23/12/2025
O ano de 2026 se anuncia como tempo de travessia, de mudança firme e necessária. Xapanã, senhor da terra, da cura e da transformação, encerra seu ciclo e entrega o tempo a Ogum e Iansã. Nada se encerra sem sentido. Nada começa sem fundamento.
Xapanã não passa o ano em silêncio. Ele passa deixando marcas, ensinamentos e cicatrizes que curam. Foi ele quem nos ensinou a respeitar o tempo da dor, o recolhimento, a paciência e o axé que nasce do chão. Foi ele quem mostrou que nem toda ferida é castigo, muitas são iniciação. Sob sua palha, aprendemos a esperar, a calar, a olhar para dentro.
E quando Xapanã se despede, não é abandono. É entrega consciente. Ele entrega o tempo a quem movimenta, a quem corta, a quem limpa o caminho e a quem gira o mundo. Ogum vem à frente, abrindo estradas com seu ferro sagrado, com sua coragem, com sua disciplina. Ogum é caminho limpo, é decisão tomada, é guerra justa, é trabalho feito com honra.
Ogum não pergunta se estamos prontos, ele nos faz prontos. Em 2026, o ferro vai separar o que é verdade do que é ilusão. O que não se sustenta no axé cai. O que é firme permanece. Ogum rege o avanço, o suor, a luta diária, a conquista construída com as próprias mãos. Não há espaço para covardia espiritual quando Ogum governa o tempo.
E junto com Ogum, vem ela. Iansã, Oyá, senhora dos ventos, dos raios e das tempestades. Aquela que não pede licença, que rompe, que varre, que transforma. Iansã não aceita mentira, não aceita estagnação, não aceita amarras. Onde ela passa, o ar muda. Onde ela gira, o destino se move.
Iansã traz o movimento que Ogum abre. Ela leva embora o que está velho, o que está preso, o que já cumpriu seu destino.
Em 2026, os ventos não serão suaves, serão necessários. Ventos que derrubam estruturas falsas, que levantam verdades engavetadas, que colocam cada um diante da própria coragem. Iansã rege a coragem emocional, o grito que estava preso, a liberdade que estava sendo adiada.
Esse ano não será sobre conforto. Será sobre verdade.
Não será sobre promessas. Será sobre atitude.
Não será sobre esperar. Será sobre agir.
Xapanã entrega um povo mais consciente, mais maduro, mais responsável pelo próprio caminho. Ogum e Iansã assumem para ensinar que fé sem movimento é estagnação, e movimento sem axé é desordem. Por isso, que o axé seja o guia, o fundamento, a raiz.
Que Exú abra os caminhos e leve os recados.
Que os ancestrais caminhem à frente.
Que o Orí esteja firme, alinhado e respeitado.
Que 2026 seja um ano de luta justa, de ventos que libertam, de caminhos abertos com honra e de decisões tomadas com consciência.
Que Ogum corte o que precisa ser cortado.
Que Iansã leve o que precisa ir embora. E que cada passo seja firmado no axé, no respeito e na ancestralidade.
Porque quando o tempo muda, quem anda com verdade não teme.
E quem caminha com axé, atravessa qualquer ano.
Axé,
Cacique Mãe Fernanda de Oxum 💛