11/04/2021
Você consegue contar quantas vezes já te disseram que você só precisa de si mesmo pra ser feliz, e que você é a sua própria felicidade?
Que estrago tem causado essa coisa toda de amor próprio, que na verdade está mais para individualismo disfarçado.
A verdade é que o anseio do espírito humano é bem maior que a sua própria existência.
A ciência explica muita coisa sim, mas ela não pode preencher vazio algum, não responde as dúvidas da nossa alma, nem satisfaz esse anseio por fazer sentido.
As nossas forças se esgotam e nos fazem cansar. Os paliativos uma hora se acabam (e dói muito mais quando nos damos conta de que não funcionam). Calar o vazio humano com o que não serve para extingui-lo, frustra, e como frustra.
Porque, da mesma forma que alguém com vontade de comer algo que não sabe o que é, todos nós temos fome de Deus, ainda que não saibamos.
É por isso que Karl Barth dizia: “Jesus é a resposta. Agora, qual é a pergunta?”
E já que você chegou até aqui, saiba que mais do que aprender a amar a si mesmo, o verdadeiro segredo e também o maior desafio do amor próprio, é aprender a se deixar ser amado.
É abrir mão de ser o seu próprio “deus”, a partir do momento que você entende que esse papel não é seu, e que existe alguém para fazer isso.
Porque quando sabemos que somos amados, respondemos em amor.
É esse o movimento centrífugo do amor ágape, e o problema de tentar amar sem primeiro entender que você é amado, é que dar aquilo que não se tem de sobra, sempre nos faz condicionar e medir por saber que o nosso estoque é limitado.
Mas, quando nós sabemos que somos providos de tudo, podemos também nos doar livremente, sem qualquer 'mas' nem 'porém'.
Você não é suficiente, e por favor não interprete como uma afirmação depreciativa, mas reveladora. Porque, no final das contas, você nem precisa mesmo ser: Jesus é!
E quando entendemos que nos tornamos um com Ele, aí sim podemos usufruir da sua suficiência, com amor e graça, transbordando gratuitamente a todos os que nos cercam, formando o único ciclo da vida que traz sentido à nossa existência:
não uma sociedade em que cada um ama a si e vive para si mesmo, mas uma sociedade feita de pessoas que entenderam que amor próprio é o que Deus está cultivando em mim enquanto eu amo meu próximo e vejo que o meu sentido está em ser sentido pelo outro.
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