28/07/2026
Yemoja, Osun e Yewa - A Trindade da Maternidade na Cultura Yoruba.
A maternidade é um assunto de suma importância para o povo yoruba, pois, ser mãe é algo muito valioso para o culto de Orisa. A maternidade é algo que vai além da Religião de Orisa, porque está relacionado com a atribuição de gerar vida, cuidar e tratar dessa vida. Algo muito preciso e valorizado na cultura yoruba.
Vale ressaltar que "ser mãe", para os yorubas, é muito mais do que simplesmente gerar e parir uma vida. Segundo Olusegun Michael Akinruli, a atribuição de mãe é concebida à mulher desde o momento que ela nasce, pois ela já possui a capacidade de gerar vida, e por conta disso, todas as mulheres devem ser reverenciadas como "Iya" por excelência, diferentemente do homem, que depende de uma mulher para gerar vida. Ele não nasce com a capacidade de criar vida, apenas de auxiliar nesse processo.
Sendo assim, toda e qualquer divindade feminina está relacionada com a maternidade, de uma forma ou de outra. Em suma, as orisa femininas são aquelas que regem o domínio sobre a vida e sua criação, à qual devemos ter muito respeito.
Entretanto, três orisa são sempre cultuadas quando o assunto é gestação, maternidade e cuidados com a criança. Yemoja, Osun e Yewa. Vamos abordar um pouco sobre cada uma delas.
Yemoja é a divindade de domínio da água, e uma líder nata. Também rege a gestação, a criação e poder feminino em suas formas mais primitivas, como o instinto materno, o instinto de cuidar, amamentar, tratar e acolher.
Seu culto é feito no rio Ogun (Odo Ogun = Rio da Medicina), e apesar de estar presente em inúmeras cidades em terras yorubas, é em Abeokuta, Ogun State, o local de maior intensidade (VERGER, 1981).
Yemoja é mãe, guerreira, rainha, curandeira, tecelã e parteira. É a responsável pelo culto às divindades de rio, chamadas de Oluweri (espíritos da água), e é aquela que lava a cabeça, pois tem a capacidade de cuidar da nossa saúde mental (AGBOOLA, 2020; CARNIELLI, 2020).
Osun é a divindade do rio Osun (Odo Osun). O local de maior culto à essa orisa é a cidade de Osogbo, em Osun State (VERGER, 1981).
É filha carnal de Yemoja, concebida através de um ebo consultado por Orunmila, executado por Ogun e utilizando as folhas de Osanyin. Segundo relata o itan, em Ose Meji, a criança que Yemoja havia parido teve complicações com seu cordão umbilical, a qual não parava de sangrar. Realizando um ebo divinizado pela consulta com ewe yanrin e banho de agbo, a criança parou de sangrar e estava mais ativa do que nunca. No dia seguinte, Ogun sacou o nome da criança, e era Ose n'ibu omi (Osenibomi), que significa "Ose das Águas Profundas", que foi simplificado para Osun (SALAMI, 1990).
Osun domina a feminilidade, a gestação, a fecundidade, e está presente na vida da criança até que ela entre na adolescência, protegendo-a e a abençoando.
Yewa é a divindade do rio Yewa (Odo Yewa), e seu culto é mais regional, na cidade de Yewa, antiga Egbado, em Ogun State. Um fato curioso, é que seu rio corre paralelamente ao rio de Yemoja, e devido à isso, segundo Verger (1981), muitos de seus itans se confundem.
Yewa possui domínio em tudo que é branco e puro, sendo aquela que está presente em todo o ato de nascimento e/ou criação de algo, como o nascimento de um bebê, as minas de água de onde originam-se os rios, a criação artística e a cor branca da pureza.
Ela possui ligação com as serpentes, símbolo de vida e morte em terra yoruba, e é cultuada para trazer serenidade (CARNIELLI e LECHINSKI, 2015).
Tanto Yemoja, quanto Osun e Yewa, são sempre cultuadas para auxiliar na maternidade, sendo estas três divindades com essência no rio, representadas como sereias (oluweri's).
O culto à essas três divindades é muito amplo, e é preciso anos de estudo e prática para se obter cada vez mais êxito em cultuá-las. E apesar de serem divindades mais pacíficas, lembrem-se, ser pacífica não quer dizer passiva, pois inúmeros itans relatam momentos de fúria dessas divindades, e em determinadas passagens em suas vidas elas foram guerreiras e caçadoras, além de serem feiticeiras por excelência.
Eepaa Yemoja o!
Oore Yeye o Osun!
Eepaa Yewa Agbo Dudu!
Texto: Odelobi Cristian Osoosi
Imagens: Artista Jorge Codeço
Referências:
- Baba Asogba Ijiasu Ifaseyi Ricardo Obaluaye
- AGBOOLA, Oluwo Ifagbaiyin Awolola. Módulo 13: Orisa Yemoja, Escola Superior de Ifá, Lauro de Freitas, 2020.
- SÀLÁMÌ, Síkírù, A MITOLOGIA DOS ORIXÁS AFRICANOS, vol. 1, São Paulo: Editora Oduduwa, 1990.
- AKÍNRÚLÍ, Olúségun Michael; Gèlédé: O poder feminino na cultura africana-yorùbá, Revista África e Africanidades, Ano III. n. 12, www.africaeafricanidades.com - ISSN 1983-2354, Fev. 2011. Disponível em: https://www.africaeafricanidades.com.br/documentos/12022011_19.pdf. Acesso em: 02 fev. 2023.
- Orisa Brasil, 2019. Disponível em: https://orisabrasil.com.br/Loja/a-terra-de-yewa/. ARIKE, Renata Barcelos Yemojagbemi Omitanmole: A terra de YEWA. Acesso em: 29 abr. 2023.
- OMININDÊ TY’OSUN, 2015. Disponível em: http://omininde.blogspot.com/2015/04/os-imole-orixas.html?m=1. OPEKI, Zarcel Carnielli Elesire Awodele Sowunmi; LECHINSKI, Hérick: Os Imole (Orixás). Acesso em: 02 mai. 2023.
- OPEKI, Casa da Boa Sorte. Yemoja, YouTube, 11 mar. 2020. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=CabuxctM1co&t=307s. 10 fev. 2023.
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