17/09/2023
NOITE, 16 DE SETEMBRO
Jó 7:12
Acaso, sou eu o mar ou algum monstro marinho, para que me ponhas guarda?
Esta foi uma pergunta estranha que Jó fez ao Senhor. Ele se sentiu insignificante demais para ser tão severamente vigiado e castigado, e esperava não ser tão indisciplinado a ponto de precisar ser refreado de tal forma. A indagação era natural, vinda de alguém cercado de tais misérias insuportáveis, mas é, no fim das contas, passível de uma resposta que nos coloca em submissão.
É verdade que o homem não é o mar, mas é ainda mais importuno e obstinado. O mar respeita obedientemente seu limite; e ainda que esse limite seja apenas um cordão de areia, ele não o sobrepõe. Poderoso como é, ouve o "até aqui” divino e, quando mais feroz, em tempestade, ainda respeita a palavra; mas o homem obstinado desafia o céu e oprime a Terra e não há fim para sua ira rebelde.
O mar, obediente à lua, tem seu fluxo e refluxo com regularidade contínua e, desta maneira, exprime obediência ativa e passiva; mas o homem, impaciente além de seus limites, dorme no momento da tarefa, é negligente quando deveria ser diligente. Ele não vai ou vem ao comando divino, mas, de mau humor, prefere fazer o que não deveria e deixar incompleto o que lhe é exigido.
Todas as gotas no oceano, todas as bolhas e todos os flocos de espuma, todas as conchas e seixos, sentem o poder da lei e se rendem ou movem-se imediatamente. Ah! Se nossa natureza fosse um milésimo tão conformada à vontade de Deus!
Chamamos o mar de inconstante e infiel, mas como é constante! Desde os dias de nossos patriarcas e os tempos antigos, o mar está onde sempre esteve, chocando-se contra os mesmos despenhadeiros, na mesma sintonia; sabemos onde encontrá-lo, ele não abandona seu leito e não muda seu estrondo incessante; mas onde está o homem fútil e volúvel? Pode o homem sábio adivinhar por qual insensatez será seduzido, distanciando-se da obediência? Nós precisamos ser mais vigiados do que o mar revolto e somos muitos mais rebeldes. “Senhor, governa sobre nós para a Sua glória. Amém."
Charles Haddon Spurgeon (1834 - 1892)
Dia a Dia com Spurgeon - Manhã & Noite Meditações diárias.