06/04/2025
O deserto sempre carregou um significado especial nas Escrituras. À primeira vista, parece ser apenas um lugar de escassez, solidão e silêncio. Mas, para Deus, o deserto é um lugar de encontro, de lapidação e de revelação. Foi nesse ambiente aparentemente hostil que João Batista surgiu. Ele não veio dos templos, nem das sinagogas. Ele veio do deserto — lugar onde sua voz encontrou força, não por ser a mais alta, mas por ser a mais alinhada ao céu.
João tinha clareza do seu chamado: preparar o caminho. Ser a ponte entre o que era e o que estava por vir. Ele não buscava reconhecimento, nem lugar de destaque. E quando Jesus apareceu, João fez o que muitos não teriam coragem de fazer: recuou. Saiu de cena. Não por se sentir pequeno, mas por reconhecer a grandeza de quem havia chegado. “É necessário que Ele cresça, e que eu diminua.” João 3:30
Como igreja, esse também é o nosso papel. Somos chamados a preparar o caminho, a abrir espaço para que Cristo seja revelado. Não estamos aqui para reter a glória, mas para conduzi-la ao seu verdadeiro destino: Jesus. E quando Ele entra em cena, quando Sua presença se manifesta, é nossa hora de dar lugar. De entender que toda pregação, toda ação, toda estrutura, tudo precisa apontar para Ele. Porque o centro não somos nós. O centro é e sempre será Cristo.
Que o deserto nos ensine, como ensinou a João, que os maiores encontros acontecem longe dos holofotes, e que a maior honra é preparar o caminho e então desaparecer na presença do Rei.