Capela de SÃO PEDRO

Capela de SÃO PEDRO Organização Religiosa

06/03/2023

“Velatio” Cobrir as imagens na Quaresma

A tradição de cobrir os santos durante a Quaresma é muito antiga. Para entendê-la é preciso primeiro entender o que signif**am as imagens dos santos numa igreja.

Quando entramos na Igreja e vemos as imagens, recordamos o mistério da Comunhão dos Santos: nós formamos com Eles, que já estão glorif**ados com Cristo Ressuscitado, a única Igreja que é Igreja Triunfante (que está nos céus), Igreja padecente (no Purgatório) e Igreja militante (nós na Terra). As imagens são, pois, uma mensagem de alegria: anunciam para nós essa consoladora e alegre verdade da fé de que estamos unidos à vitória daqueles que viveram antes de nós e – como nós – seguiram a Jesus.

Quando cobrimos os santos na quaresma e, sobretudo na Semana Santa, estamos querendo representar que, antes de eles viverem o mistério da glória com Cristo, passaram pelo mistério da dor, dos sofrimentos e da morte de Jesus.

Os santos não são cobertos como sinal de luto, mas sim como sinal do mistério de “solidariedade” e união profunda ao mistério da Paixão do Senhor. Nós os cobrimos, dando um ar “pesante” ao espaço litúrgico, nada alegre, pois agora é tempo de pensar na paixão do senhor.

Isso f**a ainda mais claro quando, no canto do Glória na Vigília Pascal vemos cair os panos roxos e volta a alegria pois, no lugar daquela cor pesada e triste, aparecem de novo as imagens coloridas e bonitas, sinais de quem venceu com Cristo, tendo passado pela sua cruz em união à Dele.

Cobrir e descobrir os santos, então, nos remete ao Mistério Pascal, que é mistério de morte e ressurreição, de sofrimento e de alegria, de perca e de vitória. Cobrir os santos é linguagem simbólica muito expressiva, que tem sido recuperada em muitas Comunidades Cristãs, que estão se conscientizando do valor e da necessidade do simbolismo na caminhada humana. Infelizmente esse uso foi se perdendo (mas isso é até concebível diante da retirada das imagens das igrejas na década de 70) e muitas comunidades simplesmente aboliram o seu uso nem nenhuma explicação.

Do ponto de vista espiritual, o costume da velatio foi interpretado como sinal da penitência à qual todos os fiéis são chamados como sinal da antecipação do luto da Igreja pela morte do seu Esposo e da humilhação de Cristo, que teve de esconder-se para escapar da ameaça de morte. (Cf.: Jo 8,59).

O motivo principal para a orientação de COBRIR AS IMAGENS NAS IGREJAS, COM VÉUS ROXOS, é para que os fiéis não “se distraiam” com os Santos e que a sua devoção deve estar fundamentada no Mistério Pascal de Cristo, ou seja, na Sua paixão, morte e ressurreição.

Assim, cobrindo-se todas as imagens dos Santos e os crucifixos, surge com maior evidência o que há de essencial nas igrejas: o altar, onde se opera e atualiza o Mistério Pascal de Cristo, por seu Sacrifício incruento.

Com os sinais externos da penitência, do recolhimento, da purif**ação da visão e do coração, de tudo o que é secundário ou mesmo supérfluo, poderemos concentrar o nosso sentir, pensar e agir no Cristo Crucif**ado. Com os olhos fixos no Senhor, percorrendo com Ele a Via Dolorosa, chegaremos às núpcias do Cordeiro Redivivo, à Páscoa da Ressurreição.

A rubrica no Missal Romano, 2ª edição típica, no sábado da IV semana da Quaresma (pág. 211, em português) e também a contida na Paschalis Sollemnitatis: A Preparação e Celebração das Festas Pascais, nº 26, nos ensina que:

“o uso (costume) de cobrir as cruzes e as imagens na igreja, desde o V Domingo da Quaresma, pode ser conservado segundo a disposição da Conferência Episcopal. As cruzes permanecem cobertas até ao término da celebração da Paixão do Senhor na Sexta-feira Santa; as imagens até ao início da Vigília Pascal”.

A grande diferença entre as rubricas dos dois Missais (de Trento e do Vaticano II) consiste no seguinte: no primeiro, cobrir as Cruzes e Imagens era obrigatório (“cobrem-se...”); No segundo, deixou de sê-lo (“pode ser conservado...”).

25/01/2023

*🌿Conversão de São Paulo🌿*

🗓25 de Janeiro

➖A pessoa de Paulo é tão importante para a Igreja, por causa de seu apostolado, que celebramos o dia de sua conversão. Para nós brasileiros, esta data também marca a fundação da maior cidade do país, em 1554.

Saulo, nome do apóstolo antes da conversão, nasceu na cidade de Tarso. Esta cidade era um pólo de desenvolvimento financeiro e comercial, um centro cultural da antiguidade. Seu pai era fariseu e judeu descendente da tribo de Benjamim. Por causa da fidelidade ao imperador, a família de Saulo tinha recebido a cidadania romana.

Portanto, Saulo era um cidadão romano, fariseu de linhagem nobre, bem situado financeiramente, religioso, inteligente, estudioso e culto. Aos quinze anos foi para Jerusalém dar continuidade aos estudos de latim, grego e hebraico, na conhecida Escola de Gamaliel. Seus pais sonhavam que o filho seria um famoso Rabi.

Saulo era um perseguidor dos cristãos. Tinha raiva dos seguidores de Cristo. Mas Deus tinha reservado para ele um outro caminho. A Escritura nos conta que Saulo foi surpreendido por Jesus, que em forma de luz, fez o jovem fariseu mudar completamente de vida. De perseguidor, Saulo tornou-se o maior propagador da fé. Era agora chamado de Paulo.

O jovem foi batizado por Ananias, um cristão de Damasco. Desta cidade saiu a pregar a palavra de Deus, como lhe ordenara Jesus, tornando-se Seu grande apóstolo. Paulo passou a viajar pelo mundo, evangelizando e realizando centenas de conversões. Perseguido incansavelmente, foi preso várias vezes e sofreu muito, sendo martirizado no ano 67, em Roma.

*💭Reflexão:*
O Senhor fez de Paulo seu grande apóstolo, o apóstolo dos gentios, isto é, o evangelizador dos pagãos. Ele escreveu 14 cartas, expondo a mensagem de Jesus, que se transformaram numa verdadeira "Teologia do Novo Testamento". É sem dúvida o grande missionário da fé cristã.

*✝Oração:*
Ó grande apóstolo São Paulo, mestre dos gentios, corajoso, seguidor de Cristo, destemido evangelizador, fundador de comunidades, dai-nos este espírito de apóstolo de vosso Mestre Jesus, a fim de que possamos dizer a todos - "Já não sou eu quem vivo, mas é o Cristo que vive em mim". Amém.

24/10/2022

Mártir Benigna

Benigna Cardoso da Silva nasceu no dia 15 de outubro de 1928. Era filha de José Cardoso da Silva e de Thereza Maria da Silva, ficou órfã de pai e mãe na infância, juntamente com seus três irmãos mais velhos. Benigna então, passou a ser criada pelas senhoras Rosa e Honorina Sisnado Leite, filhas de Leonor e Cirineu Sisnando, proprietários do sítio Oitis. Lá, a menina estudava e ajudava nos afazeres domésticos.

Era fim de tarde do dia 24 de outubro de 1941, Benigna carregava um pote, quando foi violentamente atacada e assassinada com golpes de facão por Raul Alves Ribeiro, de 13 anos. A menina, também com 13 anos, lutava para se defender do assassino que tentava estuprá-la.

Benigna tinha fortes hábitos religiosos e chegou a fazer a primeira comunhão sozinha, na capela de São vicente, pois aprendeu antes de todos, as orações. A única foto que existe da menina, é um retrato falado, mas segundo a sra. Maria Fernandes, que estudou com ela, a foto nada parece com Benigna, pois ela tinha um rosto pequeno, cabelo curto e nariz achatado.

O crime que abalou a pequena cidade passou a ser investigado pela polícia, que fez diligências e chegou inclusive a prender o irmão da vitima como suspeito, bem como outros suspeitos. Ninguém imaginava que uma pessoa conhecida de todos e da mesma idade da criança, seria seu assassino. Até que um dia, por brincadeira de um vizinho, Raul, que na verdade se chamava Raimundo, acabou sendo preso. O amigo disse em tom de brincadeira, que a polícia o estava procurando. Assustado, Raul saiu correndo, daí veio a desconfiança. O facão apareceu e o assassino foi preso, sendo levado inicialmente para Fortaleza, para um abrigo de menores, onde chegou a cumprir pena. Não se sabe por quanto tempo, pois esse processo ainda não foi encontrado.

As pessoas começaram a visitar o local onde Benigna foi morta, faziam promessas e alcançavam graças. A fama de mártir e milagreira foi se espalhando pelos povoados da Chapada do Araripe. Já são mais de cem casos relatados de milagres por intercessão da mártir. No sitio Oitis, foi construída uma capela a 200 metros do local onde a menina foi morta. Para os moradores da região, Benigna foi morta na defesa de sua castidade, resistindo ao violento assédio de Raul, por isso, é considerada uma “virgem mártir da pureza”.

Hoje, 82 anos depois, a menina Benigna, como é chamada, será beatif**ada.

Os restos mortais de Benigna Cardoso da Silva foram sepultados na Igreja Matriz de Santana do Cariri, em maio de 2011. Milhares de pessoas participaram do ato e já louvam a menina como Santa.

Hoje será sua beatif**ação na Diocese do Crato pelo cardeal Ulrich Steiner da Diocese de Manaus.

Com sua beatif**ação ela será a primeira beata cearense.

20/10/2022

𝑬𝑴 𝑶𝑼𝑻𝑼𝑩𝑹𝑶 𝑽𝑰𝑽𝑬-𝑺𝑬 𝒐 𝒎𝒆̂𝒔 𝒅𝒐 𝑺𝒂𝒏𝒕𝒐 𝑹𝒐𝒔𝒂́𝒓𝒊𝒐.

No mês de outubro, a Igreja celebra o mês do Santo Rosário, uma oração querida por muitos santos ao longo da história e divulgada por São Domingos de Gusmão a pedido da Santíssima Virgem Maria.

Segundo a história, antigamente romanos e gregos costumavam coroar com rosas as imagens que representavam os seus deuses, como símbolo da oferta dos seus corações. A palavra “rosário” signif**a “coroa de rosas”.

Seguindo essa tradição, as mulheres cristãs que marcharam ao coliseu romano para serem martirizadas, usavam coroas de rosas nas suas cabeças, como símbolo da alegria e da entrega dos seus corações para ir ao encontro de Deus. Estas rosas eram recolhidas à noite pelos cristãos, que rezavam uma oração ou um salmo pelo eterno descanso dos mártires.

A Igreja recomendou rezar este rosário recitando os 150 salmos de Davi, entretanto, só faziam isso as pessoas cultas, mas não a maioria dos fiéis. Diante dessa situação, sugeriu que aqueles que não sabiam ler, substituíssem os salmos por 150 Ave Marias, divididas em quinze dezenas. Este “rosário curto” era conhecido como “o saltério da Virgem”.

Alguns séculos depois, exatamente no ano 1208, dizem que a Virgem Maria ensinou a São Domingos de Gusmão, fundador da Ordem dos Pregadores (dominicanos), a oração do Rosário.

O santo espanhol estava no sul da França, lutando contra a heresia albigense. Um dia, na capela que estava em Prouille, implorou a Nossa Senhora que o ajudasse, pois sentia que não estava conseguindo quase nada.

A Virgem apareceu-lhe segurando um rosário e ensinou-lhe a recitá-lo. Em seguida, pediu que o pregasse por todo o mundo, prometendo-lhe que muitos pecadores se converteriam e conseguiriam abundantes graças.

São Domingos de Gusmão deixou a capela cheio de entusiasmo com o rosário na mão. E, efetivamente, levou-o por todas as partes e muitos albigenses voltaram à fé católica.

Alguns anos depois, em 7 de outubro de 1571, aconteceu a batalha naval de Lepanto, quando o cristianismo foi ameaçado pelos turcos. Frente ao perigo iminente, alguns dias antes, o papa São Pio V pediu aos fiéis que rezassem o rosário pedindo pelas forças cristãs.

A história conta que o pontífice estava em Roma, resolvendo alguns assuntos, quando de repente levantou-se e anunciou que sabia que a frota cristã havia triunfado. Ordenou que tocassem os sinos e organizassem uma procissão. Logo depois, os mensageiros chegaram anunciando a vitória. Em seguida, instituiu a festa de Nossa Senhora das Vitórias, em 7 de outubro.

Um ano depois, Gregório XIII mudou o nome da festa para Nossa Senhora do Rosário e determinou que fosse celebrada no primeiro domingo de outubro (dia em que a batalha foi vencida). Atualmente, celebra-se a festa do Rosário em 7 de outubro e alguns dominicanos continuam comemorando esta festa no primeiro domingo do mês.

Durante vários séculos os fiéis rezaram os rosários divididos em três mistérios: gozosos, dolorosos e gloriosos. Entretanto, em outubro de 2002, foi apresentada a Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, na qual São João Paulo II acrescentou a oração os “mistérios luminosos”, centrados na vida pública de Jesus.

O Santo Rosário foi a oração preferida de muitos santos e pontífices. Assim, em outubro de 2016, o Papa Francisco afirmou: “A oração do Rosário sempre me acompanha na minha vida; também é a oração dos simples e dos santos… é a oração do meu coração”.

Fonte: acidigital

06/10/2022
05/10/2022

São Benedito e a simplicidade

Hoje comemora-se o dia de São Benedito, um dos santos mais queridos e cuja devoção é muito popular no Brasil. Cultuado inicialmente pelos escravos negros, por causa da cor de sua pele e de sua origem africana, passou a ser amado por toda a população como exemplo da humildade e da pobreza. Esse fato também lhe valeu o apelido que tinha em vida, "o Mouro". Tal adjetivo, em italiano, é usado para todas as pessoas de pele escura e não apenas para os procedentes do Oriente. Já entre nós ele é chamado de São Benedito, ou apenas "o Santo Negro".

Benedito Manasseri nasceu em 1526, na pequena aldeia de São Fratelo, em Messina, na ilha da Sicília, Itália. Era filho de africanos escravos vendidos na ilha. O seu pai, Cristóforo, herdou o nome do seu patrão, e tinha se casado com sua mãe, Diana Lancari. O casamento foi um sacramento cristão, pois eram católicos fervorosos. Considerados pela família à qual pertenciam, quando o primogênito Benedito nasceu foram alforriados junto com a criança, que recebeu o sobrenome dos Manasseri, seus padrinhos de batismo.

Cresceu pastoreando rebanhos nas montanhas da ilha e, desde pequeno, demonstrava tanto apego a Deus e à religião que os amigos, brincando, profetizavam: "Nosso santo mouro".

Aos vinte e um anos de idade, ingressou entre os eremitas da Irmandade de São Francisco de Assis, fundada por Jerônimo Lanza sob a Regra franciscana, em Palermo, capital da Sicília. E tornou-se um religioso exemplar, primando pelo espírito de oração, pela humildade, pela obediência e pela alegria numa vida de extrema penitência. Na Irmandade, exercia a função de simples cozinheiro, era apenas um irmão leigo e analfabeto, mas a sabedoria e o discernimento que demonstrava fizeram com que os superiores o nomeassem mestre de noviços e, mais tarde, foi eleito o superior daquele convento. Mas quando o fundador faleceu, em 1562, o Papa Paulo IV extinguiu a Irmandade, ordenando que todos os integrantes se juntassem à verdadeira Ordem de São Francisco de Assis, pois não queria os eremitas pulverizados em irmandades sob o mesmo nome. Todos obedeceram, até Benedito, que sem pestanejar escolheu o Convento de Santa Maria de Jesus, também em Palermo, onde viveu o restante de sua vida. Ali exerceu, igualmente, as funções mais humildes, como faxineiro e depois cozinheiro, ganhando fama de santidade pelos milagres que se sucediam por intercessão de suas orações.

Eram muitos príncipes, nobres, sacerdotes, teólogos e leigos, enfim, ricos e pobres, todos se dirigiam a ele em busca de conselhos e de orientação espiritual segura. Também foi eleito superior e, quando seu período na direção da comunidade terminou, voltou a reassumir, com alegria, a sua simples função de cozinheiro.

E foi na cozinha do convento que ele morreu, no dia 4 de abril de 1589, como um simples frade franciscano, em total desapego às coisas terrenas e à sua própria pessoa, apenas um irmão leigo gozando de grande fama de santidade, que o envolve até os nossos dias.

Foi canonizado em 1807, pelo Papa Pio VII. Seu culto se espalhou pelos quatro cantos do planeta. Em 1652, já era o Santo Padroeiro de Palermo, mais tarde foi aclamado santo padroeiro de toda a população afro-americana, mas especialmente dos cozinheiros e profissionais da nutrição.

E mais: na igreja do Convento de Santa Maria de Jesus, na capital siciliana, venera-se uma relíquia de valor incalculável: o corpo do "santo Mouro", profetizado na infância e ainda milagrosamente intacto. Assim foi toda a vida terrena de São Benedito, repleta de virtudes e especiais dons celestiais provindos do Espírito Santo.

04/10/2022

São Francisco não escreveu a “Oração de São Francisco”? Não!

Fez algo bem mais importante!
oração de São Francisco

Como o Santo Pobrezinho inspirou uma das mais famosas orações da história, rezada até por ateus: “Senhor, fazei de mim instrumento da vossa paz”
São Francisco de Assis é um dos santos mais conhecidos e queridos do mundo, admirado por crentes e não crentes em todos os recantos da Terra. Não é para menos: um santo que não apenas pregou, mas viveu e testemunhou radicalmente o Amor de Deus por toda criatura é alguém que sempre inspira e fascina.

Graças a essa inspiração e fascínio, no entanto, ele é também um dos santos mais envolvidos em lendas e falsas atribuições, no geral positivas e bem intencionadas.

Um exemplo é a chamada “Oração de São Francisco”, também chamada de “Oração Simples” e de “Oração da Paz“, que certamente é muito digna do Pobrezinho de Assis: de fato, todos a atribuem a ele.

Só que…

Não, a “Oração de São Francisco” não foi composta por São Francisco.

Ela é de um autor anônimo que viveu faz apenas um século.

Mas, se não é de São Francisco, por que ficou tão incrivelmente famosa como sendo dele?

Porque de fato consegue transmitir com grande acerto a alma de São Francisco. Ele não a escreveu, mas a viveu e testemunhou: ele a inspirou com sua vida! Nada mais justo que continuar a chamá-la de “Oração de São Francisco“, mas com a consciência de que, muito mais que ser um mero texto, ela é um tributo a um testemunho que foi dado com a vida!

Que história é essa?

Esta bela oração remonta a dezembro de 1912, quando foi publicada na revista La Clochette, criada pelo sacerdote e jornalista Esiher Suquerel (+ 1923). É possível que ele mesmo tenha sido o autor da prece, mas não há certeza.

Em 1913, a oração foi descoberta por Louis Boissey (+ 1932), apaixonado pelo tema da paz, e, em janeiro, publicada nos Annales de Notre Dame de Paix, da França, citando como fonte a revista La Cloclette. No mesmo ano, Estanislau de la Rochethoulon Grente (+ 1941), fundador de Le Souvernir Normand, publicou-a em sua revista.

Em 20 de janeiro de 1916, apareceu no L’Osservatore Romano, segundo o qual Le Souvenir Normand havia enviado ao Santo Padre “o texto de algumas orações pela paz. Entre elas, compraz-nos reproduzir uma, dirigida especialmente ao Sagrado Coração. Eis aqui o texto, com sua comovente simplicidade”. Em 3 de fevereiro do mesmo ano, La Croix de Paris dava a conhecer que, em 25 de janeiro, o cardeal Gasparri havia escrito ao marquês de La Rochethulon et Gante agradecendo-lhe pelo envio feito à Sua Santidade. Três dias depois, o mesmo jornal reproduziu o texto publicado por L’Osservatore Romano.

Foi naqueles dias que o capuchinho Etienne de Paris, diretor da Ordem Terciária, fez imprimir em Reims uma imagem de São Francisco, com a invocação ao sagrado Coração em seu verso. No rodapé, sublinhava que aquela oração, retirada de Le Souvenir Normand, era uma síntese perfeita do ideal franciscano que precisava ser promovido na sociedade da época.

Os primeiros que relacionaram a oração a São Francisco foram os Chevaliers de la Paix, ou Cavaleiros da Paz, uma organização protestante, às vésperas do 7º centenário da morte do santo (1926). A partir de 1925, a oração começou a ser difundida pelo mundo afora, a partir dos Estados Unidos e do Canadá. Seguiram-nos os países germânicos. Na mídia católica francesa, começaram a atribuí-la a São Francisco em 1947. Na segunda metade do século XX, a “Oração Simples”, como a chamavam em Assis, começou a tornar-se popular, sobretudo quando os frades do Sacro Convento a imprimiram em diversas línguas, sob o seu nome, nas imagens de São Francisco. O resto da história nós já conhecemos: difusão no mundo inteiro, infinidade de versões em cada língua e em todas as línguas, devido à diversidade de traduções e “retraduções”, e muitíssimos cânticos inspirados nela.

Recitada até por ateus

Esta prece se tornou quase a oração oficial dos escoteiros e das famílias franciscanas; os anglicanos a consideram como a oração ecumênica por excelência; algumas igrejas e congregações protestantes a adotaram inclusive como texto litúrgico; ela foi pronunciada em uma das sessões da ONU; e, ultimamente, está tendo uma grande acolhida entre as religiões não cristãs, sobretudo desde que Assis se tornou o centro mundial do ecumenismo e do diálogo inter-religioso. Não faltam ateus que a recitam!

Riqueza de conteúdo

O segredo deste grande sucesso se deve sobretudo à atribuição a São Francisco, mas também à riqueza do conteúdo, unida à sua simplicidade; e é precisamente o conteúdo e o título original, “Invocação ao Sagrado Coração”, que permitem atribuir sua composição a um autor não anterior ao início do século XX.

Uma fonte de inspiração pode ter sido a seguinte fórmula de consagração ao Sagrado Coração, promulgada por Leão XIII em 1899 e recomendada por São Pio X em 1905 para ser recitada anualmente:

“Sede o Rei de todos os que vivem no engano do erro ou que, por discordarem, de Vós se separaram; chamai-os ao porto da verdade e da unidade da Fé, para que, assim, em breve, não haja mais que um só rebanho sob um só Pastor. Sede o Rei de todos os que estão envoltos nas superstições do paganismo e não recuseis tirá-los das trevas para trazê-los à luz do Reino de Deus. Obtende, ó Senhor, a integridade e liberdade segura para a vossa Igreja; dai a todo o povo a tranquilidade da ordem”.

Uma inspiração certamente franciscana

Tinha razão, de qualquer maneira, o pe. Etienne de Paris quando encontrava nesta oração anônima certa concordância com o espírito e o estilo franciscanos. Para comprovar isso, é suficiente ler, por exemplo, a Admoestação 27 de São Francisco, escrita como uma estrofe:

Onde há caridade e sabedoria, não há medo nem ignorância.Onde há paciência e humildade, não há ira nem perturbação.Onde à pobreza se une a alegria, não há cobiça nem avareza.Onde há paz e meditação, não há nervosismo nem dissipação.Onde o temor de Deus está guardando a casa (cf. Lc 11,21),o inimigo não encontra porta para entrar.

Isso é o que faz que a oração seja considerada por muitos como franciscana e, ainda que seja um erro atribuí-la a São Francisco de Assis, com certeza ele não se importaria em assiná-la.

E aqui vai ela, sempre merecedora de ser rezada!

A Oração “de São Francisco”
Senhor: Fazei de mim um instrumento de vossa Paz.Onde houver Ódio, que eu leve o Amor,Onde houver Ofensa, que eu leve o Perdão.Onde houver Discórdia, que eu leve a União.Onde houver Dúvida, que eu leve a Fé.Onde houver Erro, que eu leve a Verdade.Onde houver Desespero, que eu leve a Esperança.Onde houver Tristeza, que eu leve a Alegria.Onde houver Trevas, que eu leve a Luz!Ó Mestre,fazei que eu procure mais:consolar, que ser consolado;compreender, que ser compreendido;amar, que ser amado.Pois é dando que se recebe,perdoando que se é perdoado,e é morrendo que se vive para a vida eterna!Amém.Autoria anônima,atribuída a São Francisco de Assis
___________________________

A partir de texto do Frei Tomás Gálvez, publicado originalmente em FrateFrancesco.org

Bibliografia:

– Willibrord Christiann van Dijk, Une prière en quête d’auteur, em Evangile Aujourd’hui, 1975, n. 86, 65-70.

– Jerôme Poulenc, L’inspiration moderne de la prière “Seigneur faites de moi un instrument de votre paix”, em Archivium Franciscanum Historicum, 68 (1975), 450-453.

– Christian Renoux, La priére pour la paix attribuée a Sant François: une énigme a résoudre. Les Editions Franciscaines, 9 rue Marie Rose, 75014-Paris, 2001. La preghiera per la pace attribuita a san Francesco. Padova, Edizioni Messaggero, 2003, 179 págs.

01/10/2022

Santa Terezinha

Santa Tereza do Menino Jesus nasceu no dia 2 de janeiro de 1873 em Alençom, baixa Normandia, na França. Desde o nascimento foi fraca e doente. Seu nome de batismo era Marie Françoise Thérèse Martin (Maria Francisca Tereza Martin). Filha de Louis Martim, relojoeiro e joalheiro, que quis ser monge na ordem de São Bernardo de Claraval, e Zélie Guérin, famosa bordadeira do ponto de Alençon.

Sua mãe faleceu quando Terezinha tinha apenas quatro anos. Por isso, a menina se apegou à sua irmã mais velha, Paulina, que passou a ser tida por ela como segunda mãe. Paulina, porém, seguindo a própria vocação, entrou para o Carmelo. Terezinha ficou muito doente causando grande preocupação em seu pai e irmãs. Um dia, porém, olhando para a imagem da Imaculada Conceição de Maria, de quem seus pais eram devotos, a Virgem sorriu para Terezinha e esta ficou curada. Desse dia em diante, Terezinha decidiu entrar para o Carmelo. Suas irmãs, que também se tornaram freiras, eram Maria, Paulina, Leônia e Celina. Seus 3 irmãos morreram muito cedo. Terezinha estudou no colégio da Abadia das monjas beneditinas de Lisieux por 5 anos.

A vida de Santa Tereza do Menino Jesus

Santa Terezinha estava decidida a entrar para a ordem das carmelitas descalças, mas como tinha apenas 14 anos, não poderia, por causa das regras da Igreja. Mas ela não desistiu. Numa viagem feita à Itália, teve a audácia de pedir autorização ao Papa Leão Xlll e este concedeu. Assim, em abril de 1888 ela entra para o Carmelo com o nome de Thérèse de I’Enfant Jesus (Tereza do Menino Jesus). Fez sua profissão religiosa em setembro de 1890, festa da Natividade da Virgem Maria, acrescentando em seu nome, Thérèse de I’Enfant Jesus Et de La Sainte Face, (Tereza do Menino Jesus e Sagrada Face).

Vida de santidade

Santa Terezinha levou a sério o caminho da perfeição escrito por sua fundadora Santa Tereza de Jesus (Santa Tereza D’Ávila). Porém, Terezinha revelou ao mundo que a perfeição e a santidade podem estar nas pequenas coisas, nos pequenos gestos e obrigações cotidianas que fazemos com amor. Ela dizia: Sigamos o caminho da simplicidade. Entreguemo-nos com todo o nosso ser ao amor. Em tudo busquemos fazer a vontade de Deus. O zelo pela salvação das pessoas devore nosso coração.

O Legado de Santa Tereza do Menino Jesus

Santa Terezinha escreveu três manuscritos a pedido de sua irmã Paulina. Esses manuscritos são sua autobiografia e foram publicados em 1898 com o título de História de uma Alma, livro que, posteriormente, veio a se tornar um dos maiores best sellers da história.

Em seus escritos, Terezinha ensina a teologia profunda da simplicidade: a pequena via. Um caminho de santidade baseado nas pequenas coisas, nos pequenos atos do cotidiano que, quando feitos com amor, produzem frutos de santidade. Ela dizia que não tinha forças para fazer as grandes obras heróicas dos santos famosos da Igreja, mas só conseguia fazer pequenas coisas. Mas nessas pequenas coisas estava o segredo de sua santidade. Pegar um alfinete caído no chão, com amor, produz fruto de santidade.

Missionária sem nunca sair do Carmelo

Santa Tereza do Menino Jesus se tornou a padroeira das missões sem nunca ter saído do Carmelo. Ela dizia: Compreendi que a igreja tinha um Coração, e que este coração ardia de Amor. Compreendi que só o Amor fazia os membros da igreja agirem, que se o Amor viesse a se apagar, os Apóstolos não anunciariam mais o Evangelho, os Mártires se recusariam a derramar seu sangue... Por isso, ela dizia: No coração da Igreja, serei o amor. Dizia sempre que o que conta é o amor, só o amor. É contemplar no outro a pessoa de Jesus. Para ela ser missionário não é uma questão de geografia e sim uma questão de amor.

Santa Tereza do Menino Jesus, a Santa das Rosas

Santa Terezinha f**ava feliz quando jogava pétalas de rosas ao ver passar o Santíssimo Sacramento no ostensório, e também gostava de jogar flores no grande crucifixo que f**ava no jardim do Carmelo. Disse antes de morrer: Vou fazer chover sobre o mundo uma chuva de rosas, dizendo assim que iria interceder a Deus, sempre por todos os povos. Por isso, na Novena de Santa Terezinha o fiel espera receber uma rosa como sinal de que seu pedido será atendido.

Falecimento de Santa Terezinha

Santa Tereza do Menino Jesus sofreu por quase 3 anos de tuberculose, que, naquela época não tinha cura. Chegou a dizer que jamais pensou que fosse capaz de sofrer tanto, mas teve paciência e fez tudo por amor, sem jamais reclamar nem murmurar. Faleceu no dia 30 de setembro de 1897, aos 24 anos. No leito de morte as monjas rezavam e anotavam tudo que ela dizia. Sua última frase foi: Não me arrependo de haver-me entregue ao amor. E com o olhar fixo no crucifixo exclamou: Meu Deus, eu te amo. Então, faleceu a jovem que depois foi chamada de a Maior Santa dos tempos modernos.

Devoção a Santa Tereza do Menino Jesus

Antes de ser canonizada Santa Tereza do Menino Jesus foi beatif**ada em abril de 1923. Sua canonização foi feita pelo Papa Pio Xl, em 1925 no dia 17 de maio. No ano de 1927 foi declarada Patrona Universal das Missões Católicas. Foi nomeada Padroeira Secundária da França, junto com Santa Joana D’arc. Em 1997 no centenário de sua morte, o Papa João Paulo ll, na Carta Apostólica, Divinis Amoris Scientia, a declara Doutora da Igreja por causa da sua mensagem da Infância Espiritual e da Contemplação da Face de Cristo. Seus pais, Luis Martin e Zélia Guerin, foram beatif**ados pela Igreja, no ano de 2008, no dia Mundial das Missões, na basílica de Lisieux, dedicada a Santa Terezinha.

Oração a Santa Tereza do Menino Jesus

Ó Santa Terezinha, branca e mimosa flor de Jesus e Maria, que embalsamais o Carmelo e o mundo inteiro com vosso suave perfume, chamai-nos e nós correremos convosco, ao encontro de Jesus, pelo caminho da renúncia, do abandono e do amor. Fazei-nos simples e dóceis, humildes e confiantes para nosso Pai do céu. Não permitais que o ofendamos com o pecado. Socorrei-nos em todos os perigos e necessidades; socorrei-nos em todas as aflições e alcançai-nos todas as graças espirituais e temporais, especialmente a graça que estamos precisando agora, (fazer o pedido). Lembrai-vos ó Santa Terezinha, que prometestes passar vosso céu fazendo o bem a terra, sem descanso, até ver completo o numero de eleitos. Cumpri em nós vossa promessa: sede nosso anjo protetor na travessia desta vida e não descanseis até que nos vejais no céu, ao vosso lado, contando as ternuras do amor misericordioso do Coração de Jesus. Amém.

Endereço

Pentecoste, CE
62640-000

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