09/02/2026
Eu sonhava em ter o Ilê da Mãe Iansã.
No sonho, tudo parecia mais simples. Eu imaginava ela ao meu lado todos os dias, guiando cada passo, e achava que o caminho seria mais leve. Não foi.
Vieram os furacões. Vieram as guerras. Vieram dias em que eu olhei pra obra desse salão e pensei, com o coração apertado, que talvez não fosse dar. Faltou dinheiro, faltou força, sobrou cansaço. Muitas vezes pensei em desistir.
Colocar um salão de Ilê em pé não é fácil. Ainda mais quando a gente escolhe não usar o dinheiro de filho de santo, não contar com clientes, não misturar fé com interesse. Aqui tudo foi feito com sacrifício, com renúncia e com responsabilidade. Porque religião é fé. E fé não se constrói em cima do que não é limpo.
Demorou. Ainda está acontecendo. Não é perfeito. Mas é verdadeiro.
Eu dei o meu melhor — o melhor que eu tinha em cada fase — para honrar quem me ensinou a nunca desistir, mesmo quando tudo parecia contra.
Se hoje esse salão existe, é porque eu resisti.
E se ele continua em obra, é porque a fé não para.
Iansã me ensinou que vento forte não vem pra derrubar quem aprendeu a fincar os pés no chão.
E eu sigo, Eparrey minha mãe 🌪️⚡️