05/06/2026
B”H
A Parashá Beha’alotcha nos ensina fundamentos profundos sobre liderança, humildade, confiança em D’us e, sobretudo, sobre a luz espiritual. Logo em sua abertura, a Torá descreve o acendimento da Menorá o candelabro de sete braços que deveria arder constantemente no Mishkán.
Mas será que D’us precisa da luz da Menorá?
Certamente não. A Menorá não existe para iluminar D’us, mas para iluminar o homem.
O ser humano, limitado em sua percepção espiritual, necessita de símbolos físicos para se conectar ao Infinito. A Menorá representa essa ponte: ela transforma luz material em consciência espiritual.
Os sete braços da Menorá aludem aos sete dias da semana, ensinando que a conexão com Hakadosh Baruch Hu não deve ser ocasional, mas constante, não deve ser apenas no Shabat ou em Yom Kipur, mas em todos os momentos da vida.
A própria palavra “Beha’alotcha” vem da raiz de “aliá” (subida). Não basta acender a chama, é preciso elevá-la até que ela se sustente sozinha e se direcione para o alto. Assim também é o crescimento espiritual: verdadeiro quando se torna interno, firme e independente.
Uma vela acesa tem uma característica única:
ela pode acender outras velas sem perder sua própria luz.
Esse é um dos ensinamentos mais profundos da Menorá:
o crescimento espiritual não é competição é multiplicação.
Quando vemos o brilho do outro, não devemos sentir ayin Hará (inveja ou olhar negativo), mas compreender que:
A luz dele não diminui a minha, pelo contrário, pode acender a minha também.
O Rambam ensina que o caminho correto é o equilíbrio e a elevação constante do caráter. A luz da Menorá simboliza o intelecto iluminado pela Torá.
Assim como uma chama sobe naturalmente, o homem deve elevar sua mente e suas ações.
Ver o sucesso do outro não é motivo de inveja, mas um convite à própria elevação.
Rav Kook escreve que cada alma possui uma luz única, e todas juntas formam uma grande luz coletiva de Israel.
Quando alguém brilha, ele está revelando uma parte da luz divina no mundo.
Sentir Ayin Hará contra isso é, na verdade, rejeitar a própria luz de D’us.
O correto é alegrar-se: quanto mais luz, mais redenção.
(Rabbi Nachman de Breslev ensina que cada pessoa tem um “ponto bom” (Nekuda Tová)).
Mesmo uma pequena chama tem valor infinito.
Ao reconhecer o bem no outro, nós fortalecemos a nossa própria chama.
A inveja apaga, mas a valorização acende, ou seja, quando valorizamos alguém, nós também nos elevamos.
A Menorá nos ensina três níveis de vida espiritual:
Acender a própria luz é desenvolver conexão com D’us
Elevar essa luz é crescer constantemente
Acender outras luzes é influenciar sem perder nada
Quando entendemos isso, eliminamos o ayin Hará da nossa vida.
Pois a verdade é simples e profunda:
A luz do outro não ameaça a minha ela prova que há mais luz possível.
Portanto amiga que possamos aprender com Aharon HaCohen: acender com paciência. Elevar com constância, e iluminar sem inveja.
Que sejamos como a Menorá: fontes de luz que acendem outras luzes sem nunca diminuir.
Que a Kedushá das luzes de Shabat iluminem eternamente nossas vidas.
Shabat Shalom Umevorach.
RABANIT RUTH BENAION BENZAQUEN.