chukat e Balac, que juntas nos trazem um ensinamento profundo e extremamente atual: nem tudo na vida pode ser compreendido, mas tudo é conduzido por D’us.
Em Chukat, encontramos a Mitzvá da Pará Adumá, o exemplo clássico de chok, um decreto divino que está além da lógica humana. Até o rei Shlomo, o mais sábio dos homens, declarou que não conseguiu compreendê-la plenamente. A Torá nos ensina que nossa relação com Hashem não se baseia apenas no entendimento, mas também na Emuná a fé simples e sincera.
Na mesma Parashá, vemos o falecimento de Miriam, e com isso o desaparecimento do poço que acompanhava o povo no deserto. Isso nos revela o poder dos justos: o mérito deles sustenta toda uma geração. Também aprendemos com o episódio das águas de Merivá que até os maiores líderes, como Moshe e Aharon, são julgados com extremo rigor.
Já em Balac, vemos uma realidade oposta, mas complementar. Balac tenta destruir o povo de Israel através de Bilaam, mas todas as tentativas de maldição se transformam em bênçãos. Daqui aprendemos um princípio essencial: ninguém pode amaldiçoar aquilo que D’us decidiu abençoar.
Porém, a Torá também nos alerta que o maior perigo não vem de fora, mas de dentro de nós. Quando há falhas espirituais, como idolatria e imoralidade, o próprio povo se fragiliza. Ou seja, a proteção divina está diretamente ligada à nossa conexão com Hashem.
Trazendo isso para nossa vida, aprendemos duas coisas fundamentais:
Existem situações que não entendemos como o Pará Adumá.
Existem momentos que parecem negativos, mas depois se revelam bênçãos como no caso de Bilaam.
Um exemplo disso vemos nas palavras de Baal Shem Tov, que ensinava que tudo o que acontece na vida de uma pessoa é guiado com precisão divina, e até aquilo que parece ruim contém um propósito elevado. Conta-se que certa vez algo deu errado em sua viagem, e depois ficou claro que aquele “atraso” o salvou de um grande perigo.
Outro exemplo é Rabbi Nachman de Breslov, que passou por muitas dificuldades ao longo da vida, mas ensinou: “O mundo inteiro é uma ponte estreita, e o principal é não ter medo.” Ele nos mostra que a confiança em Hashem deve ser maior do que qualquer dificuldade.
Além disso, aprendemos também sobre a natureza humana. Assim como Bilaam pensava em amaldiçoar, mas acabou abençoando, muitas vezes nossos pensamentos não se alinham com nossas ações. Por isso, devemos cuidar não apenas do que sentimos, mas principalmente do que fazemos, pois nossas ações impactam o mundo ao nosso redor.
E há ainda uma lição importante amiga que é sobre gratidão. O povo reclamou da falta de água, esquecendo tudo o que já havia recebido. Isso nos lembra do ensinamento de Pirkei Avot:
“Quem é rico? Aquele que se alegra com a sua porção.”
Quando a pessoa vive com fé e confiança, ela deixa de focar no que falta e passa a valorizar o que tem, evitando sentimentos negativos como inveja (Ayin Hará) e insatisfação constante.
Assim, Chukat e Balac nos ensinam a caminhar com dois pilares:
Emuná, aceitar o que não entendemos.
Bitachon, confiar que tudo é para o bem.
Que possamos fortalecer nossa fé, reconhecer as bênçãos mesmo nos desafios e lembrar sempre que Hashem conduz cada detalhe da nossa vida com bondade.
Shabat Shalom Umevorach
RABANIT RUTH BENAION BENZAQUEN

19/06/2026

B”H
A Parashá Côrach nos traz uma das mais profundas reflexões sobre a natureza humana e os perigos da inveja, da ambição desmedida e da busca pelo poder. Nossos sábios ensinam na Mishná: “A inveja, a cobiça e a busca pela honra tiram o homem deste mundo.” Foi exatamente isso que aconteceu com Côrach. Embora fosse um homem de grande posição, inteligência e mérito, permitiu que a inveja ocupasse o lugar da razão. Como está escrito, quando alguém promove rebelião e discórdia, perde totalmente os parâmetros do bom senso. A inveja o cegou a tal ponto que já não conseguia enxergar a grandeza de Moshê Rabênu e de Aharon HaCohen, escolhidos por Hashem de maneira pura e legítima.
O livro Madregat Haadam compara a vida a uma carruagem puxada por três cavalos, cujas rédeas estão em nossas mãos. O primeiro cavalo é a kiná (inveja), o segundo é a taavá (desejos materiais) e o terceiro é o kavod (honra). Em determinados momentos, a inveja tenta assumir o controle; em outros, são os desejos ou a busca pela honra. A grande tarefa do ser humano é não permitir que nenhuma dessas forças domine sua vida. Quando as rédeas escapam de nossas mãos, corremos o risco de repetir o erro de Côrach, que trocou a verdade por seus interesses pessoais e acabou arrastando outros para a mesma queda.
Muitas vezes somos testados de forma semelhante. Surgem pessoas que questionam lideranças estabelecidas não por amor à verdade ou desejo sincero de melhorar algo, mas por orgulho, ressentimento ou pela convicção de que mereciam ocupar aquele lugar. Não raro encontram apoio de indivíduos que alimentam a discórdia e o conflito. A Torá não condena o debate; pelo contrário, valoriza a troca de ideias quando ela é realizada leshem shamayim, por amor ao Céu. O que ela rejeita é a controvérsia motivada pelo ego, pela vaidade e pelo desejo de poder. A disputa de Côrach não buscava construir, mas destruir.
A própria vida de Moshê Rabênu demonstra o verdadeiro significado da liderança. Diferentemente de quem corre atrás do poder, Moshê tentou recusá-lo. Sua missão não nasceu da ambição, mas da responsabilidade. Ele aceitou liderar apenas porque Hashem assim determinou e porque desejava ajudar seu povo. A verdadeira liderança não procura honra; a honra acaba seguindo aqueles que servem aos outros com humildade. O líder autêntico vê sua posição como uma ferramenta para elevar vidas e não como um palco para engrandecer a si mesmo.
Por isso devemos nos perguntara miga: vale a pena sacrificar amizades, valores, ética e princípios por reconhecimento, prestígio ou poder? Quantas relações são destruídas pela inveja e quantas pessoas perdem a paz por se compararem constantemente aos outros? Vivemos numa geração em que frequentemente vemos atitudes semelhantes às de Côrach: comportamentos egocêntricos, a incapacidade de aceitar críticas, a necessidade constante de aprovação e a busca por destaque a qualquer custo. Muitas pessoas não desejam aquilo que lhes pertence; desejam aquilo que pertence ao próximo. Não querem apenas crescer; querem ocupar o lugar do outro.
Os tzadikim sempre advertiram sobre esse perigo. O Chafetz Chaim ensinava: “Aquele que se alegra com a porção que Hashem lhe concedeu vive em paz neste mundo e no próximo.” Já Rabbi Nachman de Breslov dizia: “O homem cai quando olha para o lugar do outro em vez de olhar para a sua própria missão.” Esses ensinamentos nos lembram que cada alma possui um caminho único e uma tarefa exclusiva neste mundo.
Amiga oprojeto de Hashem é completamente diferente da visão egoísta do poder. A verdadeira grandeza não está em dominar pessoas, mas em servi-las. Não está em receber kavod, mas em conceder dignidade ao próximo. Não está em ser admirado, mas em agir com integridade mesmo quando ninguém está olhando. Côrach buscou a honra e perdeu tudo; Moshê fugiu da honra e tornou-se o maior dos profetas. Que possamos aprender a segurar firmemente as rédeas da inveja, dos desejos e da busca por reconhecimento, escolhendo o caminho da humildade, da gratidão e da fidelidade à vontade de Hashem.
Shabat Shalom Umevorach.
*Rabanit Ruth Benaion Benzaquen.*

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