21/05/2024
Arrebatado ao terceiro céu
"Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos, foi arrebatado ao terceiro céu (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe) e sei que o tal homem (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe) foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir" (2Co 13:2,3).
Atualmente ouvimos alguns irmãos testemunharem experiências de arrebatamento tanto ao céu como ao inferno.
Ficamos perplexos ao ouvir seus relatos esdrúxulos e sem base bíblica.
No tempo de Paulo os falsos apóstolos vangloriavam em suas experiências místicas (2Co 11). Então, mesmo a contragosto (pois não pretendia exaltar-se pela grandeza das revelações e visões do Senhor), Paulo, notadamente relutante, conta um episódio que aconteceu há catorze anos atrás.
Fazendo o cálculo de tempo que Paulo escreveu 2Co, isso dá mais ou menos uma data entre os anos 42 e 44 d.C quando ainda estava em Tarso, o que ocorreu antes de sua primeira viagem missionária.
Ele somente contou porque a igreja de Corinto estava recebendo falsos mestres que alegavam ser apóstolos verdadeiros. Inclusive alegavam ter em mãos cartas de recomendação da igreja de Jerusalém. Até diziam que Paulo, por não ser um dos doze, era um apóstolo de segunda classe.
Diante dessas acusações, ele relata tardiamente sua maravilhosa experiência celestial.
Diferente de muitos que gostam de evidência e marketing, que gostam de enfatizar por demais sua espiritualidade nesse cenário midiático, Paulo, quando o faz, procura apenas defender seu apostolado dos ataques desferidos pelos falsos apóstolos. Ele o faz com muita humildade. Ainda assim Deus o refreia colocando um espinho na sua vida!
O tal homem que é ele mesmo, é colocado em cena na terceira pessoa do singular. Ele prefere não realçar sua personalidade. Ele não é presunçoso. Diferente dos super apóstolos, ele evita a notoriedade.
Não queria gloriar-se nas revelações e visões do Senhor.
*O certo é que estas visões não irão se repetir mais em nossos dias*
Pretendo demonstrar o porquê.
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Paulo teve pelos menos 7 visões durante seu prolífico ministério (At 9:4,5; 16:9,10; 18:9,10; 22:17,18; 23:11; 2Co 12:2,3; Gl 2:2). Estas visões e revelações foram dadas a Paulo porque ele era um apóstolo de Jesus Cristo. Era um portador dos mistérios de Deus (1Co 4:1; Ef 3:3-6). Ele fora levantado para receber a revelação do caminho da redenção e da história da salvação que Deus estava desenvolvendo. Tanto os milagres operados pelos apóstolos originais e suas revelações autenticavam o apostolado deles.
O Paraíso
Terceiro Céu e Paraíso são equivalentes (Lc 23:43).
Paulo diz que foi arrebatado para este lugar. Porém, ele tem dúvidas quanto ao modo de sua arrebatadora experiência celestial:
"Se no corpo" - significa que foi fisicamente para o céu assim como Enoque e Elias (Gn 5:24; 2Reis 2:11);
*"Se fora do corpo"* - Sendo assim, foi uma visão semelhante a de João em Patmos (Ap 1:10).
Os "apóstolos" modernos
Hoje muitos alegam a possibilidade de ocorrer as mesmas experiências dos apóstolos de Jesus.
Contrariando o entendimento da igreja, se alguém alegar que recebeu alguma revelação extra-bíblica, podemos inferir que o cânon ainda não foi fechado. E que Deus continua revelando. Contudo, o encerramento do cânon ocorreu no final do primeiro século (Ap 22; Jd 3).
A experiência particular de Paulo não fê-lo normatizar uma doutrina para a igreja.
Hoje em dia há muitos líderes que constroem seus ministérios em torno de experiências particulares. E pretendem dogmatizar o que alegam ter recebido diretamente de Deus.
Isso é perigoso.
Mas as revelações e visões foram comuns apenas no período apostólico quando Deus estava completando a sua revelação final; a Escritura.
A Bíblia é a revelação especial na qual Deus diz tudo o que quer dizer. Portanto, não deveríamos esperar que Deus nos fale através dessas experiências (Hb 1:1,2; 2Pe 2:19-21; Jd 3).
Palavras inexprimíveis
Paulo ouviu palavras inefáveis. Como das outras vezes, foram as palavras do próprio Jesus. Assim como João em Patmos, ele estava em espírito quando fora levado à presença do Cristo glorificado.
Foi tão glorioso que Paulo não tinha palavras adequadas para exprimi-las ou talvez notasse que não seria apropriado relatá-las.
As coisas que Deus tem nos reservado são incógnitas e incomparáveis com as coisas que presumimos existir (Rm 8:18; 2Co 4:17).
*Conclusão*
Não duvide que milhões de crentes morreram sem ter obtido uma única experiência como a de Paulo.
Não fique triste porque seus olhos nunca viram um anjo sequer.
Deus não falará com o seu povo a não ser pela maneira ordinária, ou seja, através da sua Palavra. E através da sua soberana Providência.
Avelino Amaro